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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Incontrolável


 Baseado em fatos reais – o incidente do trem CSX 8888 transcorrido no estado de Ohio, no dia 15 de maio de 2001 – “Incontrolável” foi o último trabalho do falecido diretor Tony Scott (irmão mais novo de Ridley Scott), enaltecido por Quentin Tarantino como um dos melhores filmes daquele ano de 2010 (Tony Scott e Tarantino trabalharam junto no cult-movieAmor À Queima-Roupa”).

Sucedido num único dia, o enredo do filme tem início quando dois idiotas (interpretados por T.J. Miller, de “Cloverfield”, e Ethan Suplee, de “A Outra História Americana”, atores realmente habituados a interpretarem idiotas!) cometem uma série de pequenos deslizes que culminam, pouco a pouco, numa calamidade: Logo de manhã, no início do expediente, identificam um defeito a ser corrigido nos freios de emergência da imensa locomotiva deixada sob sua responsabilidade (“Deixe como está! Ao voltarmos para o pátio consertamos esse problema!”); em seguida, quando o personagem de Ethan Suplee é deixado sozinho conduzindo a máquina (que levava uma carga desconhecida mas consideravelmente pesada de 47 vagões), eis que tem a ideia de jerico de acionar os freios manuais (que não paravam o trem, mas mantinham uma velocidade baixa) e sair da locomotiva (!) para correr a pé na frente da máquina e mudar pessoalmente o engate dos trilhos, desviando o trem para o rumo correto. No entanto, ele se esqueceu (ou, de repente, nem sabia!) que no caso de uma carga com tanto peso, a velocidade necessária para manter o motor funcionando impede que os freios fiquem acionados por muito tempo – ele ainda estava correndo fora do trem quando os freios automaticamente se desligam e a máquina começa a avançar mais e mais rápido.

Não há tempo de alcança-la – até porque o idiota tropeça e cai!!!

Quando a supervisora do funcionamento de toda a complexa rede ferroviária local Connie Hooper (Rosario Dawson) é alertada, inicialmente, sua reação é manter a calma, ela sabe, afinal, que locomotivas são projetadas para acionar automaticamente seus freios de emergência a partir de determinada velocidade – o problema é que os freios de emergência não foram consertados (lembra do começo do parágrafo anterior?) e agora, a locomotiva desgovernada não tem nada que consiga pará-la.

Ao verificar qual é o conteúdo de seus vagões, um outro problema – o trem levava toneladas de Fenol Fundido, um material tóxico e altamente inflamável, e em seu trajeto quando, em poucas horas chegar na cidade de Stanton, na Pensilvânia, uma curva fechada pode fazê-lo descarrilar (na verdade, na velocidade em que se encontra o descarrilamento é certo!) e mandar a cidade inteira pelos ares.

São dois meros funcionários da ferrovia que se tornam inadvertidamente os heróis dessa quase catástrofe: O veterano Frank Barnes (o sensacional Denzel Washington, em sua quinta colaboração com o diretor Scott) e o novato Will Colson (Chris Pine), por sinal, em seu primeiro dia de trabalho naquele turno. O humor dos dois não se encontra no melhor estado – semanas antes, devido à gravidez da esposa Will não havia aderido a uma greve sugerida pelo sindicato e, por causa disso, Frank está para se aposentar com o que ele considera um salário insuficiente – e, enquanto os dois lutam contra a animosidade mútua, o destino os coloca como uma frágil esperança para evitar o pior: Depois de diversas tentativas – uma locomotiva se colocando a frente da máquina desgovernada tentando pará-la com seus próprios freios, o que não funcionou; e até uma tentativa de forçar um descarrilamento que também não funcionou (àquelas alturas o trem desgovernado estava numa velocidade grande demais) – o Centro de Controle Ferroviário descobre que a máquina de Frank e Will, naquele ponto já sem nenhum vagão, está nos trilhos em rota de colisão com o trem desgovernado! Eles têm uma chance de escapar por um triz entrando numa linha adjacente, mas Frank tem um plano ainda mais ousado – ele quer voltar de marcha ré, engatar sua própria máquina no último vagão da máquina desgovernada, e puxá-la para trás, forçando sua velocidade a diminuir, e com isso, evitando a catástrofe em Stanton.

