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domingo, 3 de março de 2024

DUNA - Segunda Parte


 Os grandes filmes, aqueles de qualidade mais inconteste são, normalmente, os mais difíceis de serem comentados. Como colocar em palavras todo o assombro proporcionado pela produção? Como honrar o mérito ímpar dos artistas envolvidos sem fazer parecer que aquilo é meramente um deslumbramento parcial? “Duna-Segunda Parte”, de Denis Villeneuve, vem confrontar críticos e expectadores com esse inusitado dilema.

Duna-Primeira Parte” foi um épico belo e avassalador e, embora tenha sido extremamente enaltecido pela crítica que atentou para as qualidades técnicas espetaculares da realização e para a bem-sucedida transposição para cinema de elementos antes tidos como intransponíveis do clássico literário de Frank Herbert, alguns chegaram a se queixar de sua narrativa dispersa, da natureza essencialmente introdutória dos arcos construídos ali e de uma esboçada complexidade que, em função de seu final em aberto, para alguns não levava à lugar nenhum. Pois, esta “Parte Dois” vem calar cada uma dessas reclamações ao compor junto com o primeiro longa-metragem uma experiência de ficção científica bela, impactante e intrincada como há muito as telas de cinema não recebiam.

Começando exatamente no ponto em que o filme anterior terminou, “Parte Dois” reencontra Paul (Timothée Chalamet) e Jessica Atreides (Rebecca Fergunson) quando acabaram de unir-se aos Fremen, os habitantes do desértico planeta Arrakis, após terem sido alvo de uma conspiração movida pelos obscuros e brutais inimigos da Casa Harkonnen, o que lhes tirou o controle outrora outorgado pelo Imperador Galáctico (Christopher Walken) de toda a manufatura de especiaria, o material mais precioso do universo, encontrado somente nas areias de Arrakis.

A traição contra os Atreides, não tardamos a descobrir, foi um golpe orquestrado nas sombras pelo próprio Imperador, disposto a por um fim à influência crescente e preocupante dos Atreides junto às poderosas casas de nobreza da galáxia. Entretanto, todos esses inimigos conspiradores têm a convicção de que agora, o problema dos Atreides foi neutralizado, crentes de que Paul e sua mãe foram mortos junto com seus aliados.

Na realidade, Paul se encontra sob a proteção do líder Fremen Stilgar (Javier Barden) que acredita fervorosamente que ele possa ser o Lisan Al Gaib, o messias das profecias de Arrakis plantadas séculos antes pelas feiticeiras Bene Gesserit que trará a liberdade ao povo Fremen e fará de Arrakis um paraíso verde. Embora disposto a integrar-se aos Fremen (tarefa que exige dele o audacioso feito de cavalgar um dos vermes na areia, os Shai-Hulud, naquela que é uma das grandes cenas do ano) e certamente interessado em aliar-se aos seus guerreiros para levar sua retaliação aos Harkonnen e ao Imperador no seu devido tempo, Paul  tem lá seus receios em aceitar em definitivo o papel messiânico no qual muitos já o enxergam, por outro lado, sua mãe, Jessica, convertida na Madre Superiora dos Fremen, tem grande interesse em alimentar esse culto e, com isso, segue rumo ao inóspito sul de Arrakis onde se escondem as tribos fundamentalistas que acatarão cegamente a concretização dessa profecia e constituirão um exército tão descomunal que prejudicará, em apoteóticas batalhas subsequentes, a exploração de especiaria a ponto de levar o Império e todas as grandes casas da galáxia à voltar suas atenções para Arrakis.

Ao mesmo tempo, a acompanhar essa progressão épica de eventos em larga escala –e mostrados com um brilhantismo e uma energia com a qual nenhum filme recente se equipara –temos também a trajetória íntima de Paul Atreides, um salvador relutante, temeroso em aceitar um papel de tamanha atribulação num contexto infinitamente maior que ele próprio. Esses arcos dramáticos, conduzidos com perícia inquestionável pelo diretor Villeneuve, ressaltam não apenas a precisão e a excelência na atuação de Timothée Chalamet, talvez a melhor de sua carreira, como também a magnífica construção dos personagens que o cercam; o ceticismo raivoso de Chani (Zendaya, ótima) contrabalanceado por seu vínculo sentimental cada vez mais forte com Paul; a truculenta figura paterna de Gurney (Josh Brolin); o antagonismo psicótico e imprevisível de Feyd-Rautha Harkonnen (Austin Butler, absolutamente sensacional); as maquinações sinistras e calculistas das Bene Gesserit (entre elas Charlotte Hampling, oriunda já do primeiro filme, e Lea Seydoux); e a atenciosa avaliação da Princesa Irulan (Florence Pugh), historiadora do Império, a acompanhar com sua narração em off todos esses eventos.

