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sábado, 22 de fevereiro de 2025

Capitão América - Admirável Mundo Novo


 Embora persiga o tempo todo a atmosfera conspiratória do excelente “Capitão América-O Soldado Invernal”, este “Brave New World” dá continuidade realmente aos eventos mostrados em “O Incrível Hulk” (de um já longínquo 2008) e “Eternos” (de 2021). Quando reencontramos o protagonista, Sam Wilson (Anthony Mackie), ele já veste o manto de Capitão América a pelo menos quatro anos –desde que assumiu esse legado na minissérie “Falcão e O Soldado Invernal”. Sua missão é deter a negociação envolvendo um item desconhecido entre a Sociedade da Serpente, chefiada pelo inescrupuloso Coral (Giancarlo Esposito), e um comprador misterioso. Já aí, a narrativa concebida pelo diretor Julius Onah (de “The Cloverfield Paradox”) orquestra vários pontos de partida (como é de praxe, muitos deles extraídos dos quadrinhos originais) para buscar um todo mais sólido e exuberante, ainda que, ao contrário do que fizeram (e muito bem) os Irmãos Russo nos filmes predecessores, essa solidez e essa exuberância nunca cheguem, de fato, a aparecer.

Se de um lado temos Sam Wilson e seus válidos esforços em corresponder às expectativas dele esperadas como Capitão América –não apenas ao substituir a grande e inspiradora presença de Steve Rogers, mas também ao representar um herói tão icônico sendo também um homem negro a trazer consigo à reboque toda uma questão de representatividade racial –do outro, temos o General Thadeus Ross (vivido por Harrison Ford, substituindo o falecido William Hurt, intérprete anterior do personagem) cuja fama de irascível ele procura avidamente deixar de lado por conta de A) reatar os laços com a filha, Betty (Liv Tyler), em frangalhos desde que ele caçou, por anos, o Hulk, assim como outros heróis, e B) honrar seu novo cargo de presidente eleito dos EUA perante o povo norte-americano.

Para tal intento, Ross quer se aproximar de Sam Wilson, sobretudo, após a bem-sucedida missão em recuperar o tal item desconhecido (que havia sido roubado de aliados japoneses), entretanto, novas complicações tornam a afastá-los: Acontece que o Celestial petrificado em pleno oceano em “Eternos”, vem a ser constituído de um novo minério que as potências mundiais identificaram como tão resistente (ou até mais!) que o cobiçado vibranium de Wakanda, o adamantium. De olho nessa nova riqueza, vários países forjam uma tênue aliança com os EUA, mas um atentado na Casa Branca –perpetrado por Isaiah Bradley (Carl Lumbly), um ex-supersoldado veterano, ao que tudo indica sob controle mental –pode colocar tudo a perder, e deixar os EUA à beira de uma guerra.

A tarefa deste novo Capitão América em seu primeiro filme solo é, portanto, complicada: Provar a inocência de Isaiah, descobrir quem é o misterioso vilão manipulador que aparentemente está por trás de tudo isso, e deter uma crise política de proporções globais. Tudo isso, contando com a ajuda do novo Falcão, Joaquim Torres (Danny Ramirez), uma vez que o próprio Presidente Ross, como sempre, mostra-se alguém de difícil relação –em especial, por conta do segredo que o liga ao tal vilão manipulador, e que pode levar Ross a uma metamorfose inesperada como a ameaça conhecida por Hulk Vermelho –e, embora desse detalhe seja resguardado para o trecho final do filme, ele não é nenhuma surpresa, uma vez que dominou por completo o material promocional do filme nos últimos meses antes de sua estréia. Grave problema de marketing: Certamente, se a questão envolvendo o Hulk Vermelho e sua aparição no clímax de “Brave New World” tivesse sido guardado exclusivamente para ser visto nos cinemas (como foi feito com as aparições dos Homens-Aranhas, Tobey Maguire e Andrew Garfield, em “Sem Volta Para Casa”) a empolgação provocada pelo filme seria exponencialmente maior.

Como está, “Brave New World” não é um filme ruim, longe da irrelevância maçante de “As Marvels” ou da afetação lastimável de “Thor-Amor & Trovão”, e Anthony Mackie se esforça genuinamente para ser um herói com dignidade e valor, no entanto, os predicados desta produção –leia-se, roteiro (fragmentado e mal-amarrado em muitos momentos) e direção (burocrática e incapaz de evidenciar sequências mais memoráveis) –ficam muito aquém das obras nas quais se inspira e às quais tenta a todo o custo igualar: Os excelentes filmes estrelados pelo Capitão América anterior, Steve Rogers (Chris Evans).

