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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Império dos Sonhos - A História da Trilogia Star Wars


 Hoje, “Star Wars” é mais que uma simples saga cinematográfica; é um marco comparável à poucos na cultura pop que reúne uma legião intratável de adoradores e depreciadores que o amam e o odeiam com igual intensidade.

Motivo para isso é seu sucesso incomensurável –que há tempos já extravasou as fronteiras do cinema indo para a animação, quadrinhos, literatura, videogames e séries de TV –e a capacidade de apreender, em toda sua vasta mitologia, um fascínio por elementos imediatamente identificáveis e por personagens inconfundíveis.

O documentário capitaneado por Edith Becker e Kevin Burns, realizado em 2004 para aproveitar o lançamento dos três primeiros filmes em DVD, foi registrado enquanto a polêmica “Trilogia Prequel” (composta de “A Ameaça Fantasma”, “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”) ainda estava sendo realizada, e muito antes de haverem planos para uma “Trilogia Sequel” (que consiste de “O Despertar da Força”, “Os Últimos Jedi” e “A Ascensão Skywalker”) ou do boom que a saga sofreu nos anos recentes ao ser comprada pela Disney e multiplicar seu cânone em séries animadas, derivados e inúmeras outras obras. Portanto, ao filme resta somente registrar o nascimento da obra que originou todo esse vasto universo e que, sabe-se, resume-se aos exemplares da hoje chamada “Trilogia Clássica” (que alberga os seminais “Uma Nova Esperança”, “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi”), cujo dado mais surpreendente seja talvez o de que, tantas obras e ramificações depois, continuam entre os produtos de mais alta qualidade reconhecida seja entre fãs ou críticos.

O que muita gente não sabe, foram as dificuldades homéricas enfrentadas por George Lucas para conceber sua visão –e que encontraram muitos obstáculos devido às inovações que ele vislumbrou em sua realização –e nem a forma (ou o contexto) com que a chamada ‘Febre Star Wars’ dominou o Planeta Terra naqueles turbulentos, mas à sua maneira inocentes, anos 1970.

O documentário explora, em tom notadamente enaltecedor, o pioneirismo do grupo formado ao redor de George Lucas e de como usaram de vasta criatividade para moldar imagens (e sons) que logo entrariam para a História. Acompanhamos a tenacidade de Lucas enquanto criador ao insistir numa aventura de ficção científica construída em circunstâncias que eram, então, sem precedentes: Obras desse cunho, para obter respeito e aprovação crítica, deveriam ser adultas e cerebrais, caso contrário, caíam na desonrosa pecha de produções infantis –o que, muitos à época  insistiram, “Star Wars” seria.

Igualmente sem precedentes foi a opção de Lucas em assumir os direitos sobre o merchandising dos produtos oriundos do filme, algo que, ao longo do tempo, se mostrou um acerto milionário e que, entre outras coisas, definiu o sistema mercadológico do cinema comercial norte-americano dali para frente.

O documentário é respeitoso. Ele omite fatos espinhosos como o romance fora das telas entre Harrison Ford e Carrie Fisher ou o breve problema de vício em drogas dela, porém, ele se estende para além do primeiro filme ao focar na realização também de “O Império Contra-Ataca”. Assim, descobrimos que, em 1980, Lucas depositou todas as suas fichas na continuação, investindo toda a fortuna que havia adquirido com o sucesso do primeiro filme; embora muitos acreditassem, desdenhosamente, que ele já tivesse dinheiro para dar e vender.

Os depoimentos do diretor Irvin Keshner expõem claramente as decisões que levaram a sequência a ser ainda mais memorável que o filme anterior, e as escolhas que levaram aos grandes momentos da saga, como a revelação da paternidade de Darth Vader –mantida em segredo, na cena, até do próprio ator Mark Hammil –e o fenomenal desfecho, com o gancho explícito para a terceira parte.

O último terço dá conta, assim, da realização, aguardada com muito expectativa pelo público, de “O Retorno de Jedi”, quando “Star Wars” já havia se sagrado como uma das grandes franquias do cinema moderno, e seus astros, Hammil, Ford e Fisher, já eram tão reconhecidos que a produção teve de usar títulos alternativos para diblar curiosos –prática esta que também passou a ser adotada por Hollywood.