Para muito além das tentativas de se adaptar com pompa e circunstância o tomo cultuado de Frank Herbert –a presepada lamentável de David Lynch e Dino De Laurentis, em 1984; e a produção megalomaníaca, porém, jamais materializada em um filme real de Alejandro Jodorowsky –o que Denis Villeneuve entregou aqui foi uma obra sublime do mais puro cinema: Compondo agora as duas partes de um todo harmonioso, exuberante e impecável, a Primeira e Segunda Partes de “Duna” formam um épico de ficção científica inigualável destinado a encantar (com seu visual arrebatador e sua narrativa hipnótica) gerações e mais gerações de cinéfilos.

domingo, 9 de julho de 2023

Missão Impossível - Acerto de Contas Parte 1


 Há quase três décadas atrás (vinte e sete anos, para ser mais exato), o astro Tom Cruise debutou como produtor tentando transpor um conceito de série de TV para o cinema. Hoje, sete longa-metragens depois, podemos dimensionar os frutos rendidos por sua tenacidade. Ainda que hajam exemplares oscilantes em qualidade (tal qual o segundo filme), e que, deveras, os acertos mais expressivos tenham demorado a chegar (sendo “Protocolo Fantasma” o momento em que isso finalmente aconteceu), a franquia entrou nos eixos de fato com a adição do diretor e roteirista Christopher McQuarrie ao projeto (em “Nação Secreta”). Até então um realizador subestimado (a despeito do Oscar de Melhor Roteiro Original por “Os Suspeitos”) e relegado pelos estúdios à ingrata tarefa de polir roteiros produzidos por terceiros, McQuarrie caiu nas graças de Tom Cruise quando se conheceram no set de “Operação Valquíria”, mais tarde trabalhando juntos no ótimo “Jack Reacher-O Último Tiro”. McQuarrie passou a integrar o, digamos, time de confiança de Tom Cruise, e a trabalhar com ele em praticamente todos os seus projetos –é dele, por exemplo, o excelente roteiro para “Top Gun-Maverick” –e tornou-se oficialmente o capitão da franquia “Missão Impossível”. Seu talento e habilidade moldaram em “Nação Secreta” uma obra pulsante sobre as verdades e mentiras do mundo da espionagem e, no longa-metragem seguinte, “Efeito Fallout”, um tratado de cinema tanto dramático quanto cinético sobre as consequências de não se tolerar o sacrifício de um amigo em ação. Hoje, é seguro afirmar, toda uma nova geração de expectadores cresceu testemunhando a exuberância de “Missão Impossível” como uma franquia inquestionavelmente cinematográfica –e certamente, muitos nem sabem que tudo começou com um seriado até bem modesto dos anos 1960.

Agora, contudo, chegou a hora de Tom Cruise e Christopher McQuarrie darem sua cartada final. Prepararem o palco para uma despedida em grande estilo, conscientes talvez de que não é possível contar aventuras de Ethan Hunt (personagem de Cruise) para sempre –o astro, é bom lembrar, já está com 61 anos.

A trama concebida por McQuarrie (sempre um entusiasta apaixonado e hábil de enredos intrincados, perfeitos ao gênero de espionagem) para tal despedida é rocambolesca, povoada de personagens dotados das mais variadas motivações (e algumas ainda mudam ao sabor das circunstâncias!), cheias de surpresas de última hora, guinadas improváveis e/ou inesperadas e um esperto componente de paranóia bastante característica desses novos tempos: Em meio a discussões sobre um advento inesperadamente incontrolado da tecnologia de ponta, o grande vilão de “Acerto de Contas Parte 1” é uma Inteligência Artificial.

Criado inicialmente como um formidável algoritmo para manejo de informações nas redes sociais pelos centros mundiais de inteligência, o programa denominado ‘A Entidade’ se aperfeiçoou de tal forma em meio às vastas possibilidades da internet que acabou criando autonomia própria e tornou-se perigoso demais. Na surdina, as grandes potências mundiais (entre as quais, é claro, os EUA) querem mobilizar agentes para encontrar assim as duas partes do que seria um mecanismo conhecido como ‘A Chave’ capaz de desligar a ‘Entidade’ ou (como eles preferem) controlá-la. O agente de campo mais próximo de concluir tal façanha aparentemente é Ethan Hunt, membro da IMF (Impossible Mission Force), cujo senso moral e considerável independência operativa ordena que a ‘Entidade’ seja destruída imediatamente.

E é nesse ponto –ainda nos primeiros quinze minutos dos sensacionais cento e sessenta e três minutos de filme –que a obra de McQuarrie engata uma nova marcha e complica consideravelmente a vida de nossos heróis: Cegos para o perigo da ‘Entidade’ e unicamente interessados no poder abrangente de controle sem precedentes de dados digitais que ela oferece, o Diretor de Inteligência Americana (Cary Elwes, de “Tempo de Glória”) e o diretor adjunto da própria IMF (Henry Czerny) renegam Hunt e seu grupo –formado pelos agentes de campo Luther (Ving Rhames) e Benji (Simon Pegg), além do constante auxílio da agente britânica Ilsa (a sempre maravilhosa Rebecca Fergunson) –e despacha um novo grupo na sua cola, comandados pelo nada amistoso e muito truculento Jasper (Shea Whigham, de “O Lado Bom da Vida” e “O Abrigo”).

