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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Império dos Sonhos - A História da Trilogia Star Wars


 Hoje, “Star Wars” é mais que uma simples saga cinematográfica; é um marco comparável à poucos na cultura pop que reúne uma legião intratável de adoradores e depreciadores que o amam e o odeiam com igual intensidade.

Motivo para isso é seu sucesso incomensurável –que há tempos já extravasou as fronteiras do cinema indo para a animação, quadrinhos, literatura, videogames e séries de TV –e a capacidade de apreender, em toda sua vasta mitologia, um fascínio por elementos imediatamente identificáveis e por personagens inconfundíveis.

O documentário capitaneado por Edith Becker e Kevin Burns, realizado em 2004 para aproveitar o lançamento dos três primeiros filmes em DVD, foi registrado enquanto a polêmica “Trilogia Prequel” (composta de “A Ameaça Fantasma”, “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”) ainda estava sendo realizada, e muito antes de haverem planos para uma “Trilogia Sequel” (que consiste de “O Despertar da Força”, “Os Últimos Jedi” e “A Ascensão Skywalker”) ou do boom que a saga sofreu nos anos recentes ao ser comprada pela Disney e multiplicar seu cânone em séries animadas, derivados e inúmeras outras obras. Portanto, ao filme resta somente registrar o nascimento da obra que originou todo esse vasto universo e que, sabe-se, resume-se aos exemplares da hoje chamada “Trilogia Clássica” (que alberga os seminais “Uma Nova Esperança”, “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi”), cujo dado mais surpreendente seja talvez o de que, tantas obras e ramificações depois, continuam entre os produtos de mais alta qualidade reconhecida seja entre fãs ou críticos.

O que muita gente não sabe, foram as dificuldades homéricas enfrentadas por George Lucas para conceber sua visão –e que encontraram muitos obstáculos devido às inovações que ele vislumbrou em sua realização –e nem a forma (ou o contexto) com que a chamada ‘Febre Star Wars’ dominou o Planeta Terra naqueles turbulentos, mas à sua maneira inocentes, anos 1970.

O documentário explora, em tom notadamente enaltecedor, o pioneirismo do grupo formado ao redor de George Lucas e de como usaram de vasta criatividade para moldar imagens (e sons) que logo entrariam para a História. Acompanhamos a tenacidade de Lucas enquanto criador ao insistir numa aventura de ficção científica construída em circunstâncias que eram, então, sem precedentes: Obras desse cunho, para obter respeito e aprovação crítica, deveriam ser adultas e cerebrais, caso contrário, caíam na desonrosa pecha de produções infantis –o que, muitos à época  insistiram, “Star Wars” seria.

Igualmente sem precedentes foi a opção de Lucas em assumir os direitos sobre o merchandising dos produtos oriundos do filme, algo que, ao longo do tempo, se mostrou um acerto milionário e que, entre outras coisas, definiu o sistema mercadológico do cinema comercial norte-americano dali para frente.

O documentário é respeitoso. Ele omite fatos espinhosos como o romance fora das telas entre Harrison Ford e Carrie Fisher ou o breve problema de vício em drogas dela, porém, ele se estende para além do primeiro filme ao focar na realização também de “O Império Contra-Ataca”. Assim, descobrimos que, em 1980, Lucas depositou todas as suas fichas na continuação, investindo toda a fortuna que havia adquirido com o sucesso do primeiro filme; embora muitos acreditassem, desdenhosamente, que ele já tivesse dinheiro para dar e vender.

Os depoimentos do diretor Irvin Keshner expõem claramente as decisões que levaram a sequência a ser ainda mais memorável que o filme anterior, e as escolhas que levaram aos grandes momentos da saga, como a revelação da paternidade de Darth Vader –mantida em segredo, na cena, até do próprio ator Mark Hammil –e o fenomenal desfecho, com o gancho explícito para a terceira parte.

O último terço dá conta, assim, da realização, aguardada com muito expectativa pelo público, de “O Retorno de Jedi”, quando “Star Wars” já havia se sagrado como uma das grandes franquias do cinema moderno, e seus astros, Hammil, Ford e Fisher, já eram tão reconhecidos que a produção teve de usar títulos alternativos para diblar curiosos –prática esta que também passou a ser adotada por Hollywood.

O documentário ainda traz depoimentos maravilhosos de realizadores direta ou indiretamente influenciados por “Star Wars”, seja nas suas inovações técnicas, seja na inspiração que exerceu quando eles eram fãs –entre essas ilustres aparições estão Steven Spielberg, Francis Ford Coppola (chapas de George Lucas que, inclusive, acompanharam a gestação do conceito de “Star Wars”), Peter Jackson, Jeffrey Katzenberg e John Lasseter. Todos eles e outros convidados (além de outros segmentos mais!) fornecem um panorama do que foi “Star Wars”, não somente o retumbante fenômeno cultural, mas também os fascinantes contratempos enfrentados em sua gênese, e a personalidade pacata, colaborativa e divertida de seu criador, George Lucas, por vezes mostrado como o gestor de inúmeras mentes criativas (algumas mais prodigiosas que a dele próprio) no centro desse furacão que mudou o cinema para todo o sempre.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Star Wars - Episódio 9 - A Ascensão Skywalker

