Mostrando postagens com marcador Kristen Stewart. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Kristen Stewart. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Os Indicados Ao Oscar 2022


 E temos então os indicados de 2022 ao grande prêmio do cinema. Segue a lista completa:

FILME

Belfast (Focus)

No Ritmo do Coração (Apple)

Não Olhe para Cima (Netflix)

Drive My Car (Janus/Sideshow)

Duna (Warner)

King Richard (Warner)

Licorice Pizza (MGM/United Artists)

O Beco do Pesadelo (Searchlight)

Ataque dos Cães (Netflix)

Amor, Sublime Amor (20th Century)

DIREÇÃO

Kenneth Branagh, Belfast

Ryûsuke Hamaguchi, Drive My Car

Paul Thomas Anderson, Licorice Pizza

Jane Campion, Ataque dos Cães

Steven Spielberg, Amor, Sublime Amor

A Academia de Artes Cinematográficas repete algumas manobras políticas já empregadas no passado, como a adição-surpresa entre os Melhores Filmes de um candidato estrangeiro –embora o japonês “Drive My Car” dificilmente iguale o prestígio do sul-coreano “Parasita” em 2020 –e a incursão de um filme dirigido por uma mulher: E olha que “Ataque dos Cães”, de Jane Campion, um lançamento da Netflix, ainda chega como grande favorito, tornando possível que este seja o primeiro ano na história do Oscar em que duas mulheres (lembra-se de Chloe Zhao, ano passado?) ganham o maior prêmio simultaneamente.

Surpreendem as presenças dos não tão cotados “King Richard” e “O Beco dos Pesadelos” e as ausências dos imensamente cotados “Apresentando Os Ricardos” e “A Crônica Francesa”.

ATOR

Javier Bardem, Apresentando os Ricardos

Benedict Cumberbatch, Ataque dos Cães

Andrew Garfield, tick, tick…Boom!

Will Smith, King Richard

Denzel Washington, A Tragédia de Macbeth

ATRIZ

Jessica Chastain, Os Olhos de Tammy Faye

Olivia Colman, A Filha Perdida

Penélope Cruz, Madres Paralelas

Nicole Kidman, Apresentando os Ricardos

Kristen Stewart, Spencer

Um incógnita considerável entre as atrizes visto que uma das favoritas –Lady Gaga por “Casa Gucci” –ficou de fora (na verdade, o Oscar foi o ÚNICO prêmio no qual ela não ganhou indicação!) e sua maior concorrente, Kristen Stewart, por “Spencer”, não parece, no momento, gozar de muito prestígio junto aos membros; o que deixa caminho livre para as campanhas de Jessica Chastain, Olivia Colman, Penélope Cruz e Nicole Kidman gerarem frutos.

Entre os atores, há um ranço crescente em relação ao improvável favoritismo Will Smith –eu pessoalmente não gostaria que ele ganhasse por este filme. Quem ganharia então? Possivelmente Benedict Cumberbtch ou Andrew Garfield, não obstante a atuação estupenda de Denzel Washington (na 10ª indicação de sua carreira).

ATOR COADJUVANTE

Ciarán Hinds, Belfast

Troy Kotsur, No Ritmo do Coração

Jesse Plemons, Ataque dos Cães

J.K. Simmons, Apresentando os Ricardos

Kodi Smit-McPhee, Ataque dos Cães

As maiores apostas nesta categoria são aparentemente Jesse Plemons e o veterano Ciarán Hinds, contudo, são vantagens tão tênues que podem perfeitamente cederem a uma vitória-surpresa de Kodi Smith-McPhee.

ATRIZ COADJUVANTE

Jessie Buckley, A Filha Perdida

Ariana DeBose, Amor, Sublime Amor

Judi Dench, Belfast

Kirsten Dunst, Ataque dos Cães

Aunjanue Ellis, King Richard

Supostamente a favorita, Ariana DeBose, se ganhar, entrará para a seleta lista de atores/atrizes que ganharam um Oscar interpretando o mesmo personagem –ao lado dos honoráveis Marlon Brando e Robert De Niro (ambos tendo vivido Vito Corleone em “O Poderoso Chefão” e “O PoderosoChefão-Parte II”) e de Heath Ledger e Joaquin Phoenix (os dois premiados por “Batman-OCavaleiro das Trevas” e por "Coringa”) –já que Rita Moreno levou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme de 1961, entretanto, a supremacia de Ariana aparece inesperadamente ameaçada pelo surgimento da veterana Judi Dench entre as indicadas (ela que sagra-se, assim, como a intérprete de mais idade a constar nessa categoria), embora muitos críticos apontassem que, do elenco de “Belfast”, era Caitriona Balte (de “Ford Vs Ferrari”) quem mais merecesse essa indicação; está parecendo que a Academia entregará o Oscar à Judi Dench pelo conjunto da obra...

ROTEIRO ORIGINAL

Belfast, Kenneth Branagh

Não Olhe para Cima, Adam McKay, David Sirota

King Richard, Zach Baylin

Licorice Pizza, Paul Thomas Anderson

A Pior Pessoa do Mundo, Joachim Trier e Eskil Vogt

ROTEIRO ADAPTADO

No Ritmo do Coração, Siân Heder

Drive My Car, Ryusuke Hamaguchi, Takamasa Oe

Duna, Jon Spaihts, Denis Villeneuve, Eric Roth

A Filha Perdida, Maggie Gyllenhaal

Ataque dos Cães, Jane Campion

Era visto que Adam McKay estaria nesta categoria com seu “Não Olhe Para Cima” –e a pouca cotação de sua obra na categoria principal pode se refletir numa chance real de ter seu roteiro original premiado –ainda que o grande favorito aqui, por razões muito parecidas, seja o elogiado e emocionante “Belfast”. Jane Campion já tem um Oscar de Melhor Roteiro (por “O Piano”) debaixo do braço, apenas o inusitado “Drive My Car” e o surpreendente “A Filha Perdida” a impedem de levar para casa uma segunda estatueta.

