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terça-feira, 7 de maio de 2024

Sr. & Sra. Smith


 O filme de ação de Doug Liman –planejado e pensado como tantos outros conceitos cinematográficos onde dois astros de grande apelo popular são colocados juntos em cena –por pouco não ficou à sombra de todos os burburinhos que suscitou: Foi durante a produção deste filme que os astros Brad Pitt e Angelina Jolie se conheceram, engataram um romance e se casaram.

Para a sorte dos produtores, o resultado final, independente das prioridades dos tablóides, foi um filme hábil, satisfatório e prazeroso de se ver, hoje com certeza convertido em clássico aos olhos de toda uma geração de cinéfilos –recentemente, ele ganhou uma nova versão, desta vez em minissérie, estrelada por Donald Glover.

Casados à cinco ou seis anos (eles não entram muito em concordância ao relatar sua história ao conselheiro matrimonial...), John e Jane Smith (Brad e Angelina, partilhando de uma química que realmente é um dos elementos explosivos do filme) enfrentam um ligeiro desgaste no relacionamento –eles ainda amam um ao outro, mas a rotina e as pequenas irritações diárias criaram um abismo entre eles que fica cada dia maior. No entanto, um detalhe tornará as coisas muito mais... digamos, complicadas: Ambos são (sem que o outro saiba) verdadeiras celebridades no ramo profissional que mantêm em segredo, o de assassinos de aluguel.

Em função da rivalidade das empresas que os contratam, eles acabam eventualmente sendo requisitados para matar um ao outro. Descobrindo aos poucos esse mistério –e o fato de que, à reboque dessas revelações, todo o casamento deles é, enfim, uma mentira –John e Jane se veem não somente diante do dilema de escolher entre a profissão e o coração (sem muita certeza se o cônjuge com quem casaram haverá de fazer a mesma escolha), mas também da necessidade de encontrar um meio imprevisto de salvar a própria pele. E, nessa esteira, o diretor Doug Liman explora o humor (muito por conta do timing brilhante de Brad Pitt) numa sucessão de cenas bem realizadas de ação ao mesmo tempo em que usa desse mote para questionar muitas idiossincrasias da relação a dois.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Matador de Aluguel


 O cult-movie “Donnie Darko” foi o primeiro filme de Jake Gyllenhaal e o último de Patrick Swayze –é essa coincidência irônica, a entrelaçar os astros do filme original, de 1989, e desta refilmagem, um dos elementos que parece orientar a inspiração do diretor Doug Liman.

Num primeiro momento, tem-se a impressão que o “Matador de Aluguel” original pertence aos anos 1980, e somente nele (e nas circunstâncias sempre inusitadas daquela década) haveria de funcionar; é com um senso irresistível e afiado de escapismo e diversão que Doug Liman se vale para contrariar essa ideia. Este seu “Road House” –o título original –é tão vibrante, viril e memorável quanto o clássico estrelado por Swayze, e essa afirmação, no cinema de hoje, povoado por refilmagens e reboots incapazes de ombrear a criatividade de seus exemplares originais, é quase a constatação de um milagre!

Ex-lutador de UFC –a modalidade de luta do momento –o outsider Elwood Dalton (Gyllenhaal, no personagem que, aqui, enfim recebe nome e sobrenome) vive de brigas clandestinas em bares norte-americanos, em grande medida, beneficiando-se de sua má fama (no passado, ele esmurrou um adversário até a morte!) para intimidar oponentes. Contudo, de alguma forma, isso impressiona a jovem Frankie (Jessica Williams, de “Animais Fantásticos-Os Crimes de Grindelwald”) que o contrata como segurança para botar ordem no bar que ela herdou de seu tio. Localizado na Flórida, na cidadezinha de Glass Key, o bar se chama “A Taberna” e monopoliza a atividade social noturna da região, atraindo também os desordeiros mais violentos.

Logo, Dalton começa a colocar as coisas em seus devidos lugares –mais uma vez, se valendo da fama que seu nome precede –no entanto, ele compreende que as arruaças e agressividades ocorridas no bar de Frankie não são meros contratempos; há alguém interessado em tornar a manutenção daquele estabelecimento um inferno até que seja vendido ou fechado, e esse alguém é o milionário e filho de papai –e vilãozinho da vez –Ben Brandt (Billy Magnussen, de “Twelve-Vidas Sem Rumo” e “007-Sem Tempo Para Morrer"), cujos negócios ilícitos com tráfico de drogas terão especial rendimento se ele dispuser de controle sobre o terreno onde se acha a “Taverna”.