Roteirizado com brilhantismo – as questões notáveis do funcionamento ferroviário são expostas e esclarecidas através de diálogos espertos e pontuais, e as circunstâncias trabalhistas ajudam a aprofundar os personagens – e oferecendo ao público um senso de ação e espetáculo que cresce gradualmente, este belo trabalho de Tony Scott dá uma ótima ideia ao público do excelente diretor que ele era – sempre orientado por uma inclinação contundente ao cinema comercial (ainda mais do que seu irmão mais velho), mas plenamente capaz de organizar os elementos desse mesmo cinema para a construção de um produto salutar, vibrante e sólido, como este aqui.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Gladiador II


 Diretor de prestígio, Ridley Scott, ao longo da carreira conseguiu emplacar exatamente dois filmes na almejada cerimônia do Oscar na categoria principal –foram eles, “Gladiador”, em 2001, e “Perdido Em Marte”, em 2016; “Falcão Negro em Perigo” não conta pois concorreu somente na categoria de Melhor Direção. Desses, o único a levar o prêmio foi o épico “Gladiador”. Essa talvez seja uma das justificativas para Scott, passados vinte e três anos depois, retomar a trama de um filme cujo desfecho era redondinho, tornando desnecessária qualquer continuação.

Embora saibamos muito do que se sucederá no filme bem antes da informação –fruto de uma era digital onde informações de bastidores, guinadas de roteiro e até detalhes da sinopse de um filme chegam ao público muito antes do filme propriamente dito –quando “Gladiador II” começa, pouca coisa do filme original em princípio nos é mostrada (salvo um breve resumo da trama nos créditos iniciais). Os elementos do aclamado filme original vão surgindo aos poucos, indicativos do diretor à moda antiga que Ridley Scott é –predicado que o torna a pessoa certa realmente para capitanear este tipo de épico.

O protagonista é Hanno (Paul Mescal, num esforço sobre-humano para igualar a imponência de Russell Crowe) que, ao começar o filme, encontramos na cidade de Numídia, no Norte da África, prestes a ser invadida pelo Império Romano. Com a cidade tomada –mérito das tropas sob o comando do General Acacius, vivido por Pedro Pascal –Hanno feito prisioneiro e sua esposa morta, todos os sobreviventes são levados à Roma, caindo nas mãos do negociante Macrinus (Denzel Washington, fantástico), fornecedor de gladiadores para a capital, Roma. O império, então governado pelos gêmeos Geta (Joseph Quinn, de “Um Lugar Silencioso-Dia Um”) e Caracalla (Fred Hechinger, da série “The White Lotus”) está longe do sonho de liberdade e igualdade almejado por Marco Aurélio no filme original: A ambição dos gêmeos sobrecarrega os exércitos na ânsia de conquistar mais e mais terras, o senado chafurda em corrupção e o povo, negligenciado, ganha como distração a violência do Coliseu para não provocar uma insurreição nas ruas.

Ladino e ávido nas maquinações políticas, Macrinus fareja as oportunidades de poder nesse cenário de inconstância e, mais que isso, identifica a capacidade para cativar a plateia como gladiador em Hanno. Ele compreende também, na mal disfarçada sofisticação de seus modos e nos indícios de uma apurada educação que podem haver segredos inesperados nas origens daquele prisioneiro raivoso. Errado não está: Hanno é, na verdade, Lucius  Verus Aurelius (que, no filme original, foi interpretado por Spencer Treat Clarke, de “Vidro”), filho de Lucilla (Connie Nielsen) e neto de Marco Aurélio, afastado de Roma pela própria mãe justamente pelo perigo que sua procedência real representava à sua vida. Mais que isso, numa manobra narrativa não tão original assim e que, pelo menos em “Gladiador”, sequer é mencionada (embora até faça algum sentido), é revelado que Lucius –ou Hanno, como queira –é, na realidade, filho de Maximus Decimus Meridius, o herói de guerra que sacrificou-se na arena do Coliseu em nome do sonho de Marco Aurélio, matando o então imperador Commodus.

Agora as coisas mudaram, embora nem tanto: Ainda governada por hedonistas inescrupulosos, Roma se encontra à beira de uma guerra civil, e o principal apoiador desse levante (ao menos, nas sombras) é o próprio Acacius que, agora, é casado com a própria Lucilla. Contudo, é nas artimanhas astuciosas de Macrinus que repousam as manobras que realmente fazem “Gladiador II” avançar –ele ganha fama e prestígio junto ao senado e aos imperadores graças ao surpreendente desempenho de seu novo gladiador Hanno –que curiosamente (veja só!) demonstra a mesma iniciativa e o mesmo carisma que Maximus demonstrou na arena, dezesseis anos antes –e vai escalando sua influência nas esferas mais altas do Império, visando o poderoso cargo de cônsul, enquanto promete para Hanno a única coisa que ele realmente deseja: A cabeça do General Acacius, que ele responsabiliza pela morte de sua esposa.