FOTOGRAFIA

Duna, Greig Fraser

O Beco do Pesadelo, Dan Laustsen

Ataque dos Cães, Ari Wegner

A Tragédia de Macbeth, Bruno Delbonnel

Amor, Sublime Amor, Janusz Kaminski

MONTAGEM

Não Olhe pra Cima, Hank Corwin

Duna, Joe Walker

King Richard, Pamela Martin

Ataque dos Cães, Peter Sciberras

tick, tick... Boom!, Myron Kerstein, Andrew Weisblum

DIREÇÃO DE ARTE

Duna, Patrice Vermotte, Richard Roberts, Zsuzsanna Sipos

O Beco do Pesadelo, Tamara Deverell, Shane Vieau

Ataque dos Cães, Grant Major, Amber Richards

A Tragédia de Macbeth, Stefan Dechant, Nancy Haigh

Amor, Sublime Amor, Adam Stockhausen, Rena DeAngelo

FIGURINOS

Cruella, Jenny Beavan

Cyrano, Massimo Cantini

Duna, Jacqueline West

O Beco do Pesadelo, Luis Siqueira

Amor, Sublime Amor, Paul Tazewell

MAQUIAGEM

Um Príncipe em Nova York 2

Cruella

Duna

Os Olhos de Tammy Faye

Casa Gucci

TRILHA SONORA

Não Olhe pra Cima, Nicholas Britell

Duna, Hans Zimmer

Encanto, Germaine Franco

Madres Paralelas, Alberto Iglesias

Ataque dos Cães, Jonny Greenwood

Nas categorias técnicas é visível a predominância de “Duna”, 10 indicações –e torço para que ele faça mesmo uma bela campanha, até para compensar a ausência de Denis Villeneuve na categoria de Melhor Direção –ainda que a honraria de filme com maior número de indicações pertença à “Ataque dos Cães”, com 12, “Amor Sublime Amor”, de Steven Spielberg, vem bem atrás com 7.

CANÇÃO

“Down to Joy”, Belfast

“Dos Oruguitas”, Encanto

“Somehow You Do”, Four Good Days

“Be Alive”, King Richard

“No Time to Die”, 007 Sem Tempo para Morrer

SOM

Belfast

Duna

007 - Sem Tempo para Morrer

Ataque dos Cães

Amor, Sublime Amor

EFEITOS VISUAIS

Duna

Free Guy

007 - Sem Tempo para Morrer

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa

ANIMAÇÃO

Encanto (Disney)

Fuga (NEON)

Luca (Disney/Pixar)

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas (Netflix)

Raya e o Último Dragão (Disney)

Críticos mais rabugentos espernearam com a indicação à Efeitos Visuais de “Homem-Aranha Sem Volta Para Casa” –filme cujas cópias de cinema sofreram até reajustes digitais em algumas cenas –todavia é visto, sobretudo, nesta categoria, que a Academia deseja capitalizar com o sucesso de público. Entre as animações a Disney surge soberana com nada menos do que TRÊS fortes favoritos ao prêmio –os outros dois está ali mais para constar mesmo...

Enquanto que, na categoria de Melhor Canção, “007-Sem Tempo Para Morrer”, com a canção-título de Billie Eilish, surge como favorito, tendo os dois últimos filmes do Bond Daniel Craig (“007-Operação Skyfall” e “007 Contra Spectre”, no caso) levado os prêmios de Melhor Canção Original em seus anos, a despeito das ilustres presenças de Van Morrison, pela canção de “Belfast”, e de Diane Warren (em sua 13ª indicação sem jamais ter ganhado!), pela canção de “Four Good Days”.

DOCUMENTÁRIO

Ascension (MTV)

Attica (Showtime)

Fuga (NEON)

Summer of Soul (Searchlight)

Writing With Fire (Music Box)

FILME INTERNACIONAL

A Felicidade das Pequenas Coisas (Butão)

Fuga (Dinamarca)

A Mão de Deus (Itália)

Drive My Car (Japão)

A Pior Pessoa do Mundo (Noruega)

CURTA-METRAGEM LIVE-ACTION

Take and Run

The Dress

Long Goodbye

On My Mind

Please Hold

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Affairs

Bestia

Box Ballet

Robin Robin

Windshield

DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM

Audible

Lead Me Home

The Queen of Basketball

Three Songs

When We Were Bullies

Os vencedores serão anunciados na cerimônia a ser realizada no domingo, dia 27 de março.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2022


 Foram anunciados ontem (dia 13) os indicados pela Imprensa Estrangeira ao Globo de Ouro, um dos mais importantes prêmios da temporada de premiações. Como sempre, disponibilizo aqui os indicados nas categorias de cinema:

MELHOR FILME - DRAMA

Belfast

CODA: No Ritmo do Coração

Duna

King Richard: Criando Campeãs

Ataque dos Cães

MELHOR DIREÇÃO

Kenneth Branagh, Belfast

Jane Campion, Ataque dos Cães

Maggie Gyllenhaal, A Filha Perdida

Steven Spielberg, Amor, Sublime Amor

Denis Villeneuve, Duna

As chances de “Duna”, de Denis Villeneuve, brilhar são grandes, visto que seus concorrentes (com exceção de “Belfast”) são obras que não chegaram a suscitar tanto apelo. Na categoria de direção, contudo, a formidável ficção científica de Villeneuve se choca com o outro grande trabalho cinematográfico do ano: O aclamado musical de Steven Spielberg. Destaque também para a presença de duas mulheres entre os diretores; a veterana Jane Campion (de “O Piano”) de volta após 12 anos sem entregar um trabalho em cinema; e a atriz Maggie Gyllenhaal, surpreendendo em sua estréia como diretora.

