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sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Ender's Game - O Jogo do Exterminador


 O diretor sul-africano Gavin Hood ganhou do Oscar de Filme Estrangeiro por "Infância Roubada" e, em seguida, quase destruiu a própria carreira ao dirigir “X-Men Origens Wolverine”, o primeiro (e catastrófico) filme solo do personagem. Ao encarar esta adaptação austera, equilibrada e interessante de uma série conhecida de livros juvenis, ele tentou –e de certa forma conseguiu –provar que é um bom realizador.

Ender’s Game” passa longe de ser uma obra-prima, mas deixa evidente a condução sensata, a noção de ritmo e o entendimento de uma história que Gavin Hood pode ter quando não há todo um estúdio dando pitaco em seu trabalho.

A trama se passa no futuro, onde toda uma geração de crianças é treinada para uma provável guerra contra uma raça alienígena que tentou uma invasão fracassada a Terra no passado.

Uma dessas crianças é o jovem e promissor Ender (Asa Butterfield), cujo irmão mais velho não soube desenvolver seu potencial, fazendo com que a mesma descrença caísse agora sobre ele.

Sua rotina na academia militar situada no espaço é penosa: além de enfrentar desafiadoras provas simuladas, Ender precisa lidar com o bullying de inúmeros colegas e rivais que aparecem em seu caminho.

Dois são os mentores que pavimentam seu caminho rumo à uma certa auto-descoberta e à transição da perplexidade adolescente até a consciência estrategista e ética de um vida adulta inicial, e eles são o Coronel Graff (Harrison Ford) e o lendário Mazer Rackhan (Ben Kingsley, que fez, anos antes, “A Invenção de Hugo Cabret”, também ao lado de Asa Butterfield), além de outras personagens evidentemente plantadas com o nítido objetivo de guiá-lo ao amadurecimento pessoal, como atestam as presenças demagógicas, ainda que inebriantes de Hailee Stenfeld e Abigail Breslin; todavia, o personagem mais marcante do filme é o breve antagonista Bonzo, vivido por Moises Arias (da série "Hannah Montana" e de "Kong-A Ilha da Caveira") –ele responde pelo trecho mais envolvente, sólido e reflexivamente esclarecedor de todo o filme. Esse acerto particular (e possivelmente involuntário) em todo um único bloco narrativo (pois, Bonzo não tarda a ser descartado da trama), em detrimento das outras partes, boas mas não tanto, fornecem um estranho desequilíbrio ao filme de Gavin Hood. Ele flerta seriamente com a grande obra que poderia ter sido, para então, praticamente em toda sua segunda metade, investir em aspecto que nunca funcionam –sua elaborada reviravolta final, por exemplo, é um bocado fácil de antecipar.

No saldo geral, “Ender’s Game” termina como uma experiência positiva para o expectador, ainda que seu curto fôlego como trabalho antológico tenha feito sua repercussão, seja de público, seja de crítica, ser merecidamente muito aquém do que se esperava. Fato que termina condenando o gancho final –explicitamente necessitado do respaldo de uma continuação –a jamais ser concluído em outros filmes.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Zumbilândia - Atire Duas Vezes

