Mostrando postagens com marcador Alfonso Cuarón. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alfonso Cuarón. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Harry Potter e O Prisioneiro de Askaban

O anúncio do afastamento do diretor Chris Columbus em meio aos preparativos para este terceiro filme da saga pegou muitos de surpresa –ainda que ele tenha permanecido próximo como produtor.
Corria o boato de que Columbus dava brecha para que fosse assim contratado Steven Spielberg, que antes do lançamento de “Harry Potter e A Pedra Filosofal” já manifestava sua intenção de dirigir a produção (e americanizar o material). Os produtores, no entanto, foram sensatos optando por uma escolha inusitada que revelou-se certeira: O magistral e premiado diretor mexicano Alfonso Cuarón, até então conhecido apenas pelos prodigiosos “A Princesinha” e “E Sua Mãe Também” –ao adaptar aquele que muitos consideravam o melhor livro de toda a saga, Cuaron estabeleceu um diálogo autoral com suas duas belíssimas obras pregressas; do primeiro, ele extrai um enternecedor senso de fábula, uma paleta de cores sedutora (com predominância do elegante verde-musgo) e uma audaz capacidade de conjurar os elementos infantis oriundos dos filmes anteriores com uma aura transgressiva, sombria e que jamais subestima seu público; do segundo, ele aproveita o retrato honesto, orgânico e incomum dos humores inconstantes da juventude, obtendo do jovem elenco suas melhores interpretações até então.
De quebra, sua habilidade cinematográfica molda uma cena memorável atrás da outra. A começar por aquela que abre o filme, como sempre, com Harry às voltas com a tirania doméstica de seus tios –mais até: Desta vez, uma intratável irmã de tio Vernon que Harry, sem querer, transforma em balão (!). Essa cena já deixa bem claro que Harry Potter está crescendo: Ele já não se mostra tão passivo e intimidado quanto outrora e ensaia até uma espécie de fuga de casa, indo parar num tal hotel ‘Caldeirão Furado’.
É lá, antes mesmo de ir para Hogwarts, que Harry descobre que um prisioneiro escapou de Askaban, a famosa prisão dos bruxos –trata-se de Sirius Black (o sempre sensacional Gary Oldman) considerado o traidor que entregou seus pais ao próprio Voldemort. Por conta disso, muitos são os que acreditam que o alvo de Sirius, agora, é o próprio Harry Potter, o quê leva Dumblodore a requisitar para a Escola de Magia e seus alunos a ambígua proteção dos Dementadores –criaturas sobrenaturais capazes de sugar a energia, a felicidade e a vida das pessoas e que em sua periculosidade não distinguem aqueles que deveriam defender dos que deveriam atacar.
Entre outras sacadas geniais da parte de Cuarón enquanto contador de histórias –e nos inúmeros detalhes que ele consegue acrescentar em relação ao livro –algo que pode passar despercebido aos expectadores mais jovens é o quanto foi inspirada a escalação do ótimo Gary Oldman para viver Sirius Black –Oldman vinha de uma série de filmes (sobretudo, nos anos 1990) em que havia se popularizado em Hollywood como um dos mais assíduos vilões do cinema comercial, em obras como “O Profissional”, “O Quinto Elemento” e “Força Aérea Um” (estereótipo ao qual, pelo menos até aquele período, ele parecia estar restrito). Os rumos presentes na trama de “O Prisioneiro de Askaban” terminam por subverter completamente essa expectativa, mas apenas porque o ator escolhido conduz o público a essa surpresa.
Por falar em atores, “O Prisioneiro de Askaban” marca a estréia de Michael Gambon no papel de Dumblodore, em substituição ao falecido Richard Harris –um trabalho tão acertado e digno que pode passar despercebido dos expectadores que não tiverem essa informação.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Indicados Ao Oscar 2019


Os indicados ao Oscar 2019 foram anunciados. Vamos a eles:

Melhor Filme
Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book-O  Guia
Roma
Nasce Uma Estrela
Vice

O público ainda se encontra extasiado pelas sete indicações de “Pantera Negra”, que inclusive se estendem até a mais importante nomeação –a de Melhor Filme –todavia, os filmes mais importantes na categoria, aqueles que têm a chance de ganhar o prêmio de fato são “Green Book” (que ganha cada vez mais força junto à crítica) e “Nasce Uma Estrela” (desde sempre um favoritíssimo), entretanto, nenhum goza de mais prestígio no momento do que “Roma” que obteve o maior número de indicação (dez) e ostenta uma excelência que levou a Academia a uma inédita aceitação das produções de streaming (às quais ele pertence) reconhecendo assim o cinema como uma arte que transcende os formatos impostos do passado.