MELHOR FILME - COMÉDIA/MUSICAL

Cyrano

Não Olhe Para Cima

Licorice Pizza

Tick, Tick... Boom!

Amor, Sublime Amor

A verdadeira briga de titãs. “Cyrano” e “Licorice Pizza” veem abrilhantados com a aclamação da crítica, mas “Amor Sublime Amor”, de Spielberg, em especial, tem se revelado um rolo compressor nas premiações: Praticamente todos estão ovacionando o musical do mesmo realizador de “O Resgate do Soldado Ryan”. Ainda assim, seus concorrentes como a sátira política e científica “Não Olhe Para Cima” e o brilhante “Tick, Tick... Boom!” não devem ser menosprezados e podem impressionar.

MELHOR ROTEIRO EM FILME

Paul Thomas Anderson, Licorice Pizza

Kenneth Branagh, Belfast

Jane Campion, Ataque dos Cães

Adam McKay, Não Olhe para Cima

Aaron Sorkin, Being the Ricardos

MELHOR ATOR EM FILME - DRAMA

Mahershala Ali, Swan Song

Javier Bardem, Being the Ricardos

Benedict Cumberbatch, Ataque dos Cães

Will Smith, King Richard: Criando Campeãs

Denzel Washington, A tragédia de Macbeth

MELHOR ATRIZ EM FILME - DRAMA

Jessica Chastain, The Eyes of Tammy Faye

Olivia Colman, A Filha Perdida

Nicole Kidman, Being the Ricardos

Lady Gaga, Casa Gucci

Kristen Stewart, Spencer

A obra de Aaron Sorkis, o tão aguardado “Being The Ricardos” terminou sendo lembrada nestas três categorias, o que sinaliza que será com as indicações mesmo que ele deverá se contentar –ao menos no Globo de Ouro. É também curioso notar que esperado filme dos Irmãos Coen, “A Tragédia de Macbeth” recebeu somente a indicação de ator dramático para Denzel Washington, e o tão cotado “Casa Gucci”, de Ridley Scott, foi lembrado apenas com a nomeação de atriz dramática para Lady Gaga. Descontando essas nomeações dispersas com cara de ‘prêmio de consolação’, o favoritismo paira ligeiramente sobre Benedict Cumberbach, por “Ataque dos Cães” (um dos filmes com maior número de indicações) e –pasmem! –sobre Kristen Stewart, que vem surpreendendo muita gente que seu desempenho irretocável como Princesa Diana na obra de Pablo Larraín.

MELHOR ATOR EM FILME - COMÉDIA/MUSICAL

Leonardo DiCaprio, Não Olhe Para Cima

Peter Dinklage, Cyrano

Andrew Garfield, Tick, Tick... Boom!

Cooper Hoffman, Licorice Pizza

Anthony Ramos, Em Um Bairro em Nova York

Há algo de particularmente sensacional na escalação do sempre magnífico Peter Dinklage para viver Cyrano de Bergerac, dando um viés diferenciado à famosa e trágica farsa romântica; ele tem pela frente a competição de Andrew Garfield, uma das grandes atuações do ano, e o sempre bem-quisto Leonardo Dicaprio numa produção à qual a Netflix depositou todas as suas fichas.

MELHOR ATRIZ EM FILME - COMÉDIA/MUSICAL

Marion Cotillard, Annette

Alana Haim, Licorice Pizza

Jennifer Lawrence, Não Olhe Para Cima

Emma Stone, Cruella

Rachel Zegler, Amor, Sublime Amor

Rachel Zegler vem sendo apontada como a grande revelação do filme de Steven Spielberg, recebendo a aclamação inclusive que nem mesmo Natalie Wood recebeu interpretando a mesma personagem no “Amor Sublime Amor” de 1962, mas a briga pelo prêmio de atriz dramática parece opor um trabalho essencialmente comercial (“Cruella”, com Emma Stone, bastante inesperado), a um incontornavelmente alternativo (“Licorine Pizza”, com Alan Haim) e um terceiro que curiosamente mescla (ou tenta) essas duas vertentes (“Não Olhe Para Cima”, com Jennifer Lawrence). Correndo por fora, Marion Cotillard, que vez ou outra surpreende, com um elogiado filme falado em francês.

