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sexta-feira, 8 de julho de 2022

Thor - Amor & Trovão


 Se em “Thor-Ragnarok” o diretor Taika Waititi havia encontrado o que parecia ser enfim o tom certo para as aventuras de Thor –o de uma comédia do absurdo temperada com ação épica decalcada do “Flash Gordon” dos anos 1980 –em “Thor-Amor & Trovão” tais aspirações e, sobretudo, a necessidade muito mercadológica de superá-las, ameaçam ruir sob a pressão da própria narrativa.

Como em seu antecessor, “Amor & Trovão” pulsa espirituosidade, e até mesmo uma certa originalidade na maneira com que enxerga uma forma distinta de colocar seu herói mitológico num prisma diferenciado de graça, conflitos existenciais e visual arrojado, contudo, ao procurar ir um pouco mais longe do que foi “Ragnarok”, lhe aumentando o escopo e tudo o mais, este “Amor & Trovão” acaba também expondo as limitações de Waititi. Nota-se, agora, que ele perde um pouco a noção de seu humor a partir do momento em que se defronta com situações que perigam ser repetitivas, e que sua paciência para com as cenas de ação se esgota muito facilmente.

Experimentando uma crise existencial desde que deixou a Terra ao final de “Vingadores-Ultimato” acompanhado dos Guardiões da Galáxia, Thor Odinson (Chris Hemsworth, sempre formidável) revê sua identidade como super-herói –ele mal tem ânimo, ou motivação, para participar das injustificadas batalhas ao lado de seus novos companheiros. Ainda assim, seu caminho toma um novo rumo quando parte atrás do paradeiro de Lady Sif (Jamie Alexander, numa personagem que havia sido estranhamente esquecida em “Ragnarok”) e descobre que um certo Gorr, auto-intitulado Carniceiro dos Deuses, vem fazendo das suas. Vivido pela hábil concepção minimalista do sempre talentoso Christian Bale, Gorr é um personagem trágico como toca a todo bom vilão –suas incomensuráveis aflições sofreram tamanha indiferença da parte dos deuses para quem rogou ajuda que, uma vez dotado da famigerada Espada Necromante, ele decide dar cabo de todas as divindades universo afora.

Esses percalços levam Thor de volta à terra, onde se encontra a comunidade de Nova Asgard, remanescentes da destruição promovida em seu reino no último filme, e lá, em meio à uma batalha, ele reencontra Jane Foster, uma antiga ex-paixão –leia-se: A namoradinha do super-herói nos filmes “Thor 1” e “Thor 2”.

Interpretada por Natalie Portman, que na época havia acabado de levar o Oscar de Melhor Atriz por “Cisne Negro”, Jane Foster era, até então, algo entre uma donzela em perigo e um alívio cômico. Foi Taika Waititi quem convenceu a atriz a voltar ao papel prometendo-lhe um arco narrativo que parecia ser improvável de ganhar as telas de cinema: Nas HQs, Jane se torna digna de empunhar o Mjolnir –o martelo de Thor, feito em pedaços por Hela, a Deusa da Morte, em “Ragnarok” –e com isso adquire todos os poderes do Deus do Trovão convertendo-se numa versão feminina do herói e num dos tantos exemplos de empoderamento e emancipação que afloraram na cultura pop. Mais do que transpor essa trama para o audio-visual, o que Waititi faz aqui é finalmente mostrar porque uma atriz vencedora do Oscar está a desempenhar esta personagem: Se em “Ragnarok” ele remodelou Thor dando-lhe a ênfase de protagonista que outros diretores não souberam dar, em “Amor & Trovão”, ainda que ele mantenha o foco de seu enredo em Thor, ele transforma Jane numa heroína de fato, dando-lhe um propósito e, de certa maneira, um desfecho. Uma personagem numa jornada.

É claro que, no processo, muita galhofa é mostrada o que, na soma de seus elementos, quase converte “Amor & Trovão” numa comédia romântica: Lá está, afinal, o relacionamento cheio de altor e baixos entre dois personagens feitos um para o outro (ainda que os próprios sejam os únicos que não se deem conta disso); lá estão as piadinhas (algumas bem infames) que temperam as dores de amor com um aroma agridoce; e lá também está uma idealização muito cinematográfica das complicações românticas, onde elas ganham ares de conto de fadas. Se tudo isso é descoberto na moldura muito modernosa de um filme de super-herói, é porque trata-se aparentemente de uma das propostas da Marvel Studios nesta produção. Se “Viúva Negra” era um thriller de espionagem, “Shang Chi e A Lenda dos Dez Anéis” era um épico de artes marciais e “Dr. Estranho No Multiverso da Loucura”, um filme de terror, então, “Amor & Trovão” guardadas as devidas concessões com cenas de ação, batalhas e a profusão usual e incontornável de efeitos visuais, é deveras uma comédia romântica.