É muito provável que muito desse interessantíssimo arco narrativo do sensacional personagem de Denzel Washington tenha sido reaproveitado de ideias que Ridley Scott e os roteiristas puderam ter tido para o personagem de Oliver Reed no primeiro filme –Reed morreu de infarto durante as filmagens, faltando algumas semanas para terminar sua participação e é sabido, com isso, que a presença de seu personagem teve de ser improvisada (com modificações de roteiro e inserções de imagens digitalmente alteradas) , durante boa parte do último terço de filme.

Embora hajam mais personagens, e mais dinâmicas complexas a entrelaçá-los aqui do que no filme original, o roteiro de “Gladiador II” escrito por David Scarpa usa e abusa do fato de que todo o enredo estava estabelecido (e muito bem) já no primeiro filme, para em muitos aspectos ir direto ao ponto: São nas cenas de combate, predominantes a usar o Coliseu como palco, que todas as tramas e sub-tramas se desenrolam, entre elas, uma das primeiras, a cena da luta com o rinoceronte, incluída nesta continuação certamente por conta da lendária cena deletada do filme original em que haveria um rinoceronte também (essa cena deletada é um dos mais comentados easter-eggs da edição de colecionador do DVD de “Gladiador”) e a sequência onde uma batalha naval (!) é recriada em pleno Coliseu –ainda que o absurdo dessa reconstituição, com navios e a arena submersa em água, deixe dúvidas quanto à sua verossimilhança, esse tipo de batalha realmente foi encenada no Coliseu, reproduzindo o ambiente marítimo (!!).

Assim sendo, muito mais abertamente focado nesse senso de espetáculo (algo no qual Ridley Scott se tornou um especialista inquestionável), “Gladiador II” deixa um pouco de lado a relevância enquanto cinema e as reflexões de seriedade embutidas em seu filme original para se concentrar na satisfação comercial da plateia.

Resulta, com isso, numa obra envolvente, divertida e grandiosa, uma opção que certamente se revelava mais viável diante do desafio de dar continuidade à uma das mais reverenciadas produções cinematográficas do últimos trinta anos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2025


 Nesta última segunda-feira foram anunciados os nomes dos indicados ao Globo de Ouro 2025, a ser realizado no dia 5 de janeiro de 2025. Prêmio de cinema e TV conduzido pelo Impressa Estrangeira, o Globo de Ouro –ou Golden Globe –já foi visto como uma prévia do Oscar, embora muitas decisões e escolhas promovidas nos últimos anos tenham afastado essa impressão. No entanto, ainda é parte fundamental da temporada de prêmios, e certamente vai interferir (e antecipar) muitas características que integrarão a cerimônia do careca dourado. Vamos às indicações e às considerações (lembrando que aqui só serão mencionados os indicados de cinema):

Melhor filme dramático

"O Brutalista"

"Um Completo Desconhecido"

"Conclave"

"Duna-Parte 2"

"Nickel Boys"

"Setembro 5"

Melhor filme de comédia ou musical

"Anora"

"Rivais"

"Emilia Perez"

"A Verdadeira Dor"

"A Substância"

"Wicked"

Primeira mudança: Agora as categorias predominantes contam com um limite de seis vagas (e não cinco como em anos anteriores), o que eleva os nomeados para as duas categorias de Melhor Filme para doze! Assim como seu brilhante antecessor, o mais brilhante ainda “Duna-Parte 2” sofreu uma ligeira esnobada do Globo de Ouro, embora deva reinar majestoso nas categorias técnicas do Oscar. Surgem com algum favoritismo aqui “Emilia Perez” –líder em indicações, com dez –e “O Brutalista” –sete indicações –“Emilia Perez”, por sinal, saiu fortíssimo do Festival de Veneza em maio, mas havia perdido algum fôlego quando estreou com uma ou outra crítica negativa. Muitos comemoraram a inclusão (inclusive noutras expressivas categorias) do ousado “A Substância”, caminhando a passos largos para virar o grande cult-movie de 2024 (e para ganhar improváveis, ainda que merecidas, indicações ao Oscar). Embora o aguardado filme de Luca Guadagnino “Queer” tenha ficado de fora da categoria principal (entre outras razões por não ter agrado boa parte da crítica), o seu “Rivais”, lançado com atraso no início do ano, foi capaz de se manter memorável para conquistar uma nomeação. E a campanha de “Wicked”, que entre outras estratégias providenciais agendou seu lançamento para o final de ano, deu frutos obtendo um bom números de indicações.