Existe uma diferença estrutural na forma com que cada uma das três trilogias que agora integram a “Saga Star Wars” foi concebida: A primeira, e tida por unanimidade pelos fãs como a melhor, embora tenha saído da mente do criador George Lucas, foi executada por três diretores diferentes –o primeiro (“Uma Nova Esperança”), pelo próprio Lucas; o segundo (“O Império Contra-Ataca”) por Irvin Kershner; e o terceiro (“O Retorno de Jedi”) por Richard Marquand –a trilogia prólogo, por sua vez, foi inteiramente escrita e dirigida por George Lucas, então numa fase da vida e da carreira em que, do alto de sua fortuna pessoal e da aclamação mundial de “Star Wars” dentro da cultura pop, podia dar-se ao luxo de fazer o que bem entendesse –daí esses três filmes (“A Ameaça Fantasma”; “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”) resultarem tão artisticamente canibais para com o próprio conceito da saga.
Assim, quando George Lucas vendeu sua propriedade intelectual (a Lucasfilm) para a Disney, iniciou-se uma nova trilogia com o empolgante episódio VII dirigido por J.J. Abrahams (“O Despertar da Força”) e o controverso, ainda que excelente, filme seguinte de autoria de Rian Johnson (“Os Últimos Jedi”). O que nos leva a este “A Ascensão Skywalker” no qual, pela primeira vez na saga, um diretor, J.J. Abrahams, regressa para capitanear um episódio sem ser o criador da saga em pessoa.
E não um episódio qualquer: “A Ascensão Skywalker” toma para si uma série de duras responsabilidades; quer encerrar toda trama iniciada nos primeiros filmes (hoje, clássicos); quer também dar um desfecho satisfatório (e, se possível, vibrante) para os novos personagens introduzidos a partir do episódio VII; e ainda por cima, ao longo da sucessão de eventos desta trama, contornar as decisões polêmicas tomadas no episódio anterior que terminaram por revelar o lado negro (terrivelmente imaturo e intolerante) de seus fãs.
O filme começa com a informação, já difundida nos trailers, de que o perverso Imperador Cheev Palpatine (Ian McDiarmid) de alguma maneira não morreu, ao contrário do que se supunha no final de “O Retorno de Jedi”.
Isso leva o lado do bem, a Resistência, e o lado do mal, a Primeira Ordem, a uma corrida para ver quem o encontra primeiro; a Resistência, para neutralizá-lo de uma vez por todas –tarefa que a Jedi em treinamento, Rey (Daisy Ridley, a formidável protagonista desta nova trilogia), tem dúvidas se possui poder o bastante para fazê-lo –e a Primeira Ordem, comandada agora por Kylo Ren (o excelente Adam Driver), para consolidar-se em definitivo como o Império do Mal que sempre foi, visto que tudo o que transcorreu até então teria assim sido um plano de Palpatine desde o começo; o que leva todos os personagens e as motivações que os impulsionam à fatídica Ordem Final que encerrará essa ‘guerra nas estrelas’ de uma vez por todas.
É sabido –até por ele próprio! –que J.J. Abrahams é um autor muito bom em iniciar histórias de modo promissor, mas não em terminá-las (como corroboram suas séries “Felicity”, “Alias-Codinome Perigo”, “Lost” e “Person Of Interess”) e isso fica evidente nas incertezas de sua narrativa, tão convicta, vigorosa e enxuta em “O Despertar da Força”, mas aqui mostrando-se pela primeira vez hesitante e insegura.
Certamente não foi uma tarefa simples esta da qual ele se incumbiu e, guardadas as vastas proporções da produção, o escopo megalomaníaco do roteiro e a complexidade nas diversas linhas narrativas, ele conseguiu entregar um trabalho maravilhoso, coerente até mesmo no aproveitamento da personagem Léia, de Carrie Fisher, que morreu muito antes do início desta produção, e que aparece em cena graças à várias cenas descartadas, reaproveitadas dos dois filmes anteriores. Contudo, os fãs (sempre exigentes), os críticos e os detratores irão dizer que, dentre os três capítulos desta nova trilogia, “A Ascensão Skywalker” é o mais fraco.
E eles têm um prato cheio em mãos: Dirão que o roteiro é pedante ao contrariar diversos fatos de “Os Últimos Jedi” apenas para agradar a audiência, que a introdução de Palpatine na premissa é descabida e pouquíssimo convincente servindo só para suprir a ausência de um antagonista realmente bom.
Mas, a verdade é que, na qualidade de encerramento oficial de uma saga que praticamente definiu o cinema comercial moderno, não havia nada que pudesse corresponder a toda a expectativa que assolou “A Ascensão Skywalker”. As multidões que certamente abarrotarão as salas de cinema, gostem do trabalho de J.J. Abrahams ou não, se encontram numa situação em que esperam algo mais que um simples filme.
E um filme é tudo que irão receber.
Um filme grandioso, frenético, emocionante, repleto de momentos espetaculares e, por que não, mágicos, mas, no fim das contas, só um filme.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Han Solo - Uma História Star Wars