Desde os eventos bombásticos ocasionados em “Vingadores-Ultimato” muito se pergunta qual será o caminho trilhado pela Marvel daqui para frente. Ele ainda não ficou completamente claro, mas é visto, pelo que se observou até aqui, que o estúdio está disposto a pisar no freio: Afinal, é inconcebível entregar ano após ano um evento cinematográfico da estatura de “Ultimato”.

A saida, portanto, é experimentar com novas interpretações de gênero, daí a sensação de que, diferente de todos os longa-metragens que iniciaram seu festejado universo compartilhado, todos os filmes que integraram até agora a chamada Fase 4 parecem ser obras independentes, pouco ou nada ligadas umas às outras –ainda que, nas sutilezas, as ligações continuem todas lá.

Pela confiança depositada em Taika Waititi e pela natureza mais incomum do próprio protagonista, “Thor-Amor & Trovão” é a obra mais independente de todas as demais, narrativamente falando, o que significa que o expectador pode aproveitar seu humor claudicante (ora hilário, ora constrangedor), sua emoção ocasionalmente eficiente e o exuberante colorido de suas cenas por aquilo que realmente é: Um filme vibrante, ainda que imperfeito.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

O Esquadrão Suicida


 Os percalços que levaram às telas esta nova versão de O Esquadrão Suicida são um exemplo das voltas que o mundo dá: Sucesso de público e fracasso de crítica (um fenômeno muito mais comum do que pode parecer), “Esquadrão Suicida”, dirigido por David Ayer, foi um dos muitos filmes que comprometeram a viabilidade do Universo Compartilhado da DC Comics almejado pela Warner Studios.

Era consenso geral que o trabalho de Ayer foi incapaz de capturar o sarcasmo necessário aos personagens –um grupo de heróis formado por vilões –o que transformou o filme numa sucessão de incoerências e frustrações, longe da intenção inicial de fazer dele uma espécie “Guardiões da Galáxia” da Distinta Concorrência. Contudo, quis o destino que James Gunn, justamente o cérebro por trás da originalidade palpitante daquele filme da Marvel Studios, ficasse em maus lençóis com os executivos da Disney devido ao aparecimento de twits polêmicos que ele escrevera muitos anos atrás. Demitido (por pouco tempo, já que foi recontratado), James Gunn ficou assim disponível para ser recrutado pela própria Warner Bros, que não pestanejou diante da oportunidade de ciscar no terreno do vizinho.

E assim, Gunn incumbiu-se de dirigir e roteirizar um novo “Esquadrão Suicida” que a um só tempo é continuação, reinvenção, derivado e reformulação do filme anterior (a única modificação no título é o acréscimo do artigo “O”). Sob muitos aspectos, ele deixa aquele filme completamente de lado para alçar voo próprio diante das possibilidades instigantes que descobre. Roteirista e diretor brilhante (anos-luz à frente de David Ayer, diga-se), James Gunn é um conhecedor intrínseco de histórias em quadrinhos, logo, ele compreende o contexto, a proposta e a dinâmica dos personagens reunidos em “O Esquadrão Suicida” de uma forma que David Ayer jamais conseguirá. E, como diretor, possuir também uma apurada percepção de cinema também ajuda muito.

Arrojado que só, “O Esquadrão Suicida” já começa num enquadramento de câmera absolutamente audacioso, mostrando Savant (Michael Rooker), um prisioneiro que, nos moldes dos personagens do filme anterior, é recrutado pela impiedosa Amanda Waller (Viola Davis que aqui não rouba a cena porque simplesmente todos estão sensacionais) para integrar o Esquadrão Suicida –um grupo de força-tarefa cujos membros, na falta de heróis superpoderosos, são escolhidos entre os vilões mesmo.

Único personagem minimamente nobre entre eles é o Coronel Rick Flag (Joel Kinnaman), oriundo do filme anterior –também são de lá o ardiloso Capitão Bumerangue (Jai Courtney) e, claro, a doce e psicótica Arlequina, personagem que, à essa altura, a australiana Margot Robbie já tornou tão antológica quanto indissociável dela própria.

O grupo é despachado para a republiqueta sul-americana de Corto Maltese (nome que, em si, já representa uma das muitas e sensacionais referências plantadas por Gunn na trama) para um missão algo nebulosa e, logo na chegada, são atacados. E eis que a obra de Gunn revela, já aí, toda a coragem, habilidade e excelência que faltou no outro filme: Salvo Rick Flag e Arlequina todos os outros personagens acabam mortos –até mesmo o personagem de Michael Rooker, até então sugerido pela narrativa como os olhos do público!

É só o começo, literalmente –tudo isso ocorre antes mesmo dos créditos iniciais!