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei Versão Estendida

É possível uma obra já tida por impecável elevar ainda mais seu altíssimo padrão de qualidade? Esta é a difícil pergunta que as Versões Estendidas de “O Senhor dos Anéis” se atreveram a responder com uma audaciosa resposta afirmativa.
No capítulo final, “O Retorno do Rei”, algumas dessas cenas novas foram filmadas depois que o filme ganhou 11 Oscars na histórica cerimônia de 2004, o que não as impede de, pelo menos, conferir um aspecto esclarecedor a muitas passagens em alguns momentos.
Não há, contudo, razão para os pessimistas temerem, o filme majestoso, arrojado e inigualável que tomou o mundo de assalto continua lá: Após as duras provações experimentadas em “As Duas Torres”, o hobbit Frodo Bolseiro (Elijah Wood), ao lado de seu filme companheiro Sam (Sean Astin) adentra a etapa derradeira, e mais arriscada, de sua jornada, quando está por penetrar no território obscuro, maligno e infestado de perigos conhecido como Mordor. Não é só: Cada vez mais prejudicado em seu juízo perfeito pela influência do anel, Frodo rejeita a amizade sincera de Sam para cair nas armadilhas morais de Gollum (Andy Serkis, numa aula de interpretação virtual), cujo plano é entregá-lo de bandeja à horripilante aranha gigante Laracna, numa das mais espetaculares cenas do filme (e do cinema).
No outro núcleo de protagonistas, vemos Aragorn, Legolas, Gimli e Gandalf encontrarem Merry e Pippin, depois dos desencontros do filme anterior –é nesse momento que presenciamos uma das mais festejadas cenas da versão estendida, quando Gandalf, convertido em um mago branco, se depara com Saruman (Christopher Lee) e o confronta; certamente uma cena que foi um pecado ter sido tirada da versão de cinema.
O filme se ocupa de mostrar os desdobramentos desses personagens: Gandalf e Pippin seguem para a Cidade Branca de Gondor (um prodígio de efeitos visuais e direção de arte claramente reservado com zelo para aparecer apenas neste filme) onde devem alertar o esclerosado regente Denethor (John Noble) da chegada iminente de um exército incalculável de orcs; em Rohan, o Rei Théoden (Bernard Hill) e sua sobrinha Eowin (Miranda Otto) reúnem o exército dos rohimin para tentar impedir que a raça dos homens seja subjugada em definitivo pelas forças de Sauron; já, Aragorn (Viggo Mortensen), Legolas (Orlando Bloom) e Gimli (John Rhys-Davies), numa missão diferente, devem invadir catacumbas amaldiçoadas para reivindicar o auxílio de guerreiros fantasmas na grande guerra por vir, guerreiros estes que só responderam ao próprio herdeiro do Rei Isildur, e legítimo rei de Gondor, papel do qual Aragorn já não tem mais como fugir.
Essas subtramas –preenchidas com uma infinidade de cenas grandes ou pequenas que lhes acrescentam novas impressões –convergem, primeiro, na grandiloquente Batalha dos Campos do Pelenor, uma das grandes sequências épicas do cinema moderno, e depois, no enfrentamento final à Sauron e aos orcs, às portas de Mordor, quando Frodo, Sam e Gollum chegam ao ápice de sua conflituosa relação –e o bem e o mal encontram uma das personificações mais complexas, cativantes e visualmente estarrecedoras de seu eterno conflito.
Há beleza indescritível, inesgotável e inatacável em “O Retorno do Rei” –acredite, cada fotograma de sua cinematografia é um wallpaper! –e sua Versão Estendida tão somente fornece um novo e requintado ângulo para apreciá-la; no equilíbrio tão improvável quanto inacreditável de elementos íntimos com predicados épicos e grandiosos, e na obra de perfeição comovente que é obtido, “O Retorno do Rei” representa o final esplendoroso de uma das grandes sagas de nosso tempo, o auge do talento artístico de Peter Jackson e o ápice qualitativo nas telas de cinema das últimas décadas.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel Versão Estendida