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM FILME

Ben Affleck, The Tender Bar

Jamie Dornan, Belfast

Ciarán Hinds, Belfast

Troy Kotsur, No Ritmo do Coração

Kodi Smit-McPhee, Ataque dos Cães

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM FILME

Caitriona Balfe, Belfast

Ariana DeBose, Amor, Sublime Amor

Kirsten Dunst, Ataque dos Cães

Aunjanue Ellis, King Richard: Criando Campeãs

Ruth Negga, Identidade

As categorias de coadjuvantes trazem algumas surpresas como Ben Affleck (segundo consta, em um de seus melhores momentos) e Jamie Dornan (deixando para trás a sombra de “Cinquenta Tons de Cinza”); inclusive, seu filme, “Belfast” pode sair agraciado bem aqui, como Ator Coadjuvante, seja por ele ou por seu colega de cena o veterano (e excelente) Ciarán Hinds. Entre as atrizes, “Belfast” também marca presença com a maravilhosa Caitriona Balfe (vista também em “Ford Vs Ferrari”), mas a competição é dura: Ali está Kirsten Dunst (uma atriz que tem melhorado ainda mais com o tempo) e a favorita Ariana DeBose, encantando a crítica com uma interpretação vulcânica da mesma personagem pela qual a veterana Rita Moreno já levara o mesmo prêmio há setenta anos atrás! Irá a mágica se repetir?

MELHOR TRILHA SONORA EM FILME

Alexandre Desplat, A Crônica Francesa

Germaine Franco, Encanto

Jonny Greenwood, Ataque dos Cães

Alberto Iglesias, Madres Paralelas

Hans Zimmer, Duna

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL EM FILME

"Be Alive" - Beyoncé (King Richard: Criando Campeãs)

"Dos Oruguitas" - Sebastian Yatra (Encanto)

"Down to Joy" - Van Morrison (Belfast)

"Here I Am (Singin' My Way Home)" - Jennifer Hudson (Respect)

"No Time to Die" - Billie Eilish (007 - Sem Tempo Para Morrer)

É na categoria de trilha sonora (e somente nela!) que surge um dos filmes até então muito alardeados para a temporada de premiações, o desigual e autoral “A Crônica Francesa”, de Wes Anderson. Mas, é possível que as chances do trabalho de Anderson se multipliquem no Oscar uma vez que (a exemplo de seu “O Grande Hotel Budapeste”) o filme tem inúmeros predicados técnicos a serem lembrados em outras categorias que o Globo de Ouro não tem –o mesmo vale para o fenomenal “Duna” que, penso eu, deve se sair ainda melhor! Já, na categoria de canção original é bem provável que, por falta de um concorrente mais memorável, o prêmio acabe indo para último “007” a encerrar a prestigiada fase de Daniel Craig no papel de James Bond –se bem que uma das animações da Disney está lá competindo...

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Compartment Number 6

Drive My Car

A Mão de Deus

A Hero

Madres Paralelas

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Encanto

Flee

Luca

My Sunny Maad

Raya e o Último Dragão

E por falar nas animações da Disney; nada menos do que três delas (todas, exclusivas da plataforma Disney Plus) marcam presença na categoria de animação, sendo “Luca”, o trabalho que representa a excelência da Pixar e, por isso mesmo, a grande favorita. A categoria de filme estrangeiro, uma das mais mornas, parece oferecer poucas alternativas que não a vitória de Pedro Almodóvar mais uma vez; e ele vem ainda por cima com uma obra elogiadíssima, onde volta a se encontrar com uma de suas mais reluzentes musas, a fabulosa Penelope Cruz.

Os vencedores, e portanto aqueles que terão mais chances a conquistar o careca dourado, serão anunciados na noite do dia 9 de janeiro de 2022.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Acima das Nuvens

Este filme de Olivier Assayas chamou a atenção de público e crítica ao conquistar, em 2014, o prêmio César de Melhor Atriz Coadjuvante para Kristen Stewart, pela primeira vez concedido a uma atriz norte-americana; por isso mesmo, foi um dos grandes responsáveis por ajudar sua carreira a se desvencilhar da sombra pejorativa da “Saga Crepúsculo”, fazendo o público voltar a enxergá-la como uma boa e promissora atriz.
No entanto, não é Kristen (embora o pareça em inúmeros momentos) o cerne de “Acimas das Nuvens”: É a protagonista complexa, vulnerável e cheia de camadas interpretada pela linda e formidável Juliette Binoche, encantadora do alto de seus 50 anos.
Maria Enders é uma já veterana estrela de cinema; Valentine (Kristen) é sua leal assistente, dedicada desde o início do filme à atravessar o pântano lamacento do excesso de compromissos a serem agendados, a perseguição nem sempre lisonjeira da mídia e as batalhas de ego ocasionais da vida de uma celebridade. Valentine é também, pelo tempo decorrido de já trabalharem juntas, uma grande amiga, a despeito da diferença de idade.
É Valentine quem mais ajuda Maria a superar a notícia do falecimento do escritor Wilhelm Melchoir, um amigo íntimo e quase um caso amoroso de seu início de carreira. Ele é também autor de uma célebre peça teatral, “Maloja Snake”, cuja adaptação cinematográfica foi a grande responsável para consolidar o estrelato de Maria.
Agora, todavia, em função do falecimento, ganha as manchetes de jornais a notícia de que uma nova montagem da mesma peça chegará aos palcos –e a trama de “Maloja Snake” é a seguinte: Num competitivo âmbito profissional, duas mulheres, Sigrid e Helena (a primeira, jovem, calculista e ávida; e segunda, calejada, presunçosa e maternal) se defrontam numa guerra de personalidades (não desprovida de alguma atração velada) que resulta na ascensão de Sigrid (outrora a personagem que Maria interpretou) e na derrocada de Helena.
O diretor dessa nova peça (Lars Eidinger) almeja, passados vintes anos, que agora Maria interprete Helena, numa espécie de fechamento de um ciclo. O papel de Sigrid foi ocupado por uma jovem e conturbada atriz norte-americana (Chloe Grace Moretz), presença constante em tabloides de escândalos.
Inicialmente relutante, Maria aceita participar da peça –porque deseja, de alguma forma, honrar o autor falecido, porque Valentine enxerga na peça todo um sentido cíclico que ela não deseja ver, e porque sabe que, lá no fundo, o subtexto da peça traz alguns demônios que ela precisa encarar (sem muita certeza se irá superá-los).
Hospedada na bela casa de campo onde Melchior escreveu “Maloja Snake” –na qual, em meio às paisagens montanhosas, se pode perceber o fenômeno climático denominado “Serpente de Maloja” que dá nome à peça –Maria se dedica à encenar e reencenar o texto com Valentine, desta vez não mais no papel de Sigrid (que Maria compreende à perfeição), mas no de Helena (no qual ela identifica as fragilidades da escrita e se ressente pelos rumos ingratos reservados à personagem e, em última instância, a si própria).
Em algum momento desses ensaios aparentemente banais, as personalidades de Maria e Valentine se confundem com as de Helena e Sigrid –o embate geracional de opiniões e sentimentos; a relação de mágoas e posturas profissionais, a proximidade que leva a interesses que escapam à esfera profissional.
No brilhante cinema de contornos intimistas que realiza –amparado no talento de duas atrizes espetaculares –Assayas faz reverência e referência, sobretudo, às inquietações muito habituais ao cinema de Ingmar Bergman, em especial, seu incisivo “Persona”, também ele um mergulho sem ressalvas nas disfunções de psicologia na mente de duas mulheres.