Em “O Esquadrão Suicida”, mais que qualquer coisa, James Gunn exercita sua capacidade de se fazer imprevisível. O andamento da trama, as mortes que se sucederão ou não, e a guinada de roteiro seguinte são elementos que dificilmente os expectadores serão capazes de prever.

Um pouco longe dali, um segundo grupo também foi recrutado e enviado, grupo este composto pelo Sanguinário (o ótimo Idris Elba), o Pacificador (John Cena, de "Bumblebee", cada vez melhor), o Homem-Bolinhas (David Dastmalchian, de “Homem-Formiga”), a Caça-Ratos 2 (Daniela Melchior) e o simultaneamente fofo e amedrontador Tubarão-Rei (voz de Sylvester Stallone).

Com habilidade insuspeita, o diretor James Gunn conduz a trama alternando esses dois grupos a medida que vai revelando algumas surpresas referentes à missão incumbida. Isso permite à Gunn explorar o termo ‘suicida’ presente em seu título –o desapego com que o diretor descarta muitos personagens ao longo do filme acrescenta um toque inesperado de suspense às situações de perigo –e operar com uma liberdade que não usufruía nem mesmo na Marvel Studios –produtora de filmes bem comportados, para todos os públicos, muito diferentes deste daqui onde Gunn enche a boca de seus personagens com impropérios e palavrões, pisa no acelerador no quesito da violência e emprega sanguinolência num nível similar somente ao que ele havia feito na produtora Troma em seu início de carreira.

De fato, “O Esquadrão Suicida” tem tudo isso; ação, violência, pancadaria, tiros e mortes, mas, é também um filme cheio de poesia: Na concepção irretocável em termos de um maior requinte cinematográfico, na escolha sublime e primordial das músicas que integram a trilha sonora (milagre que ele já havia executado em “Guardões da Galáxia”), na construção finalmente apropriada, ácida e vibrante dos personagens politicamente incorretos que tem em mãos, James Gunn finalmente mostra como fazer um filme de verdade com o Esquadrão Suicida, e de quebra entrega uma das melhores produções baseadas em histórias em quadrinhos de todos os tempos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Lanterna Verde


 O cinema comercial é um mar melindroso de se navegar, mais ainda se o seu objetivo vai além do sucesso propriamente dito de um único filme, mas almeja plantar uma semente que leve a toda uma franquia. O público em geral tem um paladar que pede por fórmulas confortáveis, mas que não se prendam à repetição mecânica, sendo temperadas com alguma ousadia e contravenção para se fazer minimamente surpreendente em algum momento.

A Marvel Studios fez escola, e sucesso estrondoso, sabendo administrar esse cardápio.

Muitos foram os que tentaram e não conseguiram. Nesse sentido, uma das primeiras tentativas da DC Comics –que, pelo seu catálogo vasto de conhecidos super-heróis, era a aposta mais óbvia à seguir os passos da Marvel –foi esta produção de 2011 que, pelo perfil dos envolvidos (era dirigida por Martin Campbell, que quatro anos antes entregou o fenomenal “Cassino Royale”; e estrelada por Ryan Reynolds, então um astro em potencial), pelo apelo de seu personagem (uma criação uma bocado original que, nos quadrinhos, ombreia em relevância tanto com Superman quanto com Batman), e pelos indícios inicialmente demonstrados pelo próprio filme (cujas primeiras imagens e trailers apontavam para uma realização visualmente caprichada, com ação e personalidade), prometia acender o estopim que poderia colocar os heróis da DC no cinema.

Se tudo parecia no lugar –e, de certa maneira, realmente estava –“Lanterna Verde” tornou-se uma prova de que, se há um elemento que garante a qualidade (ou falta dela) em um projeto desde sua gênese, este é o roteiro: Escrito pelo quinteto Greg Berlanti, Marc Guggenheim, John Broome, Michael Greenberg e Michael Goldenberg, “Lanterna Verde” desperdiça as facetas épicas embutidas na origem do herói (da qual este filme se incumbe sem maiores entusiasmos) para tentar fazer uma comédia inapropriada na maior parte do tempo –e isso acaba contaminando o bom diretor Campbell que, se consegue imprimir sua experiência na execução de cenas flúidas e bem filmadas, equivoca-se ao optar por um estilo diferenciado de edição onde sequências distintas, como lembranças, se sobrepõem à outras cenas sem um propósito narrativo que as entrelaçasse e sem uma emoção que as fizesse válidas.

Em meio à todo esse equívoco, Ryan Reynolds interpreta o piloto Hal Jordan, cujo destino, ele mal sabe, é tornar-se um super-herói: Nos confins da galáxia, a criatura Paralax, um mal constituído de medo (ou, ao menos, essa é a pífia definição que ele recebe...) inicia o seu trajeto para consumir mundos. A Tropa dos Lanternas Verdes, guardiões de vários setores da galáxia, é enviada para detê-lo, mas Abin Sur (Temuera Morrison, de “Aquaman”), o lanterna verde do setor onde está a Terra, é atingido e cai, moribundo, em nosso planeta. Seguindo o protocolo, ele envia seu poderoso anel mágico para procurar uma alma corajosa e benevolente, digna de substituí-lo, e eis que ele escolhe Hal Jordan.