Ainda no princípio da década de 2000, quando a trilogia de Peter Jackson tomou o mundo de assalto e marcou para sempre a história do cinema, surgiu um rumor de que a versão de três horas vista nos cinemas teria também um corte muito maior, com cenas inéditas que estendiam ainda mais o tempo de filme e traziam momentos suculentos que acrescentavam novas impressões ao grande filme do momento: “O Senhor dos Anéis” dominou a atenção de público e crítica pelos três anos seguintes.
A chamada versão estendida, quando por fim ficou ao alcance do público, trazia pequenos acréscimos em cenas já conhecidas, pedaços de diálogos que incrementavam a carga naturalmente literária do material e sequências inteiras, algumas bastante impressionantes, que terminaram de fora do corte conhecido.
No primeiro capítulo, “A Sociedade do Anel”, tais cenas não tardam a aparecer para quem acompanha do filme atento; embora a maneira mais correta de apreciá-lo seja mesmo pelo grande filme que ele é.
No mundo mágico e fantasioso criado pelo escritor J.R.R. Tolkien chamado Terra Média, os povos livres –homens, hobbits, magos, anões, elfos e outras criaturas fantásticas –se veem ameaçados por Sauron, cujo poder todos julgavam ter sido derrotado –numa cena espetacular mostrada no começo, e que já deixa bem claro as predisposições épicas do trabalho de Jackson.
Contudo, Sauron não está exatamente morto: Sua força vital se encontra ainda no Um Anel, fonte de seu poder e que, por meio de uma série de idas e vindas, acabou nas mãos do hobbit Bilbo Bolseiro (o saudoso Ian Holm), morador do bucólico Condado e tio do protagonista, Frodo Bolseiro (Elijah Wood) –é, por sinal, na sequência do Condado, que as primeiras cenas inéditas aparecem, como o momento em que Bilbo é visto escrevendo seu livro.
Em sua festa de aniversário, Bilbo despede-se de todos e, para resumir, deixa a guarda de seu anel (e de tudo que ele tem, na verdade) para Frodo.
Entretanto, o mago Gandalf, o Cinzento (Ian McKellen), tem suspeitas em relação ao tal anel –e à influência maléfica que ele nota ser despertada em Bilbo.
Ele descobre toda a verdade sobre a peça bem há tempo, quando os cavaleiros Nazgûl são despachados pelas forças das trevas para capturar Frodo e levar o anel.
Acompanhado de Sam (Sean Astin), Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd), Frodo passa poucas e boas para chegar até Valfenda, local de morada do sábio elfo Elrond (Hugo Weaving) que monta um conselho secreto às pressas, composto por representantes dos povos livres da Terra Média, a fim de determinar que destino dar ao anel.
O próprio Gandalf, no entanto, sabe que só existe uma coisa a se fazer: Levar o anel até a longínqua e tenebrosa Mordor, onde foi forjado, portanto, único lugar onde pode ser destruído. E Gandalf sabe também que a pessoa destinada a realizar tal sacrifício é Frodo.
Assim quando ele parte –dando início à essa jornada fenomenal –seus companheiros são Gandalf, Sam, Merry e Pippin, além dos cavaleiros Aragorn (Viggo Mortensen) e Boromir (Sean Bean), o elfo Legolas (Orlando Bloom) e o anão Gimli (John Rhys-Davies).
Apesar da curiosidade, a Versão Estendida não deixa de ser o mesmo filme assombroso que chocou plateias do mundo com um nível improvável de qualidade. Ainda é possível perceber o que faz de “O Senhor dos Anéis” uma experiência cinematográfica inesquecível: Nunca antes (talvez, nem mesmo em “Star Wars”) uma produção de fantasia havia atingido padrões tão altos em seus quesitos técnicos e artísticos; sabia-se que os efeitos visuais seriam magníficos, mas não se esperava deles uma capacidade de modificar irreversivelmente a maneira de se fazer cinema; sabia-se que a paixão de Peter Jackson e sua equipe haveria de produzir algo singular, mas ninguém imaginava que o resultado seria uma obra de tal qualidade que até hoje, vinte anos depois, outros filmes penariam para igualar seu brilhantismo; e, finalmente, sabia-se que o material literário da obra de Tolkien (cultuado, referenciado e apreciado desde os anos 1950) tinha méritos narrativos que apareceriam na tela, mas o público não imaginava que, no tratamento de requinte ímpar dado à tudo, “O Senhor dos Anéis” seria algo tão antológico, marcante e inesquecível.
Neste primeiro filme, o efeito retumbante e ressonante que ele produz pode ser avaliado à partir de seu desfecho, quando seus personagens são colocados numa encruzilhada de caminhos paralelos que originam as duas estupendas continuações –um final que não finaliza coisa alguma, que proporcionou aos expectadores da época a mesma sensação (talvez até mais intensa) que a geração anterior teve ao ver o fim de “O Império Contra-Ataca” no cinema.
Que filme, senhoras e senhores, que filme!

