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segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Sly


 Dirigido por Thom Zimny, este documentário da Netflix dá ao astro Sylvester Stallone a oportunidade de assumir a voz de sua própria narrativa de vida, não apenas jogando luz em várias facetas não muito conhecidas da trajetória dele, mas expondo os bastidores às vezes inusitados de muitas produções conhecidas, cobrindo com isso, pouco mais de quatro décadas de história do cinema norte-americano, por um ponto de vista muito específico.

Depoimentos de Arnold Schwarznegger, Henry Winkler, Quentin Tarantino e outros ajudam a temperar esse material com observações bem-humoradas e, não raro, cheias de admiração.

Stallone começa relembrando sua infância, nascido no bairro nova-iorquino de Hell’s Kitchen, e mudando de cidade mais tarde quando seus pais se divorciaram; Stallone foi criado pelo pai, enquanto seu irmão, Frank, foi criado pela mãe –nesse trecho, o astro não se furta de revelar os primeiros esboços da violência doméstica exercida pelo pai que, em inúmeros aspectos, viria a interferir em seu trabalho e em sua arte.

Logo, segue-se a vontade de se tornar ator, incentivada por professores que notaram sua inclinação às artes cênicas e até mesmo um certo anseio por ser adorado pela plateia. Com isso em mente, Sly –como é chamado por amigos –regressa para Nova York, onde enfrenta várias dificuldades; seu biotipo era propício somente para interpretar brutamontes e vilões de quinta categoria nas produções de então. Um dos poucos momentos em que obtém trabalho foi no hoje cult-movie “Os Lordes de Flatbush”, foi durante aquelas filmagens que Sly descobre um pendor incomum para improvisar e criar em cena –ele não apenas era capaz de atuar, mas de escrever também. Curiosamente, o documentário omite completamente o famigerado início de carreira em que Stallone flertou com o universo underground cinematográfico no pornô “O Garanhão Italiano”.

Numa outra decisão súbita e radical, Sly arrisca tudo para empreender uma viagem até a Costa Leste, até Hollywood, em Los Angeles, a fim de obter emprego no cinema, no entanto, também lá a discriminação inicial com seu físico avantajado lhe faz perder mais oportunidades do que obtê-las. Até ele decidir trilhar seu próprio caminho: Escrever pessoalmente o filme que iria estrelar.

O roteiro de “Rocky-O Lutador” surge da influência do clássico instantâneo, “Caminhos Perigosos”, de Martin Scorsese, mesclado às lembranças de “Sindicato de Ladrões”, com Marlon Brandon, que Sly tanto assistiu na juventude, quando se refugiava da intolerância paterna nas salas de cinema. Ele precisou, porém, de muita tenacidade para suportar a pressão e as propostas que lhe ofereciam para que vendesse o seu roteiro, sem que ele fosse escalado como protagonista.

Após uma longa e penosa jornada, o filme é realizado e –com a vitória espetacular no Oscar 1977 –Stallone, enfim, se sagra como um astro de cinema. Ainda assim, seus contratempos não haviam acabado: Se Stallone havia atingido o topo, certamente, seria ainda mais desafiador tentar manter-se lá nos anos seguintes.

Ao sucesso de “Rocky” seguiu-se a recepção algo duvidosa do esforçado ainda que limitado “F.I.S.T.”, de Norman Jewinson, e o pouco visto e ainda menos memorável “Paradise Alley”, escrito, dirigido e produzido pelo próprio Stallone, o sucesso só voltou a brilhar sobre ele quando assumiu as rédeas para realizar a aguardada continuação “Rocky II-A Revanche”. Já eram então os anos 1980, e além da série “Rocky”, Stallone viu-se transformar num dos emblemáticos heróis de ação do período, quando resolveu desempenhar o papel principal em “Rambo-Programado Para Matar”, inicialmente, um suspense de ação sobre as celeumas existenciais do Vietnam, no qual Stallone, sem saber, acendeu um estopim para uma nova franquia ao repudiar o final original, onde o personagem se suicidava. Ao protagonizar as novas e turbinadas aventuras de Rambo (que Stallone interpretou, pelo menos no primeiro filme, com as neuroses domésticas de seu pai, veterano da Segunda Guerra Mundial, em mente), Sly entrou para o mesmo time de Schwarzenegger (com quem por um tempo ele manteve uma notória rivalidade), Jean Claude Van Damme e outros, como um dos grandes astros da ação e da pancadaria da década de 1980.