Dotados desses novos poderes –que, como é de se supor, vai gradativamente aprendendo a usar –Jordan entra em contato com os alienígenas da Tropa de Lanternas Verdes –entre os quais Kilowog (voz de Michael Clarke Duncan), Tomar-Re (voz de Geoffrey Rush) e Sinestro (Mark Strong, num personagem que seria o possível vilão da continuação) –passa a treinar para seu iminente confronto com Paralax –no qual, é claro, ele desempenhará papel crucial! –e descobre-se o herói que jamais imaginou ser.

Em algum momento dessa jornada, existem os desnecessários acréscimos de um núcleo humano, a dar conta de uma trama sucedida aqui na Terra, e que mostra o vilanesco Hector Hammond (Peter Sarsgaard) sendo contaminado pela matéria que gerou Paralax e virando, ele próprio, o monstrengo da vez, ameaçando com isso a vida de seu pai, o Senador Hammond (Tim Robbins) e da agente do governo Amanda Waller (Angela Bassett, num papel interpretado depois por Viola Davis em “Esquadrão Suicida”); há também a introdução do inevitável interesse romântico do herói, nas curvas sensacionais de Carol Ferris (a belíssima Blake Lively, que depois casou-se com Reynolds na vida real).

Não faltam boas intenções à “Lanterna Verde”, e nem tampouco possibilidades, sejam elas artísticas ou técnicas, que o tivessem transformado num grande filme, todavia, a ineficiência atroz de seu roteiro e sua sucessão quase inacreditável de lapsos (inclusive, alguns grotescos de inverossimilhança e continuidade) o sabotam de tal maneira que, chegando perto do fim, a sacada derradeira e patética com a qual o bem vence o mal já nem espanta mais o público, insensibilizado por um filme tão erroneamente construído.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Jojo Rabbit

Existem artifícios inusitados e tocantes dos quais o diretor Taika Waititi lança mão para fazer aqui um filme de guerra que durante sua maior parte do tempo não quer parecer um filme de guerra.
Seu pequeno herói (e personagem título) é Jojo Betzler (o notável Roman Griffin Davis), um jovem alemão de 12 anos de idade, ávido por integrar a juventude hitlerista naquela época em que corre a Segunda Guerra Mundial –tanto que o amigo imaginário de Jojo é um Adolph Hitler transfigurado pelos rompantes pueris do próprio Jojo (surgindo em cena personificado com equilíbrio refinado entre sátira, paródia e crítica demolidora pelo diretor Waititi).
Na colônia de férias para onde vai –da qual se ocupa a primeira hora de filme –Jojo consegue apenas ser apelidado de Coelho: apenas porque relutou em matar um.
Na tentativa subsequente de mostrar coragem, ele acaba com uma granada explodindo em sua cara (!) e volta para casa.
Todavia, algo está diferente. Como ele vai aos poucos descobrir, sua mãe Rose (Scarlett Johansson, inspiradíssima) contornou as perdas do pai e da irmã mais velha de Jojo (ambos perecidos na guerra) escondendo no sotão a menina judia Elsa Korr (Thomasin McKenzie).
Um dilema ocorre então ao pequeno protagonista –e dele nascem as dinâmicas que determinam o filme: Jojo finge para a mãe que nada sabe –e deve reavaliar assim o próprio nacionalismo cego, manifestado na forma de chiliques homéricos de seu amigo imaginário. A mãe finge para Jojo que tudo está como era antes (numa atuação rica em camadas de Johansson que coloca a situação de “A Vida É Bela”, um pouco similar, no chinelo!). E enquanto nada se resolve, e a guerra corre solta na Europa –mostrada em pequenos indícios recheados de ironia –Jojo vai galgando a curiosidade despertada pela refugiada em seu sotão, e descobre que, por trás do preconceito que a lavagem cerebral do nazismo o ensinou a ter, os judeus são seres humanos dotados de beleza, inteligência, força e encantamento –características que gradualmente o fazem descobrir-se enamorado por Elsa.
Durante a temporada de premiações –que culminou com o filme conquistando o Oscar 2020 de Melhor Roteiro Adaptado –“Jojo Rabbit” ocupou o centro de um debate da crítica sobre ser ou não apropriado um filme de comédia ambientar-se e contextualizar-se no traumático episódio histórico da Segunda Guerra Mundial.
Realizado com o mesmo equilíbrio e parcimônia demonstrados em trabalhos nunca menos que ótimos, como “O Que Fazemos Nas Sombras”, “A Incrível Aventura de Rick Baker” e o comercial “Thor-Ragnarok”, o filme realizado por Waititi prova que sim, é perfeitamente apropriado ambientar uma comédia na Segunda Grande Guerra, inclusive, no coração da própria Alemanha nazista desde que, como aqui, o bom senso de seu realizador trabalhe em constante sintonia com seu ímpeto criativo.
“Jojo Rabbit” abraça assim todas as condições da divertida comédia que é; porque nesse terreno Taika Waititi se revela um gênio inconteste; porque assim ele põe à mesa, com muito humor, as cartas inesperadas que farão seu filme poderosamente contundente; e porque quando “Jojo Rabbit” por fim tiver incorporado suas inevitáveis tintas dramáticas –absolutamente inerentes na premissa que possui –toda essa leveza que as antecipou fez com que as defesas do expectador fossem desarmadas preparando-o para o seu impactante terço final.
Não, Waititi não esquece que sua obra é um filme de guerra, e como tal, ele não poupa os personagens e, portanto, o expectador de descobrirem as consequências atrozes de se viver sob a ameaça do conflito.
“Jojo Rabbit” tem uma condução bela, engraçada e lúdica rumo a uma constatação amarga e necessária, um filme que diverte, emociona e nos faz pensar.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Indicados Ao Oscar 2020