Melhor Ator
Christian Bale, Vice
Bradley Cooper, Nasce Uma Estrela
Rami Malek, Bohemian Rhapsody
Viggo Mortensen, Green Book-O Guia
Willem Dafoe, No Portal da Eternidade

Bradley Cooper e Willem Dafoe perderam o Globo de Ouro de Ator em Drama para Rami Malek, e sua aplaudida personificação de Fred Mercury; Viggo Mortensen perdeu o mesmo prêmio para Christian Bale (desta vez, na categoria de Comédia), cuja transformação física quase sempre surte efeito positivo nos votantes da Academia.
Embora muitos críticos apreciem com ressalvas o trabalho de Rami Malek, há certa coerência em pensar que o Oscar de Melhor Ator pode ser o único prêmio válido e real para “Bohemian Rhapsody” –e o mesmo argumento pode valer para “Vice”, também.
Meu palpite é que o vencedor será definido no SAG Awards!

Melhor Atriz
Lady Gaga, Nasce Uma Estrela
Yalitza Aparicio, Roma
Glenn Close, A Esposa
Olivia Colman, A Favorita
Melissa McCarthy, Poderia Me Perdoar?

A atriz de “Roma” –que muitos críticos afirmavam ser uma injustiça sua ausência em algumas premiações –pegou muitos de surpresa aparecendo nesta categoria que, ninguém duvida, irá ficar polarizada entre Glenn Close e Lady Gaga; até mesmo a vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz de Comédia ou Musical, Olivia Colman, surge à sombra delas.
Provavelmente o prêmio ficará com Glenn Close visto que já chegou a hora dela ser reconhecida com um Oscar –o quê ela, sendo a grande atriz que é, nunca levou!
Não que Lady Gaga vá sair da cerimônia de mãos abanando: Sua vitória na categoria de Melhor Canção Original é considerada certa.

Melhor Direção
Spike Lee, Infiltrado na Klan
Pawel Pawlikowski, Guerra Fria
Yorgos Lanthimos, A Favorita
Alfonso Cuarón, Roma
Adam McKay, Vice

Parece difícil acreditar, mas esta é a primeira indicação ao Oscar de Spike Lee, um dos diretores essenciais para a aceitação de temáticas minoritárias no cinema norte-americano no início dos anos 1990, e ela veio por um filme brilhante e aclamado, explosivo em seu tema como é de agrado de Lee.
Surpresa mesmo, porém, é a presença do polonês Pawel Pawlikowski (diretor do celebrado “Meu Amor de Verão”) quando muitos esperavam ver ali Bradley Cooper ou Peter Farrelly. Ainda assim, as atenções se voltam para Alfonso Cuarón que, cinco anos depois de “Gravidade”, fez mais uma obra que promete arrebatar prêmios.

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams, Vice
Marina de Tavira, Roma
Regina King, Se A Rua Beale Falasse
Emma Stone, A Favorita
Rachek Weisz, A Favorita

Outra surpresa foi o aparecimento de Marina de Tavira (por “Roma) ocupando o lugar que poderia ter sido de Claire Foy, por “O Primeiro Homem” –filme que foi bastante esquecido em muitas categorias.
Vencedora do Globo do Ouro, Regina King aparece com ligeiro favoritismo –há quem acredite que possa ser esse o único prêmio de expressão de “Se A Rua Beale Falasse” –mas, muitos apostam na força de Amy Adams para quem ela começa a perder mais terreno.

Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali, Green Book-O Guia
Adam Driver, Infiltrado na Klan
Sam Elliot, Nasce Uma Estrela
Richard E. Grant, Poderia Me Perdoar?
Sam Rockwell, Vice

Talvez, a única categoria (ao lado de Filme Estrangeiro) onde o vencedor já é certo: Será muito improvável que Mahershala Ali perca o prêmio, que ele já ganhou, dois anos atrás, por “Moonlight-Sob A Luz do Luar” –aliás, só para constar, o premiado do ano passado (Sam Rockwell, por “Três Anúncios Para Um Crime”) está ali, a disputar com ele...