Ele até tentou diversificar, sobretudo nos anos 1990, quando flertou com a comédia com resultados improváveis (“Oscar-Minha Filha Quer Casar”) ou simplesmente vergonhosos (o vexaminoso “Pare, Senão Mamãe Atira!”), filmes de ação ligeiramente diferenciados (“O Demolidor”, com uma ainda jovem Sandra Bullock) e ao menos uma grande obra elogiada pela crítica, mas pouco vista pelo público (o hoje quase desconhecido “Cop Land”),contudo, pouco mudou o fato de que, ao longo de sua carreira, os fãs queriam vê-lo fosse como Rocky, ou Rambo, ou como algum outro herói de ação.

Após um hiato de alguns anos –quando seus filmes estagnaram e ele ficou um tempo sem aparecer nos cinemas, trecho que o documentário também parece respeitosamente contornar –Sly voltou às telonas com “Rocky Balboa”, o sexto filme da série. Se o primeiro e o segundo filmes eram uma mesma história de amor e perseverança a envolver um personagem no qual Sly derramou muito de si, o terceiro e o quarto, nos anos 1980, eram sobre os excessos de auto-afirmação da Era Reagan, e o quinto uma tentativa falha e pouco convincente (ainda que, ao meu ver, válida) de voltar às origens, então, o sexto filme de Rocky era uma forma de Stallone se enxergar na árdua adaptação aos novos tempos, ao fato de que a idade havia o alcançado, e de como lidar com a inexorável passagem do tempo.

Ficamos sabendo também de sua insistência em ainda manter o personagem Rambo vivo ao final de “Rambo-Até O Fim” e das severas complicações físicas enfrentadas por ele durante as filmagens de “Os Mercenários”, franquia mais recente que resgatou a memória dele e de outros grandes astros da ação do passado.

Aos fãs incondicionais de Stallone, “Sly”, o documentário pode representar uma obra imperdível e emocionante, aos expectadores menos engajados, ainda é um trabalho sempre interessante sobre as histórias de bastidores do cinema na qual, por uma questão muito particular, somos convidados a conhecer a mente, os anseios, os altos e baixos de uma celebridade com uma proximidade rara, e sermos surpreendidos por sua inesperada história de vida a envolver talento, obstinação e resiliência.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Indicados Ao Oscar 2020

E está dada a largada ao que ainda é considerado o grande prêmio do cinema:

Melhor Filme
1917
Adoráveis Mulheres
Coringa
Era Uma Vez em... Hollywood
Ford vs Ferrari
História de Um Casamento
O Irlandês
Jojo Rabbit
Parasita

“Coringa” lidera o número de indicações, com 11, seguido por “Era Uma Vez em... Hollywood” e “O Irlandês”, com 10 cada, contudo, há tempos que o número de indicações não quer dizer favoritismo na premiação –colocando as demais premiações em perspectiva, muito se aposta na obra de Quentin Tarantino que parece usufruir de fatores muito favoráveis junto ao prêmio.
E que felicidade é ver “Parasita” gozando de tantas honrarias!

Melhor Atriz
Scarlet Johansson – História de Um Casamento
Renée Zellweger – Judy-Muito Além do Arco-Íris
Charlize Theron – O Escândalo
Saoirse Ronan – Adoráveis Mulheres
Cynthia Erivo – Harriet

Melhor Ator
Joaquin Phoenix – Coringa
Adam Driver – História de Um Casamento
Antonio Banderas – Dor e Glória
Jonathan Pryce – Dois Papas
Leonardo DiCaprio – Era Uma Vez em... Hollywood

Os favoritos: Renée Zellweger e Joaquin Phoenix, sem discussão!
Quem pode ameçar a supremacia de cada um deles é, respectivamente, Charlize Theron e Adam Driver.
A inclusão de Antonio Banderas entre os melhores atores é certamente uma daquelas alegrias que vez ou outra o Oscar nos proporciona; pena elas não serem mais frequentes...