O documentário ainda traz depoimentos maravilhosos de realizadores direta ou indiretamente influenciados por “Star Wars”, seja nas suas inovações técnicas, seja na inspiração que exerceu quando eles eram fãs –entre essas ilustres aparições estão Steven Spielberg, Francis Ford Coppola (chapas de George Lucas que, inclusive, acompanharam a gestação do conceito de “Star Wars”), Peter Jackson, Jeffrey Katzenberg e John Lasseter. Todos eles e outros convidados (além de outros segmentos mais!) fornecem um panorama do que foi “Star Wars”, não somente o retumbante fenômeno cultural, mas também os fascinantes contratempos enfrentados em sua gênese, e a personalidade pacata, colaborativa e divertida de seu criador, George Lucas, por vezes mostrado como o gestor de inúmeras mentes criativas (algumas mais prodigiosas que a dele próprio) no centro desse furacão que mudou o cinema para todo o sempre.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Mishima - Uma Vida Em Quatro Tempos


 Menos uma biografia e mais uma investigação –tal é o teor contraditório e desafiador de seu protagonista –o filme de Paul Schrader, produzido por Francis Ford Coppola e George Lucas aborda a vida do escritor Yukio Mishima (Ken Ogata, de “Os Últimos Samurais”, “A Balada de Narayama” e “Honra de Samurai”) num esforço transparente para justapor suas mais profundas inquietações. Para tanto, Schrader (também co-autor do melindroso roteiro) estabelece um formato desigual a sua obra: Ele a divide em quatro específicos capítulos (“Beleza”, “Arte”, “Ação” e “Harmonia Entre Caneta e Espada”).

A partir disso, em passagens filmadas em preto & branco, Yukio Mishima é desvendado desde a infância no início do Século XX, quando recebeu uma criação peculiar e afetivamente desonesta de sua avó (Haruko Kato), passando pela adolescência, e a descoberta do poder das palavras, em paralelo à conscientização do envolvente código moral na cultura ancestral japonesa, seguindo rumo à juventude, quando viu-se existencialmente dividido entre o ímpeto de ostentar (quando tentou servir na Segunda Guerra Mundial) a bravura irrestrita de um samurai frustrado, e a própria covardia muito humana que ocasionalmente lhe acometia.

A vida adulta lhe reserva a chegada da aclamação literária, de uma insatisfação crônica acarretada por um narcisismo injustificado, da gradual compreensão da própria homossexualidade (o que curiosamente aproxima Mishima ainda mais da postura samurai, visto o retratado pintado por Nagisa Oshima em “Tabu”) e da verve apaixonada e patriota que ganha ares cada vez mais revolucionários.

Nesse ínterim, esses quatro capítulos são preenchidos por dramatizações de três de seus romances –“O Templo do Pavilhão Dourado” (dois jovens alunos de um colégio militar, um gago, outro manco, procuram em vão uma comunhão harmoniosa com o sexo oposto, enquanto o primeiro é assombrado pela visão de um templo local); “A Casa de Kyoko” (um rapaz desprendido, disposto a livrar a mãe de dívidas comprometedoras com uma mulher mafiosa entrega-se a ela e aos flagelos imprevisíveis de seus instintos sado-masoquistas); e “Cavalo Selvagem” (grupo de cadetes deseja resgatar a honra samurai perdida no tempo ao executar um plano subversivo seguido da realização de um ritual de harakiri) –em encenações carregadas de artificialidade (cuja recriação cênica aproxima “Mishima” de um incontornável viés de filme de arte, nos moldes das realizações de Peter Greenaway), onde os desdobramentos da ficção muitas vezes dialogam com a concepção íntima do personagem principal.

Essas três dramatizações são apresentadas em cores fortes e vívidas, em franco contraste com o preto & branco que registra a vida de seu autor; curiosamente, também adornada de cores (desta vez, despida dos exageros cromáticos da ficção, mas livre da interiorização monocromática das outras passagens) é a sequência em que Mishima, no dia 25 de novembro de 1970, junto de quatro cadetes de seu exército pessoal (a Sociedade do Escudo) invadem o Quartel-General do Exército do Leste para raptar o comandante e (na concepção já um tanto fanática do escritor) tentar conciliar arte e ação.

Dois são os momentos de iluminação que ocorrem a Mishima, e nos quais ele se dá conta do propósito a ele reservado: Quando, já tornado célebre e reconhecido como o mais importante escritor japonês (título outorgado a ele sem muita unanimidade), Mishima realiza uma viagem à Grécia, onde adquire uma perspectiva dotada de mais clareza do que julgava ser os ideais necessários ao Japão moderno; e, quando vivencia pela primeira vez um voo a bordo de um caça aéreo, e a visão transcendental do firmamento lhe dá convicção para realizar o atentado do qual o filme se incumbe em seu trecho derradeiro.