Entretanto, aqueles que de fato dificultam a situação de Hunt são a jovem prestidigitadora Grace (a linda e fulgurante Hayley Atwell) imbuída do talento para deixar o Agente Hunt para trás, à serviço da tentacular e manipuladora Allana Mitsopolis (a fantástica Vanessa Kirby), e o misterioso e perigoso Gabriel (Esai Morales, de “Rapa Nui-Uma Aventura No Paraíso”), agente sombrio e assassino, grande responsável pela tragédia que empurrou em definitivo Ethan Hunt na vida de agente secreto.

Tantos personagens a ir e vir, e a enganar uns aos outros (muitas vezes numa profusão vertiginosa que deliberadamente engana o próprio público) poderia representar uma verdadeira armadilha para um realizador mais despreparado, mas, McQuarrie usa a abusa do talento mais que comprovado que ele ostentou nos dois últimos longas da franquia e transforma “Acerto de Contas Parte 1” numa obra-prima do entretenimento hollywoodiano. Seu filme tem relevância, autenticidade, competência técnica e arrojo artístico em níveis que muitos críticos duvidavam ser capazes de serem atingidos por uma superprodução atual. Os quarenta minutos finais trazem uma sucessão de cenas de ação e suspense que farão qualquer expectador grudar na poltrona, e ainda compõem uma espirituosa referência ao clímax à bordo de um trem do primeiro “Missão Impossível” –é, no entanto, preciso alertar os mais ansiosos: Como já é sugerido em seu título, “Acerto de Contas Parte 1” deixa margem para a vindoura “Parte 2”, terminando com um instigante sabor de ‘quero mais’, tal e qual “Duna-Primeira Parte” e “Homem-Aranha Através do Aranhaverso”, só para citar os exemplos mais recentes.

domingo, 24 de outubro de 2021

DUNA - Primeira Parte


 In Denis Villeneuve we trust

Já era lendária a afirmação de que “Duna”, a obra-prima literária de Frank Herbert, tratava-se de um trabalho impossível de ser adaptado. As tentativas anteriores de transpô-lo para a linguagem cinematográfica (o filme de 1984 de David Lynch, a minissérie do ano 2000, além do projeto jamais concretizado por Alejandro Jodorowsky) soavam mais como confirmações da inviabilidade do material em ser vertido para outra narrativa do que realizações bem-sucedidas de fato.

Todavia, o canadense Denis Villeneuve, que desde sua estréia só fez brilhar em aclamadas produções, tomou para si a responsabilidade de fazer o impossível, depois de sagrar-se com duas espetaculares obras de ficção científica –o magistralmente intimista “A Chegada”, e a continuação audaciosamente superior ao cultuado original “Blade Runner 2049”. Para esta nova e, espera-se, definitiva versão, Villeneuve tomou emprestadas ideias mercadologicamente surgidas a partir da adaptação de “O Senhor dos Anéis”, por Peter Jackson, em 2001: Dividiu o tomo gigantesco de Frank Herbert em dois longa-metragens de generosa duração –a realização da Segunda Parte depende, portanto, do bom desemprenho de público e crítica da Primeira Parte.

“Duna” se passa no ano de 10161. O espaço é um palco de interesses políticos regidos por casas que disputam o poder tal e qual o mais brutal dos sistemas feudais. E o centro da maioria das disputas vem a ser o planeta Arrakis, lugar desértico que gera o produto conhecido como ‘especiaria’ –um pó obtido entre as areias de seus intermináveis desertos, com o qual as viagens interestelares se tornam possíveis.

Por décadas, o domínio e a extração da ‘especiaria’, bem como os atritos selvagens contra os habitantes de Arrakis, o povo do deserto conhecido como os Fremen, ficaram à cargo da Casa Harkonnen, comandada pelo hediondo, grotesco e pernicioso Barão Vladimir Harkonnen (Stellan Skarsgaard) e seu sobrinho Glossu Raban (Dave Bautista, no personagem que foi de Paul L. Smith na versão de David Lynch).

Numa decisão delegada pelo Imperador Galáctico –esta obra, como pode-se notar, foi uma das inspirações de George Lucas para “Star Wars” –o comando de Arrakis passa da Casa Harkonnen para a Casa Atreides.

É aí que entram em cena os protagonistas da trama: O Duque Leto Atreides (Oscar Isaacs), sua esposa Jessica (a maravilhosa Rebecca Fergunson) e, sobretudo, seu filho, Paul (Timothée Chamalet). Sendo Jessica uma integrante das Bene Gesserit, uma casta de feiticeiras imbuídas do dom da premonição, ela e seus pares acreditam que Paul, por sua procedência e por outros indícios que se sucedem (como sonhos nos quais ele vislumbra um futuro bem provável e perigoso), possa ser um messias, esperado há tempos para mudar irreversivelmente a escala de poder.