E está dada a largada ao que ainda é considerado o grande prêmio do cinema:

Melhor Filme
1917
Adoráveis Mulheres
Coringa
Era Uma Vez em... Hollywood
Ford vs Ferrari
História de Um Casamento
O Irlandês
Jojo Rabbit
Parasita

“Coringa” lidera o número de indicações, com 11, seguido por “Era Uma Vez em... Hollywood” e “O Irlandês”, com 10 cada, contudo, há tempos que o número de indicações não quer dizer favoritismo na premiação –colocando as demais premiações em perspectiva, muito se aposta na obra de Quentin Tarantino que parece usufruir de fatores muito favoráveis junto ao prêmio.
E que felicidade é ver “Parasita” gozando de tantas honrarias!

Melhor Atriz
Scarlet Johansson – História de Um Casamento
Renée Zellweger – Judy-Muito Além do Arco-Íris
Charlize Theron – O Escândalo
Saoirse Ronan – Adoráveis Mulheres
Cynthia Erivo – Harriet

Melhor Ator
Joaquin Phoenix – Coringa
Adam Driver – História de Um Casamento
Antonio Banderas – Dor e Glória
Jonathan Pryce – Dois Papas
Leonardo DiCaprio – Era Uma Vez em... Hollywood

Os favoritos: Renée Zellweger e Joaquin Phoenix, sem discussão!
Quem pode ameçar a supremacia de cada um deles é, respectivamente, Charlize Theron e Adam Driver.
A inclusão de Antonio Banderas entre os melhores atores é certamente uma daquelas alegrias que vez ou outra o Oscar nos proporciona; pena elas não serem mais frequentes...

Melhor Atriz Coadjuvante
Laura Dern – História de Um Casamento
Margot Robbie – O Escândalo
Scarlett Johansson – Jojo Rabbit
Florence Pugh – Adoráveis Mulheres
Kathy Bates – Richard Jewell

Melhor Ator Coadjuvante
Brad Pitt – Era Uma Vez em... Hollywood
Anthony Hopkins – Dois Papas
Tom Hanks – Um Lindo Dia na Vizinhança
Al Pacino – O Irlandês
Joe Pesci – O Irlandês

Antes de falar sobre os possíveis ganhadores, deixem-me expressar minha felicidade pela dupla indicação de Scarlett Johansson, na categoria principal (por “História de Um Casamento”) e na de coadjuvante pelo belo trabalho de Taika Waikiki; demorou para que a Academia reconhecesse seu já comprovado talento, acima da linda mulher (e símbolo sexual) que ela é, mas quando o fez, foi com pompa e circunstância!
Como no Globo de Ouro, as presenças de Al Pacino e Joe Pesci (com destaque para o segundo) parecem ameaçar tremendamente o favoritismo de Brad Pitt que vem (merecidamente) se consolidando ao longo da temporada. Eu prefiro (inclusive em outras categorias!) infinitamente mais a homenagem esperta e camarada de Tarantino à Hollywood do que o estudo sobre o tempo, o envelhecimento e a resiliência conduzido por Scorsese. Entre as atrizes coadjuvantes, a bela surpresa na inclusão de Kathy Bates, Margot Robbie e Florence Pugh não tira a liderança nas apostas de Laura Dern, vencedora em praticamente todos os prêmios que disputou até agora –este parece ser o ano da musa de David Lynch!

