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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

10 Livros que poderiam render grandes filmes

Anos atrás elaborei uma lista de “10 Histórias em Quadrinhos que poderiam render grandes filmes”, agora, inspirado por aquela ocasião e pela constante fonte de material que a literatura fornece ao cinema, cito uma dezena de obras literárias que, francamente, não sei como um produtor ainda não se deu conta dos filmes sensacionais que poderiam se tornar.

Série Buchanan, de Julie Garwood –Famosa entre os escritores best-sellers dos EUA, Julie Garwood especializou-se em romances de época, no entanto, a ‘Serie Buchanan’ como é chamada representou uma de suas bem-sucedidas incursões em tramas contemporâneas.
São doze livros que acompanham os diferentes membros da família Buchanan, além de outros formidáveis personagens, em tramas que mesclam aventura policial, mistério e romance; e todas tão incrivelmente extasiantes e envolventes que chega a ser um absurdo até hoje uma adaptação cinematográfica não ter ganhado a luz do dia.
Houveram rumores, anos atrás, de que seria adaptado o primeiro livro da série, “Heartbreaker” (“A Confissão”, aqui no Brasil, onde foi publicado pela extinta editora Landscape), mas não surgiram quaisquer notícias desde então.

Nas Montanhas da Loucura, de H.P. Lovecraft –uma das melhores obras de um dos melhores escritores de literatura fantástica (a favorito de inúmeros diretores), que chegou até a inspirar indiretamente diversos outros filmes, até hoje não ganhou uma versão cinematográfica.
Um dos últimos esforços nesse sentido, partiu do diretor Guilhermo Del Toro, aliado ao astro Tom Cruise, que desejavam ver o filme feito, entretanto, as filmagens do longa “Prometheus”, de Ridley Scott, comprometeram a viabilização do projeto, já que o roteiro daquela produção foi abertamente baseado em elementos de “Nas Montanhas da Loucura”.

Vivian Contra O Apocalipse/Vivian Contra A América, de Katie Coyle –quando as adaptações de séries literárias ao estilo ‘young adult’ tornaram-se febre entre os estúdios hollywoodianos, com trabalhos como “Jogos Vorazes” e “Crepúsculo” ganhando as telas, esta curiosa, eletrizante e pertinente duologia escrita por Katie Coyle, cheia de ação e personagens sensacionais, estranhamente foi deixada de lado, embora ostentasse qualidade o bastante para render dois excelentes filmes.
O motivo? Provavelmente seu teor controverso, polêmico e delicado ao falar abertamente sobre a manipulação das massas pela religião, um assunto quase sempre explosivo que os puritanos estúdios norte-americanos morrem de medo da abordar.

Ruínas do Tempo, de Jess Walter –uma trama maravilhosa, que vai e volta no tempo, com personagens envolventes, uma mescla apetecível de romance, drama e comédia, além de graciosas e pontuais referências ao cinema americano em geral (e ao ator Richard Burton em particular!), poderia ser um daqueles filmes de cabeceira dos adeptos de um bom romance.
Mas o belamente construído texto do escritor Jess walter não chegou a virar um projeto de cinema, muito por conta da forma primorosa com que funde ficção com realidade –as celebridades reais envolvidas no âmago da história fictícia (como Burton e Elizabeth Taylor) poderiam confundir o público e fazê-lo crer que a deliciosa trama engenhada aqui fosse real; algo que poderia render um incômodo processo da parte dos familiares.

Piquenique Na Estrada, de Arkádi e Boris Strugátski –embora este livro já tenha sido, por assim dizer, adaptado no grandioso “Stalker”, de Andrei Tarkovski, o cineasta polonês lhe aproveita apenas o seu conceito básico e inicial (no qual uma ‘Zona’ onde alienígenas descarregaram material desconhecido, é sistematicamente invadida por humanos almejando lucro); todos os desenlaces, sub-tramas e personagens principais do livro não chegam a serem usados no filme, o que é uma pena diante do quão interessantes eles são.
Uma nova adaptação, bem mais fiel ao conteúdo do livro de fato, renderia não apenas um ótimo filme, como também um resultado bastante diferente do obtido na obra-prima de Tarkovski.