O primeiro “Zumbilândia” até por seu grau de acerto em tantos níveis de sua proposta de diversão pedia, há tempos, por uma continuação.
O problema é que essa continuação demorou um bocado para sair, como atestam os longos dez anos que separam este e o primeiro filme.
Durante esse período tentou-se emplacar uma mal-fadada (e hoje pouco lembrada) série de TV oriunda do filme, de resultado pífio, os zumbis se tornaram uma presença constante e sob ameaça de defasagem na cultura pop graças ao seriado “The Walking Dead” e o seu elenco, sobretudo Emma Stone e Jesse Eisenberg (ela, vencedora do Oscar por “La La Land-Cantando Estações”; ele, indicado ao Oscar por “A Rede Social”), adquiriu renome e reconhecimento a ponto de ser um pouco estranho vê-los de volta aos seus alucinados personagens de início de carreira.
E é exatamente isso, estranhamento, que mais emana desta sequência: Em parte também pelo humor nem sempre funcional que contamina alguns momentos, tornando evidente uma já esperada incapacidade em recuperar a química precisa do filme original.
No mundo pós-apocalíptico conhecido por Zumbilândia, segundo a narração de Columbus (Jesse Eisenberg, envelhecendo rápido), reencontramos ele, sua namorada Wichita (a maravilhosa Emma Stone), a irmã dela, Little Rock (Abigail Breslin, longe da menininha vista no primeiro filme) e o impagável Tallahassee (Woody Harrelson, sempre fabuloso) ocupando a própria Casa Branca dos EUA, e por lá se estabelecendo como num lar.
Contudo, passado algum tempo, a rotina incomoda as mulheres: Little Rock sente-se sufocada pelo cuidado demasiado de Tallahassee, que ainda a vê como criança, enquanto que Wichita reluta em aceitar o pedido de casamento de Columbus.
Diante dessa inadequação, as duas partem para a estrada, deixando os dois em circunstâncias muito parecidas com as quais começaram o primeiro filme. Columbus, porém, não demora a achar algum consolo; e se envolve com a alienada patricinha Maddison (Zoey Deutch, de “O Artista do Desastre”, entregando uma atuação espantosa) cuja falta de noção soa ocasionalmente irreal no contexto de sobrevivência do filme.
Entretanto, a própria Wichita foi abandonada por Little Rock –que resolveu fugir junto de um hippie pacifista (!) –e agora, precisa do auxílio de Columbus e Tallahassee para seguir sua pista até Graceland (onde cruzam com os personagens de Rosario Dawson, Luke Wilson e Thomas Middleditch) e de lá para a comunidade denominada Babilônia –um lugar criado por uma nova e inacreditável geração de hippies que aboliram os uso de armas de fogo; mesmo que cercados de zumbis (!).
O grupo dos protagonistas chega lá a tempo de salvá-los de uma grande encrenca: Às três categorias conhecidas de zumbis, os Homers (os burros e lerdos), os Hawkings (dotados de inesperada inteligência) e os Ninjas (os silenciosos e ágeis que atacam furtivamente), soma-se uma nova, os T-800s (tal e qual o antagonista de “O Exterminador do Futuro”, mais fortes, mais resistentes e mais robustos, os quais dois tiros usuais na cabeça –como no título! –não são meramente capazes de pará-los!), e é justamente uma horda ensandecida deles que busca invadir a pacífica Babilônia.
Nota-se os esforços contínuos dos roteiristas Rhet Reese, Paul Winnick (ambos do primeiro filme) e Dave Callaham, além de seu elenco, para tornar este segundo filme tão divertido e engraçado quanto o primeiro. As soluções encontradas pelo roteiro podem até envolver e garantir alguma graça durante o tempo de duração do filme, mas ele nunca consegue igualar a inspiração flagrante do original –em parte, porque comédia é algo que se faz com espontaneidade, item escasso na maior parte do filme, substituído por uma histeria que o diretor Ruben Fleischer parece confundir com comicidade.
Não é de todo o ruim: Há alguns momentos realmente engraçados, a sintonia entre os protagonistas (salvo, talvez, o deslocamento de Abigail Breslin) continua afinada e carismática, e um ou outro acréscimo no elenco contribui com novas risadas, porém, há algo de muito errado no filme quando percebemos que sua melhor cena, anos-luz a frente de todas as outras, é a sequência surpresa nos créditos finais com a sensacional participação de Bill Murray.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Maggie - A Transformação


