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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Império dos Sonhos - A História da Trilogia Star Wars


 Hoje, “Star Wars” é mais que uma simples saga cinematográfica; é um marco comparável à poucos na cultura pop que reúne uma legião intratável de adoradores e depreciadores que o amam e o odeiam com igual intensidade.

Motivo para isso é seu sucesso incomensurável –que há tempos já extravasou as fronteiras do cinema indo para a animação, quadrinhos, literatura, videogames e séries de TV –e a capacidade de apreender, em toda sua vasta mitologia, um fascínio por elementos imediatamente identificáveis e por personagens inconfundíveis.

O documentário capitaneado por Edith Becker e Kevin Burns, realizado em 2004 para aproveitar o lançamento dos três primeiros filmes em DVD, foi registrado enquanto a polêmica “Trilogia Prequel” (composta de “A Ameaça Fantasma”, “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”) ainda estava sendo realizada, e muito antes de haverem planos para uma “Trilogia Sequel” (que consiste de “O Despertar da Força”, “Os Últimos Jedi” e “A Ascensão Skywalker”) ou do boom que a saga sofreu nos anos recentes ao ser comprada pela Disney e multiplicar seu cânone em séries animadas, derivados e inúmeras outras obras. Portanto, ao filme resta somente registrar o nascimento da obra que originou todo esse vasto universo e que, sabe-se, resume-se aos exemplares da hoje chamada “Trilogia Clássica” (que alberga os seminais “Uma Nova Esperança”, “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi”), cujo dado mais surpreendente seja talvez o de que, tantas obras e ramificações depois, continuam entre os produtos de mais alta qualidade reconhecida seja entre fãs ou críticos.

O que muita gente não sabe, foram as dificuldades homéricas enfrentadas por George Lucas para conceber sua visão –e que encontraram muitos obstáculos devido às inovações que ele vislumbrou em sua realização –e nem a forma (ou o contexto) com que a chamada ‘Febre Star Wars’ dominou o Planeta Terra naqueles turbulentos, mas à sua maneira inocentes, anos 1970.

O documentário explora, em tom notadamente enaltecedor, o pioneirismo do grupo formado ao redor de George Lucas e de como usaram de vasta criatividade para moldar imagens (e sons) que logo entrariam para a História. Acompanhamos a tenacidade de Lucas enquanto criador ao insistir numa aventura de ficção científica construída em circunstâncias que eram, então, sem precedentes: Obras desse cunho, para obter respeito e aprovação crítica, deveriam ser adultas e cerebrais, caso contrário, caíam na desonrosa pecha de produções infantis –o que, muitos à época  insistiram, “Star Wars” seria.

Igualmente sem precedentes foi a opção de Lucas em assumir os direitos sobre o merchandising dos produtos oriundos do filme, algo que, ao longo do tempo, se mostrou um acerto milionário e que, entre outras coisas, definiu o sistema mercadológico do cinema comercial norte-americano dali para frente.

O documentário é respeitoso. Ele omite fatos espinhosos como o romance fora das telas entre Harrison Ford e Carrie Fisher ou o breve problema de vício em drogas dela, porém, ele se estende para além do primeiro filme ao focar na realização também de “O Império Contra-Ataca”. Assim, descobrimos que, em 1980, Lucas depositou todas as suas fichas na continuação, investindo toda a fortuna que havia adquirido com o sucesso do primeiro filme; embora muitos acreditassem, desdenhosamente, que ele já tivesse dinheiro para dar e vender.

Os depoimentos do diretor Irvin Keshner expõem claramente as decisões que levaram a sequência a ser ainda mais memorável que o filme anterior, e as escolhas que levaram aos grandes momentos da saga, como a revelação da paternidade de Darth Vader –mantida em segredo, na cena, até do próprio ator Mark Hammil –e o fenomenal desfecho, com o gancho explícito para a terceira parte.

O último terço dá conta, assim, da realização, aguardada com muito expectativa pelo público, de “O Retorno de Jedi”, quando “Star Wars” já havia se sagrado como uma das grandes franquias do cinema moderno, e seus astros, Hammil, Ford e Fisher, já eram tão reconhecidos que a produção teve de usar títulos alternativos para diblar curiosos –prática esta que também passou a ser adotada por Hollywood.

O documentário ainda traz depoimentos maravilhosos de realizadores direta ou indiretamente influenciados por “Star Wars”, seja nas suas inovações técnicas, seja na inspiração que exerceu quando eles eram fãs –entre essas ilustres aparições estão Steven Spielberg, Francis Ford Coppola (chapas de George Lucas que, inclusive, acompanharam a gestação do conceito de “Star Wars”), Peter Jackson, Jeffrey Katzenberg e John Lasseter. Todos eles e outros convidados (além de outros segmentos mais!) fornecem um panorama do que foi “Star Wars”, não somente o retumbante fenômeno cultural, mas também os fascinantes contratempos enfrentados em sua gênese, e a personalidade pacata, colaborativa e divertida de seu criador, George Lucas, por vezes mostrado como o gestor de inúmeras mentes criativas (algumas mais prodigiosas que a dele próprio) no centro desse furacão que mudou o cinema para todo o sempre.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Fome Animal


 Magnífica fusão de comédia e terror –o chamado ‘terrir’ –o apoteótico “Fome Animal” foi o trabalho de mais destaque no início de carreira de Peter Jackson, antes dele descobrir a aclamação da crítica por “Almas Gêmeas” e rumar em direção ao fenômeno sem precedentes que foi “O Senhor dos Anéis”.

Ali, se notava um diretor (e certamente sua engajada equipe técnica) cujo talento sobrepujava as condições restritas do cinema B que executava para moldar um obra sarcástica, travessa, primorosa e vibrante –“Fome Animal” deve ter feito a festa de aficcionados pelo terror e pelo gore nos nichos por onde passou nos peculiares anos 1990.

No prólogo, descobrimos dois homens perseguidos por uma tribo indígena, a fugir com um espécime animal da própria Ilha da Caveira (uma referência ao clássico “King Kong”, muitos anos antes do próprio Peter Jackson realizar sua ambiciosa e notável refilmagem). Um deles, interessado em levar o animal –um tal ‘Macaco Rato de Sumatra’ –a qualquer custo, é mordido; e por isso os nativos que o acompanham sabem o que fazer sem pestanejar: Lhe amputam as partes que foram mordidas na mesa hora (!).

“Fome Animal” começa assim: Sangrento, despojada e nada sutil. E assim será até seu formidável desfecho.

Os protagonistas de sua trama são um iminente e adorável casalzinho na Nova Zelândia: A sensual e ingênua imigrante latina Paquita (a deliciosa Diana Peñalver) e o desengonçado Lionel (Timothy Balme). Parecem até oriundos de alguma comédia romântica, mas não são: Paquita crê na previsão das cartas de tarô que lhe apontam um romance duradouro com Lionel, no entanto, o rapaz –uma espécie de Norman Bates (de “Psicose”) em potencial –mora com a mãe (Elizabeth Moody) que lhe humilha e oprime, podando qualquer chance do rapaz adquirir autonomia e independência.