Carte Blanche, de Jeffery Deaver –a série “007” sempre foi de vento em popa nas telas de cinema, contudo, a partir de algum ponto entre os filmes de Roger Moore e de Timothy Dalton os livros de Ian Fleming (e de outros autores) deixaram de ser aproveitados em prol de roteiros originais, cada vez mais mirabolantes e menos densos.
As coisas só mudaram brevemente quando “Cassino Royale” foi adaptado na explosiva estréia de Daniel Craig no papel.
Se os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson quisessem uma nova e vigorosa aventura de Bond –propícia de repente para introduzir outro intérprete diante da inevitável aposentadoria de Craig –o livro escrito por Jeffery Deaver, “Carte Blancche” (dentre os dois que escreveu com o personagem), seria perfeito: Uma aventura de James Bond com todas as letras, com personagens enigmáticos, trama de ação e espionagem, um vilão memorável e megalomaníaco, e belíssimas mulheres, todos elementos orbitando seu fenomenal protagonista.

O Apanhador No Campo de Centeio, de J.D. Salinger –um dos livros mais célebres da literatura norte-americana (leitura obrigatória nas suas escolas) é também o título mais notório a engrossar a lista das obras inexplicavelmente sem uma versão cinematográfica digna.
Na segunda metade da década de 2000, surgiram rumores de que o recluso e autoral diretor Terence Malick (dono de características que refletiam adjetivos do próprio escritor da obra, J.D. Salinger) faria uma tão aguardada adaptação. Então, veio o premiado “A Árvore da Vida” e nada mais foi falado.

O Clube do Filme, de David Gilmour –a divertida e comovente história real de um pai que tenta se reconectar com o filho adolescente à beira da rebeldia e da delinquência através do cinema é um ‘few good movie’ pedindo para ser feito.
Um dos possíveis impedimentos para um projeto cinematográficos ganhar vida seriam as inúmeras menções, referências e citações aos diversos filmes que eles assistem (fundamentais à história) cujos direitos autorais, talvez, fossem complicados de serem obtidos.

Porque Ela Pode, de Bridie Clark –imagine “O Diabo Veste Prada” ambientado no universo editorial. Pois é exatamente essa a proposta deste livro divertidíssimo que poderia tranquilamente render uma produção mais modesta, mais viável e mais despojada da famosa comédia estrelada por Meryl Streep.
Para o papel da diabólica patroa que inferniza sua editora-assistente com mandos e desmandos abusivos e inacreditáveis é difícil não pensar em Isabella Rossellini.

Na Minha Pele, de Kate Holden –Que “Cinquenta Tons de Cinza”, que nada! Se há uma obra que reúne com excelência o sexo, o drama humano e uma autêntica relevância é esta daqui.
Trabalho autobiográfico da escritora australiana Kate Holden, “Na Minha Pele” relata sua via crusis de usuária de drogas à prostituta nas ruas de Melbourne narrada com contundência e raro lirismo.
Tão cativante é seu resultado que ele já rendeu uma continuação literária, “Noites Italianas”, que sinaliza desembocar numa trilogia com um terceiro capítulo ainda vindouro.
Quem sabe um produtor não se interessa?