Melhor atriz de filme dramático

Pamela Anderson, "The Last Showgirl"

Angelina Jolie, "Maria Callas"

Nicole Kidman, "Baby Girl"

Tilda Swinton, "O Quarto Ao Lado"

Fernanda Torres, "Ainda Estou Aqui"

Kate Winslet, "Lee"

Os brasileiros ficaram em polvorosa quando, nesta categoria, surgiu nossa querida Fernanda Torres, que parece repetir os passos da própria mãe, Fernanda Montenegro, que culminou indicada a Melhor Atriz na cerimônia do Oscar 1999. Fernandinha pode refazer esses mesmos passos, contudo, aqui ela disputa com um sex-symbol de décadas passadas retornando à ribalta por meio de um projeto corajoso e surpreendente (Pamela Anderson); duas atrizes que costumam equilibrar atuações elogiáveis com estrelato inquestionável (Nicole Kidman e Angelina Jolie); uma elogiada intérprete inglesa defendendo o primeiro filme falado em inglês de Pedro Almodóvar (Tilda Swinton) e uma premiada atriz, tarimbada em obter aclamação nas premiações (Kate Winslet).

Melhor direção

Jacques Audiard, "Emilia Perez"

Sean Baker, "Anora"

Edward Berger, "Conclave"

Brady Corbet, "O Brutalista"

Coralie Fargeat, "A Substância"

Payal Kapadia, "Tudo O Que Imaginamos Como Luz"

Edward Berger (de “Nada de Novo no Front”) e Jacques Audiard (de “O Profeta”) não são estranhos às premiações, mas certamente são presenças bastante inesperadas (bem como os longa-metragens que realizaram) as de Brady Corbet, Coralie Fargeat, Sean Baker (de “Projeto Flórida”) e Payal Kapadia. Na esteira da repercussão positiva em Cannes, o favorito é Baker, cujo “Anora” saiu premiado com a Palma De Ouro (embora conte com um total de apenas cinco indicações), mas muita coisa pode mudar.

Melhor ator em filme dramático

Adrien Brody, "O Brutalista"

Timothée Chamalet, "Um Completo Desconhecido"

Daniel Craig, "Queer"

Colman Domingo, "Sing Sing"

Ralph Fiennes, "Conclave"

Sebastian Stan, "O Aprendiz"

Esperava-se que o jovem Timothée Chamalet fosse indicado por “Duna-Parte 2”, no entanto, ele saiu-se com essa prodigiosa atuação vivendo Bob Dylan no filme de James Mangold, seus competidores mais expressivos certamente são Daniel Craig quebrando de vez a imagem de James Bond (e defendendo com unhas e dentes a única indicação de “Queer”), o elogiado trabalho de Ralph Fiennes e Sebastian Stan, o Soldado Invernal da Marvel Studios, que este ano conseguiu emplacar duas indicações no Globo de Ouro.

Melhor atriz em filme de comédia ou musica

Amy Adams, "Canina"

Cynthia Erivo, "Wicked"

Karla Sofía Gascón, "Emilia Perez"

Mikey Maddison, "Anora"

Demi Moore, "A Substância"

Zendaya, "Rivais"

Melhor ator em filme de comédia ou musical

Jesse Eisenberg, "A Verdadeira Dor"

Hugh Grant, "Herege"

Gabriel LaBelle, "Saturday Night"

Jesse Plemons, "Tipos de Gentileza"

Glen Powell, "Assassino Por Acaso"

Sebastian Stan, "Um Homem Diferente"

Parece haver um consenso entre os críticos e votantes do Globo de Ouro (que já foi percebido, ao longo dos anos, no Oscar também) de que, se um filme possue um gênero indefinido, ou mesmo incategorizável, ele é indicado à Melhor Comédia ou Musical –só assim para entender as indicações nessa categoria para Hugh Grant pelo terror “Herege” (no qual ele está surpreendente, diga-se) e para Jesse Plemons (que venceu em Cannes!) pelo estranho, porém fascinante “Tipos de Gentileza”. O mesmo ocorre em Melhor Atriz de Comédia ou Musical para Demi Moore no nada engraçado “A Substância”, todavia, entre as mulheres prevalace o irônico favoritismo de Karla Sofía Gascón, a primeira atriz trans na História indicada ao prêmio (uma manobra que dificilmente deixará de ser repetida pelo Oscar), já entre os Atores, o favorito ainda parece incerto, mas seria muito interessante ver o belo trabalho de Glen Powell, num dos filmes mais sensacionais do ano, ser recompensado.