De um modo geral, “Han Solo” foi vítima de uma escolha ingrata em sua data de lançamento (logo após o fenômeno “Vingadores-Guerra Infinita” e com poucos dias de diferença do igualmente fenomenal “Deadpool 2”!) e de uma campanha de marketing bastante relapsa em relação aos bons trabalhos feitos com títulos anteriores da mesma saga; some-se a isso um excesso de expectativa (normal em qualquer obra oriunda dessa franquia) e eis que ele arcou com o ingrato título de Produção Mais Fraca Desde A Retomada de Star Wars Pela Disney.
De longe, o mais problemático de seus projetos, “Han Solo” passou por uma tumultuada troca de diretores (sai os escolhidos iniciais, Phil Lord e Chris Miller, da animação “Uma Aventura Lego”, e entra no lugar o veterano Ron Howard), uma sucessão de refilmagens e várias incertezas com relação ao seu astro, Alden Ehrenreich que herdou a complicada tarefa de substituir o quase insubstituível Harrison Ford no papel do contrabandista Han Solo ainda jovem, no início de uma jornada (finalmente contada neste filme) que terminaria o colocando ao lado de Luke Skywalker e Léia Organa contra as forças do Império Galáctico.
Desconsiderando todos esses aspectos e focando unicamente no filme do qual esse esforço resultou, é possível afirmar sem equívocos que “Han Solo” é uma obra completamente injustiçada.
Divertido, impulsionado por um ritmo que jamais se acomoda e satisfatórios na maioria de seus aspectos, ele acompanha com notável desembaraço a trajetória de seu protagonista Han (Ehrenreich, que não compromete o resultado e encabeça o filme com serenidade) inicialmente um jovem suburbano num planeta nos confins do universo que sonha partir para as estrelas ao lado da amada Qi’ra (a deliciosa Emilia Clarke). Um contratempo de última hora os separa e Han (que ganha a alcunha 'Solo' de um oficial de imigração) vai parar em outro planeta onde submete-se a um insano treinamento para oficial do Império Galáctico e acaba encontrando aquele que virá a ser seu grande amigo e aliado, Chewbacca (incorporado por Joonas Suotamo e não pelo veterano Peter Mayhew como nos filmes clássicos).
A partir desse encontro e de uma descoberta quase acidental de uma parceria certeira para escapar das enrascadas, Han Solo e Chewie unem-se ao duvidoso time de assaltantes espaciais de Beckett (Woody Harrelson) que embora lhes sirva de mentor, deixa bem claro não ser nada confiável.
As referências aos antigos faroestes vislumbradas por George Lucas nos filmes originais aparecem na cena de roubo de uma espécie de trem espacial, onde uma série de atropelas acontecem e os personagens acabam levados à presença do grande vilão do filme personificado por Paul Bettany (o Visão de “Guerra Infinita”), e inesperadamente à um reencontro entre Han e Qi’ra.
Ao longo desse percurso e a partir dele, o roteiro escrito por Lawrence Kasdan molda o que é quase uma trama de origem enquanto vai preenchendo lacunas a respeito de inúmeros elementos que integram as peculiaridades do personagem Han Solo; sendo o mais ostensivo deles, a aparição do ótimo Donald Glover no papel bem administrado de Lando Calrissian (marcante o suficiente para não passar despercebido, equilibrado o bastante para não se destacar mais que os protagonistas) e a introdução da icônica nave Millenium Falcon e as razões devidamente esboçadas para fazer com que Han Solo passasse a pilotá-la.
Comparar “Han Solo” com o derivado anterior da saga –o assombroso e brilhante “Rogue One” –é injusto por inúmeras razões (e sob qualquer prisma isso acaba desfavorável à “Han Solo”), mas ainda assim é um filme que entrega diversão, escapismo e efeitos visuais magníficos do início ao fim; a proposta, afinal, que sempre tornou todos os filmes “Star Wars” tão sedutores ao público.
E uma de suas últimas cenas reserva ainda a aparição de um dos mais festejados (e sub-aproveitados) vilões que a franquia já teve –se essa cena representa somente um ‘fan-service’ vazio ou terá futuramente repercussões é difícil dizer.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Star Wars - Episódio 8 - Os Últimos Jedi