Melhor Edição
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book-O Guia
Vice

Melhor Animação
Os Incríveis 2
Ilha de Cachorros
Mirai
WiFi Ralph-Quebrando A Internet
Homem-Aranha No Aranhaverso

Ao repetir exatamente a mesma lista dos indicados ao Globo de Ouro, imagina-se que o Oscar repetirá também sua premiação: O ótimo “Homem-Aranha No Aranhaverso”, que vem, por sinal, amealhando diversos prêmios.
Curioso notar como os outros estúdios finalmente conseguiram igualar a genialidade narrativa que em animações, até outro dia, era exclusividade da Pixar e da Disney –que surgem na disputa com “Os Incríveis 2” e “WiFi Ralph”.

Melhor Fotografia
Guerra Fria
Roma
Nasce Uma Estrela
A Favorita
Nunca Deixe de Lembrar

Melhores Efeitos Visuais
Vingadores-Guerra Infinita
Christopher Robin
O Primeiro Homem
Jogador Nº 1
Han Solo-Uma História Star Wars

Notável a lembrança de três filmes estrangeiros na categoria de Melhor Fotografia (“Roma” já era esperado, mas “Guerra Fria” e “Nunca Deixe de Lembrar” foram surpresas) sendo que dois deles são filmados em preto & branco!
Nos Efeitos Visuais, “Guerra Infinita” proporcionou tanta comemoração quanto as numerosas indicações de “Pantera Negra” –vale lembrar que, até então, nenhum filme da Marvel Studios jamais levou um Oscar!

Melhor Roteiro Original
A Favorita
No Coração das Trevas
Green Book-O Guia
Roma
Vice

Melhor Roteiro Adaptado
A Balada de Buster Scruggs
Infiltrado na Klan
Poderia me Perdoar?
Se a Rua Beale Falasse
Nasce Uma Estrela

Um grande suspense que antecipou os anúncios dizia respeito se a Academia iria se render à necessidade de reconhecimento de grandes obras realizadas pelas plataformas de streaming (no caso, a Netflix) ao nomear “Roma”.
Daí a surpresa que, não apenas o filme de Cuarón apareceu entre os indicados como também o belo trabalho dos Irmãos Coen, “A Balada de Buster Scruggs”, foi merecidamente lembrado na categoria de Melhor Roteiro Original, assim como na da Figurino e Canção Original.

Melhor Filme Estrangeiro
Cafarnaum (Líbano)
Guerra Fria (Polônia)
Nunca Deixe de Lembrar (Alemanha)
Roma (México)
Assunto de Família (Japão)

Melhor Canção Original
All of The Stars - Pantera Negra
The Place Where the lost things go - O Retorno de Mary Poppins
Shallow - Nasce uma Estrela
I'll Flight - RBG
When a Cowboy Trade... - A Balada de Buster Scrugss

Melhor Documentário em Curta-Metragem
Black Sheep
End Game
Lifeboat
A Night at the Garden
Period.

Melhor Documentário em Longa-Metragem
Free Solo
Hale County this Morning , This Evening
Minding the Gap
RBG
Of Fathers and Sons

Melhor Design de Produção
Pantera Negra
A Favorita
O Primeiro Homem
O Retorno de Mary Poppins
Roma

Melhor Figurino
A Balada de Buster Scrugss
Pantera Negra
A Favorita
O Retorno de Mary Poppins
Duas Rainhas

Melhor Mixagem de Som
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Roma
Nasce Uma Estrela

Melhor Edição de Som
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Um Lugar Silencioso
Roma

Melhor Maquiagem
Border
Vice
Duas Rainhas

As categorias técnicas representam a melhor chance de “Pantera Negra” sair com algumas estatuetas debaixo do braço, ainda que hajam filmes bem cotados e merecedores nas de Melhor Design de Produção, Melhor Figurino (“A Favorita”, em ambos), Melhor Mixagem (“O Primeiro Homem”, já que não concorre a quase nada), e Melhor Edição de Som (“Um Lugar Silencioso”, outro apontado como um dos grandes injustiçados deste ano).