Melhor Diretor
Martin Scorsese – O Irlandês
Quentin Tarantino – Era Uma Vez em... Hollywood
Sam Mendes – 1917
Bong Joon Ho – Parasita
Todd Phillips – Coringa

Melhor Roteiro Original
História de Um Casamento – Noah Baumbach
Era Uma Vez em... Hollywood – Quentin Tarantino
Parasita – Bong Joon Ho, Han Jin Won (História por Bon Joon Ho)
Entre Facas e Segredos – Rian Johnson
1917 – Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns

Melhor Roteiro Adaptado
Jojo Rabbit – Taika Waititi
O Irlandês – Steven Zaillian
Dois Papas – Anthony McCarten
Coringa – Todd Phillips e Scott Silver
Adoráveis Mulheres – Greta Gerwig

Um prazer ver Bong Joon-Ho e seu “Parasita” em tantas categorias, é bem provável que todas essas indicações se concretizem no único prêmio de Filme Estrangeiro, mas já está bom demais!
Com Scorsese perdendo terreno na temporada de prêmios, é de se imaginar o Oscar de Melhor Diretor ficando mesmo entre Sam Mendes (até então o favorito) e Quentin Tarantino, que deve mesmo prevalecer na categoria de Roteiro Original.
Já, entre os roteiros adaptados, “O irlandês” deve competir direto com a delicadeza e qualidade de “Adoráveis Mulheres” –e com o imenso apreço que a Academia parece nutrir pelas obras de Greta Gerwig –e com a larga aceitação de púlbico e crítica de “Coringa”, fatores que podem influenciar numa categoria sem tantos favoritos como esta.

Melhor Figurino
Jojo Rabbit
Era Uma Vez em... Hollywood
O Irlandês
Coringa
Adoráveis Mulheres

Melhor Maquiagem & Cabelo
O Escândalo
Coringa
Judy-Muito Além do Arco-Íris
Malévola-Dona do Mal
1917

Melhor Direção de Arte
Era Uma Vez em... Hollywood
1917
Jojo Rabbit
O Irlandês
Parasita

Melhor Trilha Sonora Original
Coringa
Adoráveis Mulheres
História de um Casamento
1917
Star Wars-A Ascensão Skywalker

Melhor Canção Original
“I’m Standing With You” de Superação-O Milagre da Fé
“Into the Unknown” de Frozen 2
“Stand Up” de Harriet
“(I’m Gonna) Love Me Again” de Rocketman
“I Can’t Let You Throw Yourself Away” de Toy Story 4

Melhor Fotografia
1917
Coringa
O Irlandês
O Farol
Era Uma Vez em... Hollywood

Melhor Montagem
O Irlandês
Ford vs Ferrari
Coringa
Jojo Rabbit
Parasita

Melhor Edição de Som
1917
Coringa
Ford vs Ferrari
Star Wars-A Ascensão Skywalker
Era Uma Vez em... Hollywood

Melhor Mixagem de Som
Coringa
Ad Astra
1917
Ford vs Ferrari
Era Uma Vez em... Hollywood

Melhores Efeitos Visuais
Vingadores-Ultimato
O Irlandês
O Rei Leão
1917
Star Wars-A Ascensão Skywalker

De modo geral, as categorias técnicas têm, em “1917”, seu grande favorito –até mesmo em efeitos visuais, onde se destaca o fenômeno “Vingadores-Ultimato”.
Entre surpresas de última hora (“Ad Astra” em Mixagem de Som e “O Farol” em Fotografia) e esnobadas intrigantes (sobretudo, a ausência de “Era Uma Vez em... Hollywood” em Melhor Montagem, vaga que provavelmente ficou com “Ford vs Ferrari”), temos “Rocketman”, cujo favoritismo em Melhor Canção Original terá de compensar seu esquecimento em praticamente todas as outras categorias.

Melhor Documentário
Democracia em Vertigem
American Factory
The Cave
For Sama
Honeyland

Melhor Animação
Toy Story 4
I Lost My Body
Link Perdido
Como Treinar Seu Dragão 3
Klaus

Melhor Filme Estrangeiro
Honeyland – Macedônia
Corpus Christi – Polônia
Parasita – Coreia do Sul
Les Misérables – França
Dor e Glória – Espanha

Como é até habitual, a Academia reconhece o valor do cinema brasileiro com mais frequência entre os documentários –e este ano, é “Democracia em Vertigem” que ganha a honraria –entre as animações, a grande surpresa foi a ausência de “Frozen 2”, que restrige ao peso-pesado “Toy Story 4” a tarefa de superar a súbita preferência nas premiações conquistada (sem muito mérito) por “Link Perdido” e (com largo merecimento) por “Klaus”.
Já, o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro já tem dono, embora seja sempre bacana ver uma obra de Pedro Almodovar reiterar a relevância do diretor espanhol: Será o absurdo dos absurdos se a Academia negar esse Oscar ao sul-coreano “Parasita”.