Melhor Atriz Coadjuvante
Laura Dern – História de Um Casamento
Margot Robbie – O Escândalo
Scarlett Johansson – Jojo Rabbit
Florence Pugh – Adoráveis Mulheres
Kathy Bates – Richard Jewell

Melhor Ator Coadjuvante
Brad Pitt – Era Uma Vez em... Hollywood
Anthony Hopkins – Dois Papas
Tom Hanks – Um Lindo Dia na Vizinhança
Al Pacino – O Irlandês
Joe Pesci – O Irlandês

Antes de falar sobre os possíveis ganhadores, deixem-me expressar minha felicidade pela dupla indicação de Scarlett Johansson, na categoria principal (por “História de Um Casamento”) e na de coadjuvante pelo belo trabalho de Taika Waikiki; demorou para que a Academia reconhecesse seu já comprovado talento, acima da linda mulher (e símbolo sexual) que ela é, mas quando o fez, foi com pompa e circunstância!
Como no Globo de Ouro, as presenças de Al Pacino e Joe Pesci (com destaque para o segundo) parecem ameaçar tremendamente o favoritismo de Brad Pitt que vem (merecidamente) se consolidando ao longo da temporada. Eu prefiro (inclusive em outras categorias!) infinitamente mais a homenagem esperta e camarada de Tarantino à Hollywood do que o estudo sobre o tempo, o envelhecimento e a resiliência conduzido por Scorsese. Entre as atrizes coadjuvantes, a bela surpresa na inclusão de Kathy Bates, Margot Robbie e Florence Pugh não tira a liderança nas apostas de Laura Dern, vencedora em praticamente todos os prêmios que disputou até agora –este parece ser o ano da musa de David Lynch!

Melhor Diretor
Martin Scorsese – O Irlandês
Quentin Tarantino – Era Uma Vez em... Hollywood
Sam Mendes – 1917
Bong Joon Ho – Parasita
Todd Phillips – Coringa

Melhor Roteiro Original
História de Um Casamento – Noah Baumbach
Era Uma Vez em... Hollywood – Quentin Tarantino
Parasita – Bong Joon Ho, Han Jin Won (História por Bon Joon Ho)
Entre Facas e Segredos – Rian Johnson
1917 – Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns

Melhor Roteiro Adaptado
Jojo Rabbit – Taika Waititi
O Irlandês – Steven Zaillian
Dois Papas – Anthony McCarten
Coringa – Todd Phillips e Scott Silver
Adoráveis Mulheres – Greta Gerwig

Um prazer ver Bong Joon-Ho e seu “Parasita” em tantas categorias, é bem provável que todas essas indicações se concretizem no único prêmio de Filme Estrangeiro, mas já está bom demais!
Com Scorsese perdendo terreno na temporada de prêmios, é de se imaginar o Oscar de Melhor Diretor ficando mesmo entre Sam Mendes (até então o favorito) e Quentin Tarantino, que deve mesmo prevalecer na categoria de Roteiro Original.
Já, entre os roteiros adaptados, “O irlandês” deve competir direto com a delicadeza e qualidade de “Adoráveis Mulheres” –e com o imenso apreço que a Academia parece nutrir pelas obras de Greta Gerwig –e com a larga aceitação de púlbico e crítica de “Coringa”, fatores que podem influenciar numa categoria sem tantos favoritos como esta.