Tarefa complicada essa assumida por Rian Johnson: Dar continuidade, neste segundo filme da terceira trilogia da saga “Star Wars”, ao enredo e aos personagens concebidos por J.J. Abrahams em “O Despertar da Força”.
Não apenas isso: Suprir os anseios de tantos fãs –que ao longo desses últimos dois anos, elaboraram milhares de teorias sobre quem seriam os pais de Rey (a maravilhosa Daisy Ridley) e de qual seria o seu futuro –e responder a contento inúmeras perguntas que ficaram sem resposta; isso tudo e ainda segurar o rojão da inevitável expectativa de que –sendo este o capítulo do meio –ele teria de igualar em qualidade, espanto e ressonância emocional o adorado “O Império Contra-Ataca”, preferido de nove entre dez fãs da saga criada por George Lucas.
Por tudo isso é um tanto injusto que muitos já reclamem que o filme é longo demais (não é), que sua primeira parte é muito arrastada (nem tanto) e que o trabalho de Johnson, como diretor, não consegue obter o mesmo encanto de Abrahams no filme anterior (longe disso...).
O quê Rian Johnson faz –e, talvez, isso explique a reação rabugenta de alguns –é subverter as expectativas.
Quando “O Despertar da Força” encerrou-se, Rey enfim encontrava Luke (Mark Hamill), o assim alardeado último jedi para devolver a ele seu sabre de luz e convidá-lo, digamos assim, para juntar-se à Resistência, comandada por sua irmã Léia (Carrie Fisher, falecida poucos meses após as filmagens), na luta contra a Primeira Ordem, um resquício do que foi o Império Galáctico.
Por dois anos, os fãs tinham certeza de que, o filme que se desdobraria a partir daí, mostraria Rey sendo treinada por Luke, e de lá partindo para enfrentar as forças do mal.
Porém, o roteiro de Johnson contorna completamente o óbvio, preferindo mostrar o lado humano dos heróis, as discordâncias dentro da nobre Resistência e a fragilidade de uma causa em meio à guerra.
Após a destruição da Base Starkiller, no fim do último filme. Descobrimos que não há muito que comemorar para a Resistência, afinal, a Primeira Ordem sabe a localização de seu reduto e apesar da derrota ainda tem recursos para esmagá-los –e, na cena formidável que abre o filme, já começa a movê-los para fazer exatamente isso!
É também nessa cena em que Rian Johnson explora suas particularidades como diretor (mais atento aos detalhes inesperados do que Abrahams), e começa amostrar a que veio o personagem mais desperdiçado do outro filme, Poe Dameron (o ótimo Oscar Isaac), que obtém aqui uma extraordinária importância e solidez junto a trama.
Só então, após nos contextualizar na trama dos outros personagens para além do final enganosamente feliz do filme anterior, que Johnson nos leva de volta à cena que encerrou o filme de Abrahams, para prosseguir além dela de maneira desconcertante: Luke, veja só, não quer nada com a resistência e seu exílio justifica a negativa para o pedido da jovem. Ele conhece muito bem as vicissitudes da Força, que Rey está só começando a notar.
Também Finn (John Boyega), o outro protagonista, ao lado de Rey, introduzido em “O Despertar da Força”, tem lá seus problemas: Ao lado da dedicada e idealista Rose (Kelly Marie Tran), ele precisa infiltrar-se num destróier inimigo e desabilitar o mecanismo prodigioso que está permitindo à Primeira Ordem caçar e exterminar a Resistência por toda a galáxia. Para tanto, eles têm como peça fundamental o auxílio algo duvidoso de um escorregadio trapaceiro (Benicio Del Toro, cujo personagem, para surpresa de muitos, não tem tanta importância assim no final das contas). Enquanto Finn, Rose e o dróide BB-8 se arriscam nessa empreitada, cabe a Poe Dameron impedir que o comando indulgente de uma nova oficial (Laura Dern, uma surpresa) comprometa o quê ainda resta da Resistência.
Do outro lado da contenda, Kylo Ren (Adam Driver, excelente), sobrinho de Luke, filho de Léia e assassino de Han Solo, seu pai, é confrontado com suas limitações e frustrações. Mais do que ameaçar o favoritismo cultivado com ele junto ao maquiavélico Líder Supremo Snoke (Andy Serkis), elas o afastam de seu objetivo mais pessoal de fato: Igualar o poder e a lenda de seu avô, Darth Vader.
O trabalho de Rian Johnson então faz pela saga o quê ele já mostrou fazer bem em outros grandes filmes, como “Vigaristas” e “Looper-Assassinos do Futuro”: Explorar um ambiente, mesmo que fantástico e orquestrar as motivações íntimas com as conseqüências épicas e dessa conjugação extrair momentos surpreendentes.
E Johnson sabe manipular as ferramentas narrativas que têm em mãos: Ele entrega momentos reveladores e instigantes durante o prolongado período em que Rey confabula com Luke em seu exílio –trecho esse que representa o maior alvo das reclamações do filme –observa com um apuro muito mais atento que Abrahams as variações psicológicas mais sutis de seus personagens –e, nesse sentido, sem entregar nenhuma surpresa (e a partir de um ponto, elas serão inúmeras!), as ramificações acerca das personalidades de Rey e de Kylo Ren são as mais notáveis –e elabora cenas brilhantes e espetaculares, marca registrada de uma saga famosa pela proeminência de seus efeitos especiais, mas aqui tratadas com um refinamento e uma singularidade visual flagrantes: Sendo os melhores exemplos, a impressionante sequência de sacrifício de uma das personagens dentro de um cruzador da Resistência, e a batalha final em um deserto de areia vermelha coberto de sal.
Durante todos esses percalços, Johnson trata de conduzir seu roteiro com a precisão de quem quer (e em diversas passagens consegue) fazer algo até inédito em “Star Wars”: Surpreender o público com lances sofisticados e emocionantes de uma trama pontuada por reviravoltas.

“Star Wars” está em um outro nível agora, e nesses próximos dois anos até o “Episódio IX” só podemos supor para onde esses personagens e sua instigante dinâmica revelada aqui irão nos levar.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Rogue One - Uma História Star Wars

Quase a completar um ano desde a última vez, me sinto novamente na obrigação de agradecer à Disney. Agradecer por terem conseguido comprar os direitos da Lucasfilm do criador em pessoa, George Lucas, e a partir daí reiniciar a saga “Star Wars” com o ímpeto que os fãs sempre sonharam.
E uma lucidez cinematográfica que se esvaiu quase que por completo da consciência de Lucas como realizador nas últimas décadas (como atesta a pecaminosa "Trilogia Prólogo").
Os novos proprietários da saga almejam lucro nas bilheterias, claro, não sejamos ingênuos de pensar o contrário, mas nesse intento, a visão corporativista da Disney não deixa de lado aquilo que unicamente importa ao expectador que paga seu ingresso no cinema: O filme.
Tal e qual é feito com a Marvel Studios, a saga “Star Wars” está agora nas mãos de pessoas antenadas com os anseios dos fãs, e atentas aos valores cinematográficos empregados em suas produções.
O que faz de “Rogue One”, o mais refinado produto concebido dessa junção até aqui.
Ele tem início alguns anos antes da entrada definitiva de Luke Skywalker no conflito, e alguns bons anos depois dos trágicos acontecimentos relatados no “Episódio III-A Vingança dos Sinth”, e lança de imediato seu olhar sobre uma jovem chamada Jyn Erso, antes mesmo que os créditos iniciais –ligeiramente diferenciados dos filmes principais da saga –apareçam.
Jyn (a linda e maravilhosa Felicity Jones) perdeu o pai e a mãe para o Império Galáctico. A mãe, porque esta foi morta pelo venal Almirante Krennic (Ben Mendelsohn), e o pai, porque este foi cooptado, logo em seguida, para usar seu talento como projetista tecnológico para o Império. Quem criou Jyn, nesse ínterim, foi o contundente e radical Saw Gerrera (Forest Whitaker, extraordinário participação como um personagem essencial ao cânone da saga, e que reflete, de uma certa maneira, em sua imponência ameaçadora, nos detalhes truculentos de sua armadura, e até na respiração artificial ressonante, o próprio Darth Vader).
Apesar disso tudo, Jyn quer distância da guerra entre Império e Aliança Rebelde que sacode a galáxia. Ainda assim, não é o quê vai acontecer e sua trajetória irá se cruzar com outros personagens, como o capitão Cassian Andor (Diego Luna), o dróide K-2SO, o monge crédulo da Força Chimrut Imwe (Donnie Yen), o ex-soldado Maze Malbus (Wen Jiang), o desertor Bodhi Rook (Riz Ahmed), todos destinados a protagonizar este que é uma espécie de “elo perdido” da saga “Star Wars”: Ele estabelece uma ligação informativa, dramática, factual e emocional entre os episódios III e IV, e entre a trilogia clássica (aquela que realmente vale para os fãs!) e as séries animadas “Clone Wars” (por meio do personagem de Saw Gerrera que aparece como um jovem) e “Rebels” (de onde é oriundo o vilão Orson Krennic).
Falando em vilões, eles respondem por alguns dos momentos de maior empolgação de “Rogue One”, não apenas pela devidamente espetacular aparição de Darth Vader (com toda a pompa e circunstância que merece e tratado como uma divindade pela narrativa), mas também pelo inteligente uso do oficial Moff Tarkin.
Explica-se: Tarkin (interpretado no filme de 1977 por Peter Cushing, falecido em 1994) era um oficial superior do Império de suma importância na hierarquia –chegava a dar ordens em Darth Vader! –e que morre no final daquele filme durante a destruição da Estrela da Morte –em torno da qual, todo o planeta deve saber, a trama de “Rogue One” gira. Pois, Tarkin reaparece aqui, fundamental à narrativa, como tinha que ser, e ainda interpretado por Peter Cushing no que é um dos trabalhos de concepção digital mais espetaculares do ano –as ferramentas cinematográficas finalmente rompem algumas barreiras antes tidas como intransponíveis.
“Rogue One” é, no fim das contas, por meio disso tudo, da primorosa direção de Gareth Edwards, do requinte comovente de seu roteiro, do empenho apaixonado de seu elenco, e da textura real e vívida de seu acabamento visual, uma imersão em um outro mundo, através das mais vastas experiências sensoriais. Algo que sempre foi (ou deveria ser) o objetivo de “Star Wars”.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Star Wars - Episódio 3 - A Vingança dos Sith