Melhor atriz coadjuvante

Selena Gomez, "Emilia Perez"

Ariana Grande, "Wicked"

Felicity Jones, "O Brutalista"

Margaret Qualley, "A Substância"

Isabella Rossellini, "Conclave"

Zoe Saldana, "Emilia Perez"

Melhor ator coadjuvante

Denzel Washington, "Gladiador II"

Kieran Culkin, "A Verdadeira Dor"

Guy Pierce, "O Brutalista"

Jeremy Strong, "O Aprendiz"

Yura Borisov, "Anora"

Edward Norton, "Um Completo Desconhecido"

Em Atriz Coadjuvante, as duas colegas de “Emilia Perez”, a jovem Selena Gomez e a bem-sucedida Zoe Saldana, terão de enfrentar o fascínio da crítica e a aprovação do público despertados pela sensacional Margaret Qualley em “A Substância”, embora hajam grandes chances para a veterana Isabella Rossellini e para a sempre talentosa Felicity Jones, correndo por fora, a cantora Ariana Grande deve encarar a indicação como um prêmio.

Em Ator Coadjuvante, é um pena que o sempre fabuloso Denzel Washington não tenha maiores chances (talvez, se o filme fosse melhorzinho...), resta os grandes trabalhos de atores consagrados como Edward Norton e Guy Pierce em disputa com a surpresa das presenças de Kieran Culkin (finalmente mostrando em cinema o potencial que já exibia na série de TV “Sucession”) e Jeremy Strong (cujo “O Aprendiz” é uma produção pulsante).

Melhor animação

"Flow"

"Divertida Mente 2"

"Memórias de Um Caracol"

"Moana 2"

"Wallace & Gromit-A Vingança"

"Robô Selvagem"

As coisas mudam: Outrora favoritos incontestáveis na categoria animação, a Pixar (representados pela continuação de um longa-metragem que, anos atrás, simplesmente arrebatou o prêmio) já não surge este ano tão imbatível assim, o que aumenta as merecidas chances para o novo “Wallace & Gromit” e para os mais alternativos “Flow” e “Memórias de Um Caracol”, mas... quer saber? Quem merece o prêmio mesmo à a Dreamworks que entregou, com o emocionante “Robô Selvagem” uma das melhores animações do ano (e ele ainda está indicado em Melhor Trilha Sonora!). “Moana 2”, o representante da Disney no páreo nem conta –sua presença entre os indicados é protocolar em função da importância do estúdio, mas ele nem tem tanta qualidade para constar por aqui.

Melhor canção original

"Beautiful That Way", "The Last Showgirl"

"Compress/Repress", "Rivais"

"El Mal", "Emilia Perez"

"Forbbiden Road", "Better Man"

"Kiss The Sky", "Robô Selvagem"

"Mi Camino", "Emilia Perez"

Melhor trilha sonora

"O Brutalista"

"Conclave"

"Robô Selvagem"

"Emilia Perez"

"Rivais"

"Duna-Parte 2"

Melhor filme estrangeiro

"Tudo O Que Imaginamos Como Luz" (Índia)

"Emilia Perez" (França)

"A Garota da Agulha" (Dinamarca)

"Ainda Estou Aqui" (Brasil)

"A Semente do Figo Sagrado" (Alemanha)

"Vermiglio" (Itália)

“Emilia Perez” aparece na categoria de Filme Estrangeiro assim como na de Filme de Comédia ou Musical”, o que já o torna automaticamente o favorito da categoria, comprometendo as chances do brasileiro “Ainda Estou Aqui” –de repente, a mesma história de 1999 parece se repetir... –entretanto, o indiano “Tudo O Que Imaginamos Como Luz” também segue forte na disputa.