sábado, 8 de agosto de 2020

Assim Caminha A Humanidade

Pioneiro de muitos artifícios narrativos e técnicos empregados durante a Velha Hollywood, o diretor George Stevens foi autor de uma informal ‘trilogia da América’, que albergava os clássicos por ele dirigidos, “Os Brutos Também Amam” e “Um Lugar Ao Sol”.
Coube ao monumental “Assim Caminha A Humanidade” a tarefa de encerrar tal trilogia –e o adjetivo ‘monumental’, neste caso, pode ser empregado nos mais variados ângulos: No escopo ambicioso do filme (não obstante sua trama conter fortes elementos de melodrama), no trato épico e espetacular dado às suas imagens, e na reunião de profissionais, a frente e atrás das câmeras, que respondem pelo que Hollywood, à época, tinha de melhor a oferecer.
Adaptado do best-seller de Edna Ferber, uma epopéia familiar e ao mesmo tempo uma ode ao Texas, a obra, outrora considerada impossível de ser vertida para cinema, começa quando o jovem rancheiro texano Bick Benedict (Rock Hudson) vai à uma fazenda em Washington disposto a negociar a compra de um garanhão, mas termina desposando a filha de seu vendedor, a jovem e impetuosa Leslie Lynton (Elizabeth Taylor), tirando-a do noivo (uma rápida ponta de Rod Taylor, de “Os Pássaros”).
Levada para Reata, a fazenda da família de Bick, no Texas, Leslie toma conhecimento de toda forte tradição que norteia a vida de seu marido e de sua irmã Luz (Mercedes McCambridge, de “Johnny Guitar”), quem então gerenciava com mão-de-ferro o local.
Diferente de seu irmão, Luz nutre certa simpatia pelo jovem e impulsivo funcionário Jett Rink (James Dean, em seu último trabalho antes da morte precoce por acidente), e assim como ele, trata com arraigado desprezo os empregados de origem latina.
Leslie chega com ideias progressivas que representam uma fagulha, ainda que tênue, dos novos tempos que virão: Para ela, os empregados merecem o mesmo respeito dirigido às outras etnias, e ela choca seu marido e os coronéis locais disponibilzando os serviços médicos da alta sociedade para seus funcionários adoecidos; assim como também, ela não pestaneja em expressar inconformismo quando seu marido e outros homens insistem que assuntos envolvendo negócios e política são exclusivamente ‘para homens’.
Eventualmente acirrado por esses atritos de ideologia, o casamento de Bick e Leslie segue emoldurado pelas transformações de natureza dramática, como o falecimento trágico de Luz, ou mudanças inerentes de um novo tempo que chegava; como quando Jett (que herdara um pedaço de terra que Luz lhe havia concedido) descobre petróleo após longos anos de insistência e, de empregado miserável, converte-se em milionário.
As trajetórias de Bick como patriarca diante dos novos conceitos e de Jett perante uma espécie de dissolução moral transcorrem paralelamente –e, por meio delas, Stevens se presta a avaliar e a entender o leque de mentalidades que moldou a sociedade norte-americana no Século XX.
A segunda parte das nada modestas três horas e vinte e um minutos de duração de “Assim Caminha A Humanidade” trata de narrar os contratempos que Bick e Leslie enfrentam quando seus filhos crescem. São eles: Os gêmeos Jordan (Dennis Hopper, ainda bem jovem) e Judy (Fran Bennett), e a caçula Luz (Carroll Baker).
Jordan, indo de encontro aos anseios do pai, quer formar-se médico ao invés de seguir a frente dos negócios de criadores de gado da família; já Judy, ao contrário das expectativas da mãe, não deseja ir estudar numa escola requintada na Suíça, mas, cursar a universidade agrícola e ser fazendeira; por sua vez, Luz, numa ironia poética, alimenta pelo já envelhecido e decadente (mas, certamente podre de rico) Jett, um fascínio similar ao que sua tia de mesmo nome também teve no passado.
Com efeito, a direção de Stevens também justapõe as maneiras divergentes com as quais, por fim, Bick e Jett reagem às transformações: Bick, sempre turrão e antiquado, vai cedendo aos poucos, ante novidades como o casamento de Jordan com uma jovem mexicana; já, Jett –um tanto assolado pela frustração perene de não ter seu amor por Leslie correspondido –deixa-se tragar pela imoralidade da riqueza, ostentando apatia e desdém por outrem; um reflexo da tardia conclusão de que a riqueza que passou tanto tempo almejando não lhe trouxe qualquer felicidade.
A direção de Stevens (ganhadora do Oscar 1957) mescla técnicas surpreendentemente modernas (como as ‘dolly’ que Spielberg no futuro iria usar a abusar) com posturas narrativas tradicionalistas do seu período, obtendo um resultado sólido enquanto drama que, justamente por sua convicção, pode não agradar plateias ávidas por ritmos vertiginosos.
Um tratado poderoso contra a intolerância na observação arguta da gênese de inevitáveis choques étnicos que viriam a aflorar nos EUA na segunda metade do Século XX, “Assim Caminha A Humanidade” usa de uma trajetória folhetinesca, ainda que pincelada por acabamento épico (não são raras as cenas em que os personagens se perdem na imensa aridez de uma paisagem vasta), para falar sobre a corrupção do dinheiro, a possibilidade conciliatória de embates filosóficos e políticos e a desenvoltura ocasionalmente exigida na vida em família.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Disque Butterfield 8