Foi em 2005 que George Lucas lançou o Episódio 3, que amarrou em definitivo as pontas soltas de toda a saga concebida por ele, e que, por conta disso, foi o mais esperado de todos. Muitos eram os que tinham esperanças de que fosse, dentre os capítulos da nova trilogia, aquele que mais se aproximasse da “trilogia clássica”. 
Em parte, alguns foram recompensados: Este é, provavelmente, o melhor filme da nova trilogia. 
Outros, porém, não: Ele ainda padece de muitos problemas que acometeram os capítulos anteriores. 
As Guerras Clônicas transcorrem deixando profundas marcas em toda a galáxia. Os Jedi, numa manobra quase desesperada, estão prestes a encerrá-la ao caçar universo afora o hediondo e cibernético General Graivius. 
Mas a mente por trás de tudo,o Chanceler Palpatine, identidade do lorde de Sith, Darth Tyrannus, já tem outros planos: valer-se da fragilidade e desequilíbrio emocional do recém-consagrado jedi Anakin Skywalker, e convertê-lo para o lado negro da força. Feito isso, Palpatine terá nele um novo e poderosíssimo aprendiz, Darth Vader, que lhe proporcionará seu intento; converter a República Galáctica em seu Império. Único obstáculo no caminho de Palpatine e Darth Vader, os cavaleiros Jedi devem então ser eliminados, o que leva Vader e seu ex-mestre, Obi-Wan Kenobi, a um duelo devastador e que definirá os rumos da história.
Não há dúvida de que as tramas convergem para este derradeiro (e bastante sombrio) capítulo, e ele alcança relativo sucesso em amarrá-las, tornando coesa a trama de toda a saga como um todo. O grande problema é o gosto amargo que fica na boca ao pensarmos que quase toda uma trilogia de filmes foi desperdiçada, com argumentos bastante pífios, para concretizar esse objetivo.
George Lucas emoldurou seus novos "Star Wars" com toda a parafernália que  fazia o figurino de seus filmes inaugurais: E que passaram a definí-los desde então -a tecnologia de ponta com a qual se materializou imagens inacreditáveis de uma galáxia muito distante, seus personagens alienígenas e seus vastos e diversos lugares. Mas o mesmo George Lucas cometeu o erro de achar que esse era o cerne de "Star Wars" quando na verdade não passa de sua moldura. A trilogia terminou ausente de empatia com seu personagem principal -Anakin Skywalker -e desprovida da identificação poderosa que a "trilogia clássica" obteve em todos os âmbitos de seu tempo.
Uma lição preciosa que o diretor J.J. Abrahams, felizmente, soube aplicar com bom senso e primor irrestrito no fabuloso Episódio 7.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Star Wars - Episódio 2 - O Ataque dos Clones