Numa rara oportunidade, Lionel leva Paquita a um passeio no zoológico, onde são seguidos pela ardilosa mãe dele –e é lá que esses personagens encontram o Macaco Rato de Sumatra (uma criação em stop-motion feita com uma divertidíssima tosquice auto-consciente) que acaba mordendo a mãe do rapaz e tendo sua cabeça esmagada por ela ali mesmo!

Ao longo dos dias, Vera, a mãe, vai apresentando os sintomas característicos do gênero onde a pessoa apodrece e se converte num zumbi (!), mas o filme de Jackson jamais se acomoda nessa circunstância: Embora seja dada como morta, Lionel sabe que não foi exatamente isso que aconteceu; e a leva para o porão de sua casa, bem como a todos que, no processo, ela vai infectando –a enfermeira McTavish (Brenda Kendall), o padre (Stuart Devenie) que num dado momento luta kung-fu com os mortos-vivos (!), e o membro de uma gangue de motoqueiros, ou coisa assim... –de capacho subserviente da própria mãe (mesmo depois de morta!), o passivo e submisso Lionel vira capacho subserviente de um bando de zumbis que passa a abrigar em seu porão, para perplexidade da apaixonada Paquita; e essa característica sempre irônica a definir seus personagens (dos principais aos coadjuvantes) persiste por todo o filme, embriagando-o de estilo.

E não pára aí: Quando surge o interesseiro Les (Ian Watkin), o tio de Lionel disposto a surrupiar a herança do rapaz, o filme de Peter Jackson parece finalmente encontrar seu ápice; numa festa de arromba promovida por Les –e que reúne uma multidão dentro da casa –os zumbis preservados no porão enfim se libertam dando início a um festival de sangue raras vezes visto no gênero. Podia-se notar, já nesse formidável “Fome Animal” que essa equipe haveria de fazer algo genial em algum momento no futuro: As sequências de gore incontido que o filme entrega em profusão atordoante a partir de certo ponto impressionam pelo nível elevado de inventividade, e pelo uso inteligente e nunca acomodado dos efeitos práticos de maquiagem que, num crescendo espantoso e condizente com sua proposta, vão soterrando os atores de quilos de maquiagem e litros de sangue cenográfico (!) numa sangreira desatada que orgulharia o mestre italiano Lucio Fulci.

Parece ser com facilidade que “Fome Animal” molda, uma a uma, sequências absolutamente memoráveis: Entre muitas outras, temos o enervante bebê morto-vivo; a luta do herói contra um ‘intestino grosso animado’ (!); o mesmo herói, no espetacular e escatológico clímax, trucidando as hordas de zumbis usando um cortador de grama (!!) e a luta final, no telhado da casa, contra a mãe-zumbi, convertida num monstro de proporções improváveis, que é também um acerto de contas do protagonista contra suas repressões pessoais.

Inspirado pela irrestrito exercício sanguinolento de maquiagem visto em “A Morte do Demônio”, de Sam Raimi, este filme, o mais cultuado da primeira fase na carreira de Peter Jackson –aquela que muito definiu seu perfil enquanto contador de histórias –é um trabalho ácido e politicamente incorreto num nível em que jamais poderia ser feito hoje; e ainda bem que ele existe para poder ser conferido!

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Os Espíritos

O próprio Peter Jackson é o primeiro a admitir que “Os Espíritos” representa um importante papel transitório em sua carreira, de um cineasta independente recluso aos filmes de terror de baixo orçamento à um diretor aclamado e reconhecido por seu trabalho magistral no épico “O Senhor dos Anéis”.
Lançado em 1995, “Os Espíritos” foi assim sua última experiência no nicho do ‘terrir’ –o terror com altas doses de humor –que pontuou todo o início de sua filmografia; embora seja, na comparação com obras como “Trash-Náusea Total” e “Fome Animal” uma produção de escopo mais considerável.
Quem tem, portanto, o mérito de primeiro ter percebido o talento do diretor neo-zelandês e lhe dado uma oportunidade mais vultuosa –orçamento com direito a mais variedade de efeitos visuais (numa época ainda embrionária do advento dos efeitos computadorizados), elenco com pelo menos um astro hollywoodiano (Michael J. Fox) –é o também diretor Robert Zemeckis, que aqui assumiu a produção e fez deste projeto um reencontro indireto com o astro de seu “De Volta Para O Futuro”.
Michael J. Fox vive Frank Bannister, o herói –ou, talvez, o anti-herói –que, no roteiro rocambolesco bolado por Jackson e sua esposa Fran Wlash, é uma espécie de médium decadente; ele vai a sistemáticos enterros para oferecer seus serviços como vidente.
Contudo, engana-se quem pensa que Frank é um charlatão: Ele tem, sim, o dom de comunicar-se com os mortos (habilidade adquirida após o traumático assassinato da esposa, crime que ficou sem solução desde então), porém, ele usa tal dom de forma torpe; três fantasmas que ficaram ‘amigos’ seus, Cyrus (Chi McBride, de “O Terminal”), Stuart (Jim Fyfe) e o Juiz (John Astin, pai de Sean Astin) aprontam das suas em lugares previamente combinados, para então Frank aparecer, resolver o problema e ganhar sua grana.
É isso o que acontece, por exemplo, na casa de Lucy Lynskey (Trini Alvarado, de “Tudo Por Um Sonho”), na qual a cerca de seu marido, Ray (Peter Dobson), foi atingida pelo carro de Frank num acidente: Frank despacha os fantasmas para tocar o coreto, depois aparece oferecendo sua ajuda como compensação pela cerca quebrada.
Contudo, já ali, na casa de Lucy, Frank tem um indício da vindoura encrenca na qual se envolverá: No testa de Ray, surge inscrito um número que ninguém, exceto Frank, vê.
Com efeito, Ray aparece morto pouco depois, e Frank passa a enxergar o número em outras pessoas. O seu problema é que, em vez dessas circunstâncias levarem-no à solução dos assassinatos, elas o tornam o suspeito Nº 1 deles aos olhos do transtornado agente do FBI Milton Dammers (Jeffrey Combs, de “Re-Animator”), uma figura entre o patético e o ameaçador, oriunda de um tipo muito específico de humor praticado por Jackson e sua equipe.
Na verdade, todo o filme caminha numa linha de gênero indefinível: Ele tem uma premissa de terror que lhe orienta do início ao fim, com aparições assumidamente pavorosas, e momentos de incontida sanguinolência, ao mesmo tempo que se mostra cômico e divertido em inúmeras ocasiões –aspecto reiterado ainda pela presença sempre carismática do ótimo Michael J. Fox e de graciosas referências cinematográficas (“Nascido Para Matar”. “O Exorcista”) –além de contar com uma música à cargo de Danny Elfman que, a exemplo de seus trabalhos ao lado de Tim Burton, enfatiza o sarcasmo e o humor negro presente no material.
No entanto, certamente o que mais se destaca na execução do “Os Espíritos” é notar a forma comprometida e disposta com a qual Peter Jackson mergulha no manejo dos efeitos visuais, algo então pouco predominante em suas realizações, e o faz moldando cenas que, se não são um primor de acabamento, são bem indicativas de uma predisposição criativa para conceber sequência cheias de inteligência e inventividade. Jackson conta que o volume (inédito para seus padrões) de computadores exigido pelo filme durante a sua pós-produção o levou a planejar um projeto seguinte no qual pudesse dar uso para tantos computadores; logo, um filme de fantasia, com vários efeitos especiais.
Foi o começo de um caminho que o levaria a “O Senhor dos Anéis”, e inscreveria o nome de Peter Jackson na História do Cinema.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei Versão Estendida