O filme começa misterioso. Gloria (Elizabeth Taylor equilibrando com perfeição sensualidade e profundidade) acorda num quarto de hotel. Quem ela espera encontrar ali já não está. Deixou-a sozinha. Ela checa seu serviço telefônico de mensagens –Butterfield 8 –e sai porta afora, não sem antes fazer uma travessura e levar consigo um casaco de peles tirado de dentro o armário.
As pistas está lá, mas não muito claras, propositadamente deixadas oblíquas por uma névoa de elegância, da qual filmes bem posteriores tiveram a chance de abrir mão.
Pela época a que pertence, e pela severa patrulha ideológica do Código Hays de então (1960), muitos são os detalhes que o melodrama dirigido por Daniel Mann não pode verbalizar nem escancarar ao público –no entanto, o simples fato de tornar tais elementos centrais à premissa e essenciais à protagonista já acarretam ousadia o bastante para esta produção.
Gloria é, pois, uma espécie de garota de programa (o quê demanda a imensa coragem da estrela Elizabeth Taylor em assumir o papel); não exatamente um garota de programa propriamente dita, mas uma jovem que encontrou na grande beleza o único meio de perseguir uma vida plena de realização –e por consequência, um marido rico –deixando-se, com isso, enredar nas garras da promiscuidade.
Ela até rejeita o pagamento em dinheiro que Ligget (Laurence Harvey) quis deixar pela noite que passou com ela, mas ao longo do filme e de seus encontros com o próprio Ligget, com seu melhor amigo Steve (o cantor Eddie Fisher, pai de Carrie Fisher, e que deixou a esposa Debbie Reynolds por conta de um caso com Elizabeth Taylor) e com sua aflita mãe (Mildred Dunnock), ficará bastante claro para Gloria, para os outros personagens à sua volta e para o expectador que as circunstâncias que a acercam se aproximam muito do que pode ser chamado prostituição.
Com base nesse enredo audacioso, “Disque Butterfield 8” trabalha da melhor forma que pode as dinâmicas que se ramificam ao redor de Gloria: Steve, que a ama ao seu jeito e deseja cuidar dela, alimenta com isso o ressentimento da próprio namorada Norma (Susan Oliver). Sua mãe, que tentou criá-la bem a despeito da ausência do pai que morreu cedo –e nisso descobriremos, mais ao fim, as pistas para o comportamento algo auto-destrutivo de Gloria –vive preocupada com suas intensas incursões nessa vida, e tem apenas o nada benevolente ombro da amiga Sra. Thurber (Betty Field, de “Férias de Amor”) para chorar as mágoas. O próprio Ligget, alvo de Gloria para obter a vida melhor que almejava, tem seus próprios problemas; a boa vida de ricaço que desfruta só é possível graças ao casamento que o atrelou a uma mulher que não ama (Dina Merrill), a um emprego de fachada, e a uma rotina onde a submissão e a servidão são mascaradas por bebedeiras, gastos e casos extra-conjugais –e embora o personagem seja naturalmente apático poderia até ganhar um pouco mais de simpatia do público não fosse a atuação mecânica e desanimada de Laurence Harvey.
A segunda parte captura Gloria e Ligget tentando lidar com a paixão verdadeira que surge entre eles naqueles tempos tão cínicos. E como não poderia deixar de ser, os pequenos detalhes estão lá, desde o começo, a sedimentar o caminho que haverá de afastá-los.
De um modo geral, são todos personagens escritos, construídos e interpretados com zelo, contudo, o roteiro de Charles Schnee e John Michael Hayes (a partir do livro de John O’Hara) não se harmoniza à perfeição com a direção de Mann a ponto de moldar uma narrativa totalmente absorvente: O filme, por vezes, se compromete numa apatia, em parte originada da abordagem elíptica de seu conteúdo.
Certamente, a atuação de Elizabeth Taylor destaca-se; ela constrói uma personagem de camadas que vão se revelando (e desconcertando o expectador) ao longo da trama, sem nunca cair em armadilhas óbvias e mantendo sempre uma coerência louvável, uma humanidade vívida e um magnetismo autêntico; para os expectadores de hoje, talvez, sua caracterização pareça perfeita e vistosa demais para a personagem em rota de franca dissolução que interpreta, mas eram tempos que preferia-se a sutileza ao despojamento e, certamente, a sugestão ao escândalo –por tal equilíbrio e propriedade, ela arrebatou o Oscar 1961 de Melhor Atriz.