As muitas faces de Yukio Mishima são contrapostas então nessa narrativa articulada e entrelaçada numa tentativa sensata e reflexiva de compreender uma personalidade de difícil compreensão, um homem assolado por seu vasto intelecto, torturado por uma vaidade mau resolvida e triturado por convicções políticas incompatíveis com a modernidade.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Kagemusha - A Sombra do Samurai

A dinâmica entre aquilo que somos e o que esperam que sejamos. A força da identidade a pesar sobre as escolhas determinantes para um império. As cobranças pessoais, inesperadas e impronunciáveis da guerra.
Todos esses –e outros mais –são tópicos colocados em reflexão por este estupendo épico do mestre Akira Kurosawa viabilizado –tal e qual “Sonhos”, logo depois –pelo cacife de admiradores muito especiais como George Lucas e Francis Ford Coppola, neste caso.
Último grande épico de Kurosawa –todos os seus projetos seguintes foram obras inclinadas ao intimismo –“Kagemusha” parte com seu enredo de uma prática inusitada e real no Japão antigo: Os ‘dublês’ –os assim chamados ‘kagemusha' –colocados no lugar de imperadores ou grandes chefes de clãs quando a elevação da moral das tropas exigia sua presença perante os soldados, mas ela era impedida por fatores imprevistos.
O protagonista de “Kagemusha” é, ou em princípio aparenta ser Shingen Takeda (o magnífico Tatsuya Nakadai), um dos chefes de clãs que, no Japão do século XVI, disputa uma feroz guerra civil na qual está em jogo a soberania imperial.
O mesmo Tatsuya Nakadai igualmente interpreta um reles ladrão que se encontra com a corda no pescoço em vista de suas últimas travessuras. Porém, ele tem algo inesperado a seu favor: Sua idade e fisionomia o tornam uma duplicata perfeita do líder Shingen, então secretamente fulminado por um ferimento de batalha.
Os súditos conselheiros de Shingen primeiro intimidam o pobre sósia (do qual sequer têm interesse em saber o nome) com a afirmação de que sua vida está nas mãos deles, depois o confrontam com uma alternativa que eleva suas obrigações: Substituir Shingen, para que seus inimigos e, sobretudo, suas tropas, não saibam que o verdadeiro faleceu.
Eles compreendem que um líder vivo e saudável é um símbolo de incentivo e liderança para os soldados e que, em contrapartida, a notícia da morte de seu governante pode significar um desânimo tal que toda a chance de vitória pode terminar comprometida.
Repousando a decisão de um reino no que antes era um ladrão sem valia, Kurosawa observa as vicissitudes mais radicais dos títulos aos quais presumimos tanta importância e convicção: Para o mestre, o aristocrata e o camponês são ambos seres humanos, e ele vislumbra em sua premissa as ironias improváveis de quando uma ordem estabelecida se inverte (como quando o kagemusha, ao ‘improvisar’ sua atuação no calor da batalha dá novo rumo a ela) construindo nesse meio tempo uma sucessão de cenas estupendas em arrebatamento visual.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal

O tempo passou, Harrison Ford envelheceu, o próprio Spielberg envelheceu (e nesse hiato sagrou-se como cineasta sério com os Oscars vencidos por “A Lista de Schindler”, em 1993, e por “O Resgate do Soldado Ryan”, em 1999), George Lucas continuou sendo George Lucas (incluindo suas presepadas tentando resgatar “Star Wars” com a mal-fadada “Trilogia Prólogo"), e também o mundo mudou e junto com ele a audiência dos cinemas –na verdade, o próprio cinema mudou!
Mas, uma coisa parecia não ter mudado, de modo geral: O público continuava ávido por uma nova aventura de Indiana Jones.
Eis que em 2008 –dezenove anos depois do lançamento de “A Última Cruzada” –Spielberg, Lucas e Ford reuniram-se novamente para mais uma aventura do mais famoso arqueólogo do cinema.
Escrita por Jeff Nathanson (que obteve resultados esplêndidos trabalhando para Spielberg no roteiro de “Prenda-Me Se For Capaz”), a trama apresentava, aos 65 anos, o Dr. Henry Jones (Harrison Ford, tirando de letra o pique atlético exigido pelo personagem) ainda mantendo suas atividades de explorador e aventureiro ao redor do mundo.
Nos anos 1950, ele agora testemunhava a Guerra Fria e a vilanesca competição dos agentes russos por relíquias antigas representados pela fria Comandante Spalko (Cate Blanchett, uma vilã impecável).
É quando surge Mutt Williams (Shia LaBeouf, espécie de apadrinhado de Spielberg na época), um rapaz trajado com os mesmos figurinos de Marlon Brando em “O Selvagem” –uma habitual piscadela cinéfila de Spielberg –que pede ajuda a Jones para encontrar sua mãe Marion Ravenwood (Karen Allen, de "Caçadores da Arca Perdida", regressando à série), assim como o estudioso –e pinel –Prof. Harold Oxley (John Hurt, encarando um personagem criado para substituir a participação não concretizada de Sean Connery) que se perderam nas selvas da América do Sul à procura da lendária Cidade dos Deuses Maias. Tal localização pode, ou não, ser revelada por outra relíquia sagrada: a Caveira de Cristal de Akator, que Jones e seu novo parceiro de aventuras tentam encontrar em algum ponto do México.
Embora Spielberg tenha recheado este filme com elementos caros ao seu cinema –o mais notável deles, certamente, a introdução de alienígenas na mitologia “Indiana Jones” –e de honrar cada uma das características que fazem a série ser fenomenal, nada disso, impediu “O Reino da Caveira de Cristal” de ser o pior de todos os filmes de Indiana Jones até então. Motivos para isso não faltam: O personagem de Shia LaBeouf (assim como o próprio ator), além de sofrível, é apático e sem carisma; a própria participação de Karen Allen (celebrada pelos fãs antes da estréia do filme) resulta frustrante, inclusive pela falta de timing da atriz que trabalhou muito pouco depois da década de 1980; mas, o pior de tudo é quando os personagens acabam vindo para terras brasileiras –a sucessão de incoerências, não apenas em relação à confusão geográfica do roteiro (começa no território amazonense, após uma breve descida de barco, chegam às cataratas de Foz do Iguaçu e, mais a frente, termina num templo maia!), mas também as inverossimilhanças que se sucedem a medida que o filme caminha para seu clímax, são bastante prejudiciais.
Haviam coisas boas também, claro: Spielberg continuava um diretor de mão cheia e uma das principais preocupações do público (a idade de Harrison Ford) revelou-se infundada –Ford, seu invejável preparo físico e sua identificação certeira com o personagem são, com freqüência, a melhor coisa do filme.
Razões de sobra que mantiveram acesa a chama para a esperança de que um sexto filme ainda seja produzido. Estamos aguardando.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Willow - Na Terra da Magia