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Armageddon

Quando foi lançado no final da década de 1990, a trama de “Armageddon” mostrou-se um primor do absurdo: Perfuradores de petróleo norte-americanos eram selecionados para uma missão espacial (!) onde teriam de introduzir uma bomba nuclear num asteróide prestes a colidir com a Terra (!).
O filme, na verdade, representava uma espécie de reafirmação do estilo extravagante do diretor Michael Bay que havia entregado pérolas inacreditáveis da ação ininterrupta em “Bad Boys” e “A Rocha”, mas criou seu verdadeiro cartão de visitas aqui.
Bruce Wiilis, num papel que parece moldado para ele, é Harry Stamper, líder de uma equipe texana de perfuração –e tal equipe inclui figuras como Steve Buscemi, Michael Clarke Duncan, Ben Affleck, Will Patton e Owen Wilson.
Veja bem: Dizer qe Bruce Willis foi moldado para o papel, deveras, não significa que ele entrega uma boa atuação –fator que passa longe das obras de Michael Bay –significa, na realidade, que o papel foi pensado e escrito para ele; e à ele se encaixa em suas canastrices e limitações dramáticas.
O governo dos EUA identifica o grande asteróide que, sem sombra de dúvidas, colocará fim à vida no planeta Terra, e põe em prática um plano para salvar a raça humana: Enviar uma equipe ao espaço, com escalas entre diversas estações internacionais para chegar em tempo ao meteoro e nele implantar uma bomba capaz de reduzi-lo a fragmentos menores –mas, que ainda proporcionam as insanas sequências de destruição do filme.
Os homens selecionados para tal missão terminam sendo o grupo peculiar e grosseiro de Stamper que, nas inserções cômicas inapropriadas que também caracterizam o estilo de Bay, não se adequam de modo algum ao bom senso esperado dos astronautas.
Como o destino da humanidade depende deles –como se não existissem no planeta Terra alternativas melhores do que os norte-americanos! –o programa espacial os aceita mesmo assim; e lá vão eles em direção do espaço, aprontar lá as mesmas presepadas que aprontam na Terra: Heróis de ação, supinos, irônicos e patriotas, que passam todo o filme enfrentando os perigos indizíveis e improváveis do espaço –além da truculência e falta de visão dos militares (é claro!) capazes de pôr em risco a missão e a vida na Terra porque são obtusos o bastante para insistir nas próprias ideias fixas.
Uma obra irredutível nos altos níveis de decibéis que se propõe a entregar, “Armageddon” representou, com seus ostensivos clichês, o cinema comercial em estado bruto, em contraponto a um cinema mais autoral que, naquele ano de 1998, começou a aflorar no circuito comercial: De repente, obras barulhentas como esta começaram a dar espaço para trabalhos construídos com inteligência (como o suspense “Irresistível Paixão”) ou sensibilidade (o inesperado sucesso de bilheteria “Encantador de Cavalos”). Entretanto, o público afoito de filmes de ação ao qual se dirigia ficou satisfeito (e até hoje ainda se satisfaz) com essa receita tão formulaica, da qual Michael Bay costuma ser um dos mais célebres manejadores.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Ad Astra - Rumo Às Estrelas

Personagens no limiar de suas aspirações, num constante conflito entre o que sentem ser e o que o mundo à sua volta espera que sejam, num vão esforço para encontrar a si próprios. Este parece ser o mote de todos os trabalhos capitaneados pelo diretor James Gray, um raro esteta e autor a fincar uma obra de personalidade irrestritamente intimista no cinema cada vez dominado por pirotecnia dos dias atuais.
No processo de rever sua filosofia, o filme de Gray se deixa assombrar por uma infinidade de clássicos da ficção científica que o precederam. Num trabalho que muito remete à sua composição introspectiva de “Árvore da Vida”, Brad Pitt vive Roy McBride, astronauta enviado às estrelas por uma razão um tanto quanto pessoal: Décadas atrás, seu pai, Clifford (Tommy Lee Jones), também ele astronauta, foi enviado ao espaço no sigiloso Projeto Lima e, após seu paradeiro em Saturno, nunca mais voltou.
Entretanto, descargas de antimatéria originadas exatamente de Saturno –e que ameaçam de forma contundente a vida na Terra –começam a vir de onde supõem-se o Projeto Lima se perdeu. As autoridades confiam na ligação afetiva de Roy com seu pai para que ele lhe envie uma mensagem. Assim, da Terra, ele precisa ir à Lua –uma colônia povoada de diversas nacionalidades, sujeita até mesmo a atos de pirataria –e de lá para Marte, último posto avançado humano no espaço, de onde sua mensagem pode ser enviada.
Durante a lenta e atenta jornada de seu protagonista não escapa ao diretor as nuances humanas,  intelectuais e políticas que o gênero de ficção científica tão bem soube trabalhar em seus exemplares mais formidáveis (sendo “2001” e “Solaris” as referências primordiais de James Gray, além do evidente aparato técnico e visual tirado das experimentações de Cuarón em “Gravidade”), contudo, “Ad Astra” é, em seu cerne, a tentativa de resgate e de compreensão de uma problemática relação de pai e filho.
Nesse sentido, no suspense algo existencial do encontro do protagonista com a assombração de sua figura paterna, onde se pavimenta com elaborada dramaturgia todo o caminho percorrido até  tal encontro, o filme faz lembrar uma espécie de “Apocalypse Now” no espaço, inclusive com a narração de Brad Pitt se parecendo muitas vezes com os devaneios em off de Martin Sheen na sua tensa expectativa em ver-se frente a frente com o Coronel Kurtz.
O reencontro com o pai é, para Roy, a senha para rever e reavaliar todas as suas frustradas tentativas de relacionamento humano, esboçadas na totalidade de sua inadequação na relação tortuosa com a esposa (Liv Tyler), e um meio de enfim deixar de lado um luto que sempre o acompanhou na vida adulta e que, em última instância, o define –e a presença de Tommy Lee Jones nesse personagem tão falado, mas do qual temos poucos vislumbres de fato, permite à produção executar uma manobra curiosa: O tempo todo são mostradas fotos de Jones bem mais jovem usando trajes espaciais. Essas fotos são, na realidade, extraídas do filme “Os Cowboys do Espaço”, dirigido nos anos 1990 por Clint Eastwood –no elenco daquele filme, e novamente neste daqui, também está outro veterano, o ótimo Donald Sutherland.
Como toda ficção científica adulta e levada a sério que se presta –um artigo raríssimo no cinema mainstream de hoje –o filme de James Gray se lança em discussões metafísicas que passeiam pela solidão existencial da raça humana num universo vasto e silencioso às suas dúvidas, pela loucura que pode acometer o indivíduo diante de fatores tão gigantes ante sua insignificância, e pela relação que tudo isso parece ter, no final das contas, com nós mesmos, nossa própria índole, e com o modo como nos relacionamos uns com os outros.
Na improvável escolha de um conto denso e filosófico de ficção científica no lugar dos dramas urbanos e comiserativos que fez até então, James Gray perpetra um pequeno e notável paradoxo: Um olhar para cima, em direção às estrelas, que termina voltando sua conclusão para nossa própria aflição interior. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Círculo de Paixões