Melhor roteiro

"Emilia Perez"

"Anora"

"O Brutalista"

"A Verdadeira Dor"

"A Substância"

"Conclave"

domingo, 14 de janeiro de 2024

O Dossiê Pelicano


 A jovem estudante de Direito Darby Shaw (Julia Roberts) na ânsia de investigar o assassinato estranhamente simultâneo de dois juízes da Suprema Corte dos EUA em Washington (um deles interpretado pelo veterano Hume Cronyn, numa breve participação) deduz que esbarrou numa terrível verdade a ser encoberta de qualquer maneira por pessoas inescrupulosas e bem posicionadas nas esferas do poder: Na tentativa de silenciá-la, os criminosos, sem querer acabam matando o professor, enlace romântico e mentor dela, Thomas Callahan (Sam Shepard). Perseguida por pessoas dispostas a interromper suas investigações e neutralizar suas descobertas a qualquer custo, Darby se refugia nos subúrbios de Nova Orleans, e conta com a ajuda do jornalista investigativo Gray Grantham (Denzel Washington).

Na esteira do sucesso avassalador de “Uma Linda Mulher”, a estrela Julia Roberts seguiu fazendo o que se espera de jovens talentos em ascensão: Realizou filmes destinados a exclusivamente agradar seu público –se tais filmes tinham qualidade ou não, isso era uma questão que nunca pareceu prioridade nas decisões curiosas dos estúdios hollywoodianos. Ele protagonizou o suspense algo vulgar “Dormindo Com O Inimigo”, em 1991, e nesse mesmo ano, apareceu no meloso, romântico e superficial “Tudo Por Amor”. O passo seguinte era marcar presença num projeto mais ambicioso, capaz de colocar Julia sob as lentes de um diretor, senão grande, ao menos, renomado –Alan J. Pakula –e deixá-la, lado a lado, de outros grandes nomes do cinema, o que inclui, além do sempre eficiente Denzel, as presenças ocasionalmente aproveitadas de Sam Shepard, Stanley Tucci, John Heard, William Atherton, John Lithgow e Robert Culp (como Presidente dos EUA).

Embora protagonistas, Julia Roberts e Denzel Washington não formam um par romântico –a Hollywood implicitamente segregada de então dificilmente permitiria um casal formado por atores de etnias distintas (algo que seria aceito, e até encorajado, hoje). Assim, pode-se até pegar a dica: Composto de aspectos de dizem muito sobre o cinema comercial de seu tempo, “O Dossiê Pelicano” é feito de tendências específicas que visavam atender a demanda do público, termina sendo um veículo morno para a estrela em franca ascensão de Julia Roberts e um reaproveitamento requentado –ainda que com base no enredo original extraído do livro de John Grisham –da narrativa pulsante que o mesmo diretor Alan Pakula empregou em “A Trama” nos anos 1970; os ganchos e expedientes de roteiro são, senão os mesmos, muitíssimo parecidos!

A única diferença é o tempo em que foram realizados: Nos anos 1970, pela liberdade criativa com a qual realizadores mais jovens tateavam um novo cinema comercial (e pelas tendências autorais que emergiam na época), Pakula soube orquestrar em “A Trama” (além de outros longa-metragens) uma obra urgente e pulsante; já, em 1993, o mesmo diretor, do alto de uma carreira experiente e já sem fôlego para ousar, concebeu um trabalho com aspectos similares, sem no entanto qualquer indício de atrevimento ou inovação.

A única ousadia de “O Dossiê Pelicano”, se é que isso conta, é ser um filme mediano, quando tinha tudo para ser excelente.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Os Indicados Ao Oscar 2022


 E temos então os indicados de 2022 ao grande prêmio do cinema. Segue a lista completa:

FILME

Belfast (Focus)

No Ritmo do Coração (Apple)

Não Olhe para Cima (Netflix)

Drive My Car (Janus/Sideshow)

Duna (Warner)

King Richard (Warner)

Licorice Pizza (MGM/United Artists)

O Beco do Pesadelo (Searchlight)

Ataque dos Cães (Netflix)

Amor, Sublime Amor (20th Century)

DIREÇÃO

Kenneth Branagh, Belfast

Ryûsuke Hamaguchi, Drive My Car

Paul Thomas Anderson, Licorice Pizza

Jane Campion, Ataque dos Cães

Steven Spielberg, Amor, Sublime Amor

A Academia de Artes Cinematográficas repete algumas manobras políticas já empregadas no passado, como a adição-surpresa entre os Melhores Filmes de um candidato estrangeiro –embora o japonês “Drive My Car” dificilmente iguale o prestígio do sul-coreano “Parasita” em 2020 –e a incursão de um filme dirigido por uma mulher: E olha que “Ataque dos Cães”, de Jane Campion, um lançamento da Netflix, ainda chega como grande favorito, tornando possível que este seja o primeiro ano na história do Oscar em que duas mulheres (lembra-se de Chloe Zhao, ano passado?) ganham o maior prêmio simultaneamente.