Melhor Figurino
Jojo Rabbit
Era Uma Vez em... Hollywood
O Irlandês
Coringa
Adoráveis Mulheres

Melhor Maquiagem & Cabelo
O Escândalo
Coringa
Judy-Muito Além do Arco-Íris
Malévola-Dona do Mal
1917

Melhor Direção de Arte
Era Uma Vez em... Hollywood
1917
Jojo Rabbit
O Irlandês
Parasita

Melhor Trilha Sonora Original
Coringa
Adoráveis Mulheres
História de um Casamento
1917
Star Wars-A Ascensão Skywalker

Melhor Canção Original
“I’m Standing With You” de Superação-O Milagre da Fé
“Into the Unknown” de Frozen 2
“Stand Up” de Harriet
“(I’m Gonna) Love Me Again” de Rocketman
“I Can’t Let You Throw Yourself Away” de Toy Story 4

Melhor Fotografia
1917
Coringa
O Irlandês
O Farol
Era Uma Vez em... Hollywood

Melhor Montagem
O Irlandês
Ford vs Ferrari
Coringa
Jojo Rabbit
Parasita

Melhor Edição de Som
1917
Coringa
Ford vs Ferrari
Star Wars-A Ascensão Skywalker
Era Uma Vez em... Hollywood

Melhor Mixagem de Som
Coringa
Ad Astra
1917
Ford vs Ferrari
Era Uma Vez em... Hollywood

Melhores Efeitos Visuais
Vingadores-Ultimato
O Irlandês
O Rei Leão
1917
Star Wars-A Ascensão Skywalker

De modo geral, as categorias técnicas têm, em “1917”, seu grande favorito –até mesmo em efeitos visuais, onde se destaca o fenômeno “Vingadores-Ultimato”.
Entre surpresas de última hora (“Ad Astra” em Mixagem de Som e “O Farol” em Fotografia) e esnobadas intrigantes (sobretudo, a ausência de “Era Uma Vez em... Hollywood” em Melhor Montagem, vaga que provavelmente ficou com “Ford vs Ferrari”), temos “Rocketman”, cujo favoritismo em Melhor Canção Original terá de compensar seu esquecimento em praticamente todas as outras categorias.

Melhor Documentário
Democracia em Vertigem
American Factory
The Cave
For Sama
Honeyland

Melhor Animação
Toy Story 4
I Lost My Body
Link Perdido
Como Treinar Seu Dragão 3
Klaus

Melhor Filme Estrangeiro
Honeyland – Macedônia
Corpus Christi – Polônia
Parasita – Coreia do Sul
Les Misérables – França
Dor e Glória – Espanha

Como é até habitual, a Academia reconhece o valor do cinema brasileiro com mais frequência entre os documentários –e este ano, é “Democracia em Vertigem” que ganha a honraria –entre as animações, a grande surpresa foi a ausência de “Frozen 2”, que restrige ao peso-pesado “Toy Story 4” a tarefa de superar a súbita preferência nas premiações conquistada (sem muito mérito) por “Link Perdido” e (com largo merecimento) por “Klaus”.
Já, o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro já tem dono, embora seja sempre bacana ver uma obra de Pedro Almodovar reiterar a relevância do diretor espanhol: Será o absurdo dos absurdos se a Academia negar esse Oscar ao sul-coreano “Parasita”.

Melhor Curta Animado
Dcera (Daughter)
Hair Love
Kitbull
Memorable
Sister

Melhor Curta em Documentário
In the Absence
Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)
A Vida em Mim
St. Louis Superman
Walk Run Cha-Cha

Melhor Curta em Live-Action
Brotherhood
Nefta Football Club
The Neighbors’ Window
Saria
A Sister

A confirmação dos favoritos ou a invalidação das maiores apostas se dará no dia 9 de fevereiro, na 92ª Cerimônia do Oscar, a ser realizada no Teatro Dolby, em Los Angeles.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Vencedores do Globo de Ouro 2020

