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domingo, 28 de junho de 2026

Licorice Pizza


 O termo “Licorice Pizza” – traduzido do inglês, Pizza de Alcaçuz! – é o nome de uma rede de lojas antigas que vendiam discos de vinil, em referência ao fato de que o formato do vinil, em si, lembrava uma pizza, isso lá nos EUA dos anos 1970 (época e ambientação do filme) um gatilho emocional e nostálgico para seu realizador, daí a dica: Estamos diante de um filme profundamente pessoal para seu diretor, roteirista e produtor Paul Thomas Anderson, no qual ele evoca, com irreprimível e contagiante emoção, lembranças de sua própria juventude, somadas às outras memórias, extraídas por sua vez das experiências do grande amigo Gary Goetzman, produtor de cinema e ex-ator mirim (estrelou a versão original de “Os Seus, Os Meus e Os Nossos”).

Muito tem se falado de uma vertente recente de cinema no qual grandes cineastas revisitam seu passado, como no caso de Spielberg (“Os Fabelmans”), Kenneth Branagh (“Belfast”) ou James Gray (“Armageddon Time”), no entanto, filmes de perfil autobiográfico estão aí desde os tempo de Fellini e seu “Amarcord”, vide as obras de John Boorman (“Esperança e Glória”) e Woody Allen (“A Era do Rádio”), só para citar alguns.

“Licorice Pizza” acompanha os percalços do amor experimentado por Gary Valentine (Cooper Hoffman, de “A Longa Marcha”, filho do ator Phillip Seymour Hoffman), a partir do momento em que ele avista Alana Kane (a premiada cantora Alana Haim) numa fila para fotos do anuário estudantil – Alana é uma das muitas jovens trabalhando como assistente de fotografia.

Como sempre (apesar do entusiasmo e da auto-confiança do jovem), há empecilhos para o romance: Ele tem apenas 15 anos; ela tem 25. Ele vem de uma família liberal (sua mãe aprova e incentiva muitas das ideias até mirabolantes do filho); ela vem de uma família de judeus conservadores (as irmãs e os pais de Alana Kane na vida real, inclusive, aparecem interpretando a família de sua personagem no filme).  Ele é um jovem ator numa fase incerta da carreira – as oportunidades como ator minguam à sombra de sua puberdade enquanto cresce nele uma disposição para o empreendedorismo – ela se encontra ainda na indecisão da juventude (seja essa indecisão afetiva ou profissional) e as ironias turbulentas dos anos 1970 não ajudam em nada.

Apesar disso, uma química e uma sintonia inconteste se estabelece entre os dois. Sem levar muito o garoto a sério, Alana o acompanha até Nova York, numa apresentação – onde chega a flertar com o colega um pouco mais velho Lance (Skyler Gisondo, de “Superman” e "O Dilema das Redes"). Eles passam a trabalhar juntos em projetos que o ambicioso Gary vai tocando ao sabor dos improvisos e dos acontecimentos: Ele se torna vendedor de colchões d’água; ela tenta carreira como atriz. Duas cenas notáveis: Numa, Alana e Gary fazem ciúme um no outro, enquanto ela usufrui da companhia do ator veterano Jack Holden (Sean Penn, cujo “Picardias Estudantis” foi uma inspiração declarada para este filme) e do produtor pinel vivido por Tom Waits; Na outra, Gary, Alana e uma equipe de pessoas de confiança vão instalar um colchão d’água na mansão de um alardeado produtor hollywoodiano (Bradley Cooper, fazendo uma caricatura aloprada do produtor Jon Peters), e envolvem-se numa série de confusões relacionadas ao Embargo do Petróleo, que encareceu e escasseou o combustível de veículos naqueles idos dos anos 1970.

No terço final, Alana torna-se voluntária na campanha para prefeito de Los Angeles do vereador Joel Wachs (o diretor Benny Safdie), enquanto Gary abre uma loja de fliperamas inspirado pela súbita legalização dessas máquinas no estado da Califórnia.

Todos esses percalços, entretanto, não passam de idas e vindas extremamente divertidas, às vezes tocantes, entre o amor de Gary e Alana que nunca encontra meios de se expressar harmoniosamente em meio à esses contratempos.

Primoroso, como costuma ser cada trabalho na filmografia de Paul Thomas Anderson, “Licorice Pizza” é exemplar na construção inspirada de suas cenas, no desenvolvimento quase hipnótico de seus personagens e na recriação assombrosa de uma Los Angeles setentista em ebulição, seja na direção de arte (irrepreensível), nos figurinos ou na trilha sonora.