Melhor Curta em Animação
Animal Behaviour
Bao
Late Afternoon
One Small Step
Weekends

Melhor Curta-Metragem
Detainment
Fauve
Marguerite
Mother
Skin

Melhor Trilha Sonora
Nicholas Britell – Se a Rua Beale Falasse
Alexandre Desplat – Ilha de Cachorros
Ludwig Göransson – Pantera Negra
Marc Shaiman – O Retorno de Mary Poppins
Terence Blanchard - Infiltrado na Klan

A entrega dos prêmios será dia 24 de fevereiro.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Vencedores do Globo de Ouro 2019


Foi dada a largada à temporada de premiações com a cerimônia ocorrida neste dia 6 de janeiro que, de início, pelo menos, foi estranhamente enfadonha e pouco marcante, mesmo diante do fato de que o Golden Globe costuma ser uma festa mais animada e solta. Dessa forma, há pouco de interessante para se falar que vá além dos filmes ganhadores, com “Green Book” e “Bohemian Rhapsody” revelando um inesperado favoritismo que só o tempo dirá se irá manter-se.
Por sua natureza mais descontraída, é normal esperar do Golden Globe algumas atitudes distintas dos prêmios que se seguirão, só não podemos saber com precisão quais serão elas.
Teria “Roma”, de Alfonso Cuarón, as mesmas chances de se consagrar em outras premiações mesmo com o selo da Netflix?
Por outro lado, o badalado “Nasce Uma Estrela” terá alguma atenção nas próximas premiações que se estendam para além das generosas indicações?

Melhor filme - Drama
"Bohemian Rhapsody"

Melhor ator de filme - Drama
Rami Malek, "Bohemian Rhapsody"

Não foi todo mundo que ficou satisfeito com a premiação de “Bohemian Rhapsody” na categoria principal –houve até quem acusasse o Golden Globe por não se levar a sério com esse gesto.
Entretanto, o prêmio de Melhor Ator Dramático para Rami Malek pareceu bem mais apropriado, uma vez que é sua composição como Freddie Mercury o grande chamariz da obra.
Curiosa também é a postura de todos os envolvidos de praticamente omitir o nome do diretor Bryan Singer de todos os discursos de agradecimento –ele que foi afastado do projeto faltando duas semanas de sua conclusão devido ao escândalo de denúncias de abuso sexual.

Melhor atriz de filme - Drama
Glenn Close, "The Wife"

A torcida do público aparentemente se inclinava para o ótimo trabalho de Lady Gaga, mas o Golden Globe optou por seguir a lógica do merecimento, reconhecendo uma veterana que não tinha sido, até então, contemplada com os prêmios que merece.
Assim como ocorreu com Gary Oldman no ano passado (ele quem, aliás, apresentou o prêmio), este parece ser o momento de Glenn Close, atriz que, há algum tempo vem sendo falado, é um absurdo que nunca tenha levado um Oscar.
O Golden Globe é um indício dos rumos que a premiação de Melhor Atirz pode tomar ao longo da temporada de prêmios em geral, e na cerimônia do Oscar em particular.

Melhor Filme - Musical ou Comédia
"Green Book: O Guia"

O trabalho solo de Peter Farrelly (pela primeira vez sem colaborar com seu irmão Bobby) terminou superando predileções do público (“O Retorno de Mary Poppins” e “Podres de Ricos”) e obras apontadas com mais favoritismo (“A Favorita” e “Vice”).
Se há uma obra que ganhou inesperada força com este Golden Globe foi essa.

Melhor atriz em filme - Musical ou Comédia
Olivia Colman, "A Favorita"

Eis que o filme de Yorgos Lanthimos sobre o inusitado triângulo amoroso na corte da rainha Anne de Inglaterra teve uma de suas protagonistas premiada.
Da forma como está, parece que Olivia Colman está representando todo o trio principal. Resta saber se essa tendência –a de colocar Olivia nas categorias principais e Rachel Weisz e Emma Stone nas de coadjuvante –se manterá ao longo de toda a temporada de prêmios.

Melhor diretor de filmes
Alfonso Cuarón, "Roma"

Melhor filme em língua estrangeira
"Roma" (México)

A excelência do trabalho de Alfonso Cuarón confirma sua tendência em prevalecer nas premiações da temporada, não obstante “Roma” ser um produto oriundo da plataforma de streaming Netflix. O que traz um dilema aos membros da Academia: Render-se ao novo formato quebrando os paradigmas que definem o que é cinema, ou recusar o reconhecimento a um filme que o merece plenamente?