O que podemos extrair do 77º Globo de Ouro? Acima de tudo, que as premiações estão fazendo um esforço algo vazio para serem surpreendentes –e ainda é cedo para dizer se isso é bom ou ruim.
No caso do Globo do Ouro, o inesperado já deu as caras com o implacável discurso do apresentador Ricky Gervais que não deixou pedra sobre pedra: Ele alfinetou praticamente a tudo e a todos em Hollywood, estúdios, atores, diretores, produtores (pedindo, a certa altura, que os premiados se recolhessem em sua insignificância e evitassem a hipocrisia de seus discursos políticos!), restando às câmeras apenas flagrar a perplexidade das celebridades presentes.
Mas, vamos aos prêmios: Diferente do que foi esboçado ano passado, o Globo de Ouro deu um passo atrás em relação à aceitação dos filmes da Netflix deixando sem qualquer prêmio o filme “O Irlandês”, de Martin Scorsese, até então um dos favoritos da noite –resta saber se o Oscar e outros prêmios seguirão essa postura.
Com efeito, a surpreendente esnobada de um favorito significa a igualmente inesperada consagração de uma zebra; não que o épico “1917” não fosse digno dos prêmio de Melhor Filme Dramático e Melhor Direção.
A surpresa apenas ofuscou o merecimento.

Melhor Filme Dramático
“1917” – VENCEDOR
“Irlandês”
“História de Um Casamento”
“Coringa”
“Dois Papas”

Melhor Ator – Drama
Joaquin Phoenix por “Coringa” – VENCEDOR
Christian Bale por “Ford v Ferrari”
Antonio Banderas por “Dor e Glória”
Adam Driver por “História de Um Casamento”
Jonathan Pryce por “Dois Papas”

Melhor Atriz – Drama
Renée Zellweger por “Judy-Muito Além do Arco-Íris” – VENCEDORA
Cynthia Erivo por “Harriet”
Scarlett Johansson por “História de Um Casamento”
Saoirse Ronan por “Adoráveis Mulheres”
Charlize Theron por “O Escândalo”

Um dos poucos favoritismos confirmados foram os de Joaquin Phoenix e Renée Zellwegger que arrebataram sem maiores problemas os prêmios de intérpretes dramáticos (embora no caso de Phoenix, eu ainda considere o trabalho de Adam Driver mais perfeito).
Foram os dois também os mais prejudicados, no momento de seus discursos, pela interrupção, às vezes bem rude, da orquestra musical, podando inclusive um comentário bastante audacioso de Phoenix sobre o teor político da própria premiação.

Melhor Filme Cômico ou Musical
“Era uma Vez em… Hollywood” – VENCEDOR
“Jojo Rabbit”
“Entre Facas e Segredos”
“Rocketman”
“Meu nome é Dolemite”

Melhor Diretor
Sam Mendes por “1917” – VENCEDOR
Todd Phillips por “Coringa”
Bong Joon-Ho por “Parasita”

Martin Scorsese por “O Irlandês”
Quentin Tarantino por “Era uma Vez em… Hollywood”

Melhor Roteiro 
Quentin Tarantino por “Era uma Vez em… Hollywood” – VENCEDOR
Noah Baumbach por “História de Um Casamento”
Bong Joon-ho e Han Jin-won por “Parasita”
Anthony McCarten por “Dois Papas”
Steven Zaillian por “O Irlandês”

Melhor Atriz – Musical ou Comédia
Awkwafina por “The Farewell” – VENCEDORA
Ana de Armas por “Entre Facas e Segredos”
Cate Blanchett por “Cadê Você, Bernadette?”
Beanie Feldstein por “Fora de Série”
Emma Thompson por “Late Night”

Melhor Ator – Musical ou Comédia
Taron Egerton por “Rocketman” – VENCEDOR
Daniel Craig por “Entre Facas e Segredos”
Roman Griffin Davis por “Jojo Rabbit”
Leonardo DiCaprio por “Era uma Vez em… Hollywood”
Eddie Murphy por “Meu Nome é Dolemite”

Melhor Ator Coadjuvante 
Brad Pitt por “Era uma Vez em… Hollywood” – VENCEDOR
Tom Hanks por “Um Lindo Dia na Vizinhança”
Anthony Hopkins por “Dois Papas”
Al Pacino por “O Irlandês”
Joe Pesci por “O Irlandês”

Melhor Atriz Coadjuvante
Laura Dern por “História de Um Casamento” – VENCEDORA
Kathy Bates por “O Caso Richard Jewell”
Annette Bening por “O Relatório”
Jennifer Lopez por “As Golpistas”
Margot Robbie por “O Escândalo”

