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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Mestres do Universo


 A concepção do desenho animado “He-Man e Os Mestres do Universo” já é uma história bastante difundida na cultura pop – a de que a Mattel (empresa fabricante de “Barbie”) recusou a proposta (que mais tarde se provou milionária) de um certo George Lucas para fazer uma linha de brinquedos baseada em seu filme “Star Wars”. Com o sucesso da concorrência, a Mattel correu atrás do prejuízo tentando lançar sua própria linha de brinquedos infanto-juvenis baseado numa obra de fantasia. A ideia de fazer isso com “Conan” (personagem que vinha fazendo sucesso com o filme live-action de 1982) não vingou porque o personagem era desde a gênese deveras violento para crianças pequenas, contudo, executivos notaram que bastava mudar a cor do cabelo do personagem principal (alterado do preto para o loiro, causando um ligeiro estranhamento em contraste com a pele bronzeada) e havia toda uma linha inédita e original de brinquedos.

Sem uma obra prévia de introduzisse o conceito para as crianças consumidoras do brinquedo, a Mattel produziu breves histórias em quadrinhos que acompanhavam os bonecos a fim de lhes proporcionar um background, no entanto, logo seguiu-se a ideia de produzir toda uma série de animação (a cargo da produtora Filmation) que se encarregasse de mostrar ao público-alvo toda a mitologia concebida a partir dos bonecos – uma prática que, dado o estrondoso sucesso, tornou-se regra mercadológica nos anos 1980.

A fim de contornar as críticas – que apontavam o desenho como uma mera propaganda de marketing estendida, visando apenas divulgar um produto – os produtores acrescentaram, ao fim de cada episódio de “He-Man e Os Mestres do Universo”, uma breve mensagem moral.

E o resto, para você que tem por volta de seus 40 e tantos anos, é História.

Toda essa volta é para contextualizar as circunstâncias inusitadas por meio das quais surgiu uma das obras mais emblemáticas para quem foi criança nos anos 1980, e que culminou no filme “Mestre do Universo” lançado agora em 2026.

Não foi a primeira adaptação cinematográfica, é bom dizer: Lançado em 1987, pela produtora picareta Cannon Films, “Mestres do Universo” trazia Dolph Lundgreen escalado como He-Man numa trama cujo baixo-orçamento não permitia fidelidade absoluta ao desenho animado (uma mescla exultante entre fantasia e ficção científica) e que acabava adotando como ambientação um subúrbio qualquer de Nova York (!). Apesar dos lapsos imensos de produção, esse filme, hoje, é lembrado com carinho como uma espécie de ‘prazer culposo’.

Mas, vamos falar do filme de 2026.

Nele, o planeta Etérnia – lar dos personagens e palco dos embates entre o Bem e o Mal – surge materializado por efeitos especiais de ponta. O reino governado pelo rei Randor (James Purefoy) e pela rainha Marlena (Charlotte Riley, de “No Coração do Mar”) que, diga-se, veio da Terra, é detentor do lendário Castelo de Greyskull, cujos poderes encontram-se depositados na Espada do Poder, a ser empunhada, segundo a sábia Feiticeira (Morena Baccarin) por seu vindouro campeão. Todavia, surgem as forças do Mal manifestadas no perverso Esqueleto (Jared Leto) que ataca o reino, aprisiona o rei e a rainha, e ainda oprime todo o povo, almejando tomar para si os poderes de Greyskull. Isso só não acontece porque o príncipe Adam, ainda uma criança, sob a orientação da Feiticeira, é enviado junto da espada para o planeta Terra, outrora lar de sua mãe.

Mas, Adam acaba perdendo a espada (sua conexão com o mundo de Etérnia), levando cerca de quinze anos para reencontrá-la – e então, após esse salto temporal, já vemos Adam vivido por Nicholas Galitzine (de “Uma Ideia de Você”), o novo intérprete do personagem.