Melhor ator em filme - Musical ou Comédia
Christian Bale, "Vice"

Melhor roteiro para filme
Peter Farrelly, Nick Vallelonga, Brian Currie ("Green Book: O Guia")

Melhor ator coadjuvante em filmes
Mahershala Ali, "Green Book: O Guia"

O sempre empenhado Christian Bale arrebatou o prêmio de Melhor Ator Cômico por um trabalho que surpreende, sobretudo, por sua completa metamorfose para o papel –é sua segunda colaboração com o diretor Adam McKay depois do ótimo “A Grande Aposta” (deu pra perceber uma ligeira embriaguez em seu discurso. Coisas do Golden Globe).
A partir de um ponto, porém, foi “The Green Book” que passou a se impor entre os prêmios na categoria de comédia, tornando Mahershala Ali um dos nomes a se acompanhar bem de perto nas premiações.

Melhor atriz coadjuvante em filmes
Regina King, "Se A Rua Beale Falasse"

Não parece haver maiores diferenças entre “Se A Rua Beale Falasse” e “Sob A Luz do Luar”, trabalho anterior do diretor Barry Jenkins. A mesma aparência de discreto filme independente que amealha prêmios inesperados.
Aqui, esse imprevisto já coloca Regina King como a favorita da temporada, inclusive pela considerável ausência de concorrentes mais fortes.

Melhor música para filmes
"Shallow", "Nasce Uma Estrela"

Em meio ao intenso burburinho de sua badalação, fazia sentido mesmo que, ao menos, o único prêmio que não escapasse à “Nasce Uma Estrela” fosse o de Melhor Canção –e “Shallow” corresponde, por vezes, a um dos grandes momentos do filme.

Melhor trilha original para filmes
Justin Hurwitz, "O Primeiro Homem"

Depois de ter sido esnobado na maioria das indicações, ninguém esperava que “O Primeiro Homem” saísse vitorioso numa categoria onde alguns até se permitiam ter esperança pela vitória de “Pantera Negra”.
Foi Justin Hurwitz quem levou esse mesmo prêmio em 2017, também por um filme de Damien Chazelle, “La La Land-Cantando Estações”.

Melhor animação
"Homem-Aranha no Aranhaverso"

Quebrando a hegemonia Disney/Pixar que já durava sabe-se lá quanto tempo, a bem-sucedida animação da Sony Pictures conquistou a crítica estrangeira e ameaça, com isso, consagrar-se como a mais funcional e vibrante tradução do herói aracnídeo para as telas de cinema.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2019


A temporada de prêmios começou. A lista divulgada hoje traz os concorrentes ao prêmio conferido pela Imprensa Estrangeira, o Globo de Ouro que, no passado, já foi o mais confiável dos termômetros para o Oscar. Eis os indicados somente nas categorias de cinema:

Melhor Roteiro
Alfonso Cuaron, por “Roma”
Deborah Davis e Tony McNamara, por “A Favorita”
Barry Jenkins, por “Se a Rua Beale Falasse”
Adam McKay, por “Vice”
Peter Farrelly, Nick Vallelonga e Brian Currie, por “Green Book-O Guia”

Melhor Diretor
Bradley Cooper (“Nasce Uma Estrela”)
Alfonso Cuaron (“Roma”)
Peter Farrelly (“Green Book-O Guia”)
Spike Lee (“Infiltrado na Klan”)
Adam McKay (“Vice”)

Melhor Filme Drama
“Infiltrado na Klan”
“Bohemian Rhapsody”
“Se a Rua Beale Falasse”
“Nasce Uma Estrela”

Melhor Musical ou Comédia
“Podres de Rico”
“A Favorita”
“Green Book-O Guia”
“O Retorno de Mary Poppins”
“Vice”

Além da predominância até já esperada do elogiadíssimo “Roma” e de “Vice”, a nova empreitada de Adam McKay depois da consagração com “A Grande Aposta”, o que surpreendeu foi a ausência de “O Primeiro Homem”, de Damien Chazelle, nas categorias principais.
Mas, nenhuma surpresa foi maior do que a lembrança de “Pantera Negra”, tornando-se assim o primeiro filme da Marvel Studios a concorrer em um prêmio de expressão –e ainda por cima na categoria de Drama, convenhamos, mais prestigiada que a de Musical ou Comédia.