Talvez o grande vencedor da noite, “Era Uma Vez Em... Hollywood” saiu com três prêmios, Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante, no qual Brad Pitt superou concorrentes peso-pesados para conquistar uma de suas primeiras honrarias como intérprete; e seu trabalho é realmente tão bom que eu espero que isso se repita no Oscar.
Também surpreendente foi a vitória da jovem asiática Awkwafina entre as atrizes de musical ou comédia e de Taron Egerton entre os atores –pareceu apontar uma tendência no Globo de Ouro de, ao mesmo tempo em que homenageou respeitosamente os veteranos (os prêmios especiais foram para Tom Hanks e Ellen Degeneres), deu espaço e reconhecimento aos talentos dessa nova geração.

Melhor Animação
“O Elo Perdido” – VENCEDOR
“Frozen 2”
“Como Treinar seu Dragão 3”
“Toy Story 4”
“O Rei Leão”

Melhor Filme em Língua Estrangeira
“Parasita” – VENCEDOR
“The Farewell”
“Dor e Glória”
“Retrato de Uma Jovem em Chamas”
“Les Misérables”

Entre favoritismos confirmados e outros esnobados, a animação “Missing Link” tirou de “Frozen 2” e “Toy Story 4” o prêmio de animação –ainda que eu duvide que isso se mantenha no restante da temporada de prêmios.
Já a categoria de Melhor Filme Estrangeiro não tinha espaço para surpresas: Na falta de um prêmio de Melhor Diretor (que seria bastante justo) não havia como negar à obra-prima “Parasita” o Globo de Ouro; e o discurso de agradecimento de Bong Joon-Ho foi perfeito ao ratificar a todos os presentes e ao público expectador que filmes maravilhosos e espetaculares estarão à disposição deles se superarem a mera barreira linguística das legendas.

Melhor Canção Original
(I’m Gonna) Love Me Again, de “Rocketman” – VENCEDOR
Into the Unknown, de “Frozen 2”
Beautiful Ghosts, de “Cats”
Spirit, de “O Rei Leão”
Stand Up, de “Harriet”

Melhor Trilha Sonora Original
Hildur Guðnadóttir por “Coringa” – VENCEDORA
Daniel Pemberton por “Brooklyn – Sem Pai Nem Mãe”
Alexandre Desplat por “Adoráveis Mulheres”
Thomas Newman por “1917”
Randy Newman por “História de Um Casamento”

Ao fim, tivemos três prêmios para “Era Uma Vez Em... Hollywood” (fazendo a belíssima ode de Tarantino à Hollywood seguir forte), dois para “Coringa” (sendo que o de trilha sonora foi o primeiro concedido à uma mulher!), dois para “Rocketman” (irá Taron Egerton repetir o feito de Rami Malek ano passado?) e dois para “1917” que, apesar de estranhamente não ter estreado em solo americano (lembre-se o Globo de Ouro é escolhido pela imprensa estrangeira), subiu consideravelmente nas apostas.
O olhar dos votantes do careca dourado repousa atento sobre todos esses eventos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2020

Nem bem a CCXP acabou e eis que a Imprensa Estrangeira divulgou hoje os indicados ao Globo de Ouro. Segue a lista:

MELHOR FILME: DRAMA
1917
O Irlandês
Coringa
História de Um Casamento
Dois Papas

MELHOR FILME: MUSICAL OU COMÉDIA
Meu Nome É Dolemite
Jojo Rabbit
Entre Facas e Segredos
Rocketman

Curiosa e até irônica a inclusão da nova obra de Quentin Tarantino entre as comédias; mas, “Era Uma Vez... Em Hollywood” está disputando com títulos elogiadíssimos, em especial, “Meu Nome É Dolemite” e “Jojo Rabbit”, todos exigindo respeito e reconhecimento.
Na categoria drama as coisas estão ainda mais acirradas: Se “O Irlandês” e “Coringa” chegam com a força do sucesso simultâneo de público e crítica, tanto o épico de guerra “1917” quanto “História de Um Casamento”, em seus recentes lançamentos, demonstraram vigor suficiente para atingirem status de favoritos!
Como no ano passado, uma predominância de títulos oriundos de streaming se percebe entre as obras exclusivamente cinematográficas: “O Irlandês”, “História de Um Casamento”, "Dois Papas" e “Meu Nome É Dolemite” são da NetFlix.