Melhor Curta Animado
Dcera (Daughter)
Hair Love
Kitbull
Memorable
Sister

Melhor Curta em Documentário
In the Absence
Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)
A Vida em Mim
St. Louis Superman
Walk Run Cha-Cha

Melhor Curta em Live-Action
Brotherhood
Nefta Football Club
The Neighbors’ Window
Saria
A Sister

A confirmação dos favoritos ou a invalidação das maiores apostas se dará no dia 9 de fevereiro, na 92ª Cerimônia do Oscar, a ser realizada no Teatro Dolby, em Los Angeles.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2020

Nem bem a CCXP acabou e eis que a Imprensa Estrangeira divulgou hoje os indicados ao Globo de Ouro. Segue a lista:

MELHOR FILME: DRAMA
1917
O Irlandês
Coringa
História de Um Casamento
Dois Papas

MELHOR FILME: MUSICAL OU COMÉDIA
Meu Nome É Dolemite
Jojo Rabbit
Entre Facas e Segredos
Rocketman

Curiosa e até irônica a inclusão da nova obra de Quentin Tarantino entre as comédias; mas, “Era Uma Vez... Em Hollywood” está disputando com títulos elogiadíssimos, em especial, “Meu Nome É Dolemite” e “Jojo Rabbit”, todos exigindo respeito e reconhecimento.
Na categoria drama as coisas estão ainda mais acirradas: Se “O Irlandês” e “Coringa” chegam com a força do sucesso simultâneo de público e crítica, tanto o épico de guerra “1917” quanto “História de Um Casamento”, em seus recentes lançamentos, demonstraram vigor suficiente para atingirem status de favoritos!
Como no ano passado, uma predominância de títulos oriundos de streaming se percebe entre as obras exclusivamente cinematográficas: “O Irlandês”, “História de Um Casamento”, "Dois Papas" e “Meu Nome É Dolemite” são da NetFlix.

MELHOR DIRETOR
Bong Joon-HoParasita
Sam Mendes1917
Todd Phillips, Coringa
Martin ScorseseO Irlandês
Quentin Tarantino, Era Uma Vez… Em Hollywood

Uma maravilha poder testemunhar o reconhecimento sem precedentes ao cinema sul-coreano até então. Está certo que o magistral “Parasita” pode acabar ficando só nas indicações –afinal, ele concorre com a técnica impecável e implacável de Sam Mendes (que alguns estão comparando com o virtuosismo já lendário de “O Resgate do Soldado Ryan”); com a aclamada realização de Todd Philips (a quem o Globo de Ouro já premiou em 2009 por “Se Beber Não Case”); e os trabalhos maiúsculos dos gênios Martin Scorsese e Tarantino –mas é um deleite ver o nome de Bong Joon-Ho (de obras como “O Expresso do Amanhã” e “O Hospedeiro”) ao lado de medalhões do cinema hollywoodiano.

MELHOR ATRIZ EM FILME: DRAMA
Cynthia ErivoHarriet
Scarlett JohanssonHistória de Um Casamento
Saoirse RonanAdoráveis Mulheres
Charlize TheronO Escândalo
Renée ZellwegerJudy

MELHOR ATOR EM FILME: DRAMA
Christian Bale, Ford vs. Ferrari
Antonio BanderasDor & Glória
Adam DriverHistória de Um Casamento
Joaquin PhoenixCoringa
Jonathan PryceDois Papas

Os intérpretes de drama surgem com alguns favoritismos aparentes: Entre as atrizes, o trabalho que goza, por ora, de maior aclamação junto à crítica é o de Renée Zellweger, onde ela traz Judy Garland à vida, mas há de se lembrar de Scarlett Johansson, uma atriz sempre capaz, talentosa e relevante, dona de poucas indicações ao longo de sua carreira (e nenhuma indicação ao Oscar!) num trabalho que parece ser o ponto de virada para essa injustiça.
Já, entre os atores, a ausência de Robert De Niro (por "O Irlandês") e de Adam Sandler (pelo premiado “Uncut Gems”) e o encaixe de Leonardo DiCaprio e Taron Egerton entre os intérpretes de comédia ou musical deixa a situação bastante propícia para a consagração de Joaquin Phoenix e sua ovacionada atuação em “Coringa”, seu maior competidor é, quando muito, a excelência de Adam Driver em “História de Um Casamento”.