Não é nenhum segredo que “Star Wars-Episódio 4 Uma Nova Esperança” (o filme inicial da saga, de fato) deve muitos de seus ganchos narrativos à “O Senhor dos Anéis”.
A obra de Tolkien tornou a servir de inspiração (desta vez, ainda mais explícita) para outra produção de George Lucas, já nos anos 1980, agora dirigida por Ron Howard.
“Willow”, contudo, não teve a mesma repercussão de público e crítica que a fenomenal saga intergaláctica de George Lucas, jamais indo além deste único filme, embora sua trama fosse pontuada por elementos que pediam narrativamente por continuações. Foi uma pena por um lado: Tratava-se de uma rara chance do ótimo Warwick Davis (que vestiu a carapaça do Ewok Wicket em “O Retorno de Jedi”) demonstrar seu talento e protagonismo. E por outro, não: “Willow”, em sua concepção era um épico de fantasia preguiçoso, sem considerações criativas que o fizessem alçar vôo por conta própria, para além das influências óbvias que o esmagavam, Isto é, “Star Wars” e “O Senhor dos Anéis” (por mais que, naquela época, os livros ainda estivessem longe de virar filme).
Como tudo o que tinha o aval de George Lucas, “Willow” contava com efeitos especiais de ponta para sua época –incluindo uma cena inovadora que mostrava uma feiticeira convertendo-se em diversas espécimes animais num único take gerado por uma tecnologia digital ainda embrionária.
Wareick Davis interpreta (e muito bem) Willow Ufgood, um jovem membro do povo anão –chamados de Nelwin –que vive numa aldeia de anões (parecida até demais com o Condado dos Hobbits!), e sonha em aprender magia. A oportunidade para seguir tal caminho surge de forma tortuosa: Willow se torna o inesperado guardião de um bebê do povo Daikini –os humanos –predestinado, no melhor estilo “Os Dez Mandamentos”, a se tornar a princesa boa que trará paz ao reino onde todos vivem –e no qual as muitas raças de seres distintos (além dos Nelwin e dos Daikini, fadas, feiticeiros, gnomos e gigantes) mantêm uma frágil trégua.
Atrás da criança, e ansiosa para matá-la, está a terrível vilã rainha Bavmorda (Jean Marsh) e, entre os poucos aliados com os quais o pequeno Willow pode contar para sua proteção estão o rebelde Mad Martigan (Val Kilmer interpretando uma mescla mal ajambrada entre Han Solo e Aragorn), a própria filha da vilã Sorsha (Joanne Whalley, que casou-se com Kilmer durante as filmagens), dois duendes e a feiticeira Raziel (Patrícia Hayes).
Dotado de um gancho final absolutamente explícito para uma continuação que jamais veio, “Willow-Na Terra da Magia” não foi apenas um filme de tímida bilheteria: Ele sequer conseguiu se firmar, com o passar do tempo, em meio às obras lembradas com afeto pela geração que o assistiu nos anos 1980 –e, para obter tal posição, convenhamos, nem era preciso ser tão espetacular assim...
Esquemático, não raro abarrotado de clichês e desprovido de maiores predicados que fossem além de seus vistosos efeitos visuais, “Willow” fracassou em tentar estabelecer o que parecia ser uma nova franquia de George Lucas; um indicativo das limitações criativas de Lucas, que não ficaram tão evidentes assim na festejada “trilogia clássica” de “Star Wars” (talvez, por ele ter contado com diversos colaboradores talentosos naqueles tempos), mas que compareceram com prejudicial conseqüência na hoje criticada “trilogia prólogo” do mesmo “Star Wars”.