Uma jóia preciosa.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Os Vencedores do Oscar 2026


 Nunca antes, na história do Oscar, houve uma adesão tão grande ao gênero de terror. Está certo que não bastou para que um filme de terror ganhasse o prêmio principal (conquistado por “Uma Batalha Após A Outra”, coroando-o como o grande filme de 2025, e finalmente consagrando o já bastante aclamado diretor Paul Thomas Anderson), mas já houve as históricas 16 indicações para “Pecadores” (fazendo dele o mais indicado da História, com duas indicações a mais que os recordistas anteriores “A Malvada”, de 1951, e “Titanic”, de 1998, com 14 cada um), convertidas em 4 prêmios (inclusive os de Melhor Ator para Michael B. Jordan e Melhor Roteiro Original para Ryan Coogler) e o surpreendente prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para a sensacional Amy Madigan por “A Hora do Mal”.

No mais, como costuma ser, o Oscar evitou surpresas com o mais que merecido prêmio de Melhor Atriz para Jessie Buckley, por “Hamnet” e o de Melhor Filme Internacional para “Valor Sentimental” superando da concorrência do brasileiro “O Agente Secreto”, contudo, guardadas as devidas ressalvas dos infindáveis detratores da internet (que ficaram insatisfeitos com a derrota do Brasil), o filme é merecedor e digno: Além de ser uma obra excelente, o filme de Joaquim Trier finalmente levou um Oscar para a Noruega, que até então nunca tinha conquistado a estatueta.

MELHOR FILME

"Uma Batalha Após A Outra"

MELHOR DIREÇÃO

"Uma Batalha Após A Outra", Paul Thomas Anderson

MELHOR DIREÇÃO DE ELENCO

"Uma Batalha Após A Outra", Cassandra Kulukundis

MELHOR ATRIZ

Jessie Buckley, "Hamnet-A Vida Antes de Hamlet"

MELHOR ATOR

Michael B. Jordan, "Pecadores"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Amy Madigan, "A Hora do Mal"

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Sean Penn, " Uma Batalha Após A Outra"

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

"Guerreiras do K-Pop"

MELHOR FOTOGRAFIA

"Pecadores"

MELHOR FILME INTERNACIONAL

"Valor Sentimental" (Noruega)

MELHORES EFEITOS VISUAIS

"Avatar-Fogo e Cinzas"

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"The Girl Who Cried Pearls"

MELHOR FIGURINO

"Frankenstein"

MELHOR SOM
"F1"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

"Frankenstein"

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

"Frankenstein"

MELHOR DOCUMENTÁRIO

“Mr Nobbody Against Putin"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

"All The Empty Rooms"

MELHOR CURTA-METRAGEM

“The Singers"

“Two People Exchanging Saliva"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

"Pecadores"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Golden", de "Guerreiras do K-Pop"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

"Pecadores"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

"Uma Batalha Após A Outra"

MELHOR MONTAGEM

"Uma Batalha Após A Outra"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Uma Batalha Após A Outra


 Tal como “Vício Inerente”, este novo projeto do diretor Paul Thomas Anderson é baseado num livro de Thomas Pynchon, o romance “Vineland”. Se a obra anterior era voltada para uma narrativa de mistério e de idas e vindas ao sabor de muitos delírios psicodélicos, aqui reflete-se sobre a paranóia e as consequências morais de se dedicar integralmente (e cegamente) a uma causa.

A distopia na qual Anderson ambienta seu filme coloca um grupo organizado de resistência, intitulado French 75, em busca de uma revolução em plenos EUA mais xenófobos do que nunca –uma clara alusão à América de Trump ainda que o olhar de Anderson não se furte de mostrar também os revolucionários como partidários de uma causa que facilmente resvala para o terrorismo. Não interesse, deveras, ao diretor dizer quem está certo ou errado; interessa, sim, contemplar os personagens desiguais e intrigantes que desse caldo emergiram.

Entre eles, está Ghetto Pat (Leonardo Dicaprio, excelente), um especialista em explosivos e traquitanas tecnológicas que adere à causa por razões um tanto prosaicas, e por razões prosaicas haverá também de abandoná-la, mais a frente. Ele se envolve com a belíssima Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor, vibrante), uma revolucionária afro-descendente selvagem e indomada. Em algum ponto, entre as noites de atentados planejados e os discursos inflamados, Perfidia engravida –e não tarda a ressentir-se do papel convencional de mãe que a situação lhe impôs.

No entanto, Perfidia, numa manobra carregada de ambiguidade do filme, envolveu-se também com o militar Steven J. Lockjaw (Sean Penn, também excelente, como aliás estão excelentes todos os integrantes deste elenco), um violento inimigo do outro lado do conflito –e, por isso mesmo, um amante de possibilidades ainda mais excitantes e transgressoras para Perfidia.