É possível uma obra já tida por impecável elevar ainda mais seu altíssimo padrão de qualidade? Esta é a difícil pergunta que as Versões Estendidas de “O Senhor dos Anéis” se atreveram a responder com uma audaciosa resposta afirmativa.
No capítulo final, “O Retorno do Rei”, algumas dessas cenas novas foram filmadas depois que o filme ganhou 11 Oscars na histórica cerimônia de 2004, o que não as impede de, pelo menos, conferir um aspecto esclarecedor a muitas passagens em alguns momentos.
Não há, contudo, razão para os pessimistas temerem, o filme majestoso, arrojado e inigualável que tomou o mundo de assalto continua lá: Após as duras provações experimentadas em “As Duas Torres”, o hobbit Frodo Bolseiro (Elijah Wood), ao lado de seu filme companheiro Sam (Sean Astin) adentra a etapa derradeira, e mais arriscada, de sua jornada, quando está por penetrar no território obscuro, maligno e infestado de perigos conhecido como Mordor. Não é só: Cada vez mais prejudicado em seu juízo perfeito pela influência do anel, Frodo rejeita a amizade sincera de Sam para cair nas armadilhas morais de Gollum (Andy Serkis, numa aula de interpretação virtual), cujo plano é entregá-lo de bandeja à horripilante aranha gigante Laracna, numa das mais espetaculares cenas do filme (e do cinema).
No outro núcleo de protagonistas, vemos Aragorn, Legolas, Gimli e Gandalf encontrarem Merry e Pippin, depois dos desencontros do filme anterior –é nesse momento que presenciamos uma das mais festejadas cenas da versão estendida, quando Gandalf, convertido em um mago branco, se depara com Saruman (Christopher Lee) e o confronta; certamente uma cena que foi um pecado ter sido tirada da versão de cinema.
O filme se ocupa de mostrar os desdobramentos desses personagens: Gandalf e Pippin seguem para a Cidade Branca de Gondor (um prodígio de efeitos visuais e direção de arte claramente reservado com zelo para aparecer apenas neste filme) onde devem alertar o esclerosado regente Denethor (John Noble) da chegada iminente de um exército incalculável de orcs; em Rohan, o Rei Théoden (Bernard Hill) e sua sobrinha Eowin (Miranda Otto) reúnem o exército dos rohimin para tentar impedir que a raça dos homens seja subjugada em definitivo pelas forças de Sauron; já, Aragorn (Viggo Mortensen), Legolas (Orlando Bloom) e Gimli (John Rhys-Davies), numa missão diferente, devem invadir catacumbas amaldiçoadas para reivindicar o auxílio de guerreiros fantasmas na grande guerra por vir, guerreiros estes que só responderam ao próprio herdeiro do Rei Isildur, e legítimo rei de Gondor, papel do qual Aragorn já não tem mais como fugir.
Essas subtramas –preenchidas com uma infinidade de cenas grandes ou pequenas que lhes acrescentam novas impressões –convergem, primeiro, na grandiloquente Batalha dos Campos do Pelenor, uma das grandes sequências épicas do cinema moderno, e depois, no enfrentamento final à Sauron e aos orcs, às portas de Mordor, quando Frodo, Sam e Gollum chegam ao ápice de sua conflituosa relação –e o bem e o mal encontram uma das personificações mais complexas, cativantes e visualmente estarrecedoras de seu eterno conflito.
Há beleza indescritível, inesgotável e inatacável em “O Retorno do Rei” –acredite, cada fotograma de sua cinematografia é um wallpaper! –e sua Versão Estendida tão somente fornece um novo e requintado ângulo para apreciá-la; no equilíbrio tão improvável quanto inacreditável de elementos íntimos com predicados épicos e grandiosos, e na obra de perfeição comovente que é obtido, “O Retorno do Rei” representa o final esplendoroso de uma das grandes sagas de nosso tempo, o auge do talento artístico de Peter Jackson e o ápice qualitativo nas telas de cinema das últimas décadas.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

O Senhor dos Anéis - As Duas Torres Versão Estendida

Pode-se afirmar que o capítulo do meio da formidável “Trilogia do Anel” é aquele que mais muda na comparação da versão de cinema com sua versão estendida.
O mais controverso dos três filmes por parte de algumas decisões criativas de seu diretor Peter Jackson –utilizar seu prólogo dramático no final do primeiro filme e jogar o antológico momento da aranha gigante para a terceira parte –“As Duas Torres” é aquele no qual o material original produzido pelos roteiristas (além de Jackson, Fran walsh, Phillippa Boyens e Stephen Sinclair) mais se expressa: Nele, vemos sub-tramas mais simplórias na versão literária ganhar ênfase e profundidade, além de algumas licenças poéticas que incrementam certas dinâmicas entre os personagens; sendo a mais gritante, a paixonite contumaz de Ewin (Mirando Otto) por Aragorn (Viggo Mortensen).
Por falar nele, Aragorn, com o acréscimo de novas linhas à trajetória empreendida por ele, Legolas (Orlando Bloom) e Gimli (John Rhys-Davies) ao fim de “A Sociedade do Anel”, acaba adquirindo um protagonismo que toma o lugar central de Frodo (Elijah Wood) nesta narrativa –ele que era sem dúvida o protagonista do filme anterior, mas, que voltará a ser protagonista do filme posterior.
Neste épico monumental, desprovido de começo e de fim pela força dessas circunstâncias, a direção de Jackson relata assim três linhas narrativas paralelas originadas do dramático desfecho da primeira parte: Na primeira, Frodo e Sam (Sean Astin) adentram as regiões mais ermas e obscuras em seu caminho árduo rumo à Mordor; enquanto Frodo adentra também, num nível mais íntimo, áreas ainda mais sombrias de sua condição espiritual graças à influência maléfica do poderoso anel que deve destruir. Exemplo radical do mal provocado pela corrupção do anel, a criatura Gollum (Andy Serkis, brilhante) passa a acompanhá-los com a promessa de ser-lhes um guia –embora, lá no fundo, sua mente distorcida almeje traí-los.
Na segunda linha narrativa, os hobbits Merry (Dominc Monaghan) e Pippin (Billy Boyd), cativos dos perversos orcs, são levados por eles até o traiçoeiro mago branco Saruman (o saudoso Christopher Lee) até serem interceptados no meio do caminho, levando os pequeninos a ficar sobre a guarda de Barbárvore, uma criatura conhecida como ‘ent’ –árvores ambulantes que representam um dos muitos assombros em efeitos visuais que o filme entrega.
E finalmente, na terceira linha, Aragorn, Legolas e Gimli, comprometidos na tentativa de resgatar Merry e Pippin, terminam por acabar deixando de lado essa missão para juntarem-se aos homens do reino de Rohan, cujo Rei Théoden (Bernard Hill, de “Titanic”) e seu povo se veem ameaçados de genocídio pela sanha de Saruman e sua horda de orcs, o que culmina na longa, violenta e arrebatadora Batalha do Abismo de Helm.
De modo geral, as inúmeras cenas novas que aparecem neste corte –e que se mostram intensas na sua primeira metade, praticamente desaparecem durante do clímax (prova do quão satisfeito Jackson ficou com o resultado) e voltam em um ou outro momento já no epílogo, pela primeira vez mostrando resultados não tão harmoniosos –reforçam as características shakesperianas deste capítulo da “Trilogia do Anel” em especial: Nos monólogos intensos do elenco, sobretudo, no núcleo que inclui os cavaleiros de Rohan, como o Rei Théoden, Eomer (Karl Urban), Eowin e Grima Língua de Cobra (Brad Dourif, de “Um Estranho No Ninho”); e também nas gratificantes cenas de flashback que ampliam a presença de Boromir (Sean Bean, magnífico) e agregam novas camadas ao personagem de seu irmão, Faramir (David Wenham, de “300”).
Tais considerações enfatizam o objetivo de Jackson e toda sua equipe em alcançar o mais alto nível cinematográfico e artístico possível, e ratificam o fato, já nítido e evidente na época do lançamento em cinema, destas produções estarem entre as grandes obras de cinema de todos os tempos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel Versão Estendida