Este drama romântico juvenil lançado nos anos 1990 pouco consegue fazer para evitar a sensação de que sua premissa e toda sua produção se centralizam no casalzinho formado, inclusive na vida real, por Joaquim Phoenix e Liv Tyler, dois jovens astros proeminentes do período.
Ele, irmão do falecido poucos anos antes (e também muito promissor) River Phoenix, vindo de uma participação extremamente aclamada em “Um Sonho Sem Limites”, de Gus Van Sant.
Ela, uma badalada modelo, filha do vocalista do Aerosmith, Steve Tyler (havia até participado do videoclipe “Crazy” da banda do pai), em auspiciosa tentativa de emplacar como atriz.
Joaquim vive Doug Holt. Liv vive Pamela Abbott. E o romance entre os dois é tão óbvio quanto os obstáculos que também haverão de comparecer para impedir que seu amor se concretize, no melhor estilo “Romeu & Julieta” –obra que surge como a referência maior em meio à trama, situada na segunda metade da década de 1950.
No raso comentário social que o filme se presta, a cidadezinha de Haley tem seus aristocratas de praxe que inspiram admiração em uns e inveja em outros. Tais aristocratas são a Família Abbott composta do pai, Lloyd (Will Patton), da mãe, Joan (Barbara Williams) e das três irmãs, a abnegada Alice (Joanna Going), a intransigente Eleanor (a espetacular Jennifer Connelly) e a bem-comportada Pamela.
Certamente é esse misto de fascínio e amargura com o qual elas são vistas pelo jovem Jacey Holt (Billy Crudup) a ponto delas tornarem-se uma obsessão que o consumirá ao longo de todo o filme –até porque há uma nebulosa ligação entre os Abbott e sua família que será gradativamente elucidada ao longo do filme.
Contudo, não é pelos olhos de Jacey que acompanhamos a histórias, mas, sim pelos de Doug, seu irmão mais novo que, desde o início, luta para não alimentar o mesmo sentimento negativo que intoxica o irmão.
Se jacey, de início busca seduzir a mais rebelde as Irmãs Abbott, Eleanor, Doug até tenta evitar, mas não consegue desvencilhar-se dos percalços que sempre o aproximam de Pamela.
A despeito das intrigas familiares que os cercam –uma fofoca maldosa envolvendo sua mãe (Kathy Baker, de “Edward-Mãos deTesouras”) e o senhor Lloyd; os motivos mal-explicados que envolvem o acidente que matou o pai deles e as mentiras do próprio Jacey –Doug e Pamela parecem construir tímida e inocentemente um vínculo amoroso genuíno e puro.
Entretanto, como bem observa a direção algo padronizada de Pat O’ Connor (do estranho “O Calendário da Morte”), todos os demais personagens que rodeiam o casal protagonista parecem gravitar em uma ciranda de sordidez: Após um caso escandaloso com Eleanor (que a leva a ir embora de Haley), o obcecado Jacey volta suas atenções para Alice cujo casamento arranjado pelos pais atravessa uma fase ruim, perfeita para o aparecimento de sedutores ocasionais.
A narrativa, numa aparente falta do que fazer, justapõe os dois irmãos (vividos por bons atores, é preciso dizer) e suas personalidades incompatíveis –o rancoroso e, no fim, inescrupuloso Jacey, e o ingênuo e bem-intencionado Doug –para, no final das contas, empregar isso como uma mera lição de moral, sem maiores aprofundamentos.
O livro de Sue Miller, do qual se inspira, certamente trazia uma miríade narrativa muita mais rica para ser examinada diante de tantos personagens unidos numa mesma trama, mas a produção preguiçosamente não explorou nenhuma dessas possibilidades, focando única e exclusivamente no apelo do casal central junto ao público jovem daquela época.
No final, por uma ironia suprema, nem isso acabou sobressaindo: “Círculo de Paixões”, quando muito, é hoje mais lembrado por uma breve e transcendental cena de nudez de Jennifer Connelly do que por qualquer outra coisa!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A Fortuna de Cookie