Melhor Animação
“Ilha de Cachorros”
“Mirai”
“WiFi Ralph”
”Homem-Aranha no Aranhaverso”


Muitos trabalhos ainda inéditos no Brasil, como “WiFi Ralph” e “Homem-Aranha no Aranhaverso” disputam este prêmio tornando difícil apontar o favorito, mas “Os Incríveis 2” vem com o aval da Pixar e da Disney.
Penso que o prêmio ficará entre ele e a continuação de “Detona Ralph”.

Melhor Filme Estrangeiro
“Capernaum” (Líbano)
“Girl” (Bélgica)
“Never Look Away” (Alemanha)
“Roma” (Itália)
“Shoplifters” (Japão)

Imagina-se que, como ocorreu a quatro anos atrás, deva haver um predomínio do trabalho de Alfonso Cuaron nas premiações.
Nesta categoria não parece haver concorrente mais forte do que “Roma”, no entanto, a Imprensa Estrangeira pode ter conhecimentos a respeito de um desses indicados que nós ainda não temos.
Agora, mistério mesmo é como o Oscar irá se comportar em relação à Roma (que é um filme da Netflix!) se sua supremacia artística se confirmar ao longo desta temporada.

Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali (“Green Book-O Guia”)
Timothee Chalamet (“Beautiful Boy”)
Adam Driver (“Infiltrado na Klan”)
Richard E. Grant (“Can You Ever Forgive Me?”)
Sam Rockwell (“Vice”)

Com exceção de Richard E. Grant, os demais indicados são todos grandes atores surgidos nos últimos anos; não será fácil optar entre o fulgor de Sam Rockwell, o minimalismo de Adam Driver, a introspecção precisa de Timothée Chamalet e o surpreendente timing cômico de Mahershala Ali.

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams (“Vice”)
Claire Foy (“O Primeiro Homem”)
Regina King (“Se a Rua Beale Falasse”)
Emma Stone (“A Favorita”)
Rachel Weisz (“A Favorita”)

Eis que finalmente “O Primeiro Homem” aparece nesta categoria (ele só torna a reaparecer na de Trilha Sonora Original), representado justamente por Claire Foy que teve um 2018 promissor no cinema; com o papel de Lisbeth Salander em “A Garota Na Teia da Aranha” e este daqui ela começa a dar passos largos para obter na tela grande o mesmo reconhecimento que já tem na TV na série “The Crow”.
Quando à grande dúvida sobre as atrizes de “A Favorita” –ninguém sabia em quais categorias as três seriam colocadas –pelo menos o Globo de Ouro optou por colocar as mais famosas (Emma e Rachel) como coadjuvantes e a única desconhecida como atriz principal –já falamos dela...

Melhor Ator em Drama
Bradley Cooper (“Nasce Uma Estrela”)
Willem Dafoe (“At Eternity’s Gate”)
Lucas Hedges (“Boy Erased”)
Rami Malek (“Bohemian Rhapsody”)
John David Washington (“Infiltrado na Klan”)

Embora o público dê seu referendo aos trabalhos de Rami Malek e Bradley Cooper (este, é bom lembrar, também é diretor do filme), quem vem crescendo consideravelmente em rodas de apostas é a magnífica atuação de Lucas Hedges.

Melhor Atriz em Drama
Glenn Close (“The Wife”)
Lady Gaga (“Nasce Uma Estrela”)
Nicole Kidman (“O Peso do Passado”)
Melissa McCarthy (“Can You Ever Forgive Me?”)
Rosamund Pike (“A Private War”)

Embora a interpretação de Nicole Kidman seja apontada como uma das melhores do ano (e da sua carreira também) muito se aposta que esta seja finalmente a chance de Glenn Close ser premiada –não no Globo de Ouro, que ela venceu em duas ocasiões, mas no Oscar! Como o Globo de Ouro, bem como muitas das demais premiações, apontam o favoritismo que costuma se confirmar na festa do Oscar, é natural que ela saia na frente aqui.
Além de Nicole, ela tem a concorrência fortíssima de Lady Gaga, numa performance muito aplaudida por público e crítica.
Uma pena, porém, que não houve espaço para uma indicação para Tony Collette e seu poderoso trabalho no assustador “Hereditário”.