Depois da estréia de “A Ameaça Fantasma”, pode-se dizer que as expectativas para o Episódio 2 foram bastante reduzidas. Como no filme anterior, George Lucas voltava à direção o quê não pode-se chamar de uma notícia necessariamente boa. 
Todavia, as críticas negativas do Episódio 1 foram assimiladas e ele promoveu mudanças neste segundo filme: Para evitar o roteiro fraco e sem polimento do anterior, ele contratou um roteirista para trabalhar as cenas, o resultado foram diálogo mais extensivos e minuciosos, desprovidos de brilho, mas desta vez, ausentes de constrangimento; o inexpressivo garoto Jake Loyd, como Anakin dá lugar ao mais velho e mais esforçado (ainda que pouco carismático) Hayden Christensen; as cenas de ação são consideravelmente amplificadas; e o irritante Jar Jar Binks é reduzido a uma única cena (!). 
Tudo isso, contudo, não apaga um sabor um pouco desagradável que o filme deixa: George Lucas buscou fazer seu dever de casa, sim, mas ele preocupou-se em demasia com a forma de sua obra, ignorando sua essência. Há muito pouco da magia e do encanto da “trilogia clássica” nessa retomada de “Star Wars”. E olha que ele já estava no segundo filme: Restava somente mais um para acertar... 
Dez anos após os eventos do filme anterior, a República Galáctica enfrenta severos problemas quando forças separatistas, representadas por um certo Conde Dukhan, insurgem em revoltas por toda galáxia. Os combalidos Jedi precisam de uma urgente medida pacífica, mas a senadora mais capacitada para isso, Padme, corre risco de vida. São escolhidos como guarda-costas dela dois cavaleiros Jedi: o apaixonado (e instável) Anakin Skywalker, e seu mestre Obi-Wan Kenobi. Uma vez reunidos, eles seguirão rumos diferentes que levarão Obi-Wan a descobrir uma preocupante conspiração por trás de um misterioso exército de clones; enquanto que Anakin, enamorado pela bela Padme arriscará seu equilíbrio interior de cavaleiro Jedi, tornando-se sucetível ao Lado Sombrio da Força. 
Aos poucos as pontas soltas referentes à muitas questões pertinentes da saga vão se juntando (o quê era, afinal, o objetivo desta trilogia prequel desde o começo): Como e porque se deu a conversão de Anakin para o Lado Sombrio? De que forma concretizou-se a conspiração de Palpatine que expurgou os Jedi e transformou ele no Imperador Galáctico?

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Star Wars - Episódio 1 - A Ameaça Fantasma

Após o lançamento de "O Retorno de Jedi", em 1983, houve uma época em que acreditou-se que nunca mais haveria um novo "Star Wars". Esse período negro comportou mais ou menos o ano de 1986 até quase o final dos anos 1990. Mas, ao fim daquela década os fâs puderam se animar novamente: Após conferir a evolução dos efeitos especiais (perceptível especialmente no prodigioso "Jurassic Park"), evolução essa que ele próprio ajudou a proporcionar, George Lucas resolveu voltar à sua saga, retornando ao passado para contar o que seria o início da trama -que é sempre bom lembrar, ele iniciou no Episódio 4 -com a qual ele mesmo revolucionou o cinema em 1977. 
Em 1999, chegava então aos cinemas "A Ameaça Fantasma", embalada por cenas de encher os olhos e que, verdade seja dita, à época, reuniu multidões no cinema. 
Todavia, apesar da empolgação, e de momentos genuinamente legais, "A Ameaça Fantasma" trazia uma incomoda aura de perfeição. O jovem ator que fazia Anakin Skywalker era ruim. A trama enrolava na maior parte do tempo. O personagem digital de Jar Jar Binks era irritante e insuportável (e aparecia durante quase o filme todo!), e as coisas boas (o vilão Darth Maul; o jovem Obi Wan Kenobi de Ewan McGregor; Natalie Portman) apareciam, ao menos nesse primeiro filme, por pouco tempo em cena.
George Lucas havia criado, acima de tudo, um prato cheio para os detratores de sua saga intergaláctica.
No distante planeta Naboo, frotas hostis representando uma auto-intitulada "Associação", fazem um cerco ao planeta, o que exige a presença de dois cavaleiros Jedi (o jovem Obi-Wan Kenobi e seu mestre, Qi-Gon), para que intercedam em favor da paz e da justiça. Tudo sai errado com uma declaração de guerra seguida por um fuga audaciosa da Rainha Padme Amidala do planeta junto dos Jedis. Eles vão todos parar no distante Tatooine, onde encontram ajuda no garotinho escravo Anaquin Skywalker. Logo, Qi-Gon, fascinado com o potencial do garoto o levará ao planeta Coruscant, local do conselho Jedi, obcecado com a idéia de fazer dele seu aprendiz.
Diz a lenda que o próprio George Lucas não queria dirigir esse filme: Ele teria procurado Spielberg, e até Ron Howard para oferecer-lhes a direção, mas ouviu de todos a mesma resposta; "Este é um filme que tem que ser feito por você!"
Eles não podiam estar mais enganados. Os vintes e poucos anos (desde o primeiro "StarWars", de 1977) em que Lucas ficou sem sentar na cadeira de diretor fizeram uma enorme diferença neste trabalho, minando muito da qualidade que este filme poderia ter tido. Ele empalidece ainda mais, por exemplo, se compararmos com recente "O Despertar da Força", com a criteriosa direção de J.J. Abrahams.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Star Wars - Episódio 7 - O Despertar da Força