terça-feira, 14 de julho de 2020

As Panteras

Em seu formato originário de série de TV, “As Panteras” seguia –até por imposições orçamentárias –uma linha mais detetivesca e investigativa. Quando foi vertido para o cinema no ano 2000, estrelado por Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu e dirigido por McG, “As Panteras” adquiriu escopo mais extravagante e assimilou uma miríade de referências cinematográficas de sua época (algumas pouco apropriadas ao seu próprio material) como lutas de kung-fu ao estilo “Matrix” (!) e todo o arsenal visual e estilístico de seu um tanto histriônico diretor. Ainda assim, seu sucesso rendeu uma continuação em 2003.
Já passados quase vinte anos daquele esforço inicial, “As Panteras” voltam a dar as caras no cinema, desta vez dirigidas pela também atriz Elizabeth Banks que aproveitou a oportunidade para agregar novas atitudes comportamentais à nova obra, relativas, como não poderia deixar de ser, ao contundente movimento de empoderamento feminino, a exemplo do recente “Aves de Rapina”.
As novas Panteras são ainda mais audaciosas, independentes e auto-suficientes em relação aos homens do que suas antecessoras, e caso não tenha ficado bem claro, isso já é explicitado no diálogo da cena inicial –ambientada no Rio de Janeiro, olhe só! –entre a personagem de Kristen Stewart e um alvo qualquer.
Kristen Stewart, por sinal, é uma das boas surpresas do filme: Enérgica, eufórica e incontrolável, sua personagem, Sabina, não lembra em nada a caracterização sorumbática que ela dá à protagonista Bella, de “Crepúsculo”.
Junto dela, está também a eficiente agente de campo Jane, vivida pela deslumbrante Ella Balinska.
Completando o trio principal, está Elena, interpretada pela maravilhosa Naomi Scott, conhecida da diretora Banks desde que trabalharam juntas no set de “Power Rangers”. Naomi, ou melhor, Elena é o que se pode chamar de protagonista do filme: A narrativa adota sua ótica subjetiva para, na maior parte do tempo, mostrá-la adentrando e descobrindo esse novo mundo. Elena é uma das brilhantes programadoras que trabalha na empresa milionária de seu patrão, o Sr. Brok (Sam Claffin, que trabalhou com a diretora Banks no set de “Jogos Vorazes-Em Chamas”). Inteligente, Elena descobre um pequeno problema colateral na nova e revolucionária tecnologia que Brok irá revelar ao mundo: Ao mesmo tempo em que é um programa capaz de operar em qualquer mainframe, é também capaz de gerar um poderoso pulso eletro-magnético tão forte que pode matar vidas humanas.
Inicialmente, ela tenta alertar seus superiores sobre isso –e é reprimida naquele tipo e encenação padrão que gosta de sublinhar a avareza e a insensatez masculina.
Depois, de posse de um cartão da Agência Towsend (que representa as Panteras), Elena contata os famosos investigadores (ou investigadoras) e, nesse processo, descobre que sua vida está em perigo.
Agora, na qualidade de ‘pantera em treinamento’, Elena terá de contar com Sabina e Jane, além da chefe Bosley (a própria diretora Banks, num papel pela primeira vez interpretado por uma mulher), para impedir misteriosos mal-feitores de vender o programa dotado do poder de matar no mercado negro de armas.
Tal e qual foi tentado nos filmes de 2000 e 2003, este novo “As Panteras” assume ares de filme grandioso de ação, e sua trama adquire reflexos condicionados dos thrillers de espionagem pós-modernos, como “Missão Impossível” (também ela uma série televisiva convertida em série cinematográfica) e “007”. Nessa reafirmação convicta de gênero, “As Panteras” apresenta os cacoetes de sempre –locações européias refinadas (começando em Hamburgo, na Alemanha, e daí para frente), cenas de perseguição e tiroteio, bugigangas tecnológicas e sequências de luta empenhadas num rigor físico coreografado –contudo, sai-se muito bem no resultado porque a direção de Elizabeth Banks é mais competente, equilibrada e sensível que a do histérico McG, e porque suas três protagonistas encontram facilidade em fazerem-se maravilhosas: A dinâmica de provocações verbais, camaradagem e rivalidade entre Kristen Stewart e Ella Balinska é um divertimento só, e Naomi Scott está encantadora e sensacional na pele da aprendiz de Pantera, para quem esse mundo novo de espionagem que se descortina à sua frente é quase como um clube restrito e exclusivo ao qual ela teve a sorte de ser convidada.
Um ponto interessante no filme de Elizabeth Banks é que ele reconhece todas as obras relativas às Panteras –desde o seriado dos anos 1970 e 80, até os filmes dos anos 2000 –como sendo parte do mesmo universo: E por isso, há em alguns momentos, referências aos filmes e à série, sobretudo, nas divertidas cenas pós-créditos, que contam entre outras com a participação de uma das panteras originais Jaclyn Smith.