Ainda no princípio da década de 2000, quando a trilogia de Peter Jackson tomou o mundo de assalto e marcou para sempre a história do cinema, surgiu um rumor de que a versão de três horas vista nos cinemas teria também um corte muito maior, com cenas inéditas que estendiam ainda mais o tempo de filme e traziam momentos suculentos que acrescentavam novas impressões ao grande filme do momento: “O Senhor dos Anéis” dominou a atenção de público e crítica pelos três anos seguintes.
A chamada versão estendida, quando por fim ficou ao alcance do público, trazia pequenos acréscimos em cenas já conhecidas, pedaços de diálogos que incrementavam a carga naturalmente literária do material e sequências inteiras, algumas bastante impressionantes, que terminaram de fora do corte conhecido.
No primeiro capítulo, “A Sociedade do Anel”, tais cenas não tardam a aparecer para quem acompanha do filme atento; embora a maneira mais correta de apreciá-lo seja mesmo pelo grande filme que ele é.
No mundo mágico e fantasioso criado pelo escritor J.R.R. Tolkien chamado Terra Média, os povos livres –homens, hobbits, magos, anões, elfos e outras criaturas fantásticas –se veem ameaçados por Sauron, cujo poder todos julgavam ter sido derrotado –numa cena espetacular mostrada no começo, e que já deixa bem claro as predisposições épicas do trabalho de Jackson.
Contudo, Sauron não está exatamente morto: Sua força vital se encontra ainda no Um Anel, fonte de seu poder e que, por meio de uma série de idas e vindas, acabou nas mãos do hobbit Bilbo Bolseiro (o saudoso Ian Holm), morador do bucólico Condado e tio do protagonista, Frodo Bolseiro (Elijah Wood) –é, por sinal, na sequência do Condado, que as primeiras cenas inéditas aparecem, como o momento em que Bilbo é visto escrevendo seu livro.
Em sua festa de aniversário, Bilbo despede-se de todos e, para resumir, deixa a guarda de seu anel (e de tudo que ele tem, na verdade) para Frodo.
Entretanto, o mago Gandalf, o Cinzento (Ian McKellen), tem suspeitas em relação ao tal anel –e à influência maléfica que ele nota ser despertada em Bilbo.
Ele descobre toda a verdade sobre a peça bem há tempo, quando os cavaleiros Nazgûl são despachados pelas forças das trevas para capturar Frodo e levar o anel.
Acompanhado de Sam (Sean Astin), Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd), Frodo passa poucas e boas para chegar até Valfenda, local de morada do sábio elfo Elrond (Hugo Weaving) que monta um conselho secreto às pressas, composto por representantes dos povos livres da Terra Média, a fim de determinar que destino dar ao anel.
O próprio Gandalf, no entanto, sabe que só existe uma coisa a se fazer: Levar o anel até a longínqua e tenebrosa Mordor, onde foi forjado, portanto, único lugar onde pode ser destruído. E Gandalf sabe também que a pessoa destinada a realizar tal sacrifício é Frodo.
Assim quando ele parte –dando início à essa jornada fenomenal –seus companheiros são Gandalf, Sam, Merry e Pippin, além dos cavaleiros Aragorn (Viggo Mortensen) e Boromir (Sean Bean), o elfo Legolas (Orlando Bloom) e o anão Gimli (John Rhys-Davies).
Apesar da curiosidade, a Versão Estendida não deixa de ser o mesmo filme assombroso que chocou plateias do mundo com um nível improvável de qualidade. Ainda é possível perceber o que faz de “O Senhor dos Anéis” uma experiência cinematográfica inesquecível: Nunca antes (talvez, nem mesmo em “Star Wars”) uma produção de fantasia havia atingido padrões tão altos em seus quesitos técnicos e artísticos; sabia-se que os efeitos visuais seriam magníficos, mas não se esperava deles uma capacidade de modificar irreversivelmente a maneira de se fazer cinema; sabia-se que a paixão de Peter Jackson e sua equipe haveria de produzir algo singular, mas ninguém imaginava que o resultado seria uma obra de tal qualidade que até hoje, vinte anos depois, outros filmes penariam para igualar seu brilhantismo; e, finalmente, sabia-se que o material literário da obra de Tolkien (cultuado, referenciado e apreciado desde os anos 1950) tinha méritos narrativos que apareceriam na tela, mas o público não imaginava que, no tratamento de requinte ímpar dado à tudo, “O Senhor dos Anéis” seria algo tão antológico, marcante e inesquecível.
Neste primeiro filme, o efeito retumbante e ressonante que ele produz pode ser avaliado à partir de seu desfecho, quando seus personagens são colocados numa encruzilhada de caminhos paralelos que originam as duas estupendas continuações –um final que não finaliza coisa alguma, que proporcionou aos expectadores da época a mesma sensação (talvez até mais intensa) que a geração anterior teve ao ver o fim de “O Império Contra-Ataca” no cinema.
Que filme, senhoras e senhores, que filme!