Sempre interessado em voltar suas câmeras para o registro de uma comunidade em convulsão –e, não raro, povoando seu elenco plural com diversas presenças espetaculares –o diretor Robert Altman trata aqui de ambientar a trama de sua comédia de humor negro na cidadezinha de Holly Springs.
Lá, como fica claro já nas primeiras cenas, todos se conhecem. Uma reunião comunitária trivial, como o ensaio de uma peça teatral a ser exibida na igreja, é capaz de reunir quase toda a população. E poucas pessoas se sentem tão satisfeitas em ser o cerne de uma reunião comunitária quanto Camille (Glenn Close, cujo notável currículo como vilã em tantos filmes é usado aqui numa espécie de sugestão subconsciente).
Ela vem a ser –ao lado da irmã abilolada Cora (Julianne Moore, magnífica) –as duas únicas parentes da idosa Cookie (Patricia Neal, de “O Indomado” e “O Dia Em Que A Terra Parou”) que vive num casarão e faz questão de tê-las longe!
Minto: Na verdade há outra parente; a jovem e desajustada Emma (Liv Tyler), filha de Cora, que chegou recentemente à cidade. A pôr panos quentes entre Cookie e seus conflitos familiares ácidos está sempre o atencioso Willis (o fabuloso Charles S. Dutton) que não tarda a revelar-se o verdadeiro protagonista dessa trama tortuosa.
Pois Cookie, tanta falta tem de seu saudoso marido Buck que, numa manhã, decide se suicidar (!). Para complicar as coisas, são Camille e Cora, por acaso, quem descobrem isso primeiro, e de pronto, a primeira resolve dali tirar uma vantagem: Ela mastiga e engole o bilhete de suicídio deixado pela morta (!!), convence Cora de que o quê viu era a cena de um assalto seguido de homicídio e dessa forma relatam o acontecimento à polícia, para logo em seguida se apropriar da mansão da falecida.
A polícia dá início às suas investigações –conduzidas com os detalhes irônicos que caracterizam uma comunidade provinciana –e logo têm por principal suspeito o inocente e bem-intencionado Willis.
Como lhe é habitual, o diretor Altman praticamente presenteia seu elenco com uma sucessão de ótimos personagens que oscilam de ótimas presenças à participações memoráveis: Além dos protagonistas, há o chefe policial vivido por Ned Beatty, cuja infalível bússola moral está relacionada à sua paixão por pescaria; o aparvalhado jovem policial (Chris O’ Donnell) que, além de enamorado da garota desajustada, se reveza como ator na peça teatral; o advogado da cidade que conhece (e desperta a desconfiança em) todo mundo (Donald Moffat); o investigador vindo de outra cidade (Courtney B. Vance) cujos depoimentos peculiares dos moradores locais deixam mais perdido que cego em tiroteio; o dono da oficina (Lyle Lovett) de raciocínio tão lento quanto alarmante, e tantos outros.
A grande sacada de Altman neste projeto aqui é expor toda essa fauna caótica e colorida defendida por um elenco sólido e empenhado, para então subverter suas próprias índoles colocando-os em face de um crime inesperado, e mostrar, com isso, as máscaras de desonestidade e desprezo caírem.
Longe de ser um pessimista (mas, subversivo demais para ser considerado um otimista), Altman dá à sua trama rocambolesca um desenlace que reserva devida punição aos inescrupulosos, mas o faz com habilidade suficiente para que isso soe sarcástico, saboroso e destituído de cinismo.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Os Estranhos