Soa ao mesmo tempo como audácia e imprudência colocar o astro de ação Arnold Schwarzenegger num papel dramático, intimista e introspectivo, no entanto, em “Maggie”, o diretor Henry Hobson consegue extrair dele o que provavelmente é a atuação mais humana de sua carreira.
Apontado por muitos como uma réplica em tons introvertidos do videogame “Last Of Us”, este trabalho distingue-se das realizações habituais no sub-gênero dos mortos-vivos –e corresponde, em sua natureza reflexiva, ao sub-gênero do pós-terror –mostrando um apocalypse zumbi com mais austeridade e menos frenesi.
Schwarzenegger é Wade, um fazendeiro cuja preocupação não é o caos que dominou as ruas das cidades populosas com a praga dos zumbis –da qual tomamos algum conhecimento por meio de esporádicos noticiários –e sim o bem-estar de sua filha mais velha, a adolescente Maggie (Abigail Breslin, crescendo com muita propriedade).
Como toda adolescente que em algum momento desenvolve certa rebeldia, Maggie saiu de casa e, nos perigos do mundo exterior, foi mordida por um morto-vivo –e, portanto, infectada com seu mal inevitável.
Wade a leva de volta para a vida tranquila no campo, sob orientações dos médicos de que o período com ela como sua filha será breve; até que ela se torne um zumbi. Na fazenda, aguardam com alguma angústia mal disfarçada, a esposa de Wade e madrasta de Maggie, Caroline (Joely Richardson) e seus dois filhos pequenos, irmãos de Maggie.
O filme de Henry Hobson se dedicará assim a contemplar a mutação inexorável dela diante da postura estoica do pai em manter-se ao seu lado, mesmo ciente da realidade (e dos avisos constantes) de que uma hora ela não será mais quem é, e representará um perigo mortal para todos.
Dois policiais da jurisdição local, volta e meia aparecem (naquele velho estilo “policial mau, policial bom”) para lembrar paulatinamente ao protagonista e ao público que o prazo de validade do relacionamento pai e filha que presenciamos terá um desfecho tão iminente quanto terrível.
Os primeiros indícios verdadeiramente chocantes –mostrados com belos efeitos de maquiagem –já tratam de afugentar Caroline e as outras crianças. Wade e Maggie se veem, então, sozinhos com a amarga constatação de que seu amor já não bastará para aplacar a maldição que vai afastá-los.
Na interessante alegoria sobre as comiserações da paternidade que move, o filme pode ser enxergado de muitas maneiras –como a metáfora de um pai diante de uma jovem e rebelde filha grávida, ou doente, ou infectada pela AIDS, ou tantos outros revezes que podem afligir a juventude inconsequente e cujas atribulações, normalmente, serão os pais quem haverão de arcar. Nesse aspecto, “Maggie” encontra ligeira similaridade no magistral “A Estrada”, na maneira com que encontra em expedientes pós-apocalípticos uma oportunidade para observações de nível íntimo. O grande problema do trabalho ocasionalmente notável de Henry Hobson é ser demasiado disperso, falhando em prender a atenção do expectador em muitos momentos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Sinais