Dentro do que se propôs, o diretor Villeneuve, só pra variar, realizou um trabalho simplesmente brilhante: Não apenas seu “Duna” ostenta qualidades cinematográficas inquestionáveis em sua grandiosidade (é recomendado que seja visto na maior tela possível tamanho é o deslumbre de seu escopo épico), como também é primorosamente minimalista em seus pequenos detalhes (como os olhos azuis dos Fremen, adquiridos através da exposição à ‘especiaria’) e hiperlativo nas influências que adota: “Duna” é, pois, tão sólido e imponente quanto “Lawrence da Arábia”, tão contundente e estilizado quanto “Kagemusha”, tão antológico e singular quanto “2001-Uma Odisséia No Espaço”.

Esta Primeira Parte fala sobre os fardos da predestinação, sobre os revezes imprevisíveis da ganância e as armadilhas cruéis do idealismo: Uma vez em Arrakis, O Duque Leto Atreides almeja o que seus antecessores jamais cogitaram; uma trégua de convívio e co-existência pacífica com os Fremen. E será justamente por suas nobres intenções que engrenagens insidiosas irão mover uma conspiração capitaneada pelos Harkonnen, algo que proporciona, já na segunda metade deste filme, cenas estupendas de batalha, filmadas por Villeneuve com uma sinergia e um senso de realismo que há algum tempo não surgia em uma obra de fantasia nas telas de cinema. Quem conhece remotamente a trama, seja pelo filme incoerente e corrido de David Lynch, seja pelo conhecimento do enredo do livro de Herbert, perceberá que Villeneuve encerra a narrativa quando a história se encontra na sua metade –ele aproveita esse tempo de tela para fazer tudo o que o filme de Lynch não conseguiu fazê-lo, seja estabelecer a profundidade das inúmeras motivações, seja para compor cenas inteiras do livro com o ritmo e atmosfera corretos assim definidos por Herbert. O resultado não somente é de um assombro que raras produções foram capazes de atingir nos últimos anos, como leva o público a um final em aberto tão instigante, empolgante e magnífico quanto foi o de “O Senhor dos Anéis-A Sociedade do Anel” e “O Império Contra-Ataca”.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Doutor Sono

Dentre as inúmeras adaptações cinematográficas de Stephen King, “O Iluminado”, de Stanley Kubrick, exerce um papel curioso: É abertamente repudiado por seu autor devido às liberdades drásticas tomadas por Kubrick em relação à obra original, ao mesmo tempo que é cultuado por cinéfilos do mundo todo como um dos grandes filmes de terror de todos os tempos.
Daí, portanto, a dificuldade na abordagem do diretor Mike Flanagan ao adaptar para cinema a sua continuação, “Doutor Sono” –continuação esta que, até há bem pouco tempo, pouca gente sabia que existia: Ser fiel ao trabalho de Stephen King, dando continuidade ao ‘seu’ “Iluminado” –cujo desfecho é completamente distinto do filme –ou manter-se próximo da obra de Kubrick?
Talvez por sua própria influência afetiva (não há dúvidas de que, por sua orientação no terror, Flanagan cresceu inspirado pelo filme), talvez pela lógica comercial (certamente, a grande maioria do público tem mais familiaridade com a história contada no filme que na do livro), Flanagan optou por fazer um filme que remete, em inúmeros sentidos ao trabalho primordial de Kubrick.
É, assim, com todo o sabor de continuação do filme de Stanley Kubrick (inclusive, com direito à referências explícitas, rimas visuais diretas, aproveitamento da trilha sonora e até de enquadramentos de câmera imediatamente relacionáveis), que o trabalho de Flanagan começa: Após os trágicos eventos no Hotel Overlook, o pequeno ‘iluminado’ Danny Torrance e sua mãe passam a morar na Flórida. Nos anos que se seguem, ele aprende a lidar com seu dom –que lhe permite ver seguidamente os fantasmas que o assombravam –o que não o impede de crescer transtornado. Com trinta e poucos anos, e já interpretado por Ewan McGregor que faz um excelente trabalho, Dan Torrance chega à cidadezinha de Frasier onde aparentemente encontra alguma paz em serviços comunitários e reuniões de abstêmicos.
Todavia, numa cadência pausada, paciente e minimalista que espelha a narrativa ampla e detalhada do livro de King, o filme (que, não à toa, atinge suas três horas de duração), desde seu início, acompanha outros personagens também: O grupo obscuro denominado o ‘Nó’; seres sobrenaturais e virtualmente imortais, cujos poderes e vida eterna são garantidos graças ao consumo constante do vapor que emana dos ‘iluminados’ quando morrem.
São como vampiros moldados dentro dessa mitologia concebida por Stephen King.
A líder deles, a mais poderosa e onisciente, é Rose (a sensacional Rebecca Ferguson, numa personagem cujo visual remete à falecida cantora do grupo “4 Non Blondes”, dos anos 1990) tão sedutora quando amedrontadora.
Sem pressa e sem intenção de evitar os inúmeros detalhes que povoam a premissa, o diretor Flanagan acompanha o protagonista e seus antagonistas por anos, numa introdução que se estende muito mais do que estamos habituados em cinema, quando então, é apresentada a personagem que fornece o gatilho real para a trama. A jovem Abra (Kyliegh Curran), uma das poucas ‘iluminadas’ –já que, por alguma razão, eles estão escasseando no mundo –detentora de um poder fenomenal; o que significa vapor mais que suficiente para saciar a fome que começa a levar os indivíduos do ‘Nó’.
Enquanto Rose tenta descobrir o encalço de Abra, ela estabelece um vínculo com Dan que achava ter deixado para trás os problemas acarretados por sua ‘iluminação’.
Contudo, Rose e o ‘Nó’ representam um perigo do qual ele terá de salvar Abra –e para confrontar Rose, ele precisa revisitar forças sobrenaturais que podem significar um perigo para ela também. Ou seja: Regressar até o Hotel Overlook, e submeter-se às mesmas assombrações (e memórias) de antes.
Nesse trecho final –quando nos transporta de volta à ambientação do filme original –o diretor Flanagan dá completa e absoluta vazão à sua admiração por Stanley Kubrick, emulando diversas sequências memoráveis de “O Iluminado”, com direito à recriação de algumas cenas –de forma até mais minimalista do que o próprio Steven Spielberg (amigo pessoal de Kubrick) já havia feito numa sequência de “Jogador Nº 1” –além da reescalação de novos atores para interpretar o também ‘iluminado’ Dick Hallorann (Carl Lumbly substituindo Scatman Crothers), a mãe Wendy Torrance (Alexandra Essoe substituindo Shelley Duvall) e até mesmo o pai Jack Torrance (Henry Thomas substituindo o insubstituível Jack Nicholson).
Uma carta de amor implícita à obra extraordinária de Stanley Kubrick, “Doutor Sono” usa de seus desdobramentos para, ao final, honrar seu autor, Stephen King, e manejar os elementos de forma à chegar até o desfecho que ele tinha, de fato, planejado para sua criação.
No final, o talento, o bom senso, e o profundo entendimento do gênero do diretor Mike Flanagan conseguiu respeitar e homenagear os dois gênios criativos por trás de “O Iluminado” –por mais que, durante um longo tempo, suas visões tivessem se mantido incompatíveis.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Doutor Sono