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Máquinas Mortais

Bom ator Hugo Weaving já deixou bem claro que ele é, mas ele poderia deixar essa cisma de interpretar sempre vilões: Está se tornando um lugar-comum em sua carreira.
Em “Máquinas Mortais” –produzido pelo mesmo Peter Jackson que o escalou como Elrond em “O Senhor dos Anéis”, um raro papel de bonzinho –ele até aparenta, em princípio, ser um dos protagonistas do bem, entretanto, não tarda para suas intenções malignas aparecerem, ainda que demore, sim, para sua motivações serem esclarecidas.
Dirigido por Christian Rivers (um dos técnicos de efeitos visuais de “King Kong”), “Máquinas Mortais” é como a própria imagem de Hugo Weaving aqui: Passa a impressão de que será algo novo e refrescante no batido cinema comercial hollywoodiano, mas termina sendo absolutamente mais do mesmo.
A trama se ambienta num futuro distópico –e como a quase totalidade destes casos ultimamente, seu material vem de uma fonte literária para jovens, o best-seller de Philip Reeve.
Nesse futuro, onde a raça humana chegou muito perto de extinguir-se com o uso indevido de armas de destruição em massa, uma nova forma de civilização, muito mais impiedosa e implacável se formou, habitando as chamadas Cidades Predadoras do Oeste.
Steampunk até a medula –como são designadas as ficções científicas onde a alta tecnologia é empregada com elementos retrô –o filme de Christian Rivers parece ser, acima de tudo, uma oportunidade para materializar em cenas de cinema (e com todo o poderio digital de efeitos visuais de última geração) as imagens descritas no livro que dão conta das imensuráveis cidades motorizadas que singram as pradarias européias capturando veículos, digamos, menores; que são, no caso, aldeias, também elas convertidas em maquinários ambulantes gigantescos.
Uma mescla do fetiche automobilístico (e também da paisagem pós-apocalíptica) de “Mad Max” com a megalomania épica das franquias adolescentes atuais.
A cidade móvel em torno da qual a história vai girar é Londres –e, com efeito, a primeira hora de filme se desbunda ao explorar com imodestas panorâmicas o funcionamento interno e externo da cidade, seus detalhes maiores e menores, enquanto elabora sua primeira cena de ação, na qual vemos Londres perseguir uma aldeia motorizada onde se encontra a misteriosa Hester Shaw (a islandesa Hera Hilmar) que desde o início percebemos ter lá os seus próprios planos.
Ela quer, na verdade, entrar na fortaleza que é Londres e obter uma chance para se aproximar e eliminar um de seus comandantes, Thaddeus Valentine (o próprio Hugo Weaving), o homem que destruiu sua vida –background da protagonista que será explicado mais tarde num inevitável flashback.
A aldeia é capturada, e Hester tem sua chance, que seria muito bem aproveitada se ela não tivesse sido frustrada pelo bem-intencionado Tom Natworthy (Robert Sheehan), o que leva ele e Hester a serem acidentalmente expelidos para fora de Londres, passando assim a singrar pelo mundo inóspito fora da proteção das cidades.
O grande problema de “Máquinas Mortais” é que, passada essa primeira cena onde o filme ostenta com pompa e circunstância a sequência de ação que prometia como seu diferencial, tudo nele decai: Sua trama se revela fraca, repetitiva e enfadonha (sabemos, desde o começo, que Hester e Tom irão se apaixonar após um implicante período de convivência e de lá, regressarão à Londres para o devido acerto de contas com o vilão Valentine assim revelado). Seus protagonistas se esforçam para exibir um carisma que não têm e uma química que não existe. E as cenas que se seguem até o final, mesmo que embaladas na pirotecnia obrigatória das grandes superproduções, não acrescentam coisa alguma ao todo ou a experiência de assisti-lo; não há um enquadramento digno de ser considerado antológico, uma guinada de roteiro merecedora de lembrança, ou alguma emoção que o faça vagamente memorável.
Vindo de uma equipe que entregou décadas atrás uma obra do quilate de “O Senhor dos Anéis” –Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens escreveram também este roteiro –esse resultado banal e esmaecido é, no mínimo, frustrante.

terça-feira, 25 de junho de 2019

King Kong

Numa revisão, o apaixonado trabalho de Peter Jackson permite transparecer as apuradas técnicas narrativas de adaptação em relação ao assombro de seus efeitos visuais que predominam na forte impressão deixada nas primeiras vezes.
Após a ressaca de bilheterias e premiações sem precedentes da “Trilogia Senhor dos Anéis”, o projeto seguinte de Peter Jackson –ao qual a mídia e o público dedicaram interessada expectativa –representava um retorno à gênese pessoal de seu próprio apreço ao cinema: O “King Kong” original, de 1933, dirigido por Merian Cooper e Ernest Schoedsack, foi uma das obras que definiram a identidade cinéfila de um ainda muito jovem Peter Jackson.
Com efeito, sua refilmagem é frequentemente uma declaração de amor.
Já havia sido feita uma refilmagem, por John Guilhermin, em 1976, e ela tomava o mesmo princípio de atualidade do original, ambientando a trama naquele tempo presente.
Ao decidir recriar com exatidão passional o filme de Merian Cooper, Jackson paradoxalmente afastou-se dele: Se o filme original trata sua época (1933) como o período presente, o “King Kong” de Peter Jackson, ao ambientá-lo no mesmo 1933 agrega elementos distintos da contemporaneidade como a atmosfera nostálgica a emular as características da Grande Depressão, as inescapáveis referências cinematográficas e a recriação de época em termos cinematográficos que, por si só, já proporciona um filtro à realidade inerente ao cinema enquanto arte e exercício de imaginação.
Assim sendo (e com as três horas de narrativa das quais se beneficia), este “King Kong” é, antes de tudo, um filme sobre Ann Darrow, vivida com a adequada noção de desamparo por Naomi Watts –nas mãos dela, a protagonista é tanto uma artista em busca de seu lugar ao sol, como também uma sonhadora romântica que, em algum lugar lá no fundo, alimenta a esperança de achar, ou ser achada, por um príncipe encantado.
Mas, a realidade é dura: Atriz de vaudeville, Ann, como todos, já beira os níveis desesperadores da pobreza. É quase uma providência divina quando o cineasta Carl Denham (Jack Black, evitando magistralmente os personagens cômicos com os quais é associado) lhe chama para estrelar um filme numa aventura imprevista.
King Kong” é também sobre Carl Denham. Visionário e entusiasta do cinema –e malandro acima de tudo –Carl vislumbra em cada projeto seu o sucesso; indiferente ao fato de que realmente nunca o encontra. O próximo, no entanto, promete: De posse de um mapa ancestral, Carl reúne uma equipe, um elenco, uma tripulação e ainda o escritor Jack Driscol (Adrien Brody, pouco aproveitado) para juntos partirem num navio a caminho da lendária Ilha da Caveira, habitada, dizem as lendas, por criaturas pré-históricas. Lá, Carl alimenta planos de fazer uma das mais singulares filmagens já feitas –e toda a primeira hora do filme de Jackson é dedicada a esmiuçar essas motivações, as dinâmicas estabelecidas entre os distintos personagens (como a afeição romântica nascida entre Ann e Jack; as intermináveis manobras de Carl que levam todos no papo; ou a hilária prepotência vaidosa do astro da película, vivido por Kyle Chandler, em sua melhor atuação no cinema), a empatia por eles nutrida e, por consequência, a elevação exponencial do suspense quando por fim estiverem em perigo.
Quando “King Kong” já está quase na metade, sua improvavelmente longa duração começa a se justificar: Jackson constrói com ela uma atmosfera que poucos realizadores hoje têm tanta paciência para fazer.
A Ilha da Caveira, portanto, enche os olhos do expectador com seus perigos inimagináveis que seus efeitos visuais de última geração convertem em momentos assombrosos.
E Kong. Quando o protagonista de fato deste filme surge, ele se mostra assombroso, personificado por uma excelência tátil por meio da computação gráfica e, sobretudo, através da performance minuciosa e abrangente de Andy Serkis que traz para o icônico primata gigante a mesma maestria que ele ostentou em Gollum, de “O Senhor dos Anéis”.
O resto é história. Falou-se muito também sobre o fato de Peter Jackson exercitar seu vasto aparato cinematográfico sobre um filme do qual todo mundo sabia o desenlace final, mas ele não o faz presumindo que o expectador não o soubesse: Em cada circunstância que leva a trama a avançar (a captura de Ann pelos nativos; sua entrega ao deus Kong; os perigos experimentados por Jack e a tribulação para reencontrá-la; a captura de Kong; e, por fim, sua apresentação e desastrosa fuga em Nova York), Jackson enfatiza não as surpresas em potencial, mas o drama de se moldar uma tragédia irreversível.
Esse primor encontra seus acordes mais elevados na construção complexa e nada verbal da relação afetiva entre Ann e Kong –e que culmina, por sua vez, numa cena inexistente em todas as outras versões, e que pode ser nomeada como a mais bela e emocionante sequência desta produção: Quando ela e Kong, pouco antes da perseguição aérea que o levará para sempre, brincam de escorregar no gelo nas águas congeladas do rio Hudson.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Almas Gêmeas