Embora essa primeira parte forneça uma apresentação simbólica e tenha uma função narrativa de origem para dar o pontapé inicial no enredo, muitos fãs torceram o nariz para essa ambientação na Terra, recordando das escolhas um tanto equivocadas do filme de 1987 (ainda que isso também abra espaço para uma divertida participação especial do próprio Dolph Lundgreen em pessoa). Contudo, o trecho da Terra é rápido, elíptico até (atropela até algumas informações importantes que podia ter fornecido do tempo em que Adam ficou por aqui) e, quando menos se espera, o expectador já foi devidamente arremessado de volta à Etérnia: Ao finalmente reencontrar sua espada, Adam consegue trazer seus aliados para a Terra – na verdade, é Teela (a maravilhosa brasileira Camila Mendes), sua amiga de infância, quem vem lhe resgatar – e seus adversários também – ele é perseguido pelo bestial Homem-Fera!

Em Etérnia, Adam – que ainda está a se adaptar aos poderes assim descobertos da espada – reencontra os guerreiros dos quais se recordava na infância – personagens característicos e clássicos da animação como o pai de Teela, Mentor (o sempre sensacional Idris Elba), Fisto (Jóhannes Haukur, de “Atômica”), Aríete (Jon Xue Zhang), Mekaneck (James Wilkinson) e Roboto (voz de Kristen Wiig) – que formam agora, uma resistência contra as forças do Esqueleto. Não demora muito para Adam finalmente descobrir os meios que a Espada do Poder tem para convertê-lo no poderoso He-Man (esse nome só é revelado no desfecho) e fazer dele o tão aguardado Campeão de Etérnia, a fim de livrar o povo do Esqueleto.

Desde exibições-testes preliminares já havia surgido o comentário sobre a imensa semelhança deste projeto com “Thor-Ragnarok” – e a similaridade, de fato, não parece ser por acaso, ela parece ser proposital: Desde o colorido característico e nada sombrio dos efeitos visuais, figurinos e direção de arte, passando pela trilha sonora que, entre outras coisas, traz o guitarrista Brian May (do “Queen”!), até o próprio roteiro que não economiza em referências e na famosa e apetecível fórmula de muita ação e aventura mesclada ao humor inofensivo e ocasional (ainda que algumas piadas revelem um duplo sentido), tudo nesta produção evoca o filme de Taika Waititi em particular, e o estilo da Marvel Studios em geral.

A direção de Travis Knight (de “Bumblebee”) se baseia integralmente na animação clássica da década de 1980 (com algumas poucas menções às reinvenções que o próprio desenho sofreu ao longo dos anos) e investe de ponta a ponta em nostalgia, buscando uma modernização por meio da identificação e humanidade dos personagens, trazendo elementos motivacionais em voga como empatia e sinergia (não à toa, o herói na Terra trabalhava no setor de Recursos Humanos!). Até mesmo o vilão Esqueleto é representativo de uma maldade translúcida, sem preocupações com um aprofundamento que lhe desvirtue uma certa galhofa inerente ao personagem.

Em resumo, “Mestres do Universo” é uma obra recheada de boas intenções, personagens pra lá de carismáticos e uma mitologia tão atraente quanto mirabolante (ainda que, com isso, pese a mão em alguns momentos de drama ou de comédia), seu sucesso comercial – notadamente almejado no estilo um pouco pedante que evoca – pode abrir as portas para toda uma nova franquia nas telas de cinema (com desdobramentos sugeridos, inclusive, numa de suas três cenas pós-créditos). Um trabalho feito com coração, mas, não sem um mal disfarçado planejamento mercadológico, aliás, exatamente como o desenho animado que lhe deu origem.

sábado, 27 de julho de 2024

Deadpool & Wolverine


 E já aviso de antemão, leitor ocasional ou não, este texto contém os famigerados spoilers, logo, se você aprecia uma experiência cinematográfica com surpresas intactas, leia depois de ter visto o filme!