Crítica do amigo Fabricio Gurski
Quando falamos dos melhores filmes de terror já feitos, sou capaz de apostar minha alma por um bom uísque, que de cada dez, oito irão mencionar “O Iluminado”, de Stanley Kubrick, pois, se trata de uma das maiores obras da história do cinema, mesmo por muito anos gerando controvérsia (devido à alardeada insatisfação do autor Stephen King com o resultado final).
Além de chamar a atenção pela direção e pelo roteiro primoroso do ícone do cinema Stanley Kubrick e contar com o astro Jack Nicholson, se trata de uma história baseado em um livro de Stephen King (mestre do horror na literatura), então quando se pretende adaptar para cinema a continuação literária desse que é um dos filmes mais emblemáticos da história, o que fazer com a ansiedade?
Controlar e esperar.
Foi anunciado o diretor Mike Flanagan para continuação (criador cuidadoso da excelente série “A Maldição da Residência Hill” e diretor de “O Sono da Morte”) e as expectativas foram só aumentando até chegar o último fim de semana, quando fui  ao cinema conferir o exemplar; e lhe digo meus amigos: Sensacional! O cuidado de Flanagan se repete cena a cena, assim como em seus trabalhos anteriores, criando uma atmosfera fantasmagórica, misteriosa e assustadora, muito desse clima impresso pela edição minuciosa com inspiração na obra de Kubrick.
O elenco todo muito afinado, assim como já esperado pelo quilate dos selecionados –Ewan McGregor; Rebeca Ferguson; Kyliegh Curran; Carl Lumbly; Zahn McClarnon; Bruce Greenwood.
Cenas marcantes, lindas, pesadas e emocionantes numa coleção de homenagens e criatividade, que fazem uma continuação belíssima da obra prima “O Iluminado”.
Aposto com vocês que, assim como antecessor, vai criar muita controvérsia, mas acima de tudo, será um filme lembrado por muito tempo. Não é uma mera coincidência, sim Flanagan se dedicou a fazer um filme de terror digno da obra de King e Kubrick, e me emocionou!
Então aposto um bom uísque, que temos mais um grande filme adaptado da obra de Stephen King.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Missão Impossível - Efeito Fallout