sábado, 20 de outubro de 2018

Os Vencedores do Oscar 1961


A inovação promovida pelo genial Billy Wilder superou a necessidade de reconhecimento do já consagrado que vinha há alguns anos norteando a Academia. Daí, os cinco prêmios concedidos a um filme que, com sutileza e graça, falava sobre a revolução sexual ainda em progresso naqueles anos 1960.
Com efeito, grandes nomes de Hollywood foram lembrados entre os intérpretes, sobretudo o grande Burt Lancaster, por sua vulcânica atuação como pastor religioso em “Entre Deus e O Pecado” (que ele dividiu com sua parceira de cena, Shirley Jones, premiada como coadjuvante), e a estrela Elizabeth Taylor, premiada por “Disque Butterfield 8”, depois de ser indicada em todos os três anos anteriores!
O prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para Peter Ustinov foi uma das poucas honrarias a um dos grandes filmes da noite, o épico “Spartacus”, de Stanley Kubrick.

MELHOR FILME

MELHOR DIREÇÃO
"Se Meu Apartamento Falasse", Billy Wilder

MELHOR ATRIZ
Elizabeth Taylor, "Disque Butterfield 8"

MELHOR ATOR
Burt Lancaster, "Entre Deus e O Pecado"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Shirley Jones, "Entre Deus e O Pecado"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Peter Ustinov, "Spartacus"

MELHOR FOTOGRAFIA P&B
"Filhos e Amantes"

MELHOR FOTOGRAFIA CORES
"Spartacus"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"A Fonte da Donzela" (Suécia)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
"A Máquina do Tempo"

MELHOR FIGURINO P&B
"Jogo Proibido"

MELHOR FIGURINO CORES
"Spartacus"

MELHOR SOM
"O Álamo"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE P&B
"Se Meu Apartamento Falasse"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE CORES
"Spartacus"

MELHOR TRILHA SONORA MUSICAL OU COMÉDIA
“Sonho de Amor"

MELHOR TRILHA SONORA DRAMA
"Exodus"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Never On Sunday", de "Nunca Aos Domingos"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Se Meu Apartamento Falasse"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Entre Deus e O Pecado"

MELHOR MONTAGEM
"Se Meu Apartamento Falasse"

sábado, 25 de agosto de 2018

Os Vencedores do Oscar 1967


A cerimônia daquele ano deixava claro que ainda havia uma grande parcela de realizadores ativos no cinema que provinham da Velha Hollywood, e que ainda estavam dispostos a continuar em atividade –a vitória do drama de época “O Homem Que Não Vendeu Sua Alma”, do veterano Fred Zinnemann, era indicativo também de que haviam muitos membros na Academia dispostos a prestar reconhecimento a esse cinema mais clássico e aos seus representantes.
Mesmo que isso significasse, em prol do tradicionalismo, ignorar trabalhos contundentes sobre questões muito atuais como a revolução sexual (“Como Conquistar As Mulheres”, com cinco indicações), as novas dinâmicas sociais (“Quem Tem Medo de Virginia Wolf?”, honrado com os Oscar de Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e três estatuetas técnicas) e até mesmo representantes de um novo cinema comercial mais transgressivo que surgia (o anárquico “Os Russos Está Chegando, Os Russos Estão Chegando”) –e que, nos anos vindouros, viria a dar lugar à Nova Hollywood.