Um carro está parado à beira da estrada. Há uma atmosfera de tristeza, de ressentimento no ar. Assim se inicia o filme do diretor Bryan Bertino, atento às nuances dramáticas.
É, pois, a esse novo rótulo de pós-terror que suas escolhas parecem apontar: Um filme de terror definido e potencializado pelas caracterizações de ordem psicológica que recebem os personagens, e por isso mesmo contundente na tensão e na violência que porventura desencadeia.
E, supostamente inspirado em fatos reais, a violência que ele desencadeia busca pela aflição do expectador; esta é uma obra sufocante, quase nos moldes de “Violência Gratuita”, de Michael Haneke.
Afinal, o casal que se encontra dentro daquele carro, Kristen (Liv Tyler) e James (Scott Speedman), tendo saído do que parece ter sido uma festa; e sofrido um desentendimento pelo que parece ter sido um pedido de casamento que ela recusou, vão à casa de campo do pai do rapaz.
Lá, na densa quietude interiorana e providencialmente longe de tudo eles serão abordados por pessoas não identificadas –vestidas com ameaçadoras máscaras brancas –que ao longo da interminável noite os amedrontarão e aparentam, sem qualquer motivo, querer fazer-lhes mal.
Há um investimento particularmente intenso que a narrativa faz na aflição, gerada tanto pela frustração constante dos protagonistas se descobrirem paulatinamente incapazes de se manter seguros, como pela displicência quase aleatória que os psicopatas anônimos (não só desprovidos de rosto e identidade, mas também de uma história/origem e de um propósito) usam para deflagrar sua sanha assassina –num dado momento, eles perguntam “por quê” diante de todo o tormento persecutório que compõe o filme, e a resposta não poderia ser mais banal (e, por isso mesmo, desconcertante): “Porque vocês estavam em casa”.
Por essa postura, pela frieza glacial de uma condução que leva à desolação do público (embora ainda assim seja muito mais leve do que certas obras européias dessa mesma natureza lançadas por aqueles tempos), é um filme particularmente assustador, amparando o clima e atmosfera na própria simplicidade da situação, e da aterradora sensação de estar sendo espionado sem poder ver quem o espiona.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Incrível Hulk

Em 2008, a Marvel Studios, com “Homem de Ferro”, iniciou seu projeto em longo prazo que consolidar um universo cinematográfico com as mesmas propostas de sinergia e interação que já regia o seu universo dos quadrinhos, apinhado de super-heróis clássicos.
Poucos meses depois, o estúdio entregou este novo filme do Incrível Hulk, dando continuidade ao seu plano de conectividade (trazia uma ponta ilustre de Robert Downey Jr., o Homem de Ferro em pessoa, deixando claro que tudo se passava num mesmo universo) e apagando toda e qualquer relação com o longa anterior do personagem, dirigido poucos anos antes por Ang Lee e, embora dotado de méritos, bastante incompreendido por público e crítica.
Nota-se que o filme de Lee, e sua dramaturgia complexa e abordagem desigual, serviram como uma espécie de contra-exemplo à este filme: Em todos os sentidos, a Marvel tentou evitar as mesmas armadilhas nas quais o filme de Lee caiu, e pelo qual foi amplamente malhado.
O filme era lento? Pois eis que entra o diretor francês Louis Leterrier (do acelerado “Cão de Briga”, com Jett Li) vindo da escola de filmes de ação de Luc Besson.
Os expectadores não gostaram da estética do CG translúcido escolhido para retratar o Hulk? Pois aqui, os efeitos especiais (bastante eficientes, por sinal, mas não perfeitos) tratam de concretizar um Hulk cheio de renderizações e texturas que simulam sujeira, sombras e marcas tornando-o bastante real e palpável.
O público achou um absurdo aqueles saltos descomunais e quilométricos que o Hulk de Ang Lee dava (e que, por sinal, propiciaram cenas muitos belas e interessantes e que, à propósito, eram bastante fiéis com o que se passa nos quadrinhos)? Pois aqui, os realizadores foram bastante sutis ao mostrar os saltos do Hulk: Ele ainda salta, cobrindo vastas distâncias, mas isso quase não é mostrado, ficando mais no plano da sugestão.
Outra decisão envolveu afastar-se um pouco do material das HQs, e concentrar-se um pouco numa percepção mais geral que os expectadores tinham do personagem, o quê incluía assim aproveitar muitos elementos também da clássica série de TV protagonizada por Bill Bixby e Lou Ferrigno (este inclusive, fazendo uma participação especial).
Na nova versão do monstro verde da Marvel para os cinemas o ator Eric Bana é, portanto, substituído por Edward Norton, no papel já bastante icônico de Bruce Banner/Hulk (mais tarde, a própria Marvel promoveria outra substituição colocando Mark Ruffalo no lugar de Norton, obtendo finalmente o ator ideal para o papel), já no lugar da maravilhosa Jennifer Connelly como Betty Ross entrou Liv Tyler, bastante festejada na época por sua participação como Arwen na trilogia “O Senhor dos Anéis”, e para o papel do General Ross (brilhantemente personificado por Sam Elliot) foi chamado o sempre eficiente William Hurt, compondo um Ross muito mais vilanesco e menos humano.
Percebe-se também o empenho da Marvel em evitar mais uma vez girar em torno da origem do personagem, resumida na breve cena inicial dos créditos.
A partir daí, o filme concentra-se em Bruce Banner que, na condição de fugitivo do exército norte-americano, refugia-se à princípio nas favelas do Rio de Janeiro a fim de buscar uma cura para sua constante transformação no monstro denominado Hulk (o cenário brasileiro permite, inclusive, uma ponta da linda atriz Débora Nascimento, dos poucos membros do elenco a falar um português fluente e não afetado no filme). Descoberto, Banner prossegue em sua fuga terminando por chegar aos EUA, onde reencontra sua antiga paixão, Betty Ross, filha do homem que o persegue obstinadamente, o General Ross.