Houve um tempo em que “Missão Impossível” era associado a uma conhecida série de TV. Esse tempo se acabou.
Desde 1999, o conceito da série –assim, como elementos que a tornavam clássica, como a icônica trilha sonora de Lalo Schifrin –migrou para o cinema e, se no início a sombra do programa televisivo oprimia um pouco do resultado, pelo menos os últimos quatro longa-metragens se desvencilharam completamente dessas amarras.
“Missão Impossível” é, agora e para toda uma nova geração de expectadores, cinema.
E essa convicção se ampara no protagonista Ethan Hunt –sintomaticamente um personagem feito especialmente para cinema –interpretado pelo produtor de cada um dos filmes, Tom Cruise.
Ele quem fez da série algo seu; tornou seu nome, hoje, indivisível do título “Missão Impossível” e transformou Ethan Hunt, filme a filme, num dos grandes agentes secretos do cinema ombreando James Bond e Jason Bourne.
Como ele o fez?
Conferindo qualidade indiscutível ao material.
O filme anterior, “Missão Impossível-NaçãoSecreta” já havia sido agraciado como o melhor da franquia até então graças ao roteiro meticuloso e à direção refinada de Christopher McQuarrie, e como produtor, Cruise garantiu que esse talento se mantivesse neste novo “Efeito Fallout” –a primeira vez, portanto, em que um diretor assume dois filmes na franquia.
Tudo começa com a habitual incumbência de uma missão “Sua missão, caso aceite, será...”, culminando no clássico “esta mensagem se auto-destruirá em cinco segundos”.
Basicamente, Hunt deve adquirir três cargas de urânio antes que um grupo terrorista denominado “Os Apóstolos” o façam. Durante a negociação, porém, seus inimigos se revelam mais ladinos que o esperado e Hunt, ao optar por salvar a vida do amigo Luther (Ving Rhames) coloca o sucesso da missão em risco, o tal do “efeito fallout”.
Quando o filme se inicia de fato, Hunt tem a própria CIA em seu pescoço, acompanhando cada passo que sua equipe dá a fim de remediar o ocorrido –e o representante da CIA para tal tarefa vem a ser o beligerante e nada sutil August Walker (Henry Cavill, o único membro falho do elenco), um assassino nato com toda propensão para deixar os colegas de lado que Hunt não tem. Eles devem estabelecer um contato com a vendedora de armas conhecida como Viúva Branca (Vanessa Kirby, um charme só), ao mesmo tempo em que simulam a identidade do negociador que pode estar por trás de tudo, o misterioso agente duplo John Lark –cuja identidade é a única reviravolta fácil de prever do filme.
Todas as complicações levam à libertação do perigoso e psicótico Solomon Lane (Sean Harris, o notável vilão derrotado e capturado em “Nação Secreta”), e com isso, entra em cena mais uma vez a maravilhosa Agente Ilsa (Rebecca Ferguson, tão sensacional e surpreendente quanto no filme anterior), cujo MI-6 (o Serviço Secreto Inglês), para quem trabalha, lhe cobra uma prova de lealdade matando Lane –o quê a coloca, desta vez, em rota de colisão com Hunt e sua equipe.
Avançando por caminhos sempre intrincados, este magistral filme de espionagem não nega o fato de seu realizador ter sido premiado pelo rocambolesco “Os Suspeitos”: McQuarrie tece uma trama brilhante e bem amarrada onde cada índole, cada decisão humana e tática, cada pormenor conduz a uma guinada em seus acontecimentos, enfileirando, como conseqüência disso, uma cena de ação atrás da outra; todas concebidas com um entusiasmo e um rigor que imediatamente eleva “Efeito Fallout” ao status de Melhor Filme de Ação do Ano: O salto arrepiante de um avião em grande altitude (proeza executada de fato pelo astro Tom Cruise); a luta brutal dentro de um banheiro público; uma perseguição pelas ruas de Paris; uma outra perseguição (desta vez, a pé) pelos telhados de Londres; e uma assombrosa seqüência final envolvendo helicópteros –em todas elas, fica evidente a entrega absurdamente audaz de Tom Cruise.
Assim, como cinema, “Missão Impossível” chega neste sexto e magnífico filme, também ele, ostentando suas próprias características das quais se faz indivisível (o personagem de Cruise, ação desenfreada, trama intrincada, ameaças mirabolantes, produção requintada, a trilha sonora inconfundível).
Em “Efeito Fallout”, o diretor e roteirista McQuarrie, contudo, se dá o luxo de inserir um novo elemento: O dilema moral que acomete mesmo o mais implacável dos agentes quando cada ínfima decisão que toma pode levar ao salvamento (ou à perda) de milhões de vidas.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Vida