sexta-feira, 18 de março de 2016

THX 1138

Anos antes de tomar o mundo de assalto com seu “Star Wars”, George Lucas realizou este conto de ficção científica, hoje bastante esquecido e desconhecido, a partir de um curta-metragem que ele realizou quando formou-se na faculdade de cinema.
THX 1138 não é somente o nome que leva o arrojado sistema de som, mas também o nome do protagonista da história, um cidadão quase autômato, desprovido de emoção e vontade que vive numa sociedade futurista (bem, o que imaginava-se por sociedade futurista no fim da década de 1960...), com evidentes inspirações em George Orwell.
Vivido por um jovem Robert Duvall, ele ensaia uma breve tentativa de rebelar-se, e é sufocado: As cenas estéreis de distanciamento formal que mostram ele sendo acometido pelo efeito de drogas sedativas e outras, onde soldados de aspecto impessoal chegam para coagi-lo usando bastões num interminável cenário branco evidenciam bem as obsessões estéticas do jovem George Lucas. Em sua segunda tentativa de rebelião, THX se dá um pouco melhor: identifica rebeldes como ele e formam um pequeno grupo, entre os quais tem a intenção de escapar daquele subsolo onde seu mundo se desenvolveu, e tentar chegar à lendária superfície.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Star Wars - Episódio 3 - A Vingança dos Sith

Foi em 2005 que George Lucas lançou o Episódio 3, que amarrou em definitivo as pontas soltas de toda a saga concebida por ele, e que, por conta disso, foi o mais esperado de todos. Muitos eram os que tinham esperanças de que fosse, dentre os capítulos da nova trilogia, aquele que mais se aproximasse da “trilogia clássica”. 
Em parte, alguns foram recompensados: Este é, provavelmente, o melhor filme da nova trilogia. 
Outros, porém, não: Ele ainda padece de muitos problemas que acometeram os capítulos anteriores. 
As Guerras Clônicas transcorrem deixando profundas marcas em toda a galáxia. Os Jedi, numa manobra quase desesperada, estão prestes a encerrá-la ao caçar universo afora o hediondo e cibernético General Graivius. 
Mas a mente por trás de tudo,o Chanceler Palpatine, identidade do lorde de Sith, Darth Tyrannus, já tem outros planos: valer-se da fragilidade e desequilíbrio emocional do recém-consagrado jedi Anakin Skywalker, e convertê-lo para o lado negro da força. Feito isso, Palpatine terá nele um novo e poderosíssimo aprendiz, Darth Vader, que lhe proporcionará seu intento; converter a República Galáctica em seu Império. Único obstáculo no caminho de Palpatine e Darth Vader, os cavaleiros Jedi devem então ser eliminados, o que leva Vader e seu ex-mestre, Obi-Wan Kenobi, a um duelo devastador e que definirá os rumos da história.
Não há dúvida de que as tramas convergem para este derradeiro (e bastante sombrio) capítulo, e ele alcança relativo sucesso em amarrá-las, tornando coesa a trama de toda a saga como um todo. O grande problema é o gosto amargo que fica na boca ao pensarmos que quase toda uma trilogia de filmes foi desperdiçada, com argumentos bastante pífios, para concretizar esse objetivo.
George Lucas emoldurou seus novos "Star Wars" com toda a parafernália que  fazia o figurino de seus filmes inaugurais: E que passaram a definí-los desde então -a tecnologia de ponta com a qual se materializou imagens inacreditáveis de uma galáxia muito distante, seus personagens alienígenas e seus vastos e diversos lugares. Mas o mesmo George Lucas cometeu o erro de achar que esse era o cerne de "Star Wars" quando na verdade não passa de sua moldura. A trilogia terminou ausente de empatia com seu personagem principal -Anakin Skywalker -e desprovida da identificação poderosa que a "trilogia clássica" obteve em todos os âmbitos de seu tempo.
Uma lição preciosa que o diretor J.J. Abrahams, felizmente, soube aplicar com bom senso e primor irrestrito no fabuloso Episódio 7.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Star Wars - Episódio 2 - O Ataque dos Clones