Após os eventos de “Deadpool 2”, o mercenário Wade Wilson, mais conhecido como Deadpool (Ryan Reynoldos, desempenhando em estado de graça como sempre) procura por Happy Hogan (Jon Favreau) a fim de ingressar nos Vingadores –naquela época, 2018, vale lembrar, além dos acontecimentos de “Deadpool 2”, ainda estávamos às vésperas dos eventos bombásticos de “Vingadores-Guerra Infinita”. Durante a cena –que mais lembra uma mera entrevista de emprego –Happy convence Wade de que ele não necessariamente leva jeito para ser superherói (não no sentido altruísta do termo) e acaba convencendo-o a aposentar seu uniforme. De volta à sua realidade (para a qual ele pode ir e voltar graças ao aparelho fornecido por Cable em “Deadpool 2”, diga-se), Wade se torna um vendedor de carros e assim passam-se seis anos.

É no aniversário de Wade –no qual, providencialmente se reúnem os seus melhores amigos, ou seja, os coadjuvantes que estiveram ao lado dele em seus dois filmes –que o filme, agora dirigido por Shawn Levy, começa de verdade: Wade é visitado por agentes da AVT (Agência de Variância Temporal, mostrada na série “Loki”) e levado até sua sede onde recebe do funcionário Paradox (Matthew McFadyen, de "Orgulho e Preconceito") uma notícia indigesta. O seu universo (que corresponde ao universo mais ou menos bagunçado de filmes da Fox) está morrendo! Segundo Paradox, todo universo tem uma ‘âncora’, um ser tão essencial àquela realidade que sua morte pode levar à desintegração de todo o universo. A ‘âncora’ do universo de Wade morreu –no caso, Wolverine (vivido como todo mundo sabe, com excelência por Hugh Jackman, há uns vinte anos), no filme “Logan”. Dessa forma, Wade, agora uma vez mais dentro do traje de Deadpool, precisa quebrar as regras da própria AVT (que o tinha levado para lá a fim de chamá-lo a integrar a Linha Sagrada, isto é, o universo oficial do MCU) para encontrar nas infinitas realidades alternativas do multiverso, um substituto apropriado, uma ‘âncora’ que substitua aquela que seu universo perdeu –em outras palavras, um outro Wolverine!

E começam aí, então, o festival de referências que fazem de “Deadpool & Wolverine” uma obra assim tão sedutora: Nas variações de Wolverine que acompanhamos Deadpool encontrar com tanta descontração, vemos versões em live-action de segmentos que farão a felicidade dos fãs de quadrinhos como o Wolverine extraído de “A Era do Apocalypse” (na qual ele não possui uma das mãos!); a versão conhecida como ‘Caolho’; uma versão interpretada pelo ex-Superman Henry Cavill (!); uma recriação de sua primeira aparição nas HQs, quando enfrentou o Hulk; e até mesmo a recriação de uma das capas clássicas das revistas, onde foi crucificado num imenso X de madeira. Ao fim dessa busca, resta somente uma versão apropriada de Wolverine para Deadpool levar consigo, uma versão renegada (ainda que trajando, enfim, o icônico colante amarelo dos quadrinhos e das animações), junto da qual ele retorna à AVT, somente para serem enviados por Paradox ao Voidt, ou Vazio –se você assistiu a série “Loki”, então sabe que trata-se de uma dimensão onde são despejados os sobreviventes indesejados de realidades condenadas que, por algum motivo ou outro, conseguem escapar da eventual obliteração.

Contudo, o Voidt agora está diferente: Por conta de acontecimentos bem reais (no caso, a compra dos estúdios da 20th Century Fox pela própria Walt Disney Company e, portanto, a aquisição desta de todas as propriedades intelectuais daquele estúdio), o Voidt está repleto de personagens oriundos do Universo Marvel da Fox nos cinemas, que reúne os filmes dos X-Men, (num total de onze filmes) os do Quarteto Fantástico (ambas as versões de 2005 e 2015) e os do Deadpool. E claro que, com  isso, o filme de Shawn Levy não haverá de desperdiçar a oportunidade de entregar sequências extasiantes aos expectadores, que apelam ao fã com aparições surpresas (algumas absolutamente sensacionais) capazes de despertar a mesma euforia indescritível que algumas cenas de “Vingadores-Ultimato” o fizeram há cinco anos atrás.