Assim, sem mudar muito as circunstâncias que faziam da trama de “Road House” uma aventura oitentista tão prazerosa, o diretor Doug Liman altera pequenos elementos, acrescenta uma pitada de drama ali, um pouco de mistério bem administrado ali, e transfere a história para a atualidade –na qual ela perde muito daquela aura de maluquice aventuresca dos anos 1980 –fazendo uma produção que transborda tanta alta voltagem e desperta tanto interesse quando o filme original.

Para isso, muito ajuda a presença serena e sólida de Jake Gyllenhaal, um ator cuja convicção em cena ajuda a dissipar o fato de que seu personagem ostenta uma confiança sob pressão por vezes inverossímil –além do background dado ao personagem torná-lo mais crível e humano –e, se o protagonista ganha camadas interessantes, os antagonistas também: Billy Magnussen é um líder de gangue desprezível, detestável, mimado e hilariante, mas seu capanga-mor, o psicótico Knox, é de uma periculosidade palpitante e verdadeira, e seu intérprete, o ex-lutador Conor McGregor, estreia com o pé direito em longa-metragens, entregando uma atuação vulcânica, carismática e exuberante.

No final das contas, é a direção atenciosa e intrépida de Doug Liman (um especialista que entregou obras que vão de “A Identidade Bourne” até “Sr. & Sra. Smith”) que equaciona a diversão deste “Road House” com a do delicioso exemplar oitentista que ele se propõe a recriar, usando de artifícios que poderiam parecer até bastante óbvios (personagens construídos com zelo; atores bem dirigidos; e cenas de ação e pancadaria executadas com perícia e inventividade), mas, continuam sendo de conhecimento de poucos realizadores realmente perspicazes na concepção de um filme simplesmente bom.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Na Mira do Atirador

Há uma justificativa plena para o título original, “The Wall”: Trata-se do cenário básico durante o qual todo este árido suspense de guerra irá se passar.
Diretor de “A Identidade Bourne”, o primeiro filme da série, Doug Liman nunca chegou a usufruir do reconhecimento de público e, sobretudo, de crítica experimentado por Paul Greengrass –diretor, por sua vez, das sequências, “A Supremacia Bourne” e “O Ultimato Bourne”.
Em comum, os dois diretores sempre tiveram uma disposição para retratar as condições sócio-políticas mundiais num prisma comercial de arrojadas obras de ação. Doug Liman, porém, diversificava a ponto de alguns de seus detratores duvidarem se ele tinha um estilo de fato ou se navegava a esmo em meio à gêneros que lhe caiam no colo.
Em “Na Mira do Atirador”, ele se mostra obcecado com realismo, evocando em seu filme uma situação-limite, não raro, centralizada num só personagem, que remete à “127 Horas”, de Danny Boyle, e “Enterrado Vivo”, de Rodrigo Garcia.
Há também ecos de “Guerra Ao Terror”, de Kathryn Bigelow, visto que esta obra também se ambienta na incursão norte-americana no Oriente Médio –as condições sócio-políticas mencionadas acima.
Isaac (Aaron Taylor Johnson) e Matthews (John Cena) são dois franco-atiradores do Exército Norte-Americano. Eles estão inspecionando, à cautelosa distância, o palco de uma chacina: Vários soldados foram mortos à tiros em céu aberto.
Por horas a fio eles observam o cenário. Vencido pela impaciência, Matthews decide averiguar mais de perto.
Será este o seu erro.
Alvejado, ele é seguido de Isaac que vem em seu socorro –e toma, também ele, um tiro; no joelho. Mal podendo se arrastar, com o companheiro agonizando em campo aberto, o rádio quase inoperante e sem maiores palpites de qual pode ser a localização do atirador, Isaac rasteja até um muro caindo aos pedaços –restos mortais de uma construção que antes fora uma escola.
E ali ele espera.
Espera por um possível erro de seu adversário (esse erro não vem, o atirador se revela formidável); por uma improvável chance de resgate (tais chances estão contra ele, além disso, o único com quem consegue comunicação via rádio é com o próprio atirador); ou por algum golpe de sorte que lhe permita escapar daquela enrascada (momentos que até surgem, aqui ou ali, explorados em minúcias espartanas pelo roteiro de Dwain Worrell, mas cujos desenlaces desafortunados só acabam enfatizando o drama).
Muito mais psicológico do que eletrizante –embora, por isso mesmo, sua tensão atinja níveis estratosféricos –“Na Mira do Atirador” revela a competência do ator Aaron Taylor Johnson e a versatilidade do diretor Doug Liman, os dois pilares sólidos sob os quais este contundente suspense se constrói.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