Não havia como deduzir, em meados da década de 1990, que um filme independente e singelo (ainda que assombrosamente inspirado e surpreendente) vindo da Neo-Zelândia traria uma das mais sensacionais atrizes que o cinema conheceria nos anos vindouros (Kate Winslet), assim como um diretor cujas obras viriam a provocar um abalo sísmico sem precedentes em toda a cultura pop (Peter Jackson e, claro, “O Senhor dos Anéis”).
Entretanto, basta um olhar apurado em “Almas Gêmeas” para percebermos que as qualidades que fizeram tão notáveis os seus envolvidos já estavam todas lá sinalizando por meio de uma trama que em mãos menos capazes renderiam uma homenagem qualquer a Alfred Hithccock, mas nas mãos de Jackson e sua equipe se torna um brilhante exercício sobre as ramificações da imaginação e da fantasia que encontram laços com a psicose.
A arredia e taciturna Pauline (Melanie Lynskey) é uma adolescente na Neo-Zelândia dos anos 1950 cujo nível de desajuste social e familiar é ainda maior do que o normal.
Ela encontra uma exceção na riquinha Juliette (Winslet), a nova aluna da escola, filha de pais ricos e artísticos –mas que, logo se percebe, não dão muita atenção à filha.
Juntas as duas iniciam uma intensa amizade e, na busca por contornar a insatisfação da realidade, criam um mundo de fantasia conjunto definido pela adoração ao cantor Mario Lanza, uma relação de amor e ódio com o cineasta Orson Welles e uma série de referências às obras do cinema mudo, como “O Golem”.
Empecinhos a todo o momento insistem em tentar separá-las –a tuberculose crônica de Juliette que a obriga a ser internada; as ressalvas da família de Pauline que não vêem com bons olhos o relacionamento da filha com a amiga ganhar conotações homossexuais –e logo, essa isenção da realidade praticada nesse mundo fantasioso às levará a elaborar um ardil macabro, direcionando sua frustração para mais atuante de suas antagonistas: A mãe de Pauline.
Empregando com genialidade a concepção soturna de um diretor vindo dos filmes de terror, Peter Jackson narra este belíssimo filme sem fazer concessões a um gênero específico, mas abraçando conceitos e elementos de todos eles, o que transforma “Almas Gêmeas” numa obra singular em seus pormenores.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Distrito 9

A sensacional estrutura narrativa de “Distrito 9” lembra a de um documentário. São mostrados depoimentos de vários especialistas e inúmeros entrevistados. A câmera na mão predomina. Porém, são necessários poucos segundos para ficar claro que é algo muito peculiar o quê o filme está narrado.
Os eventos registrados mostram a chegada de uma nave alienígena na Terra (!), mais precisamente na cidade sul-africana de Johanesburgo. Tal nave se manterá imóvel e suspensa no ar por décadas integrando a espantosa paisagem –imagem que os bem aplicados efeitos visuais tratam de tornar antológica.
Dentro da nave, os humanos encontram alienígenas, sim. Fracos, desnutridos, perplexos e desamparados. Uma favela é então montada imediatamente à sombra da grande nave e à ela é dado o nome de Distrito 9 –numa das inúmeras alegorias espetaculares sobre segregação do filme.
Vinte anos então se passam com a convivência entre alienígenas e humanos padecendo das mesmas mazelas ocasionadas no apartheid e em outros momentos da história humana.
Até ficar claro que a criminalidade germinada dentro do Distrito 9 tem o aval de armas projetadas com a assombrosa tecnologia alienígena. Interessados no potencial desse armamento, os membros do governo enviam um pelotão de choque sob o pretexto de realocar os alienígenas. O líder desse plano de assentamento é o burocrata Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley, fabuloso) que obteve a função graças à influência do sogro.
É quando o filme do diretor Neil Blomkamp sofre sua brilhante guinada, e sua história –por assim dizer –se permite começar de verdade: Wikus se vê mergulhado num pesadelo ao estilo “A Metamorfose”, de Franz Kafka, quando tem acidentalmente contato com material genético alienígena em meio à uma inspeção; aos poucos, Wikus vai adquirindo gradativamente as características das criaturas (espécies de insetos humanóides), no que parece ser um processo para se transformar em uma (!).

Partindo de um promissor curta-metragem de sua própria autoria, “Alive In Johanesburgh”, o diretor Blomkamp, com o imprescindível auxílio do produtor Peter Jackson, explora diversas influências inusitadas (além do famoso e abrangente texto de Kafka, há também elementos ocasionais de found footage, filmes de super-heróis como “Homem de Ferro” e até mesmo o brasileiro “Tropa de Elite”) para com elas moldar uma obra brilhantemente original –talvez, a mais audaz ficção científica dos últimos tempos –cujo incomum ímpeto criativo não passou despercebido aos membros da Academia que indicaram “Distrito 9” ao Oscar de Melhor Filme em 2010.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O Hobbit

Após o sucesso sem precedentes de crítica e bilheteria da Trilogia “Senhor dos Anéis”, no início da década de 2000, era inevitável que a atenção de Hollywood em geral, e dos produtores na franquia em particular, se voltassem para as outras obras de J.R.R. Tolkien, sobretudo para “O Hobbit”, um prelúdio literário para “O Senhor dos Anéis” com um tom ligeiramente mais leve, mais próximo de um conto infantil.
O diretor vencedor do Oscar (justamente por “O Retorno do Rei”) Peter Jackson, logo depois de dois projetos um pouco pessoais (a refilmagem de “King Kong”, sobre a qual já foi falado, e a adaptação de “Um Olhar do Paraíso”), resolveu se dedicar à roteirização e à produção dessa nova obra, deixando a direção inicialmente à cargo de Guilhermo Del Toro.
Mas o quê começou como o projeto de um único filme, não só tornou-se dois (e depois três!), como também consumiu um tempo longo de gestação, provocando o afastamento de Del Toro, e levando assim, Peter Jackson a assumir novamente a direção.
O quê nos leva, assim, ao primeiro filme desta Trilogia “Hobbit”, “Uma Jornada Inesperada”.