Após os sucessos de “O Sexto Sentido” e “Corpo Fechado” –antes deles, ele havia feito a comédia dramática “Olhos Abertos” –estabeleceu-se uma fórmula por meio da qual M. Night Shyamalan criava suas obras: Um protagonista normalmente relacionado a filmes de ação (Bruce Willis no dois filmes anteriores, Mel Gibson neste aqui), porém, à frente de um elenco plenamente explorado em suas capacidades dramáticas; uma incursão no terror/suspense fantástico que, nada mais é senão uma forma narrativa de refletir os anseios do ser humano; uma notável economia de efeitos visuais e pirotecnia onde ele se vale exclusivamente das preciosas lições de ameaça sugerida deixadas, sobretudo, pelo mestre Spielberg em “Tubarão”, mas também pelo outro mestre Hitchcock, em inúmeros filmes; e uma atmosfera de freqüente sobressalto e susto construída com grande ajuda da trilha sonora.
Essas características definem este e todos os outros filmes de Shyamalan, inclusive “A Vila”, que ele faria em seguida.
Aqui, embora o quê ele pareça entregar seja um suspense crescente e aflitivo sobre invasões alienígenas (e até certo ponto, ele realmente seja mesmo), Shyamalan discute a fé em Deus ante as tragédias da vida, sobre o eixo fundamental da família.
O fazendeiro Graham Hess (Mel Gibson), outrora um padre que deixou de exercer seu sacerdócio após ter perdido a fé devido à trágica morte da esposa (numa cena esmiuçada gradativamente ao longo do filme), descobre perplexo ao lado de seu cunhado (Joaquim Phoenix) e dos dois filhos pequenos (Rory Culkin e Abigail Breslin, de “Pequena Miss Sunshine”) que em sua lavoura foram feitas misteriosas e gigantescas marcas, impossíveis de terem sido realizadas pela mão humana tal sua precisão e a rapidez com que surgiram da noite para o dia. São os famosos círculos que surgem em plantações ao longo do mundo e são atribuídos a seres extraterrestres.
Tentando elucidar o mistério que os perturba eles testemunham, nos dias que se seguem, outros indícios de que algo está a espreita: Aparições inexplicáveis, de criaturas fortuitas e desconhecidas se tornam cada vez mais freqüentes na plantação –e Shyamalan é hábil ao tornar cada uma desses aparições um momento arrepiante.
Pouco a pouco, enquanto a televisão vai noticiando outras e ainda mais estarrecedoras aparições em todo o mundo, eles vão se dando conta de que o planeta Terra como um todo parece estar sendo invadido.
É algo usual, portanto, o quê Shyamalan propõe: Testemunhar tal invasão do ponto de vista de humildes fazendeiros que só podem torcer pelos humanos nas grandes batalhas acompanhadas pelo noticiário da TV, e tentar rechaçar os invasores eventuais que vêem perturbar em seu próprio quintal.
Na estrutura algo convencional que Shyamalan atribui ao seu conto –pois os filmes de Shyamalan lembram, de fato, pequenos e saborosos contos de terror ou ficção científica –os desdobramentos ocorridos no desfecho tem direta relação com o acidente que tirou de Graham sua mulher. E a harmonia desses detalhes, a forma com que eles se complementam e parecem lá colocados para que eles possam sobreviver, é o elemento restaurador da fé que ele julgava ter abandonado para sempre.
“Sinais” não é tão perfeito quanto “O Sexto Sentido”, nem tão inspirado quanto “Corpo Fechado”, e perde na comparação até mesmo com o ótimo “A Vila”, que Shyamalan fez logo depois, mas é um dos sensacionais exemplares que ele entregou em sua melhor fase, que se acabou quando ele meteu os pés pelas mãos e lançou o estranho “A Dama Na Água”. 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Zumbilândia

Dos mais divertidos filmes de mortos-vivos que agregam humor em sua premissa –e esse sub-gênero possui exemplares assim aos borbotões –“Zumbilândia”, do diretor Ruben Fleischer, de 2009, se sobressai de forma notável por reunir, ao lado do veterano Woody Harrelson, um time de jovens atores que ainda daria muito o que falar –haviam ali Abigail Breslin, poucos anos depois de ter feito “Pequena Miss Sunshine”, a sensacional Emma Stone (vencedora do Oscar de Melhor Atriz por “La La Land-Cantando Estações”) e Jesse Eisenberg (indicado ao Oscar de Melhor Ator por “A Rede Social”) –por ostentar uma irresistível natureza cult (até hoje, não superada por outras pretensas imitações que vieram depois), por mesclar as características inerentes de filme de mortos-vivos de forma admirável à um humor peculiar, descontraído e bastante acessível, e por ser, de fato, um filme muito bem realizado.
A intenção dos roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick (que depois escreveriam “Deadpool”) foi conceber algo até então inédito na TV: Uma série de zumbis –em 2009, eles não tinham ainda virado lugar-comum com a série de sucesso “The Walking Dead”. A idéia era que a trama se estendesse por vários capítulos: O episódio-piloto terminaria na cena em que Columbus (Eisenberg) e Tallahassee (Harrelson) são roubados pelas duas meninas pela primeira vez.
Com seu plano de série rejeitado, eles transformaram “Zumbilândia” num roteiro de cinema.
A trama se passa assim num EUA assolado pela existência de letais hordas de mortos-vivos, uma Zumbilândia.
Lá, seus personagens levam o nome do lugar de onde vieram ou para onde pretendem ir.
Columbus, outrora alienado nerd pouco afeito a deixar a comodidade de seu apartamento, consegue sobreviver por preservar uma série de estranhas regras, justamente os mesmos maneirismo que antes o tornavam anti-social. Após sobreviver por muito pouco ao ataque de sua deliciosa vizinha (Amber Heard) transformada em zumbi, ele pega a estrada e seu caminho cruza-se com o de Tallahassee, um alucinado texano viciado em Twinkies (um bolinho norte-americano) e especializado em matar zumbis das formas mais ecléticas possíveis. A eles, mais tarde irá se juntar uma dupla de irmãs, a sensual e desconfiada Wichitta (Emma Stone, sempre apaixonante), e a jovem e precoce Little Rock (Abigail Breslin). Esse inusitado grupo decide rumar em direção a Costa Oeste, em meio a esse mundo pós-apocalíptico.
A despeito de todas as regras e paradigmas do sub-gênero de mortos-vivos serem seguidos com zelo e atenção, o filme de Fleischer logo adquire características empáticas que o destacam da leva comum de filmes de zumbi –sua narrativa passa a dar mais atenção à graça genuína que pulsa do personagem de Harrelson (que recebe uma ajuda e tanto quando encontra seu ídolo, Bill Murray em pessoa, numa seqüência hilária durante uma parada em Hollywood), ao romance hesitante e bonitinho que surge entre os personagens de Eisenberg e de Emma, e ao senso envolvente de aventura, do que à atmosfera de terror propriamente dita, ou à seqüências mais gráficas e sangrentas.
“Zumbilândia” é, pois, uma distorção da categoria a que pertence –como o próprio gênero de zumbi foi uma distorção dos filmes tradicionais de terror –e, nesse ímpeto consegue fazer o expectador rir e vibrar com seus cativantes personagens.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Pequena Miss Sunshine