Surpreendem as presenças dos não tão cotados “King Richard” e “O Beco dos Pesadelos” e as ausências dos imensamente cotados “Apresentando Os Ricardos” e “A Crônica Francesa”.

ATOR

Javier Bardem, Apresentando os Ricardos

Benedict Cumberbatch, Ataque dos Cães

Andrew Garfield, tick, tick…Boom!

Will Smith, King Richard

Denzel Washington, A Tragédia de Macbeth

ATRIZ

Jessica Chastain, Os Olhos de Tammy Faye

Olivia Colman, A Filha Perdida

Penélope Cruz, Madres Paralelas

Nicole Kidman, Apresentando os Ricardos

Kristen Stewart, Spencer

Um incógnita considerável entre as atrizes visto que uma das favoritas –Lady Gaga por “Casa Gucci” –ficou de fora (na verdade, o Oscar foi o ÚNICO prêmio no qual ela não ganhou indicação!) e sua maior concorrente, Kristen Stewart, por “Spencer”, não parece, no momento, gozar de muito prestígio junto aos membros; o que deixa caminho livre para as campanhas de Jessica Chastain, Olivia Colman, Penélope Cruz e Nicole Kidman gerarem frutos.

Entre os atores, há um ranço crescente em relação ao improvável favoritismo Will Smith –eu pessoalmente não gostaria que ele ganhasse por este filme. Quem ganharia então? Possivelmente Benedict Cumberbtch ou Andrew Garfield, não obstante a atuação estupenda de Denzel Washington (na 10ª indicação de sua carreira).

ATOR COADJUVANTE

Ciarán Hinds, Belfast

Troy Kotsur, No Ritmo do Coração

Jesse Plemons, Ataque dos Cães

J.K. Simmons, Apresentando os Ricardos

Kodi Smit-McPhee, Ataque dos Cães

As maiores apostas nesta categoria são aparentemente Jesse Plemons e o veterano Ciarán Hinds, contudo, são vantagens tão tênues que podem perfeitamente cederem a uma vitória-surpresa de Kodi Smith-McPhee.

ATRIZ COADJUVANTE

Jessie Buckley, A Filha Perdida

Ariana DeBose, Amor, Sublime Amor

Judi Dench, Belfast

Kirsten Dunst, Ataque dos Cães

Aunjanue Ellis, King Richard

Supostamente a favorita, Ariana DeBose, se ganhar, entrará para a seleta lista de atores/atrizes que ganharam um Oscar interpretando o mesmo personagem –ao lado dos honoráveis Marlon Brando e Robert De Niro (ambos tendo vivido Vito Corleone em “O Poderoso Chefão” e “O PoderosoChefão-Parte II”) e de Heath Ledger e Joaquin Phoenix (os dois premiados por “Batman-OCavaleiro das Trevas” e por "Coringa”) –já que Rita Moreno levou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme de 1961, entretanto, a supremacia de Ariana aparece inesperadamente ameaçada pelo surgimento da veterana Judi Dench entre as indicadas (ela que sagra-se, assim, como a intérprete de mais idade a constar nessa categoria), embora muitos críticos apontassem que, do elenco de “Belfast”, era Caitriona Balte (de “Ford Vs Ferrari”) quem mais merecesse essa indicação; está parecendo que a Academia entregará o Oscar à Judi Dench pelo conjunto da obra...

ROTEIRO ORIGINAL

Belfast, Kenneth Branagh

Não Olhe para Cima, Adam McKay, David Sirota

King Richard, Zach Baylin

Licorice Pizza, Paul Thomas Anderson

A Pior Pessoa do Mundo, Joachim Trier e Eskil Vogt

ROTEIRO ADAPTADO

No Ritmo do Coração, Siân Heder

Drive My Car, Ryusuke Hamaguchi, Takamasa Oe

Duna, Jon Spaihts, Denis Villeneuve, Eric Roth

A Filha Perdida, Maggie Gyllenhaal

Ataque dos Cães, Jane Campion

Era visto que Adam McKay estaria nesta categoria com seu “Não Olhe Para Cima” –e a pouca cotação de sua obra na categoria principal pode se refletir numa chance real de ter seu roteiro original premiado –ainda que o grande favorito aqui, por razões muito parecidas, seja o elogiado e emocionante “Belfast”. Jane Campion já tem um Oscar de Melhor Roteiro (por “O Piano”) debaixo do braço, apenas o inusitado “Drive My Car” e o surpreendente “A Filha Perdida” a impedem de levar para casa uma segunda estatueta.