Embora seja uma obra longe da perfeição –e muitos críticos sisudos já correram apontar isso, destacando como exemplo a superficialidade do roteiro em inúmeros trechos, ignorando o fato de que as filmagens de “Deadpool & Wolverine” se sucederam durante a greve dos roteiristas de Hollywood em 2023, o que impediu muitas cenas de ganharem o devido polimento –o filme de Shawn Levy ainda assim tem bom senso e perspicácia o suficiente para sinalizar ao público com tudo aquilo que funcionou muito bem antes deles: O humor incontido e inconsequente de seu irreprimível protagonista (o filme tem a mais alta classificação indicativa permitida pela Marvel Studios até então); as referências inúmeras, algumas um tanto difíceis de se apanhar pelos não-iniciados nos filmes desse certamente vasto universo de heróis; e as sequências vibrantes, feitas para entregar instantes, situações e manobras muito esperadas e almejadas pelos fãs de carteirinha que provavelmente sairão acalentados e saciados do cinema, como há muito tempo não faziam, sob a alegação de que a Marvel havia perdido o jeito para agradar seu público.

“Deadpool & Wolverine” vem provar que não: Ainda há muitas emoções e surpresas a serem entregues ao público. Desde que sejam concebidas por artesões absolutamente capazes e competentes, e tão apaixonados pelo material que manejam quanto seus fiéis expectadores.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Deadpool 2

Por mais interessante, inovador e divertido que fosse “Deadpool” ele ainda se prestava a melhoramentos, já que os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick contentaram-se com um filme de origem, assumiram uma produção de baixo-orçamento (junto da qual vinha mais liberdade autoral e a possibilidade de uma censura alta) e abraçaram um caráter, digamos, ‘vira-lata’ para o filme.
Com a saída do diretor Tim Miller, devido à diferenças criativas com o astro Ryan Reynolds, e a entrada do ótimo David Leitch (co-diretor de “John Wick” e diretor de “Atômica”), “Deadpool 2” evolui assim para uma produção classe A, com um orçamento generoso condizente com a bilheteria e a repercussão positiva que o trabalho anterior obteve.
Com o seu status-quo de anti-herói estabelecido desde o final do primeiro filme, e ao lado do amor de sua vida, Vanessa (a brasileira Morena Baccarin), Wade Wilson, o assim chamado Deadpool (interpretado por Ryan Reynolds com uma compreensão singular do personagem) dá início à uma varredura inconsequente da bandidagem –e as cenas que se seguem, além de unir a galhofa deliciosa e politicamente incorreta que fez o sucesso do outro filme, traz também a excelência técnica no registro da ação que o diretor Leitch ostentou em suas obras anteriores.
Ainda que bastante previsível, o roteiro tece uma tragédia que dá um novo rumo à trajetória de Deadpool enquanto anti-herói a caminho de ser herói.
Ele vai parar na Mansão X, onde o mutante Colossus, desde o filme anterior, tenta convencê-lo a juntar-se aos X-Men.
Pouco a pouco, a trama de Deadpool –que só não resvala no tédio graças à presença extraordinária de Reynolds e ao bem calibrado humor sarcástico –vai colidir com outra trama: A de Cable (Josh Brolin, arrasando num personagem que foi disputado a tapa por muitos atores em Hollywood).
Vindo do futuro (no melhor estilo “Exterminador do Futuro” cuja menção, inclusive, é feita), Cable irá valer-se de seus poderes high-tech e seu braço biônico para mudar a história na qual um vilão homicida extermina sua família. No presente, tal vilão não passa de uma criança, o carismático orfão Russel (Julian Dennison) que sofre maus-tratos na impiedosa instituição em que foi jogado.
Para Cable, neutralizar aquele que um dia será o destruidor de sua família é uma missão para a qual ele se faz implacável.
Para Deadpool, espiritualmente mais inclinado à redenção do que outrora, o garoto merece a chance de tornar-se alguém melhor, entretanto, diante do colosso que representa Cable, ele conclui que não pode fazê-lo sozinho –neste ponto, Colossus e os X-Men se injuriaram novamente com suas atitudes e o deixaram –e, portanto, resolve montar um grupo, o X-Force!
A seleção e apresentação dos membros de tal grupo é praticamente um show cômico à parte, mas, o que realmente importa é uma única personagem: A sensacional Dominó, vivida pela fulgurante Zazie Beetz, cujos superpoderes –sorte em um nível absurdo –são empregados numa sucessão espetacular de cenas tão engraçadas quanto bem orquestradas.
Repleto de trocadilhos e farpas rápidas, além de referências ainda mais infindáveis do que no primeiro filme –detalhes que tornam prazerosas inclusive as inúmeras revisões –“Deadpool 2” tem o mérito de acrescentar à receita renovadora de humor auto-consciente a percepção singular do diretor Leitch para com as cenas de pancadaria e perseguição –dificil dizer qual das tantas é a mais primorosa!