terça-feira, 9 de junho de 2020

A Saga Crepúsculo

Crepúsculo
Em algum momento da década 2000 os estúdios promoveram uma corrida para se tentar emplacar uma série nos moldes de “Harry Potter” –da mesma maneira que hoje os estúdios tentam repetir o feito do Universo Marvel Cinematográfico –em parte, consequência do surgimento de inúmeras séries, drasticamente oscilantes em qualidade, vindas da literatura que, capitaneadas pelo bruxinho criado por J.K. Rowling, deram origem à categoria conhecida como “young adults”.
Dentre essas séries logo destacou-se a saga romântica escrita por Stephenie Meyers, “Crepúsculo”, uma das primeiras a tentar seguir os passos de “Harry Potter” no cinema.
Entretanto, se “Harry Potter” fascinava pela qualidade insuspeita de seu texto e, depois, pelos valores legítimos de suas adaptações, “Crepúsculo” se tornou conhecido por razões um tanto... tortas.
Uma mescla peculiar de romance, intriga adolescente e revisão da mitologia dos vampiros, “Crepúsculo”, ainda na literatura já dividia opiniões: Uns identificavam no estilo pouco original de Meyers a inclinação de pretensões mercadológicas de sua escolha, além de uma série de elementos pontuais de gosto muito duvidoso (como veremos mais a frente). Outros, porém (em geral, um fã-clube ferrenho de adoradoras brutais que a série ganhou no mundo todo), só tinham olhos para os personagens protagonistas e sua história de amor deslavada com alto investimento nos aspectos mais rebuscados do romantismo –e esse aspecto também, com o tempo, passou a ser imitado.
Para conduzir a adaptação do primeiro livro, “Crepúsculo”, os executivos da produtora Summit Enterteinment recrutaram Catherine Hardwicke, que havia chamado atenção da crítica e do público dirigindo o drama juvenil “Aos Treze”, após uma carreira como designer de produção de filmes como “Vanilla Sky”.
O raciocínio tinha lá seu sentido: Uma diretora aparentemente capaz, de profundo conhecimento estético e autora de um louvável trabalho ao capturar nuances de uma idade em transformação como a adolescência –um mote poderosamente presente na obra de Meyers.
Contudo, ao assistirmos “Crepúsculo” a impressão que temos é de que a direção de Hardwicke mais plantou os elementos que determinaram a perene controvérsia qualitativa da saga e menos soube inicia-la com a necessária excelência.
Bella é uma garota tímida e deslocada (e é com essas características, empregadas sem restrição, que Kristen Stewart a interpreta). De Phoenix, nos EUA, onde morava com a mãe (Sarah Clarke, da série “24 Horas”), ela muda-se para o Canadá, na nublada e chuvosa Forks onde passa a viver na casa do pai (Billy Burke).
Segue-se o período habitual de adaptação à nova escola, onde Bella identifica os altamente populares Cullen, entre os quais o notoriamente charmoso Edward (Robert Pattinson, vindo diretamente de sua participação em “Harry Potter e O Cálice de Fogo”, no papel que o tornou um astro para o bem e para o mal).
Ela também faz amizade com Jacob (Taylor Lautner), um dos rapazes indígenas moradores da reserva –e que, por conta disso, não pode acompanhar Bella na escola.
Pouco a pouco, Bella vai descobrindo, contudo, que Edward e toda sua família são, na realidade, vampiros (!). Mas, não vampiros como o cinema e a literatura, entre tantos títulos honoráveis, nos levaram a conhecer: Primeiramente, eles não atacam seres humanos, vivendo em vez disso de uma dieta de sangue de animais; algo como um vegano entre os humanos (e talvez isso explique a cara de vento que Edward ostenta todo o tempo, passivo diante de presas que seu instinto selvagem ordena atacar). Eles também não são vampiros que queimam na luz do sol, mas, em vez disso revelam a pele brilhante e cintilante (numa manobra que fez a série virar chacota no mundo todo); daí a escolha deles morarem em Forks onde o sol quase nunca aparece no tempo coberto.
O apelo do filme –e de toda a saga –vem a ser o fato de Edward apaixonar-se por Bella: Mais do que um vampiro apaixonar-se por uma mortal, a fantasia romântica que capturou a imaginação de plateias femininas do mundo todo, mostra uma variação de príncipe encantado, dotado de poderes (Edward é comparado com super-heróis por Bella em dado momento), de popularidade e de evidente sex-appeal, um ser lendário, caindo de amores por uma jovem absolutamente comum e que, justamente por sua insistente normalidade ganha plena identificação do público.
Lua Nova
Na aguardada sequência, agora dirigida por Chris Weitz (de “Um Grande Garoto” e “A Bússola de Ouro”) os rumos dramáticos levam a um inesperado rompimento de Bella e Edward –ele chega à conclusão de que sua proximidade pode fazer mal a ela, algo que Edward não consegue tolerar.
Longe de seu amado, e desesperada por conta disso –faceta da personagem que irritou muitos detratores na época pela forma com que foi mostrada –Bella se arrisca em várias situações perigosas ao perceber que, nesses momentos, uma espécie de imagem fantasmagórica de Edward surge para adverti-la.
No entanto, o solícito amigo Jacob aparece para confortá-la, e eis que ele tem também seus segredos: Jacob é um lobisomem, ou um transmorfo que assume a forma de um lobo gigantesco, tal e qual todo o restante de sua tribo a partir de determinada idade.
Aqui se constrói então o triângulo amoroso que definirá muito da saga até seu quase final –Bella (na qual muitos não enxergam tanto atrativo assim) dividida entre duas criaturas emblemáticas do gênero horror por ela apaixonadas; Edward, o vampiro, e Jacob, o lobisomem. Na realidade, triângulo amoroso é um termo talvez até desonesto para se referir à circunstância morna da trama. Nunca existem dúvidas de que, por livre iniciativa da protagonista, ela deixaria de escolher Edward, o que relega Jacob a um injusto posto de coadjuvante fadado à derrota –não fossem alguns momentos verdadeiramente inspirados em que seu intérprete, Taylor Lautner, consegue sobrepujar em cena o insosso Robert Pattinson.