Depois da estréia de “A Ameaça Fantasma”, pode-se dizer que as expectativas para o Episódio 2 foram bastante reduzidas. Como no filme anterior, George Lucas voltava à direção o quê não pode-se chamar de uma notícia necessariamente boa. 
Todavia, as críticas negativas do Episódio 1 foram assimiladas e ele promoveu mudanças neste segundo filme: Para evitar o roteiro fraco e sem polimento do anterior, ele contratou um roteirista para trabalhar as cenas, o resultado foram diálogo mais extensivos e minuciosos, desprovidos de brilho, mas desta vez, ausentes de constrangimento; o inexpressivo garoto Jake Loyd, como Anakin dá lugar ao mais velho e mais esforçado (ainda que pouco carismático) Hayden Christensen; as cenas de ação são consideravelmente amplificadas; e o irritante Jar Jar Binks é reduzido a uma única cena (!). 
Tudo isso, contudo, não apaga um sabor um pouco desagradável que o filme deixa: George Lucas buscou fazer seu dever de casa, sim, mas ele preocupou-se em demasia com a forma de sua obra, ignorando sua essência. Há muito pouco da magia e do encanto da “trilogia clássica” nessa retomada de “Star Wars”. E olha que ele já estava no segundo filme: Restava somente mais um para acertar... 
Dez anos após os eventos do filme anterior, a República Galáctica enfrenta severos problemas quando forças separatistas, representadas por um certo Conde Dukhan, insurgem em revoltas por toda galáxia. Os combalidos Jedi precisam de uma urgente medida pacífica, mas a senadora mais capacitada para isso, Padme, corre risco de vida. São escolhidos como guarda-costas dela dois cavaleiros Jedi: o apaixonado (e instável) Anakin Skywalker, e seu mestre Obi-Wan Kenobi. Uma vez reunidos, eles seguirão rumos diferentes que levarão Obi-Wan a descobrir uma preocupante conspiração por trás de um misterioso exército de clones; enquanto que Anakin, enamorado pela bela Padme arriscará seu equilíbrio interior de cavaleiro Jedi, tornando-se sucetível ao Lado Sombrio da Força. 
Aos poucos as pontas soltas referentes à muitas questões pertinentes da saga vão se juntando (o quê era, afinal, o objetivo desta trilogia prequel desde o começo): Como e porque se deu a conversão de Anakin para o Lado Sombrio? De que forma concretizou-se a conspiração de Palpatine que expurgou os Jedi e transformou ele no Imperador Galáctico?

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Star Wars - Episódio 1 - A Ameaça Fantasma

Após o lançamento de "O Retorno de Jedi", em 1983, houve uma época em que acreditou-se que nunca mais haveria um novo "Star Wars". Esse período negro comportou mais ou menos o ano de 1986 até quase o final dos anos 1990. Mas, ao fim daquela década os fâs puderam se animar novamente: Após conferir a evolução dos efeitos especiais (perceptível especialmente no prodigioso "Jurassic Park"), evolução essa que ele próprio ajudou a proporcionar, George Lucas resolveu voltar à sua saga, retornando ao passado para contar o que seria o início da trama -que é sempre bom lembrar, ele iniciou no Episódio 4 -com a qual ele mesmo revolucionou o cinema em 1977. 
Em 1999, chegava então aos cinemas "A Ameaça Fantasma", embalada por cenas de encher os olhos e que, verdade seja dita, à época, reuniu multidões no cinema. 
Todavia, apesar da empolgação, e de momentos genuinamente legais, "A Ameaça Fantasma" trazia uma incomoda aura de perfeição. O jovem ator que fazia Anakin Skywalker era ruim. A trama enrolava na maior parte do tempo. O personagem digital de Jar Jar Binks era irritante e insuportável (e aparecia durante quase o filme todo!), e as coisas boas (o vilão Darth Maul; o jovem Obi Wan Kenobi de Ewan McGregor; Natalie Portman) apareciam, ao menos nesse primeiro filme, por pouco tempo em cena.
George Lucas havia criado, acima de tudo, um prato cheio para os detratores de sua saga intergaláctica.
No distante planeta Naboo, frotas hostis representando uma auto-intitulada "Associação", fazem um cerco ao planeta, o que exige a presença de dois cavaleiros Jedi (o jovem Obi-Wan Kenobi e seu mestre, Qi-Gon), para que intercedam em favor da paz e da justiça. Tudo sai errado com uma declaração de guerra seguida por um fuga audaciosa da Rainha Padme Amidala do planeta junto dos Jedis. Eles vão todos parar no distante Tatooine, onde encontram ajuda no garotinho escravo Anaquin Skywalker. Logo, Qi-Gon, fascinado com o potencial do garoto o levará ao planeta Coruscant, local do conselho Jedi, obcecado com a idéia de fazer dele seu aprendiz.
Diz a lenda que o próprio George Lucas não queria dirigir esse filme: Ele teria procurado Spielberg, e até Ron Howard para oferecer-lhes a direção, mas ouviu de todos a mesma resposta; "Este é um filme que tem que ser feito por você!"
Eles não podiam estar mais enganados. Os vintes e poucos anos (desde o primeiro "StarWars", de 1977) em que Lucas ficou sem sentar na cadeira de diretor fizeram uma enorme diferença neste trabalho, minando muito da qualidade que este filme poderia ter tido. Ele empalidece ainda mais, por exemplo, se compararmos com recente "O Despertar da Força", com a criteriosa direção de J.J. Abrahams.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Star Wars - A Caravana da Coragem