Voltamos à Terra Média, desta vez, cerca de sessenta anos antes dos eventos narrados nos outros filmes (o quê não impediu os roteiristas de usar alguns recursos para garantir a participação de Elijah Wood –o Frodo –e de outros membros do elenco de “Senhor dos Anéis”, como veremos mais adiante).
Junto de seu querido sobrinho Frodo, o hobbit Bilbo Bolseiro (no início, interpretado pelo mesmo Ian Holm, mas na juventude, interpretado magnificamente por Martin Freeman, o Watson da série inglesa “Sherlock”) relembra um marcante episódio de sua juventude, quando fora recrutado pelo mago Gandalf (Ian McKellen) –que mais tarde se tornaria seu grande amigo –ao lado de uma comitiva de anões, para uma empreitada rumo ao reino-anão de Erebor usurpado pelo dragão Smaug.
Pelo caminho, eles encontram perigos e toda a sorte de seres mágicos habitantes da Terra Média, bem como personagens que serão fundamentais no desenrolar da aventura a ser vivida futuramente pelo próprio Frodo. Como prelúdio da inesquecível trilogia cinematográfica assinada inclusive pelo mesmo Peter Jackson, era inevitável que “O Hobbit” despertasse interesse no público, o quê se refletiu na boa bilheteria.
Contudo, as platéias que foram conferi-lo no cinema não deixaram de notar que, embora sensacional e cheio de momentos de encher os olhos, este filme não era uma experiência à altura de "Senhor dos Anéis".
A saída de Guilhermo Del Toro removeu justamente o elemento que poderia trazer todo o frescor diferencial para este projeto.

Na continuação, "A Desolação de Smaug", reencontramos o grupo já muito próximo do reino de Erebor.
Bilbo acompanhado de Gandalf, bem como do outrora rei, Torin Escudo de Carvalho (Richard Armitage) e toda sua comitiva de anões, chegam à Floresta das Trevas, reduto de um reino elfico protegido por um certo Legolas (Orlando Bloom, outra presença resgatada da trilogia anterior). Logo, essa jornada repleta de perigos os levará à esplendorosa Cidade do Lago e depois disso, ao reino-anão que um dia foi do pai de Torin, agora ocupado por uma fera cuja periculosidade o tornou uma lenda: o terrível dragão Smaug.
Jackson deu um ritmo mais dinâmico a este segundo filme, certamente numa reação às críticas não muito positivas dirigidas ao primeiro filme, considerado mais enrolado e disperso.
Todavia, o grande mal que acometeu essa nova trilogia –e que se torna particularmente explícito aqui –é de natureza prática: “O Senhor dos Anéis” era uma trilogia de livros convertida sabiamente numa trilogia de filmes. Já, “O Hobbit” era um único filme, com uma história até mais leve que o épico protagonizado por Frodo, a decisão de estendê-lo todo em uma nova trilogia –com cada capítulo ultrapassando, com margem, as duas horas de duração –exigiu que muito material adicional (e com freqüência, desnecessário) fosse feito, resultando numa produção que tenta desesperadamente replicar os valores admiráveis de produção da trilogia anterior, mas que parece ignorar o fato de que tudo o mais é “encheção de lingüiça”!

O último filme recebeu o pomposo (e estranhamente impróprio) título de “A Batalha dos Cinco Exércitos”.
O dragão Smaug escapa da fortaleza de Erebor (deixando suas riquezas para Torin e seus amigos), mas oferece uma ameaça sem precedentes aos moradores da Cidade do Lago. Depois, com o dragão morto e suas moradias destruídas, os habitantes irão recorrer ao restituído rei anão –auto intitulado “Rei Sob A Montanha” –para receberem algum abrigo.
Mas, Torin está com a febre do ouro e falta com sua palavra, o quê faz com que, às portas de Erebor se reúna um exército de homens e outro de elfos a fim de se opor ao contingente de anões, liderados por sua vez, por Dain Pé de Ferro.
Todos serão surpreendidos pelas forças de orcs que trairão e atacarão a todos.
O interesse do expectador é, portanto, bastante comprometido quando se chega neste terceiro e derradeiro filme, no qual o pecado cometido por Peter Jackson (o de estender seu prelúdio de “O Senhor dos Anéis” além do necessário) se torna mais visível: Personagens inteiros, concebidos exclusivamente para esta versão cinematográfica, como Tauriel (Evangeline Lilly) e sua intrigante relação com um dos anões, não encontram qualquer respaldo da narrativa quando chega a hora de juntar todas as pontas soltas, o quê termina por comprometer o protagonismo de Martin Freeman (que, como Bilbo, parece estar mais perdido que surdo em bingo!), e por conseqüência, o antagonismo do rei élfico Thranduil (Lee Pace) e até mesmo do dragão Smaug (voz de Benedict Cumberbath).

O fiasco está longe de ser completo, mas ficou claro que nem mesmo a própria equipe original era capaz de reproduzir a magia que pulsava de “O Senhor dos Anéis”. 

terça-feira, 26 de abril de 2016

King Kong - As três versões

Dentre os poucos casos de refilmagem que levam um sopro de novidade ao material original, um que sempre apreciei muito foi “King Kong”. Está certo que, além do longa seminal de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, lançado em 1933, há também o remake feito em 1976 por John Guilhermin com uma estonteante Jessica Lange e apinhado de duvidosos subterfúgios psicológicos que tinham a intenção de atualizar a obra, e transpor seu contexto para aquele mundo dos anos 1970 de então. Entretanto, até mesmo aquele trabalho (recheado de elementos cinematográficos e sociais daquele período, todos passíveis de um belo estudo) guarda momentos, senão memoráveis, pelos menos francamente interessantes.

Mas, na louvável refilmagem de Peter Jackson, de 2005, não é só isso que acontece. Em tudo e por tudo, Jackson quer compreender o longa de 1933, e preservar-lhe a época e a ambientação, conferindo distinção em seu trabalho: O “King Kong” de Merian Cooper se passava no mesmo ano em que a história transcorria, com suas imagens em preto e branco e seus efeitos especiais pioneiros e jurássicos (mas, à época realmente eficientes e impressionantes).
O “King Kong” de Peter Jackson se passava igualmente em 1933, o que o obriga a assumir-se também como filme de época. E as percepções que o filme de Jackson obtém a partir disso são o grande diferencial da produção.
A trama, contudo, manteve-se intacta: A aspirante a atriz Ann Darrow, um dos membros da expedição do cineasta Carl Denhan à pré-histórica Ilha da Caveira desperta os instintos do mais poderoso ser do lugar, o gorila gigante Kong, que a toma para si. Um grupo de resgate é então montado pelo apaixonado Jack Driscol para salvá-la. No encalço de todos, Kong ataca. Ao ser capturado, ele é levado à Nova York, onde será abatido por aviões no topo do Empire State numa cena que é um dos momentos verdadeiramente emblemáticos do cinema.
PS: Acho particularmente linda a homenagem à "King Kong" feita em uma cena de "Regras da Vida", de Lasse Halstrom.