Apesar dos pesares, “Lua Nova”, no frigir dos ovos, é provavelmente o mais bem dirigido dentre os capítulos da “Saga Crepúsculo”: É nele que está alguns dos momentos considerados os mais pertinentes de toda a saga, ou nele estão sugeridos com mais propriedade os tópicos que iráo norteá-la até o final.
E tem o mérito de possuir ao menos uma cena bastante bem feita e memorável: Bella, em sua desolação, está em seu quarto de coração partido vendo o tempo passar, e sem tirá-la de foco, a câmera executa várias vezes um movimento em 360° ao seu redor enquanto a paisagem de fora de suas janelas vai mostrando a gradativa passagem dos meses e das estações climáticas.
Eclipse
Para dirigir a terceira parte da saga, então já polarizada entre seus fãs (ou seria melhor dizer, SUAS fãs) que enalteciam a série e idolatravam seus intérpretes e todo o resto do mundo que simplesmente não tinha paciência para o resultado afetado, medíocre e esquisito que era obtido filme a filme, foi incumbido o diretor David Slade que em “30 Dias de Noite” havia feito um brilhante trabalho ao lidar com essa outra mitologia de vampiros –e, por conta disso, imaginava-se a possibilidade de “Eclipse” trazer uma reviravolta qualitativa à série, elevando-a num nível maior e melhor de cinematografia, talvez refletindo o que Alfonso Cuarón havia feito em “Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban”, também a terceira parte daquela saga.
A grande surpresa foi que não.
O material simplesmente não saiu do lugar em termos de validez cinematográfica.
Jurada de morte, Bella agora precisa ser protegida pelos membros da Família Cullen, pelos lobisomens liderados por Jacob e por outros vampiros que marcarão presença.
O motivo: Um grupo de vampiros, capitaneados por Victoria (vivida por Rachelle Lefevre anteriormente, aqui substituída por Bryce Dallas Howard), desejosa de vingança desde que o romance entre Bella e Edward acarretou a morte de seu amado James (Cam Gigandet, de “Quebrando Regras”) lá atrás no finalzinho de “Crepúsculo”, está seguindo na direção de Forks para promover um massacre.
Amanhecer-Parte Um
Quando “Amanhecer”, o último livro, foi escrito, a autora Stephenie Meyers já convivia com o curioso fenômeno que veio a se tornar a saga em sua versão cinematográfica. É interessante notar como os excessos e esquisitices decorridos na adaptação para cinema terminaram influenciando elementos no capítulo final que, para variar, seguiu os passos de “Harry Potter e As Relíquias da Morte” e também dividiu o último livro em dois filmes, atitude também tomada pelo posterior, e mais acertado, “Jogos Vorazes”.
Na hora de escolher o novo e derradeiro diretor para os dois capítulos finais, os produtores ainda tentando rechaçar os detratores que jamais deram desconto para a saga optaram pelo conceituado Bill Condon, que dirigiu-se os elogiados “Deuses e Monstros”, “Kinsey-Vamos Falar de Sexo” e “Dreamgirls-Em Busca de Um Sonho”.
Como seus antecessores, Bill Condon faz o que pode para emprestar alguma dignidade ao material, mas sua tarefa é dura: Na trama que se ocupa da primeira metade do último livro, Bella e Edward se casam e vão passar sua lua-de-mel em Paraty, no Brasil –isso mesmo, não bastasse a propaganda onipresente em todas as cópias do DVD lançado por sua distribuidora em terras nacionais, a Paris Filmes, a tal pousada de Paraty conseguiu aparecer no próprio filme!
É ali que, na tentativa louvável de tentar conferir alguma relevância visual numa das sacadas mais bizarras e radicais do livro, Bella engravida de Edward (!), e o embrião, um misto de humano e vampiro, a está consumindo por dentro (!!), o que exige que Edward transforme Bella numa vampira de uma vez por todas, antes que morra –coisa que ela pede praticamente desde o primeiro filme!
Amanhecer-Parte Dois
Durante o final todo floreado –mas, certamente previsível –da “Parte 1”, Bella se transformou em vampira, se descobrindo toda poderosa nessa nova condição; o que, inclusive, rende uma cena bastante calhorda da parte da personagem em relação à Jacob ainda no começo...
Ela e Edward tiveram uma filha, Renesmee, que cresce rapidamente (em poucos meses, é quase uma pré-adolescente), e é interpretada, na breve fase bebê por uma versão digital que forneceu ainda mais munição aos críticos detratores da saga, e na fase um pouco maior por Mackenzie Foy (de “Interestelar”). O problema é que Renesmee é considerada um ser anti-natural, nem humano, nem vampiro, que aos olhos do poderoso Clã Volturi –a casta dominante de vampiros que apareceu em “Lua Nova”, liderados por Aro (Michael Sheen) –não deveria existir. E por isso, eles conduzem um verdadeiro exército de vampiros que atacará Forks a fim de capturar Renesmee.
Essa alardeada batalha final reúne os vampiros do lado de Bella e Edward e os lobisomens do lado de Jacob –e praticamente, todos os personagens da saga –numa sequência-clímax que, sob justificativas de se fazer surpreendente, sofre uma terrível negligência da parte de seus realizadores ao ser banalizada por uma estranha reviravolta.
A “Saga Crepúsculo” assim se encerra tão polêmica quanto começou, incapaz de ostentar qualidades que harmonizem as opiniões daqueles que a odeiam de forma intolerante e aqueles que a adoram de maneira embriagada –curioso é notar que, na predileção por romances de natureza ligeiramente distorcida que revelou do público, “Crepúsculo” tenha antecedido, seja na literatura, seja no cinema, o fênomeno erótico “Cinquenta Tons de Cinza” –cujos protagonistas foram, declaradamente inspirados em Bella e Edward –afinal de contas, as adolescentes que foram obcecadas pela saga de Stephenie Meyers, passados uns anos, já tinham idade para assistir histórias de amor bem mais picantes.