Dois jovens irmãos, um rapaz adolescente e uma menina ainda criancinha, perdem-se de seus pais quando sua nave cai na Lua Florestal de Endor, um mundo selvagem cheio de maravilhas, mas de perigos também. O casal de irmãos é salvo pelos pequeninos, porém destemidos Ewoks (pequenos e simpaticíssimos ursinhos que vivem em tribos construídas nas copas das árvores como espécies indígenas), que apesar de não conseguirem estabelecer com eles alguma comunicação verbal, resolvem ajudá-los sem pestanejar. 
Os Ewoks montam assim um grupo, uma caravana para acompanhá-los até as montanhas distantes, onde eles sabem, está a temível fera que aprisionou os pais das crianças. 
Embora um pouco esquecido pelas gerações mais novas, este spin-off de “Star Wars” (contando uma aventura solo dos bichinhos de pelúcia que encantaram as platéias em “O Retorno de Jedi”) é lembrado com bastante carinho pelos fãs mais antigos. 
De fato, seu sabor de matinê e de aventura à moda antiga (uma proposta do próprio George Lucas ao realizar “Star Wars”) é simplesmente delicioso.

Star Wars - Episódio 6 O Retorno de Jedi

Conforme vai envelhecendo George Lucas se torna cada vez menos propenso a cometer audácias, trocando qualquer ousadia por um conformismo “família”. 
Essas características, que minaram a nova trilogia de “Star Wars”, já se mostravam presentes no último capítulo da trilogia original. Não ajudou muito, também, substituir o bom diretor de “Império Contra-Ataca”, Irving Keshner, pelo operário-padrão Richard Marquand (o único filme dele, além deste que pude conferir foi “Quando Setembro Chegar”, um drama romântico pra lá de genérico protagonizado por Karen Allen). Reza a lenda, que Lucas queria para dirigir “O Retorno de Jedi” ninguém menos do que David Lynch (e só podemos imaginar a doideira que sairia dessa união!). 
Enfim, dando continuidade ao encerramento em aberto de “Império...”, este filme começa quando Luke e seus amigos retornam ao planeta Tatooine para resgatar Han-Solo, prisioneiro nas mãos do asqueroso Jabba The Hutt. Logo, eles seguirão para junto da Aliança Rebelde a fim de organizar um plano definitivo contra o Imperador Palpatine e seu Império Galáctico. O confronto se dará nas imediações do arborizado planeta Endor, onde Luke, cada vez mais senhor da Força, travará o duelo final contra seu antagonista e pai, Darth Vader. 
O encerramento da saga "Star Wars", terminou com um pouco menos do assombro e surpresas proporcionados pelos capítulos anteriores, mas ainda assim consegue ser um entretenimento espetacular, divertido e, por que não, mágico. 
O desenlace final de personagens tão queridos, e sobretudo a redenção de Darth Vader não tinha como não cair no gosto do público. Agora, resta-nos aguardar pelo vindouro “StarWars-O Despertar da Força” que é, oficialmente o episódio 7, o que tira deste filme aqui o título de “último capítulo de Star Wars”.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Star Wars - Episódio 5 O Império Contra-Ataca

Cheguei ao meu longa preferido da saga, e aquele que assisti mais vezes. E, é com satisfação que constato que ele permanece sensacional!
Perseguido por Darth Vader e o Império Galáctico, o jovem aprendiz de Jedi, Luke Skywalker refugia-se junto do restante da Aliança Rebelde no gélido Planeta Hooth, mas não tardam a ser encontrados por seus algozes. 
Logo, Luke terá de rumar para o Planeta Dagobah, atrás de um certo Mestre Jedi chamado Yoda para que ele dê continuidade ao seu treinamento, já que seu mestre, Obi-Wan, fôra morto por Darth Vader no filme anterior. Nesse meio tempo, os amigos de Luke, Han-Solo, Leia, o peludo Chauwbacca e C3PO fogem para Bespim, a Cidade das Nuvens tentando em vão despista o Império. Capturados, eles servirão de isca para uma armadilha onde Vader irá confrontar Luke com uma revelação surpreendente. 
Em tudo e por tudo superior ao filme anterior. 
Considerado também pelos fãs o melhor dos "Star Wars", e não é à toa. A entrada de um diretor mais habilitado, Irving Keshner (substituindo o criador em pessoa, George Lucas) proporcionou ao filme uma narrativa mais sofisticada, mais bem resolvida, que praticamente sanou muitos dos pequenos problemas do ótimo primeiro filme, por exemplo, a canastrice de alguns intérpretes como a princesa Léia, Carrie Fisher, (que estava a beira do irritante e ligeiramente deslocada, em sua postura) aqui ela está até mais sensual e interessante, além de visivelmente mais à vontade em seu papel, o quê se reflete, de modo geral, em todo o elenco. 
O roteiro, escrito por Lawrence Kasdan (o quê me enche de esperança para o vindouro “Star Wars-O Despertar da Força”já que ele também está roteirizando) é magnífico dando profundidade à mitologia, não só com a bombástica, e já lendária, revelação de Darth Vader, mas também com pequenos e espirituosos detalhes como o fato de Vader matar todos os ocupantes do cargo de almirante toda a vez que uma falha aparece em seus planos, passando assim esse ingrato posto para outro infeliz. E o quê dizer da emoção e tensão palpáveis que há no duelo de sabres de luz entre Darth Vader e Luke? Ainda considero este (apesar das estripulias, piruetas e saltos mortais dos confrontos filmados na trilogia mais recente) o melhor dentre todos os duelos de sabre de luz da saga inteira! 
Se há um “Star Wars” capaz de nos fazer vibrar de verdade, é este daqui!