A jornada de Banner acaba em Nova York, em meio a uma luta devastadora contra outro ser monstruoso, o Abominável, resultado de uma transformação sofrida pelo irascível comandante Emil Blonsky (Tim Roth, compondo um vilão bastante satisfatório no que tange às cenas de ação). 

terça-feira, 22 de março de 2016

O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei

Terceira e última parte da Trilogia do Anel. Eis que chegou a hora de decidir o destino dos homens, a hora de descobrir qual desfecho terá a dolorosa e comovente campanha de Frodo e seu grande amigo Sam, em meio ao maior dos perigos na tentativa de destruir a peça que decidirá o rumo da maior batalha de seu tempo. Os muitos personagens urgidos na vasta imaginação do escritor J.R. Tolkien, as muitas tramas paralelas que os dois primorosos filmes anteriores trataram de construir convergem, todos para este daqui, e Peter Jackson coroa sua trilogia com o que inacreditavelmente parece ser seu melhor filme. Sua narrativa é de um brilho indescritível, colocando-o naquela seleta e complicada lista dos filmes tão perfeitos e memoráveis que fica difícil traçar um comentário válido acerca dele.
A realidade é que tudo o que diz respeito à “O Senhor dos Anéis” não encontra precedentes na história do cinema. “O Retorno do Rei” teve uma bilheteria monstruosa em seu lançamento (e até hoje figura entre as mais lucrativas de todos os tempos), no Oscar de 2003, ele igualou o recorde de 11 estatuetas, pertencente apenas à “Ben-Hur” e “Titanic”, e é até hoje (e provavelmente continuará sendo por muito tempo) a única ‘continuação nº 3’ a levar o Oscar de Melhor Filme.
Mas, falemos da obra propriamente dita: O modo como Jackson orquestra o final é algo de mestre. Ele não apenas demonstra controle insuspeito das cenas descomunais de batalha, mas também revela uma atenção aos detalhes íntimos que compõem seus personagens; um a um, cada um deles experimenta um momento específico de brilho, e olha que não são poucos. Jackson também faz um uso primordial do excelente poderia técnico de que dispõe, como a gloriosa fotografia, a trilha sonora acachapante, para não falar dos impressionantes efeitos especiais, cuja grande vedete é, certamente, o personagem Gollum, abrilhantado por uma interpretação de ‘captura de performance’ esplêndida, cortesia do ator Andy Serkis.
Em meio à tudo isso, Jackson encontra espaço para elaborar cenas marcantes e inesquecíveis em sua unidade. E são muitas: A canção entristecida de Pippin para o rei louco enquanto seu filho cavalga para a morte; a sequência espetacular dos faróis de Gondor; o tenso encontro de Frodo com a aranha gigante; a Batalha dos Campos do Pelenor, e a chegada dos olifantes; os finais múltiplos e emocionantes que vão dando um aperto no coração.
São tantos os momentos maravilhosos que não caberiam aqui: Na qualidade de uma das grandes experiências do cinema “O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei” é inesgotável.

sábado, 30 de janeiro de 2016

O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel

 Existem alguns filmes dos quais demoro a falar. É porque não tenho bem certeza se minhas palavras farão jus a tudo que o filme significa para mim. 
Foi assim com “Casablanca”. Foi assim com “E O Vento Levou” e vários outros. É assim com “O Senhor dos Anéis”. 
Para os que não moram no planeta Terra (ou são imensamente desligados de assuntos de cinema), “A Sociedade do Anel” vem a ser a primeira parte dessa festejada trilogia. Lançado no natal de 2001, ele foi indicado à treze Oscars. 
Ganhou quatro, todos em categorias técnicas. Para variar, a Academia de Artes Cinematográficas perdeu mais uma vez uma preciosa chance de honrar uma obra brilhante, sem dúvida o melhor filme daquele ano. 
“O Senhor dos Anéis-A Sociedade do Anel” é um dos grandes filmes épicos do cinema com várias sequencias que ficam impressas na memória. 

Morador do Condado, a vila dos hobbits, o pequeno Frodo Bolseiro descobre que o destino lhe incumbiu de ser o portador do Um Anel, precioso e poderoso artefato, muito cobiçado pelo temido Sauron, o Senhor do Escuro, e suas hordas sinistras vindas de Mordor. Para destruí-lo, Frodo deve rumar para a Montanha da Perdição e com isso atravessar a extensa Terra-Média, e para protegê-lo dos perigos conta com um grupo de aliados e amigos constituído por representantes de todos os povos livres que o acompanharão: A assim chamada Sociedade do Anel.
Dirigido com perfeição pelo neo-zelandês Peter Jackson, na difícil junção de um filme de muitas facetas, técnicas e dramáticas, o resultado prima por uma excelência que poucas vezes se vê nas telas.