MELHOR DIRETOR
Bong Joon-HoParasita
Sam Mendes1917
Todd Phillips, Coringa
Martin ScorseseO Irlandês
Quentin Tarantino, Era Uma Vez… Em Hollywood

Uma maravilha poder testemunhar o reconhecimento sem precedentes ao cinema sul-coreano até então. Está certo que o magistral “Parasita” pode acabar ficando só nas indicações –afinal, ele concorre com a técnica impecável e implacável de Sam Mendes (que alguns estão comparando com o virtuosismo já lendário de “O Resgate do Soldado Ryan”); com a aclamada realização de Todd Philips (a quem o Globo de Ouro já premiou em 2009 por “Se Beber Não Case”); e os trabalhos maiúsculos dos gênios Martin Scorsese e Tarantino –mas é um deleite ver o nome de Bong Joon-Ho (de obras como “O Expresso do Amanhã” e “O Hospedeiro”) ao lado de medalhões do cinema hollywoodiano.

MELHOR ATRIZ EM FILME: DRAMA
Cynthia ErivoHarriet
Scarlett JohanssonHistória de Um Casamento
Saoirse RonanAdoráveis Mulheres
Charlize TheronO Escândalo
Renée ZellwegerJudy

MELHOR ATOR EM FILME: DRAMA
Christian Bale, Ford vs. Ferrari
Antonio BanderasDor & Glória
Adam DriverHistória de Um Casamento
Joaquin PhoenixCoringa
Jonathan PryceDois Papas

Os intérpretes de drama surgem com alguns favoritismos aparentes: Entre as atrizes, o trabalho que goza, por ora, de maior aclamação junto à crítica é o de Renée Zellweger, onde ela traz Judy Garland à vida, mas há de se lembrar de Scarlett Johansson, uma atriz sempre capaz, talentosa e relevante, dona de poucas indicações ao longo de sua carreira (e nenhuma indicação ao Oscar!) num trabalho que parece ser o ponto de virada para essa injustiça.
Já, entre os atores, a ausência de Robert De Niro (por "O Irlandês") e de Adam Sandler (pelo premiado “Uncut Gems”) e o encaixe de Leonardo DiCaprio e Taron Egerton entre os intérpretes de comédia ou musical deixa a situação bastante propícia para a consagração de Joaquin Phoenix e sua ovacionada atuação em “Coringa”, seu maior competidor é, quando muito, a excelência de Adam Driver em “História de Um Casamento”.

MELHOR ATRIZ EM FILME: MUSICAL OU COMÉDIA
Ana de ArmasEntre Facas e Segredos
AwkwafinaThe Farewell
Cate BlanchettCadê Você, Bernadette?
Beanie FeldsteinFora de Série
Emma ThompsonLate Night

MELHOR ATOR EM FILME: MUSICAL OU COMÉDIA
Daniel CraigEntre Facas e Segredos
Roman Griffin DavisJojo Rabbit
Leonardo DiCaprioEra Uma Vez… Em Hollywood
Taron EgertonRocketman
Eddie MurphyMeu Nome É Dolemite

O grande problema na categoria das atrizes em comédia ou musical é a completa ausência de um nome que tenha se destacado nas bolsas de apostas até então: Emma Thompson e Cate Blanchett levam vantagem pela consagração da carreira pregressa, mas as jovens Ana de Armas e Awkwafina chegam apresentando trabalhos surpreendentes em obras que prontamente conquistaram a crítica.
Com os atores, meu gosto pessoal me leva a torcer pela performance brilhante de DiCaprio, embora os críticos tenham se rendido ao talento de Eddie Murphy que, de tempos em tempos, encontra um filme capaz de evidenciar o grande ator que é (como ocorreu em meados de 2006 com “Dreamgirls”).
De resto, é muito bom ver o reconhecimento prestado ao grande ator que Daniel Craig consegue ser quando sai de sua zona de conforto; à sensibilidade precoce do pequeno e notável Roman Griffin Davis (lembrando ser ele uma das poucas menções ao grande trabalho de Taika Waititi, “Jojo Rabbit”); e ao desempenho louvável de Taron Egerton como Elton John –cujos planos de repetir a trilha vitoriosa de Rami Malek no ano passado esbarraram na concorrência bem mais pesada deste ano!