sábado, 12 de dezembro de 2015

Star Wars - Episódio 4 Uma Nova Esperança

Até então, a "Trilogia Clássica de Star Wars", iniciada em 1977 quando os planos ambiciosos de consolidar uma saga de vários filmes ainda não apareciam, era tido como o final da história (embora ela tenha ganhado continuidade na literatura).
Agora, com a nova trilogia preparada pela Disney, as coisas mudaram: Os episódios IV, V e VI são, portanto, o 'meio' da história; e certamente, merecem uma revisão para capturarmos alguns elementos dos novos filmes. 
Uma coisa que sempre me cativou em “Star Wars” é que, dentre todas as grandes franquias cinematográficas, ela é uma das poucas que é cinema puro. 
Salvo “De Volta Para O Futuro”, “Indiana Jones” e alguns filmes de terror, “Star Wars” é a única série que já surgiu como filme, não sendo adaptação de livro, nem oriunda de uma série de TV e nem de uma HQ, nem nada. Antes de reclamem, ainda não considero “Avatar” uma série, já que ainda não ganhou continuações. 
Mas, enfim, vamos voltar ao assunto: Os robôs R2-D2 e C3PO servem de pivô introdutório, não apenas aos personagens principais, mas à todo o universo que constitui "Star Wars" quando aparecem, perplexos e desorientados, na fenomenal batalha que abre o filme de Lucas.
E tal recurso narrativo, bastante inteligente, foi aproveitado do brilhante "A Fortaleza Escondida", do mestre Akira Kurosawa (do qual, um dia desses, entrego uma resenha).
Detentores de uma mensagem capaz de frustrar os planos destruidores dos vilões envolvendo a temível 'Estrela da Morte', R2-D2 e C3PO encontram no desértico e longínquo planeta Tatooine o jovem fazendeiro Luke Skywalker, junto do qual procuram o sábio veterano de confrontos intergalácticos Obi-Wan Kenobi.
Luke e Obi-Wan são personagens arquétipos (e não há mal nenhum nisso): Luke é o jovem preso a uma existência de comodidade e insatisfação que, literalmente, sonha com as estrelas. Obi-Wan (na interpretação sublime do magnífico Alec Guinness) é o sábio providencialmente plantado pela narrativa para guiá-lo em seu caminho, embora a iniciativa, e a decisão de trilhá-lo, pertençam ao próprio Luke,
Juntos, eles partem para resgatar a princesa Leia, refém do maligno Darth Vader e do Império Galáctico, encontrando pelo caminho outras figuras icônicas da cultura pop como o contrabandista Han Solo e seu parceiro alienígena Chewbacca.
Essa receita arrojada, propondo um tratamento carregado de minúcia à uma premissa irrestritamente fantasiosa ao mesmo tempo em que mantinha uma simplicidade estrutural na compreensão de seus desdobramentos terminou moldando um dos grandes fenômenos do cinema. "Star Wars" revolucionou o conceito de filmes comerciais com sua mistura de mitologia, efeitos especiais de ponta e a luta do bem contra o mal. 
Só podemos supor a loucura e espanto que deve ter sido quando ele estreou nos cinemas em 1977, mostrando algo que nunca havia sido visto antes. O resultado de tamanha audácia terminou ganhando sete merecidíssimos Oscars em categorias técnicas.
É o primeiro filme idealizado e executado de uma série de seis longa-metragens planejados dentro de uma cronologia incomum: O mundo se viu chocado e aflito quando, no lançamento da continuação, "O império Contra-Ataca", ficou definido que aquele era o quinto episódio e este, portanto, o quarto (!). Alguns se perguntavam "onde estão os outros três filmes?!" Foi somente a partir de 1999 que George Lucas concebeu os episódios I, II e III, preenchendo retroativamente as lacunas deixadas ao longo dos filmes; sobretudo, no que diz respeito à importantes eventos passados (e que dão conta, principalmente, da origem do vilão Darth vader).
PS: Estou vendo as versões originais, e não aquelas versões com cenas adicionais e efeitos especiais acrescentados anos depois por George Lucas. A cena da taverna, onde Han Solo discute com o alienígena Greedo, e termina por surpreendê-lo (e à platéia, também) com um tiro fulminante e inesperado por baixo da mesa, fica muito mais legal sem a intervenção politicamente correta de George Lucas.