MELHOR ATRIZ EM FILME: MUSICAL OU COMÉDIA
Ana de ArmasEntre Facas e Segredos
AwkwafinaThe Farewell
Cate BlanchettCadê Você, Bernadette?
Beanie FeldsteinFora de Série
Emma ThompsonLate Night

MELHOR ATOR EM FILME: MUSICAL OU COMÉDIA
Daniel CraigEntre Facas e Segredos
Roman Griffin DavisJojo Rabbit
Leonardo DiCaprioEra Uma Vez… Em Hollywood
Taron EgertonRocketman
Eddie MurphyMeu Nome É Dolemite

O grande problema na categoria das atrizes em comédia ou musical é a completa ausência de um nome que tenha se destacado nas bolsas de apostas até então: Emma Thompson e Cate Blanchett levam vantagem pela consagração da carreira pregressa, mas as jovens Ana de Armas e Awkwafina chegam apresentando trabalhos surpreendentes em obras que prontamente conquistaram a crítica.
Com os atores, meu gosto pessoal me leva a torcer pela performance brilhante de DiCaprio, embora os críticos tenham se rendido ao talento de Eddie Murphy que, de tempos em tempos, encontra um filme capaz de evidenciar o grande ator que é (como ocorreu em meados de 2006 com “Dreamgirls”).
De resto, é muito bom ver o reconhecimento prestado ao grande ator que Daniel Craig consegue ser quando sai de sua zona de conforto; à sensibilidade precoce do pequeno e notável Roman Griffin Davis (lembrando ser ele uma das poucas menções ao grande trabalho de Taika Waititi, “Jojo Rabbit”); e ao desempenho louvável de Taron Egerton como Elton John –cujos planos de repetir a trilha vitoriosa de Rami Malek no ano passado esbarraram na concorrência bem mais pesada deste ano!

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Kathy BatesO Caso Richard Jewell
Annette BeningO Relatório
Laura DernHistória de Um Casamento
Jennifer LopezAs Golpistas
Margot RobbieO Escândalo

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Tom HanksUm Lindo Dia na Vizinhança
Anthony HopkinsDois Papas
Al PacinoO Irlandês
Joe Pesci, O Irlandês
Brad PittEra Uma Vez… Em Hollywood

Por mais que a presença de Brad Pitt entre os indicados a Melhor Coadjuvante me encha de felicidade, é preciso admitir que Al Pacino e Joe Pesci, por “O Irlandês”, formam uma dobradinha difícil de ser superada –com a possível predileção dos votantes para o segundo.
A categoria de atrizes coadjuvantes foi uma oportunidade para o Globo de Ouro incluir grandes trabalhos esquecidos nas categorias principais, como “As Golpistas”, filme-sensação no Festival de Toronto, cuja indicação para Jennifer Lopez causou estranhamento por não ser entre as atrizes principais –é exatamente esse detalhe que pode fazer dela a favorita da categoria.
Contudo, as esplêndidas presenças de Margot Robbie e de Laura Dern não devem ser subestimadas.

MELHOR ROTEIRO
História de Um Casamento
Parasita
Dois Papas
Era Uma Vez… Em Hollywood
O Irlandês

MELHOR ANIMAÇÃO
Frozen II
Como Treinar Seu Dragão 3
O Elo Perdido

Causou surpresa a ausência de “Entre Facas e Segredos” entre os indicados à Melhor Roteiro –justamente esse que era apontado como um dos quesitos mais fascinantes do filme de Rian Johnson –o que deve deixar a disputa mais equilibrada, visto que todos são obras magistrais que primam pela mágica de uma história bem contada.
Por incrível que possa parecer, é aqui que “O Irlandês” ostenta menos favoritismo (mas, ele pode levar conforme sua premiação seja indulgente demais), deixando margem para praticamente todos os concorrentes: A sensibilidade singular de “História de Um Casamento”; a energia cinematográfica incomum de “Parasita”; o refinamento inquestionável de “Era Uma Vez... Em Hollywood”; e a primazia dramática de “Dois Papas”.
Entre as animações a briga certamente será de cachorro grande com as sequências de duas das mais bem-sucedidas animações de todos os tempos (“Frozen” e “Toy Story”) disputando diretamente.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Beautiful Ghosts”Cats
“I’m Gonna Love Me Again”Rocketman
“Into the Unknown”Frozen II
“Spirit”O Rei Leão
“Stand Up”Harriet

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Farewell
Os Miseráveis
Dor & Glória
Parasita
Retrato de Uma Jovem em Chamas

Dificilmente o prêmio de filme estrangeiro será tirado das mãos mais do que merecedoras dos realizadores de “Parasita” –e essa premiação deve ser uma compensação pelas demais indicações que permanecerão sendo indicações (embora surpresas desagradáveis dessa natureza sejam até um hábito do Globo de Ouro).
Entre as canções, apesar das prováveis esperanças de alguns fãs que “Rocketman” ou mesmo o incompreendido “Cats” levem alguma coisa, a nova canção clássica de “Frozen II” deve prevalecer; não acredito que a música inédita de Beyoncée para “O Rei Leão” tenha grandes chances.

Estes são, pois, os indicados (lembrando que só falei dos prêmios referentes à cinema), a entrega dos Golden Globes será dia 5 de Janeiro de 2020.