Em princípio, percebe-se uma característica seguida à risca pelo diretor Daniel Espinosa, neste filme, vinda da cartilha elaborada por Ridley Scott desde que realizou “Alien” e suas tentativas de prólogo, “Prometheus” e “Alien-Covenant”: A escolha incomum e criteriosa de intérpretes interessantes e diversificados para viver o número reduzido de personagens.
Habitando a Estação Espacial Internacional, em órbita na Terra, estão, portanto, o veterano das Forças Armadas Norte-Americanas convertido em voluntário espacial Jordan (Jake Gyllenhaal, sempre eficiente), a astronauta inglesa Miranda (Rebecca Ferguson, de “Missão Impossível-Nação Secreta”), o cientista sul-africano Derry (Ariyon Bakare), o encarregado canadense dos procedimentos de segurança Adams (Ryan Reynolds, o “Deadpool” em pessoa que já havia participado de “Protegendo O Inimigo”, um dos trabalhos anteriores de Espinosa), a suboficial russa Golovkina (Olga Dihovichnaya) e o capitão japonês Sho (Hiroyuki Sanada, que já havia sido capitão na espaçonave de “Sunshine-Alerta Solar).
Munido desse elenco, de uma premissa tão básica que já se imagina o plot do filme ao olhar para seu pôster, e centrado na intenção de fazer uma agradável fusão narrativa entre os elementos icônicos do “Alien” original com os aspectos mais autênticos e realistas (e, por isso mesmo, mais amedrontadores) da obra-prima “Gravidade”, de Alfonso Cuarón, Espinosa conseguiu construir um terror espacial que supera com folgas as duas últimas tentativas do próprio Scott em refazer seu “Alien”.
Orbitando nosso planeta, a tripulação da Estação Espacial Internacional intercepta uma sonda vinda de Marte e a recebe com o entusiasmo de quem sabe que ela trás descoberta incalculáveis para a ciência.
A maior delas, um ser protozoário logo batizado Calvin, será fonte de inúmeras surpresas: Com o tratamento adequado, a forma de vida desperta de sua inanição e passa a crescer em ritmo exponencial. Logo, ganha tamanho suficiente para caber na mão do encantado Derry, a despeito dos alertas constantes dos demais tripulantes, sobretudo, Jordan e Adams, os mais interessados na segurança.
Como é sintomático nos personagens envolvidos em tramas aterrorizantes, sejam elas num casarão, ou numa espaçonave, o assombro irá interferir na objetividade e o pânico será disparado na primeira atitude incoerente: Uma falha na segurança levará eles a temer pela vida de Calvin, e assim tentar um procedimento de desfibrilação. Mas, a forma de vida interpreta aquilo como uma tentativa de ataque e volta-se contra todos eles, revelando, na evolução implacável de seu organismo um perigo mortal para todos eles.
Espelhado no ser concebido por Ridley Scott, a criatura de “Vida” cresce a muda de forma, avançando por estágios da mesma maneira que alcança novas áreas da estação e elimina um a um dos tripulantes.
Se, na visão de Scott, a criatura alienígena agregava mais significado à medida que evoluía, junto com sua narrativa, de um perigo justificadamente orgânico, para um simbologismo que contaminava a própria nave, no trabalho profundamente referencial de Espinosa, as analogias meio que se perdem na tentativa única e até válida de realizar um grande trabalho de suspense –o quê muitos nem isso conseguem hoje em dia.
Seu final, contudo, é de uma inesperada contundência ao deixar de lado o reflexo involuntário do cinema comercial onde os protagonistas prevalecem por meio de soluções implausíveis e surpreender o expectador com uma crueldade verdade extraída de Darwin: Viver para uma determinada forma de vida significa levar outra forma de vida a morrer.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A Garota No Trem

É muito legal ver a iniciativa do diretor Tate Taylor em manter-se variado ao assumir esta adaptação do best-seller, “A Garota No Trem”, de Paula Hawkins, ainda que o resultado não iguale seu até então melhor filme, “Histórias Cruzadas”.
É por sinal, possível enxergar similaridades entre os dois projetos, especialmente, na atenção e no carinho que o diretor dedica às personagens femininas.
E também no primor com que escolhe as atrizes para interpretá-las.
Falta, contudo, certa experiência para Tate Taylor saber enfatizar as grandes interpretações que surgem em cena –talvez, por se arriscar num gênero como o suspense, no qual a abordagem do drama não é o objetivo em si, mas a moldura para transposição da trama para o público, ele demonstrou menos serenidade aqui do que em outros de seus trabalhos.
De qualquer forma, há algo de irrepreensível na atuação de Emily Blunt, que interpreta Rachel, uma alcoólatra que passa de trem diariamente em frente á duas residências vizinhas. Numa, mora a mulher que vive a vida que antes era sua –ela casou-se com o ex-marido de Rachel e agora está na casa que era dela. Na outra, mora a jovem que vive a vida idealizada que Rachel gostaria de viver –ela e seu jovem e vigoroso marido estão visivelmente apaixonados.
Mas, nem tudo é como a mente fragilizada de Rachel pensa: a jovem, de nome Megan, interpretada pela linda Haley Bennett (de “Sete Homens e Um Destino”) com olhos de ressaca tal e qual a intrigante Capitu de Machado de Assis, trabalha como babá na casa de Anna (Rebecca Fergunson, de “Missão Impossível-Nação Secreta”), a atual esposa do ex de Rachel.
A narrativa alterna os pontos de vista dessas três protagonistas –não raro enfatizando o antagonismo entre elas –e alternando também a cronologia a fim de revelar gradativamente a trama sórdida que involuntariamente as une.
Até que Megan desaparece, e os indícios logo começam a apontar para uma tragédia.
Rachel que, em sua atroz instabilidade psicológica surge como uma das possíveis suspeitas do crime, acredita que viu algo revelador da janela do trem em suas sucessivas passagens pela frente da casa.
Esmiuçar tais lembranças escorregadias que insistem em se dissolver em sua mente para elucidar esse mistério passa então a ser uma espécie de objetivo na vida de Rachel, quando aparentemente ela não tinha mais nenhum. Entretanto, não apenas esses segredos haverão de esclarecer o que aconteceu com Megan, como também farão Rachel e Anna descobrirem a real verdade acerca do próprio passado.
Livro e filme, portanto, não economizam na dramaticidade que permeia a vidas dessas três protagonistas. Se o livro vale-se de inúmeros lances tipicamente literários para tornar a trama envolvente, o filme –na falta de um meio para recorrer às mesmas manobras –busca por artifícios mais cinematográficos e termina tropeçando em alguns deles.
É mencionado no making of que “A Garota No Trem” é “Janela Indiscreta” em movimento, e a referência ao mestre Hitchcock até poderia engrandecer ainda mais o trabalho de Tate Taylor, mas ao contrário do mestre, Taylor deixa de lado a sugestão implícita no promissor ponto de vista expressado no primeiro (e melhor) terço da obra para sustentar-se, a partir da metade, no folhetim básico, o quê torna seu filme redundante.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