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Deadpool

Uma sinceridade desesperada pulsa do personagem principal. E tão desesperada ela é que ele dirige-se à platéia na já alardeada quebra da quarta parede que o filme promove (ele tira sarro de outros personagens, e de si próprio, dos atores que os interpretam, e até mesmo das ocasionais limitações orçamentárias da produção). Esse é um dos muitos elementos com sabor de ineditismo que o filme tem.
“Deadpool” é, como seu personagem-título, todo sarcasmo e energia, inclusive nas generosas cenas de ação. Mas, assim como o bom-mocismo mais cedo ou mais tarde aparecerá para nortear os atos do inconseqüente protagonista (motivados quase que integralmente pela agradável presença da bela brasileira Morena Baccarin), também o seu filme não irá fugir, em alguns momentos, daquelas típicas manobras de obras de apelo comercial: E estamos, afinal, diante de um filme sobre a origem de um personagem da Marvel. Mesmo que um dos mais desiguais.
Wade Wilson é um ex-fuzileiro que passou a disponibilizar suas habilidades em combate como uma espécie de mercenário. Desbocado e politicamente incorreto, ele se ajusta com perfeição em meio à escória onde obtem seus serviços. É por lá que conhece Vanessa Carlysle, por quem vem a se apaixonar. A felicidade dura até Wade descobrir que tem câncer e decidir se submeter a uma experiência radical. Ele adquire fabulosos poderes de regeneração mas, ao mesmo tempo, isso lhe desfigura o rosto, o quê lhe obriga a usar, para suas empreitadas como mercenário, um traje vermelho bem ao estilo histórias em quadrinhos.
O anti-herói Deadpool é um caso de personagem que surgiu como coadjuvante e foi, aos poucos, ganhando mais e mais popularidade. No início dos anos 1990, época de suas primeiras aparições nas HQs, talvez fosse inconcebível imaginar um filme todo só para ele. Na verdade, era inconcebível até em 2009, quando, já interpretado por Ryan Reynolds, ele fez sua primeira (e catastrófica) aparição cinematográfica no equivocado “X-Men Origens Wolverine”. Era um caso de um personagem tão mal caracterizado, tão sub-aproveitado e desperdiçado que parecia impossível recuperá-lo. Mas, aos trancos e barrancos, o ator Ryan Reynolds persistiu até convencer o estúdio da 20 Century Fox neste filme solo, dirigido com precisão e empolgação pelo estreante Tim Miller, primordialmente fiel à essência do personagem nos quadrinhos e –graças ao bom Deus –descartando por completo as presepadas feitas naquele outro filme.
O resultado quase não parece um filme real, mas um daqueles delírios loucos, desenfreados, carregados de euforia e intensidade nos quais os fãs sonham ver devidamente retratado no cinema o seu personagem tão cultuado. Deadpool merecia mesmo um filme assim.