FOTOGRAFIA

Duna, Greig Fraser

O Beco do Pesadelo, Dan Laustsen

Ataque dos Cães, Ari Wegner

A Tragédia de Macbeth, Bruno Delbonnel

Amor, Sublime Amor, Janusz Kaminski

MONTAGEM

Não Olhe pra Cima, Hank Corwin

Duna, Joe Walker

King Richard, Pamela Martin

Ataque dos Cães, Peter Sciberras

tick, tick... Boom!, Myron Kerstein, Andrew Weisblum

DIREÇÃO DE ARTE

Duna, Patrice Vermotte, Richard Roberts, Zsuzsanna Sipos

O Beco do Pesadelo, Tamara Deverell, Shane Vieau

Ataque dos Cães, Grant Major, Amber Richards

A Tragédia de Macbeth, Stefan Dechant, Nancy Haigh

Amor, Sublime Amor, Adam Stockhausen, Rena DeAngelo

FIGURINOS

Cruella, Jenny Beavan

Cyrano, Massimo Cantini

Duna, Jacqueline West

O Beco do Pesadelo, Luis Siqueira

Amor, Sublime Amor, Paul Tazewell

MAQUIAGEM

Um Príncipe em Nova York 2

Cruella

Duna

Os Olhos de Tammy Faye

Casa Gucci

TRILHA SONORA

Não Olhe pra Cima, Nicholas Britell

Duna, Hans Zimmer

Encanto, Germaine Franco

Madres Paralelas, Alberto Iglesias

Ataque dos Cães, Jonny Greenwood

Nas categorias técnicas é visível a predominância de “Duna”, 10 indicações –e torço para que ele faça mesmo uma bela campanha, até para compensar a ausência de Denis Villeneuve na categoria de Melhor Direção –ainda que a honraria de filme com maior número de indicações pertença à “Ataque dos Cães”, com 12, “Amor Sublime Amor”, de Steven Spielberg, vem bem atrás com 7.

CANÇÃO

“Down to Joy”, Belfast

“Dos Oruguitas”, Encanto

“Somehow You Do”, Four Good Days

“Be Alive”, King Richard

“No Time to Die”, 007 Sem Tempo para Morrer

SOM

Belfast

Duna

007 - Sem Tempo para Morrer

Ataque dos Cães

Amor, Sublime Amor

EFEITOS VISUAIS

Duna

Free Guy

007 - Sem Tempo para Morrer

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa

ANIMAÇÃO

Encanto (Disney)

Fuga (NEON)

Luca (Disney/Pixar)

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas (Netflix)

Raya e o Último Dragão (Disney)

Críticos mais rabugentos espernearam com a indicação à Efeitos Visuais de “Homem-Aranha Sem Volta Para Casa” –filme cujas cópias de cinema sofreram até reajustes digitais em algumas cenas –todavia é visto, sobretudo, nesta categoria, que a Academia deseja capitalizar com o sucesso de público. Entre as animações a Disney surge soberana com nada menos do que TRÊS fortes favoritos ao prêmio –os outros dois está ali mais para constar mesmo...

Enquanto que, na categoria de Melhor Canção, “007-Sem Tempo Para Morrer”, com a canção-título de Billie Eilish, surge como favorito, tendo os dois últimos filmes do Bond Daniel Craig (“007-Operação Skyfall” e “007 Contra Spectre”, no caso) levado os prêmios de Melhor Canção Original em seus anos, a despeito das ilustres presenças de Van Morrison, pela canção de “Belfast”, e de Diane Warren (em sua 13ª indicação sem jamais ter ganhado!), pela canção de “Four Good Days”.

DOCUMENTÁRIO

Ascension (MTV)

Attica (Showtime)

Fuga (NEON)

Summer of Soul (Searchlight)

Writing With Fire (Music Box)

FILME INTERNACIONAL

A Felicidade das Pequenas Coisas (Butão)

Fuga (Dinamarca)

A Mão de Deus (Itália)

Drive My Car (Japão)

A Pior Pessoa do Mundo (Noruega)

CURTA-METRAGEM LIVE-ACTION

Take and Run

The Dress

Long Goodbye

On My Mind

Please Hold

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Affairs

Bestia

Box Ballet

Robin Robin

Windshield

DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM

Audible

Lead Me Home

The Queen of Basketball

Three Songs

When We Were Bullies

Os vencedores serão anunciados na cerimônia a ser realizada no domingo, dia 27 de março.