No Limite do Amanhã


Inúmeros foram os filmes que se aproveitaram do mote de “Feitiço do Tempo” –onde um mesmo dia se repete indefinidamente para o atormentado protagonista –poucos, porém, foram os que souberam usar esse conceito para criar algo igualmente notável e, mais ainda, com indiscutível rigor técnico de continuidade exigido por uma produção onde o mesmo evento se repete diversas vezes.
“No Limite do Amanhã”, que reuniu o astro Tom Cruise e o diretor Doug Liman (ambos fizeram juntos depois “Feito Na América”) gira em torno dessa premissa numa roupagem de ficção científica com invasão alienígena e pontuais inserções de filme de guerra: A arrojada cena de batalha no início do filme –e que, por repetição se estende por todo ele –é nitidamente inspirada, decalcada e influenciada de “O Resgate do Soldado Ryan”.
Há uma guerra contra uma raça ainda desconhecida de alienígenas no futuro. Não ficam muito claras as razões dessa batalha (como não ficam muito claras inúmeras questões deste filme), nem o porque do conflito se dar em terra, num campo de batalha, e não no espaço sideral. Dessa forma, a humanidade envia um batalhão de soldados a uma ofensiva em céu aberto, com consequências desastrosas.
Integrante escorregadio dos esforços de marketing desse conflito, o major William Cage (Tom Cruise, balanceando bem o humor e a estoicismo do personagem) é forçado a ir a campo e acaba morto logo nesse primeiro combate. No entanto, ao ser fulminado no mesmo instante em que seu sangue toca o sangue alienígena, ele adquire um inusitado dom roubado dos inimigos: Repetir aquele mesmo dia, toda a vez que morre, revivendo-o e reiniciando-o continuamente.
Até se dar conta de sua imprevista condição, o versátil diretor Liman vai saber muito bem orquestrar os ótimos momentos de humor que irão intercalar com as cenas de ação, pródigas em tudo que a indústria hollywoodiana tem de melhor em termos técnicos.
Em algum momento, Cage encontra a casca-grossa sargento Rita Vatraski (a ótima Emily Blunt), a única pessoa que parece compreender sua nova capacidade e ser capaz de instruí-lo a usá-la: Tentar retroceder todas as vezes, aprender cada vez mais, e procurar encontrar um meio de salvar a raça humana.
Embora certamente carente de originalidade por motivos óbvios, a premissa em si (extraída de uma história em quadrinhos japonesa) é inventiva na maneira com que as cenas se sucedem levando o expectador a envolver-se, tentando acompanhar os infortúnios improváveis dos personagens e as maneiras como a produção fará para recriar as mesmas sequências com pequenos diferenciais.
O entusiasmo do diretor Liman com esse material –que ele converte efusivamente num passatempo bem divertido –o faz relevar até mesmo inclinações mais evidentes e banais que contaminam a trama perto do final (como o envolvimento afetivo dos dois protagonistas).  E é notável o fôlego que Tom Cruise demonstra para personagens que dele exigem grande dedicação física.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Feito Na América