Melhor Ator em Comédia ou Musical
Christian Bale (“Vice”)
Lin-Manuel Miranda (“O Retorno de Mary Poppins”)
Viggo Mortensen (“Green Book-O Guia”)
Robert Redford (“The Old Man and the Gun”)
John C. Reilly (“Stan & Ollie”)

Entregando a excelência habitual com a qual nos acostumamos, Christian Bale e Viggo Mortensen chegam exigindo respeito, bem como o veterano Robert Redford que, a exemplo de Daniel Day-Lewis ano passado, anunciou sua aposentadoria de frente das câmeras.
É difícil, no entanto, ignorar o brilho e a emoção de John C. Reilly (debaixo de quilos de maquiagem) como Oliver Hardy na cinebiografia de o Gordo e o Magro, “Stan & Ollie”.

Melhor Atriz em Comédia ou Musical
Emily Blunt (“O Retorno de Mary Poppins”)
Olivia Colman (“A Favorita”)
Elsie Fisher (“Eighth Grade”)
Charlize Theron (“Tully”)
Constance Wu (“Podre de Ricos”)

Embora tenha a mesma importância na trama e o mesmo tempo de cena que suas companheiras de elenco, Emma Stone e Rachel Weisz, a desconhecida Olivia Colman ganhou a indicação como protagonista em detrimento da nomeação de suas colegas como coadjuvantes.
É essa indefinição uma das desvantagens dela na busca pelo prêmio que ela terá de disputar com os sempre bons trabalhos de Emily Blunt (na continuação de um clássico que as premiações podem insistir em lembrar), de Charlize Theron e de Constance Wu –possivelmente a favorita –num dos filmes-sensação da temporada.

Melhor Trilha Sonora Original
Marco Beltrami por “Um Lugar Silencioso
Alexandre Desplat por “Ilha de Cachorros”
Ludwig Göransson por “Pantera Negra”
Justin Hurwitz por “O Primeiro Homem”
Marc Shaiman por “O Retorno de Mary Poppins”

Melhor Música Original
All the Stars, de “Pantera Negra”
Girl in the Movies, de “Dumplin’”
Requiem for a Private War, de “A Private War”
Revelation, de “Boy Erased”
Shallow, de “Nasce Uma Estrela”

Nas categorias de Trilha Sonora e Música, “Pantera Negra” (que concorre em ambas) vai precisar disputar, no primeiro caso, com um filme magistral no uso da dinâmica entre o som e o silêncio (o muito digno de prêmios, “Um Lugar Silencioso” que infelizmente só foi lembrado aqui), e com um clássico dos musicais repaginado em toda sua glória (“Mary Poppins”).
Já no quesito Música Original, muitos acham improvável que “Nasce Uma Estrela” saia de mãos abanando.

A entrega dos Globos de Ouro ocorre dia 6 de janeiro.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

E Sua Mãe Também

A aparente simplicidade desta premissa é somente o primeiro artifício por meio do qual o grande diretor Alfonso Cuarón consegue driblar as expectativas do público e conceber uma obra surpreendente.
Definidos por aquele fulgor por sexo e aquela euforia por liberdade que tanto caracteriza a adolescência, os jovens de classe média do México Julio e Tenoch (Gael Garcia Benal e Diego Luna, em interpretações viscerais) enxergam na tentadora e madura Luisa (a exuberante Maribel Verdú), casada com o primo de Tenoch, uma oportunidade para dormir não com as mesmas namoradinhas adolescentes de sempre, mas com uma mulher de verdade.
Quando ela aceita –impelida pela indignação de uma traição do marido –ir com eles para a viagem à uma praia paradisíaca chamada “Boca do Céu” (que, na realidade, os dois inventaram de última hora), eles julgam que, em algum momento, será isso que conseguirão. Mas, a viagem irá revelar muitas outras coisas.
Ao expectador, irá revelar o talento prodigioso de Alfonso Cuarón –que com este filme saltou da promessa auspiciosa de qualidade no lúdico “A Princesinha”, para uma excelência artística que só se potencializou a cada novo projeto –cuja construção inventiva de cenas e a notável estrutura do roteiro prescinde orçamentos vultuosos (o cenário mexicano não é nada diferente do que se vê nas estradas do Brasil).
Aos mais atentos, irá revelar também um México que passa quase despercebido aos jovens protagonistas tão extasiados nos detalhes fugazes, bons e ruins, de sua própria jornada que não reparam a situação periclitante e transitória de seu país em termos políticos e sociais que Cuarón tão bem registra em pequenos e ocasionais detalhes pertinentes.
E aos personagens, irá revelar algumas verdades acerca deles mesmos: As razões não verbalizadas e não reconhecidas pelas quais Julio e Tenoch nutrem entre si uma amizade e uma lealdade tão profunda, e a real motivação de Luisa, na forma de um segredo que ela leva consigo –esses e outros detalhes enriquecem este filme brilhante, onde a estrutura de roteiro se presta, num gesto gigante de humanismo e espirituosidade, a vislumbrar o quê foi e o quê será acerca de cada coadjuvante, cada pessoa, cada elemento que cruza o caminho de seus protagonistas, num recurso que mantém perene a memória desta obra no coração do público.