MELHOR FILME
"O Homem Que Não Vendeu Sua Alma"

MELHOR DIREÇÃO
"O Homem Que Não Vendeu Sua Alma", Fred Zinnemann

MELHOR ATRIZ
Elizabeth Taylor, "Quem Tem Medo de Virginia Wolf?"

MELHOR ATOR
Paul Scofield, "O Homem Que Não Vendeu Sua Alma"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Sandy Dennis, "Quem Tem Medo de Virginia Wolf?"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Walter Matthau, "Uma Loira Por Um Milhão"

MELHOR FOTOGRAFIA P&B
"Quem Tem Medo de Virginia Wolf?"

MELHOR FOTOGRAFIA CORES
"O Homem Que Não Vendeu Sua Alma"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Um Homem, Uma Mulher" (França)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
"Viagem Fantástica"

MELHORES EFEITOS SONOROS
"Grand Prix"

MELHOR FIGURINO P&B
"Quem Tem Medo de Virginia Wolf?"

MELHOR FIGURINO CORES
"O Homem Que Não Vendeu Sua Alma"

MELHOR SOM
"Grand Prix"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE P&B
"Quem Tem Medo de Virginia Wolf?"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE CORES
"Viagem Fantástica"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“A História de Elza"

MELHOR TRILHA SONORA ADAPTADA
"Um Escravo das Arábias Em Roma"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Born Free", de "A História de Elza"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Um Homem, Uma Mulher"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"O Homem Que Não Vendeu Sua Alma"

MELHOR MONTAGEM
"Grand Prix"

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Gata Em Teto de zinco Quente


Neste bom trabalho do diretor Richard Brooks, o título é uma metáfora da própria situação da protagonista (esboçada logo em um dos primeiros diálogos): Uma mulher que se vê aflita, acuada, vulnerável e potencialmente hostil por meio de uma circunstância que a narrativa haverá de lhe impor.
Tal mulher, é Maggie (Elizabeth Taylor) que se vê no centro de uma mesquinha disputa familiar. Seu marido, o imaturo Brick (Paul Newman) e seu cunhado Gooper (Jack Carson) são os herdeiros em potencial da fortuna que o patriarca Big Daddy (o ótimo Burl ives) juntou com tanto empenho ao longo da vida.
Há uma suposição no ar de que Big Daddy não está bem e que seu fim está próximo, o que mobiliza os parentes na ansiedade de descobrir quem lhe sucederá. Mesmo quando ele regressa, no início do filme, de uma clínica com notícias que indicam uma melhora, esse alívio não passa de uma aparência.
Ao longo da festa de recepção ao Big Daddy que se segue, Gooper e a perdulária esposa Mae (Madeleine Sherwood) irão afiar suas garras com aquilo de que dispõe: O fato de Gooper ter se tornado advogado, de ser aparentemente mais responsável em comparação com Brick, e de terem tido filhos, fornecendo netos à Big Daddy.
Também Brick e Maggie têm sua própria roupa suja para lavar: Ela deseja apoiar o marido, mas uma situação não esclarecida no passado recente dos dois não permite que haja harmonia na relação –havendo até mesmo uma sutil sugestão de envolvimento homoafetivo que nunca é completamente desenvolvida pela premissa.
No filme que se inicia caótico e repleto de segundas intenções, Big Daddy surge assim como um catalizador dessas verdades que precisam aflorar para que uma solução seja encontrada; antes que seja tarde.
Com o pé quebrado todo o filme –e, por isso mesmo, manco e fragilizado –Brick parece ser o único personagem consciente de tal finitude, embora seu comportamento evasivo, inconsequente e alcoólatra na maior parte do tempo acabe escondendo as melhores características do personagem (não o livra da apatia nem mesmo o fato de ter ganhado sua própria cena-prólogo). Ainda que pareça ser essa mesma a intenção existente na peça de Tennessee Williams: A de salientar o quão fácil as intrigas de poder enfatizam o pior do ser humano.
Maggie não é, portanto, nenhuma heroína –embora a presença carismática e encantadora de Elizabeth Taylor consigam elevá-la a tal patamar, minimizando a humanização torpe que a personagem sofre (como a todos no filme) e levando o público a torcer por ela e por Brick, num maniqueísmo que provavelmente não se expressava com tanta força na versão teatral.