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Kathy BatesO Caso Richard Jewell
Annette BeningO Relatório
Laura DernHistória de Um Casamento
Jennifer LopezAs Golpistas
Margot RobbieO Escândalo

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Tom HanksUm Lindo Dia na Vizinhança
Anthony HopkinsDois Papas
Al PacinoO Irlandês
Joe Pesci, O Irlandês
Brad PittEra Uma Vez… Em Hollywood

Por mais que a presença de Brad Pitt entre os indicados a Melhor Coadjuvante me encha de felicidade, é preciso admitir que Al Pacino e Joe Pesci, por “O Irlandês”, formam uma dobradinha difícil de ser superada –com a possível predileção dos votantes para o segundo.
A categoria de atrizes coadjuvantes foi uma oportunidade para o Globo de Ouro incluir grandes trabalhos esquecidos nas categorias principais, como “As Golpistas”, filme-sensação no Festival de Toronto, cuja indicação para Jennifer Lopez causou estranhamento por não ser entre as atrizes principais –é exatamente esse detalhe que pode fazer dela a favorita da categoria.
Contudo, as esplêndidas presenças de Margot Robbie e de Laura Dern não devem ser subestimadas.

MELHOR ROTEIRO
História de Um Casamento
Parasita
Dois Papas
Era Uma Vez… Em Hollywood
O Irlandês

MELHOR ANIMAÇÃO
Frozen II
Como Treinar Seu Dragão 3
O Elo Perdido

Causou surpresa a ausência de “Entre Facas e Segredos” entre os indicados à Melhor Roteiro –justamente esse que era apontado como um dos quesitos mais fascinantes do filme de Rian Johnson –o que deve deixar a disputa mais equilibrada, visto que todos são obras magistrais que primam pela mágica de uma história bem contada.
Por incrível que possa parecer, é aqui que “O Irlandês” ostenta menos favoritismo (mas, ele pode levar conforme sua premiação seja indulgente demais), deixando margem para praticamente todos os concorrentes: A sensibilidade singular de “História de Um Casamento”; a energia cinematográfica incomum de “Parasita”; o refinamento inquestionável de “Era Uma Vez... Em Hollywood”; e a primazia dramática de “Dois Papas”.
Entre as animações a briga certamente será de cachorro grande com as sequências de duas das mais bem-sucedidas animações de todos os tempos (“Frozen” e “Toy Story”) disputando diretamente.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Beautiful Ghosts”Cats
“I’m Gonna Love Me Again”Rocketman
“Into the Unknown”Frozen II
“Spirit”O Rei Leão
“Stand Up”Harriet

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Farewell
Os Miseráveis
Dor & Glória
Parasita
Retrato de Uma Jovem em Chamas

Dificilmente o prêmio de filme estrangeiro será tirado das mãos mais do que merecedoras dos realizadores de “Parasita” –e essa premiação deve ser uma compensação pelas demais indicações que permanecerão sendo indicações (embora surpresas desagradáveis dessa natureza sejam até um hábito do Globo de Ouro).
Entre as canções, apesar das prováveis esperanças de alguns fãs que “Rocketman” ou mesmo o incompreendido “Cats” levem alguma coisa, a nova canção clássica de “Frozen II” deve prevalecer; não acredito que a música inédita de Beyoncée para “O Rei Leão” tenha grandes chances.

Estes são, pois, os indicados (lembrando que só falei dos prêmios referentes à cinema), a entrega dos Golden Globes será dia 5 de Janeiro de 2020.