Não há como negar que existe uma fórmula para se fazer certos filmes dentro do cinema independente norte-americano, por meio da qual alguns realizadores visam um apelo específico junto ao público, uma atenção da crítica obtida em geral pelo caminho mais fácil, e normalmente uma identificação com obras já consagradas que preservem inadvertido carinho junto à seus cultuadores.
O exemplo máximo dessa fórmula costuma sempre ser o saboroso “Pequena Miss Sunshine”.
Misto de roteiro espirituoso, acertos inquestionáveis de elenco e fôlego narrativo, ele se assume como aquele misto de comédia e drama, centrado numa família disfuncional e que, para todos os efeitos, é um retrato simpático dos fracassados da América, os desiludidos sonhadores da classe média baixa que se escondem à sombra do “american way of life”.
A tal família em questão (e que reúne diversos personagens carregados idiossincrasias e peculiaridades) embarca numa kombi para, todos juntos, fazer uma verdadeira migração até outra cidade onde será realizado o concurso de beleza mirim "pequena miss sunshine",do qual a caçula da família, a pequena Olívia (Abigail Breslin, uma graça), deseja ardentemente participar. A família de Olivia é, como não podia deixar de ser, uma coleção de figuras desajustadas: seu pai (Gregg Kinnear), um homem assombrado pela ideia do fracasso e viciado no programa de auto-ajuda que ele mesmo criou; seu avô (o oscarizado Alan Arkin), homem rabugento e lascivo, ainda que cativante; seu tio (Steve Carell), um homossexual depressivo e suicida; seu irmão (Paul Dano), um jovem esquisito que fez voto de silêncio para ingressar na academia militar; e sua mãe (Toni Collette) que se ilude ao tentar assumir o papel de ponto de equilíbrio de todos eles. A precária viagem que farão servirá para todos entenderem melhor a si mesmos.
É uma espécie de tendência surgida no cinema independente (e como toda tendência tem uma conseqüência nociva) surgida justamente a partir da consagração deste filme, ganhador dos Oscar (merecidos) de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.
De fato, o equilíbrio de gêneros e humores atende a quase todas as fatias de público, e sua postura algo alternativa garante interesse dos mais intelectuais: É, por assim sim, uma receita de como fazer um filme que todo mundo irá gostar.
O único problema é quando isso afeta uma das mais prolíficas vertentes do cinema norte-americano, já bastante judiado pelas imposições dos blockbusters de estúdios.