sábado, 23 de setembro de 2017

Os Vencedores do Oscar 2014

(Todo o sábado, agora, haverá uma retrospectiva das cerimônias do Oscar de anos pregressos em ordem regressiva. Vamos ver até onde vai...)
A Academia segue firme em sua constante campanha para premiar o cinema independente, esquecendo-se da qualidade intrínseca de outras fontes e de sua própria indústria. Assim sendo, à sombra da consagração de “12 Anos de Escravidão” ficaram os excelentes “Trapaça” e “OLobo de Wall Street”.
Felizmente, o grande trabalho de direção do ano, “Gravidade”, de Alfonso Cuarón, terminou a noite como campeão em número de prêmios (foram sete!), o quê é justo e certo em relação ao campeão de prêmios técnicos do ano passado, “As Aventuras de Pi”, bastante inferior.

MELHOR FILME

MELHOR DIREÇÃO
"Gravidade", Alfonso Cuarón

MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett, "Blue Jasmine"

MELHOR ATOR
Matthew McConaughey, "Clube deCompras Dallas"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Lupita Nyong’o, "12 Anos de Escravidão"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Jared Leto, "Clube de Compras Dallas"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Gravidade"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
"20 Feet From Stardom"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"The Lady In The Number 6"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"AGrande Beleza" (Itália)

MELHOR MIXAGEM DE SOM
"Gravidade"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"Gravidade"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
"Clube de Compras Dallas"

MELHOR FIGURINO
"O Grande Gatsby"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"Gravidade"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"O Grande Gatsby"

MELHOR TRILHA SONORA
“Gravidade"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Ela"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"12 Anos de Escravidão"

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"Frozen-Uma Aventura Congelante"

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"Mr. Hublot"

MELHOR EDIÇÃO
"Gravidade"

MELHOR CURTA-METRAGEM

"Hellum”

sábado, 17 de setembro de 2016

A Princesinha

Em meados da década de 1990, fui apresentado à toda a magia do mexicano Alfonso Cuarón por meio deste filme singelo, lúdico, recheado de pequenos pormenores, no qual ele conta a história da pequena e imaginativa Sarah (a encantadora Liesel Matthews) e suas desventuras imbuídas de um clima de Charles Dickens, quando ela é deixada, em meados da Segunda Guerra Mundial, por seu pai (Liam Cunningham) em um internato nova-iorquino só para meninas, para que ele possa contribuir na frente de batalha.
Ao ser dado como morto (na realidade, ele apenas perdeu a memória, mas isso não vem ao caso...), a menina perde seu direito à vaga que tinha na escola, e passa a ter de trabalhar para viver lá, o quê a torna uma empregada servil para as mesmas meninas que a idolatravam por sua prodigiosa capacidade de contar histórias envolventes e emocionantes.
Apesar dessas condições terríveis, e da opressora vilania da diretora do internato (Eleanor Brown), Sarah não se mostra disposta a desistir, nem a sucumbir perante as adversidades.
Assim, Cuarón constrói um filme que tem particularidades adultas, com técnica de gente grande, mas que guarda características fascinantes que chegam às crianças, como um elenco infantil hipnótico e uma paleta de cores –na qual prevalece um verde carregado de significado –que remete à um conto de fadas.
Uma pequena obra-prima de um realizador que entregaria muitas mais, nos anos por vir.