As Revelações Femininas de 2015

Todo o ano, graças aos bom Deus, somos apresentados a um novo grupo de beldades no cinema. E muitas delas vêem para ficar! (Até parece que foi ontem que eu estava babando por Jennifer Lawrence...)
Eis aqui, então, uma seleção das novas musas que chamaram a atenção este ano:
Alicia Vikander
Bonita, de traços incomuns e corpo mignon fora do padrão hollywodiano, ela já chamou a atenção a dois anos com o indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela Suécia, "O Amante da Rainha". Mas parece decidida a destacar-se mesmo este ano.
Além de ter uma marcante participação na ficção científica "Ex-Machina" (certamente, um dos melhores filmes do ano), ela apareceu na produção comercial "O Sétimo Filho" e até o fim do ano aparecerá no novo trabalho de Guy Rutchie, "O Agente da U.N.C.L.E.", e em "A Garota Dinamarquesa", muito cotado para o próximo Oscar.
Rebbeca Fergunson
Bastou um único papel, em "Missão Impossível - Nação Secreta", para todo mundo começar a perguntar quem é ela. Nascida em Estocolmo, Rebbeca passou por algumas minisséries e outros trabalhos de televisão (além de uma participação meio despercebida do fraquinho "Hércules" com The Rock) até que foi escolhida pelo produtor e astro Tom Cruise para um papel inicialmente destinado a Jessica Chastain.
Ela está agora confirmada em "The Girl On The Train" (novo filme do diretor tate Taylor, de "Histórias Cruzadas") e, mais uma vez, no vindouro "Missão Impossível".
O futuro parece agora bem promissor.

Margot Robbie
Está certo que ela foi revelada pela primeira vez em "O Lobo de Wall Strett" no ano passado (e antes tinha marcado presença em "Questão de Tempo", de Richard Curtis). Mas o filme de Martin Scorsese, apesar de nos presentear com a colossal nudez dela, era um show de Leonardo Dicaprio.
Em 2015, Margot Robbie já começa a dar sinais de que vai dar muito o quê falar: Apareceu na ficção científica "Z for Zachariah" ao lado de Chiwetel Ejiofor e Chris Pine, roubou completamente a cena de Will Smtih em "Golpe Duplo", conseguiu destacar-se, em meio a todo aquele elenco estelar (e que ainda tinha Lared Leto como Coringa!) no trailer do vindouro "Esquadrão Suicida" interpretando a personagem Arlequina, e ainda promete ser uma Jane bastante interessante ano que vem em "A Lenda de Tarzan".
Kaya Scodelario
Ela se diz meio inglesa e meio brasileira (e você pode encontrar na internet algumas entrevista na qual ela fala português com um sotaque delicioso!). Filha de pai britânico e de mãe brasileira, Kaya já fez trabalhos menores no Reino Unido, onde se destaca uma nova e artística versão de "O Morro dos Ventos Uivantes", mas ela foi notada mesmo em "Maze Runner - Correr ou Morrer", mais uma daquelas ficções distópicas adaptadas de livros para jovens (mas, este é até bem interessante).
A continuação chegou em setembro nos cinemas "Maze Runner - A Prova de Fogo" e Kaya já tem presença confirmada como uma das protagonistas do próximo "Piratas do Caribe".
Pelo jeito, ouviremos mais daquelas sensacionais entrevistas em português.
Daysi Ridley
Ninguém sabe muito dela, nem a viu ainda em um grande filme. Mas eu não queria deixar Daysi Ridley de fora desta lista. O motivo? Esta inglesinha (que lembra um bocado Keira Knightley) foi escalada por J.J. Abrahams para protagonizar o novo Star Wars!
Tudo o quê foi visto, dela e de sua personagem, está no trailer divulgado recentemente, e o carisma da moça já salta aos olhos.
Em dezembro, quando estrear aquele que é um dos filmes (ou 'O' filme!) mais esperados do ano, vamos finalmente poder conferir qual seu papel na grande saga intergaláctica de George Lucas.