domingo, 17 de maio de 2020

O Quarto do Pânico

Já dizia Alfred Hitchcock: “Depois de uma obra-prima, faça um filminho encantador.”
Seguindo essa orientação existencial, o diretor David Fincher, após abalar os alicerces do cinema hollywoodiano com “Clube da Luta” engatou uma marcha mais comercial e moderada e trouxe este “O Quarto do Pânico”, despido das mesmas intenções revolucionárias de sua obra cult e mais definido por orientações convencionais –o que não significa que, nas mãos de um grande artesão como Fincher, isso não tenha rendido um ótimo filme.
Divorciada do marido rico, a nova-iorquina Meg Altman (Jodie Foster, instigando a plateia com a união da atriz de “O Silêncio dos Inocentes” e o diretor de “Seven-Os Sete Crimes Capitais”) não tem outra coisa a fazer senão usufruir da gorda pensão que recebeu junto da filha adolescente Sarah (Kristen Stewart, antes do estrelato por “Crepúsculo”).
Alugam assim, um belo apartamento com três andares nas redondezas do Central Park –e prodigioso em sua direção de arte como só no cinema algumas moradias são capazes de ser!
O imóvel tem uma peculiaridade: Vem com um cômodo especial denominado ‘quarto do pânico’, um luxo proporcionado por ricaços paranóicos que constroem uma divisão em seus quartos, blindada de aço, repleta de monitores que registram o movimento em todos os cômodos da casa e, em caso de invasão, uma pequena fortaleza inexpugnável.
Na primeira noite na casa nova, Meg e Sarah vão precisar desse recurso: Tendo a residência invadida por três indivíduos aparentemente desesperados –o relativamente sensato Burnham (o fabuloso Forest Whitaker), o errático e instável Júnior (Jared Leto, antes do Oscar por “Clube de Compras Dallas” e do Coringa de “Esquadrão Suicida”) e o potencialmente perigoso Raoul (o cantor-country Dwight Yoakam) –as duas se refugiam no ‘quarto do pânico’ a fim de proteger-se. O problema: Os três estão à procura de uma fortuna deixada lá pelo morador anterior, e tal fortuna está escondida justamente dentro do ‘quarto do pânico’!
Com essa premissa extremamente básica e sucinta (a cargo do roteirista David Koepp, um especialista em premissa básicas e sucintas), o diretor Fincher dá o seu melhor (o que jamais foi pouco!) na condução narrativa: Ele constrói tomadas de câmeras formidáveis que exploram ângulos e movimentações dos mais improváveis ao longo de toda a geografia do apartamento (a rigor, o único cenário do filme), e impõe ritmos e atmosferas palpitantes conforme as circunstâncias de mãe e filha confinadas no quarto vão se acirrando –as horas passam enquanto as protagonistas se defrontam com situações que visam escapar da armadilha em que estão, enquanto os antagonistas lançam mão de novas maneiras de ludibriá-las.
Passa longe de ser um argumento original e Fincher sabe disso: Para contrabalancear a previsibilidade escapista do roteiro, ele enxuga todo e qualquer tempo morto no frenesi de seu pequeno conto de acuamento urbano e valoriza a ambiguidade no personagem de Whitaker; um ladrão de bom coração, preocupado com a segurança de suas potenciais vítimas, mas disposto a ir até o fim para livrar-se de  suas insatisfações proletárias.