Eu vi. Eu finalmente vi, no esplendor do cinema Imax, o que deve ter sido o filme mais aguardado do ano. 
E foi um prazer. 
Era como se estivesse testemunhando um acontecimento muito especial: E na verdade estava; eu estava presenciando, enquanto aquela obra fluida e deliciosa transcorria na tela, um importante capítulo da história da cultura pop sendo escrita. 
Deve ter sido uma sensação parecida com a que teve o público de 1978, quando assistiram à “Star Wars-Episódio 4-Uma Nova Esperança” pela primeira vez. Aquele espanto. Aquela euforia. “O Despertar da Força” fez com que eu reencontrasse o garotinho de 12 anos que vive dentro de mim e isso, eu sei por experiência, não é algo que um filme consegue fazer com facilidade. 
O que provavelmente você sabe, é que “O Despertar da Força” se passa trinta anos depois dos acontecimentos de “O Retorno de Jedi” e que, enquanto introduz novos personagens e uma nova história que levará a uma nova trilogia, revela também o quê se passou nesses trinta anos com os personagens já conhecidos como Luke Skywalker, Han Solo e a Princesa Léia. 
O que você não sabe é quem esses novos personagens são. Contudo, conforme vai assistindo o filme, num artifício muito bem elaborado pelo departamento de marketing que conseguiu manter absolutamente tudo em segredo a respeito deles, esse mistério só é elucidado onde deveria mesmo: Na sala de cinema, o quê diga-se, é raro nestes tempos em que a internet possibilita sabermos de antemão todas as surpresas do filme antes mesmo de assisti-lo. 
O que você irá descobrir é o trabalho criterioso, apaixonado, emocionado e emocionante que o diretor J.J. Abrahams dedicou a saga (ele foi escolhido à dedo pela Disney depois que ela comprou os direitos do criador George Lucas). 
Os novos personagens (minha predileta é, de longe, Rey, interpretada por Daysi Ridley, a mais sensacional protagonista feminina que a saga jamais teve) são tão carismáticos quanto os antigos (e aqui não há como não ressaltar Han Solo, personificado com brilho e entusiasmo por Harrison Ford), e a trama remete à muitos elementos que fizeram a magia da trilogia original. 
O quê nos leva às questões: Este filme é tão bom quanto os “Star Wars” originais? Tão bom quanto “Império Contra-Ataca”? Ele apaga o gosto frustrante deixado na boca pelos capítulos da nova trilogia? 
A resposta para todas elas é sim! (Inclusive para aquela possivelmente polêmica questão do meio) 
Daqui a alguns anos estaremos falando de “O Despertar da Força” com o mesmo assombro e carinho com o qual relembramos os três filmes originais da saga.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Star Wars - A Caravana da Coragem

Dois jovens irmãos, um rapaz adolescente e uma menina ainda criancinha, perdem-se de seus pais quando sua nave cai na Lua Florestal de Endor, um mundo selvagem cheio de maravilhas, mas de perigos também. O casal de irmãos é salvo pelos pequeninos, porém destemidos Ewoks (pequenos e simpaticíssimos ursinhos que vivem em tribos construídas nas copas das árvores como espécies indígenas), que apesar de não conseguirem estabelecer com eles alguma comunicação verbal, resolvem ajudá-los sem pestanejar. 
Os Ewoks montam assim um grupo, uma caravana para acompanhá-los até as montanhas distantes, onde eles sabem, está a temível fera que aprisionou os pais das crianças. 
Embora um pouco esquecido pelas gerações mais novas, este spin-off de “Star Wars” (contando uma aventura solo dos bichinhos de pelúcia que encantaram as platéias em “O Retorno de Jedi”) é lembrado com bastante carinho pelos fãs mais antigos. 
De fato, seu sabor de matinê e de aventura à moda antiga (uma proposta do próprio George Lucas ao realizar “Star Wars”) é simplesmente delicioso.

Star Wars - Episódio 6 O Retorno de Jedi

Conforme vai envelhecendo George Lucas se torna cada vez menos propenso a cometer audácias, trocando qualquer ousadia por um conformismo “família”. 
Essas características, que minaram a nova trilogia de “Star Wars”, já se mostravam presentes no último capítulo da trilogia original. Não ajudou muito, também, substituir o bom diretor de “Império Contra-Ataca”, Irving Keshner, pelo operário-padrão Richard Marquand (o único filme dele, além deste que pude conferir foi “Quando Setembro Chegar”, um drama romântico pra lá de genérico protagonizado por Karen Allen). Reza a lenda, que Lucas queria para dirigir “O Retorno de Jedi” ninguém menos do que David Lynch (e só podemos imaginar a doideira que sairia dessa união!). 
Enfim, dando continuidade ao encerramento em aberto de “Império...”, este filme começa quando Luke e seus amigos retornam ao planeta Tatooine para resgatar Han-Solo, prisioneiro nas mãos do asqueroso Jabba The Hutt. Logo, eles seguirão para junto da Aliança Rebelde a fim de organizar um plano definitivo contra o Imperador Palpatine e seu Império Galáctico. O confronto se dará nas imediações do arborizado planeta Endor, onde Luke, cada vez mais senhor da Força, travará o duelo final contra seu antagonista e pai, Darth Vader. 
O encerramento da saga "Star Wars", terminou com um pouco menos do assombro e surpresas proporcionados pelos capítulos anteriores, mas ainda assim consegue ser um entretenimento espetacular, divertido e, por que não, mágico. 
O desenlace final de personagens tão queridos, e sobretudo a redenção de Darth Vader não tinha como não cair no gosto do público. Agora, resta-nos aguardar pelo vindouro “StarWars-O Despertar da Força” que é, oficialmente o episódio 7, o que tira deste filme aqui o título de “último capítulo de Star Wars”.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Star Wars - Episódio 5 O Império Contra-Ataca