terça-feira, 22 de março de 2016

O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei

Terceira e última parte da Trilogia do Anel. Eis que chegou a hora de decidir o destino dos homens, a hora de descobrir qual desfecho terá a dolorosa e comovente campanha de Frodo e seu grande amigo Sam, em meio ao maior dos perigos na tentativa de destruir a peça que decidirá o rumo da maior batalha de seu tempo. Os muitos personagens urgidos na vasta imaginação do escritor J.R. Tolkien, as muitas tramas paralelas que os dois primorosos filmes anteriores trataram de construir convergem, todos para este daqui, e Peter Jackson coroa sua trilogia com o que inacreditavelmente parece ser seu melhor filme. Sua narrativa é de um brilho indescritível, colocando-o naquela seleta e complicada lista dos filmes tão perfeitos e memoráveis que fica difícil traçar um comentário válido acerca dele.
A realidade é que tudo o que diz respeito à “O Senhor dos Anéis” não encontra precedentes na história do cinema. “O Retorno do Rei” teve uma bilheteria monstruosa em seu lançamento (e até hoje figura entre as mais lucrativas de todos os tempos), no Oscar de 2003, ele igualou o recorde de 11 estatuetas, pertencente apenas à “Ben-Hur” e “Titanic”, e é até hoje (e provavelmente continuará sendo por muito tempo) a única ‘continuação nº 3’ a levar o Oscar de Melhor Filme.
Mas, falemos da obra propriamente dita: O modo como Jackson orquestra o final é algo de mestre. Ele não apenas demonstra controle insuspeito das cenas descomunais de batalha, mas também revela uma atenção aos detalhes íntimos que compõem seus personagens; um a um, cada um deles experimenta um momento específico de brilho, e olha que não são poucos. Jackson também faz um uso primordial do excelente poderia técnico de que dispõe, como a gloriosa fotografia, a trilha sonora acachapante, para não falar dos impressionantes efeitos especiais, cuja grande vedete é, certamente, o personagem Gollum, abrilhantado por uma interpretação de ‘captura de performance’ esplêndida, cortesia do ator Andy Serkis.
Em meio à tudo isso, Jackson encontra espaço para elaborar cenas marcantes e inesquecíveis em sua unidade. E são muitas: A canção entristecida de Pippin para o rei louco enquanto seu filho cavalga para a morte; a sequência espetacular dos faróis de Gondor; o tenso encontro de Frodo com a aranha gigante; a Batalha dos Campos do Pelenor, e a chegada dos olifantes; os finais múltiplos e emocionantes que vão dando um aperto no coração.
São tantos os momentos maravilhosos que não caberiam aqui: Na qualidade de uma das grandes experiências do cinema “O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei” é inesgotável.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O Senhor dos Anéis - As Duas Torres

A segunda parte da "trilogia do anel" chegou aos cinemas um ano depois da primeira, desta vez, com a missão de manter o extratosférico nível de qualidade mantido por "A Sociedade do Anel".
Em grande parte, ele atingiu seu objetivo: "As Duas Torres" é uma experiência cinematográfica poderosa, onde as três horas que se seguem são tão habilmente preenchidas por sequências memoráveis que não há, absolutamente, o quê falar dele.
Mas, há sim, o quê se falar...
Talvez, seja o fato de ser o capítulo do meio (e, por conseguinte, não ter um início e nem ter um fim), mas a narrativa, pela primeira e talvez única vez em toda a saga sofre uma ligeira pressão no segundo terço -e é sabido que, devido à decisão de jogar muitos dos acontecimentos pertinentes ao livro para o terceiro filme, os roteiristas Phillipa Boyens, Fran Walsh e o próprio Peter Jackson, tiveram que criar material original que preenchesse a duração e não deixasse este filme não destoante em relação aos dois outros.
Na verdade, era uma decisão antiga que afetou este filme do meio: Quando levou a ambiciosa proposta de adaptar "O Senhor dos Anéis" à produtora New Line, oito anos antes, a ideia de Jackson e sua turma era simplificar as coisas adaptando toda a trilogia em dois filmes. Foram os próprios produtores quem sugeriram manter o formato original de trilogia, obringando-os a rever os roteiros que já estavam prontos.
O resultado trouxe ligeira irregularidade à este "As Duas Torres", embora isso não importe em nada: Comparado com qualquer outro filme, este daqui permanece sendo uma das obras mais bem acabadas do cinema, o quê só confirma o quão elevado foi o padrão de qualidade adotado para a trilogia.
Na trama, acompanhamos agora várias narrativas paralelas a partir do destino dos personagens que vimos se desenhar no filme anterior: Frodo e Sam, cada vez mais embrenhados no território de Sauron precisam contar com a traiçoeira ajuda de Gollum para chegar ao seu destino, mas ele almeja o anel mais do que qualquer coisa; Aragorn, junto do elfo Legolas e do anão Gimli, encontram os cavaleiros do reino de Rohan, e também uma crescente ameaça ao reino dos homens -a Batalha do Abismo de Helm, assim sendo, se aproxima lentamente; enquanto isso, os hobbits Merry e Pipin se vêem numa tremenda enrascada envolvendo o centenário ent, Barbárvore.
Em meio à uma interminável sucessão de momentos sensacionais, destaca-se a atuação digital de Andy Serkis como Gollum: Nada menos que inovadora!

sábado, 30 de janeiro de 2016

O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel

 Existem alguns filmes dos quais demoro a falar. É porque não tenho bem certeza se minhas palavras farão jus a tudo que o filme significa para mim. 
Foi assim com “Casablanca”. Foi assim com “E O Vento Levou” e vários outros. É assim com “O Senhor dos Anéis”. 
Para os que não moram no planeta Terra (ou são imensamente desligados de assuntos de cinema), “A Sociedade do Anel” vem a ser a primeira parte dessa festejada trilogia. Lançado no natal de 2001, ele foi indicado à treze Oscars. 
Ganhou quatro, todos em categorias técnicas. Para variar, a Academia de Artes Cinematográficas perdeu mais uma vez uma preciosa chance de honrar uma obra brilhante, sem dúvida o melhor filme daquele ano. 
“O Senhor dos Anéis-A Sociedade do Anel” é um dos grandes filmes épicos do cinema com várias sequencias que ficam impressas na memória. 

Morador do Condado, a vila dos hobbits, o pequeno Frodo Bolseiro descobre que o destino lhe incumbiu de ser o portador do Um Anel, precioso e poderoso artefato, muito cobiçado pelo temido Sauron, o Senhor do Escuro, e suas hordas sinistras vindas de Mordor. Para destruí-lo, Frodo deve rumar para a Montanha da Perdição e com isso atravessar a extensa Terra-Média, e para protegê-lo dos perigos conta com um grupo de aliados e amigos constituído por representantes de todos os povos livres que o acompanharão: A assim chamada Sociedade do Anel.
Dirigido com perfeição pelo neo-zelandês Peter Jackson, na difícil junção de um filme de muitas facetas, técnicas e dramáticas, o resultado prima por uma excelência que poucas vezes se vê nas telas.