Se outrora a parceria entre o astro Tom Cruise e o diretor Doug Liman havia rendido uma ficção científica divertida, descompromissada e até inventiva (“No Limite do Amanhã”), aqui ela rende um produto um pouco diferente.
Continuam, na verdade, a inventividade e a diversão –sua narrativa é de uma voltagem contagiante –mas, o futurismo fantasioso é substituído pela ancoragem em um fato real, daqueles que o cinema volta e meia acaba abordando, dotado de desdobramentos e circunstâncias tão assim mirabolantes que se torna essencial o lembrete constante de que é baseado numa história verídica (tivesse este enredo sido bolado por um roteirista qualquer para um filme, e afirmariam categoricamente que seus acontecimentos eram inacreditáveis e inverossímeis). Todavia, o diretor Doug Liman, o tempo todo, se esbalda ao deixar bem claro que aquilo realmente aconteceu –de quebra, ainda aproveita para evidenciar o pouco explorado talento cômico de Tom Cruise, que seu status de astro e seu compromisso com protagonistas empostados dificilmente permite aflorar.
No papel de Barry Seal, o piloto de avião bon vivant que, nos anos 1970, passou a pilotar para a CIA e daí para um providencial conluio com alguns dos futuros líderes do Cartel de Medelín, Tom Cruise está sensacional, irrequieto, afiado, não raro, protagonizando cenas de rachar o bico.
“Eu faço tudo meio sem pensar” afirma Seal num dos depoimentos que pontuam a narrativa.
Um desses personagens que interferem intensamente na História por estar no lugar certo e na hora certa, Seal era um piloto de Boeing um tanto quanto aborrecido, em 1978, com o marasmo em que seu trabalho o mergulhava. Daí a facilidade e a displicência com que aceita uma nebulosa proposta do jovem agente da CIA Schaffer (Domhnall Gleeson, cada vez melhor): Tirar fotos das bases militares de investimento soviético erguidas na América Central que forneciam poderio aos revolucionários insurgentes.
Intrépido a ponto de ser quase inconseqüente, Seal praticava vôos rasantes que tiravam fotos incrivelmente precisas e o colocavam quase à beira da morte. Essa inusitada aptidão logo chamou a atenção de Jorge Ochoa (Alejandro Edda) e Pablo Escobar (Mauricio Mejía), então meros traficantes colombianos de cocaína. Eles contrataram Seal –que aceitou por causa da baixa remuneração que recebia da CIA! –para que aproveitasse suas idas e vindas dos EUA para os países latinos (e seu salvo-conduto) e levasse suas cargas de cocaína para os sócios em solo-americano; carga essa a ser desovada na Flórida.
Somente um piloto louco e desapegado como Seal, imaginaram eles, seria capaz de realizar pousos e decolagens da pista particular que eles mantinham –e que matou tantos outros pilotos pelo fato de ser extremamente pequena (única maneira de não ser identificada pelas autoridades). E Seal, de fato, consegue!
Levando muito ao seu jeito descontraído essa atividade involuntária de ‘agente duplo’, Barry Seal, no decorrer dos anos, fez fortuna com a qual chegou a mobilizar a economia da cidadezinha na qual se refugiou com a esposa (a bela Sarah Wright Olsen) e os filhos: O lugarzinho teve de abrir sistematicamente vários bancos para acomodar as contas de Seal –o que logo chamou a atenção do FBI –isso além das malas abarrotadas de dinheiro que passaram a encher os cômodos da casa, as prateleiras da garagem e, depois de um tempo, até os buracos abertos no quintal (!).
Como em tantos ótimos filmes que retratam pessoas de predisposição fora do comum para embarcar em confusões tão verídicas quanto incríveis (como “Profissão de Risco”, com Johnny Dep, “Prenda-Me Se ForCapaz”, de Steven Spielberg, com Leonardo Dicaprio, ou “Sem Dor, Sem Ganho”, com Mark Wahlberg), a narrativa pulsante e bem-humorada de Doug Liman, mais cedo ou mais tarde, irá confrontar Seal com as conseqüências morais e legais de suas travessuras –e mesmo esses desenlaces têm momentos hilariantes que ainda assim soam absurdos!
Uma história notável que, ao assistirmos, percebemos que precisava ser contada (e por um narrador tão vibrante e apaixonado quanto o é Doug Liman aqui) sobre um inusitado personagem nos bastidores de acontecimentos caóticos que determinaram o panorama sócio-político do governo Reagan nos anos 1980 e que demonstra –de uma maneira um tanto torta –que mesmo diante de circunstâncias das mais mirabolantes e impróprias o sonho americano encontra um jeito de se manifestar.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A Identidade Bourne

 
 Visto hoje (com a consagração da série consumada e com a pecha de ‘divisor de águas do gênero de ação’ repousando sobre seus exemplares), não dá para perceber o quanto foram audaciosas as escolhas do diretor Doug Liman para “A Identidade Bourne”.
   Sob a luz de um presente no qual temos a consciência de toda sua importância, esta série “Bourne”, sobretudo este filme inaugural, ganha, como tudo o mais, um novo viés.
   A direção de Doug Liman (o grande Paul Greenglass só seria incluído no filme seguinte) caminha numa linha tênue entre o cinema comercial que deseja honrar e o audaz lampejo criativo e autoral que o incita a romper com os paradigmas. Um desses rompimentos (e este é só um dos elementos que a névoa da consagração muitas vezes não permite que enxerguemos) é a escolha de Matt Damon para seu protagonista, não muito longe de sua aclamação (e revelação!) junto ao Oscar, em “Gênio Indomável”.
  No papel do homem misterioso que pescadores europeus recolhem do mar, baleado e sem memória, Matt Damon não apenas desafia o expectador a encontrar o propósito de sua presença –de inusitada envergadura dramática –nesse personagem moldado para a ação, mas também expõe, de pronto, qualidades que, nele, provocarão sucessivas interjeições de surpresa.
   Seu protagonista não sabe quem é nem como ou por quê foi parar ali, mas ao aportar em terra é a sua prioridade descobrir. Aos poucos ele percebe que possui habilidades extraordinárias para lutar e matar (ilustradas com brilho em seqüências de inquestionável propriedade concebidas por Liman), e que seu cérebro, quase que por instinto, sabe o que fazer nos momentos de perigo.
   Com a ajuda de uma jovem (a alemã Franka Potente) que cai de gaiato na confusão dessa trama de espionagem (e que inadvertidamente será seu improvável par romântico), ele descobre que tem um nome, Jason Bourne, e que existem dezenas de agentes mortais, oriundos de um certo Projeto Treadstone, ao seu encalço por alguma nebulosa razão (um deles interpretado por um ainda desconhecido Clive Owen), mas isso não basta: Ele quer recuperar toda sua memória perdida e descobrir afinal de contas quem é.