Cheguei ao meu longa preferido da saga, e aquele que assisti mais vezes. E, é com satisfação que constato que ele permanece sensacional!
Perseguido por Darth Vader e o Império Galáctico, o jovem aprendiz de Jedi, Luke Skywalker refugia-se junto do restante da Aliança Rebelde no gélido Planeta Hooth, mas não tardam a ser encontrados por seus algozes. 
Logo, Luke terá de rumar para o Planeta Dagobah, atrás de um certo Mestre Jedi chamado Yoda para que ele dê continuidade ao seu treinamento, já que seu mestre, Obi-Wan, fôra morto por Darth Vader no filme anterior. Nesse meio tempo, os amigos de Luke, Han-Solo, Leia, o peludo Chauwbacca e C3PO fogem para Bespim, a Cidade das Nuvens tentando em vão despista o Império. Capturados, eles servirão de isca para uma armadilha onde Vader irá confrontar Luke com uma revelação surpreendente. 
Em tudo e por tudo superior ao filme anterior. 
Considerado também pelos fãs o melhor dos "Star Wars", e não é à toa. A entrada de um diretor mais habilitado, Irving Keshner (substituindo o criador em pessoa, George Lucas) proporcionou ao filme uma narrativa mais sofisticada, mais bem resolvida, que praticamente sanou muitos dos pequenos problemas do ótimo primeiro filme, por exemplo, a canastrice de alguns intérpretes como a princesa Léia, Carrie Fisher, (que estava a beira do irritante e ligeiramente deslocada, em sua postura) aqui ela está até mais sensual e interessante, além de visivelmente mais à vontade em seu papel, o quê se reflete, de modo geral, em todo o elenco. 
O roteiro, escrito por Lawrence Kasdan (o quê me enche de esperança para o vindouro “Star Wars-O Despertar da Força”já que ele também está roteirizando) é magnífico dando profundidade à mitologia, não só com a bombástica, e já lendária, revelação de Darth Vader, mas também com pequenos e espirituosos detalhes como o fato de Vader matar todos os ocupantes do cargo de almirante toda a vez que uma falha aparece em seus planos, passando assim esse ingrato posto para outro infeliz. E o quê dizer da emoção e tensão palpáveis que há no duelo de sabres de luz entre Darth Vader e Luke? Ainda considero este (apesar das estripulias, piruetas e saltos mortais dos confrontos filmados na trilogia mais recente) o melhor dentre todos os duelos de sabre de luz da saga inteira! 
Se há um “Star Wars” capaz de nos fazer vibrar de verdade, é este daqui!

sábado, 12 de dezembro de 2015

Star Wars - Episódio 4 Uma Nova Esperança

Até então, a "Trilogia Clássica de Star Wars", iniciada em 1977 quando os planos ambiciosos de consolidar uma saga de vários filmes ainda não apareciam, era tido como o final da história (embora ela tenha ganhado continuidade na literatura).
Agora, com a nova trilogia preparada pela Disney, as coisas mudaram: Os episódios IV, V e VI são, portanto, o 'meio' da história; e certamente, merecem uma revisão para capturarmos alguns elementos dos novos filmes. 
Uma coisa que sempre me cativou em “Star Wars” é que, dentre todas as grandes franquias cinematográficas, ela é uma das poucas que é cinema puro. 
Salvo “De Volta Para O Futuro”, “Indiana Jones” e alguns filmes de terror, “Star Wars” é a única série que já surgiu como filme, não sendo adaptação de livro, nem oriunda de uma série de TV e nem de uma HQ, nem nada. Antes de reclamem, ainda não considero “Avatar” uma série, já que ainda não ganhou continuações. 
Mas, enfim, vamos voltar ao assunto: Os robôs R2-D2 e C3PO servem de pivô introdutório, não apenas aos personagens principais, mas à todo o universo que constitui "Star Wars" quando aparecem, perplexos e desorientados, na fenomenal batalha que abre o filme de Lucas.
E tal recurso narrativo, bastante inteligente, foi aproveitado do brilhante "A Fortaleza Escondida", do mestre Akira Kurosawa (do qual, um dia desses, entrego uma resenha).
Detentores de uma mensagem capaz de frustrar os planos destruidores dos vilões envolvendo a temível 'Estrela da Morte', R2-D2 e C3PO encontram no desértico e longínquo planeta Tatooine o jovem fazendeiro Luke Skywalker, junto do qual procuram o sábio veterano de confrontos intergalácticos Obi-Wan Kenobi.
Luke e Obi-Wan são personagens arquétipos (e não há mal nenhum nisso): Luke é o jovem preso a uma existência de comodidade e insatisfação que, literalmente, sonha com as estrelas. Obi-Wan (na interpretação sublime do magnífico Alec Guinness) é o sábio providencialmente plantado pela narrativa para guiá-lo em seu caminho, embora a iniciativa, e a decisão de trilhá-lo, pertençam ao próprio Luke,
Juntos, eles partem para resgatar a princesa Leia, refém do maligno Darth Vader e do Império Galáctico, encontrando pelo caminho outras figuras icônicas da cultura pop como o contrabandista Han Solo e seu parceiro alienígena Chewbacca.
Essa receita arrojada, propondo um tratamento carregado de minúcia à uma premissa irrestritamente fantasiosa ao mesmo tempo em que mantinha uma simplicidade estrutural na compreensão de seus desdobramentos terminou moldando um dos grandes fenômenos do cinema. "Star Wars" revolucionou o conceito de filmes comerciais com sua mistura de mitologia, efeitos especiais de ponta e a luta do bem contra o mal. 
Só podemos supor a loucura e espanto que deve ter sido quando ele estreou nos cinemas em 1977, mostrando algo que nunca havia sido visto antes. O resultado de tamanha audácia terminou ganhando sete merecidíssimos Oscars em categorias técnicas.
É o primeiro filme idealizado e executado de uma série de seis longa-metragens planejados dentro de uma cronologia incomum: O mundo se viu chocado e aflito quando, no lançamento da continuação, "O império Contra-Ataca", ficou definido que aquele era o quinto episódio e este, portanto, o quarto (!). Alguns se perguntavam "onde estão os outros três filmes?!" Foi somente a partir de 1999 que George Lucas concebeu os episódios I, II e III, preenchendo retroativamente as lacunas deixadas ao longo dos filmes; sobretudo, no que diz respeito à importantes eventos passados (e que dão conta, principalmente, da origem do vilão Darth vader).
PS: Estou vendo as versões originais, e não aquelas versões com cenas adicionais e efeitos especiais acrescentados anos depois por George Lucas. A cena da taverna, onde Han Solo discute com o alienígena Greedo, e termina por surpreendê-lo (e à platéia, também) com um tiro fulminante e inesperado por baixo da mesa, fica muito mais legal sem a intervenção politicamente correta de George Lucas.