Tanto Ghetto Pat quanto Lockjaw correm, portanto, o risco de serem pais da filha de Perfidia. Ghetto Pat a cria com amor, e não pestaneja em deixar a French 75 tão logo as circunstâncias se tornem ameaçadoras para sua família. Contudo, algo ainda pior acontece: Durante uma operação, Perfidia é capturada e, favorecida pelo amante Lockjaw por baixo dos panos, acaba delatando boa parte de seus companheiros, obrigando Ghetto Pat à fugir com sua filha, e assumir uma outra identidade.

Dezesseis anos depois, Ghetto Pat agora com o nome de Bob Fergunson cria a filha adolescente Willa (Chase Infiniti, fantástica) na cidade de Baktan Cross, uma cidade santuário que flexibiliza as leis de imigração nas proximidades da fronteira com o México. Tudo segue com tranquilidade até que Lockjaw, agora sob a patente de coronel, obtêm a sonhada chance de ingressar num restrito clube de supremacistas brancos, os Aventureiros Natalinos. No entanto, as regras do clube são severas e segregacionistas –não são toleradas interações com pessoas de outra raça.

A fim de conquistar a chance de ser um dos Aventureiros Natalinos, o Coronel Lockjaw precisa varrer para debaixo do tapete todos os indícios do caso que teve com Perfídia no passado (ela que, por sinal, fugiu do programa de proteção à testemunha e nunca mais foi vista), o que inclui a possibilidade dele ser pai de Willa.

Sob esses pretextos um tanto torpes –e justificados oficialmente por outros mais torpes ainda! –o Coronel move um destacamento de soldados de elite para Baktan Cross, a fim de matar Bob Fergunson e capturar Willa tão logo obtêm a informação do paradeiro deles e da identidade que assumiram.

O que se segue, na sequência, é um filme brilhante, magistralmente equilibrado entre um fino senso de humor (repare na sensacional trilha sonora, a cargo de Jonny Greenwood, do “Radiohead”, que comenta ora com sarcasmo, ora com urgência cada uma das cenas), um afiado drama humano sobre os desdobramentos práticos de uma oposição ao sistema e uma costura fina da trajetória de personagens construídos e interpretados com primazia, uma produção digna de um dos mais habilidosos diretores da atualidade.

sábado, 18 de outubro de 2025

Na Cama Com Madonna


 No início dos anos 1990, Madonna era uma artista indomada e implacável: Em 1992, ela havia lançado simultaneamente o ousado livro de fotos “Sex”, o álbum “Erotica” e o longa-metragem “Corpo em Evidência”. Um ano antes, esse ciclo de ousadia destinado a chacoalhar as bases de pudor do showbizz já havia se iniciado com o documentário “Na Cama Com Madonna” –ou, no original, “Madonna-Truth Or Dare”.

Dirigido por Alek Keshishian (realizador com certa experiência em videoclipes), “Na Cama Com Madonna” foi lançado fora de competição no Festival de Cannes 1991, onde iniciou sua escandalosa e inovadora trajetória no circuito comercial. Sua estrutura narrativa intercala basicamente a parte documental, depoimentos e bastidores (filmada em preto & branco com câmeras de 16 mm) com o registro das apresentações musicais do show “Blonde Ambition” (filmado, por sua vez, em cores com diversas câmeras de 35 mm), contudo, em sua proposta, o filme revelou-se ousado: Nunca antes um documentário havia exposto a intimidade de uma artista famosa com tanta contundência e de forma tão deliberada, ao flagrar momentos de tensão, crises íntimas e outros conflitos.

Na esteira da turnê “Blonde Ambition” –transcorrida no segundo semestre do ano de 1990, pelo Japão, Europa, EUA, e Canadá –acompanhamos os percalços pessoais, profissionais e familiares da pop-star Madonna, bem como fortes indícios de sua irredutível personalidade: Produzido com perfeccionismo quase obcecado por sua estrela (todos os modelos usados por ela na turnê foram criados pelo estilista Jean-Paul Gaultier!), o show serve como veículo para mostrar um panorama bastante expositivo de sua vida pessoal; o namoro de então com o astro Warren Beatty (com quem ela trabalhou em “Dick Tracy”); a maneira fria e sardônica com que trata as pessoas do showbizz (exemplo disso é o rude desdém para com Kevin Costner); suas opiniões polêmicas sobre sexo, religião e comportamento; a estreita ligação com o mundo homossexual de seus bailarinos; o relacionamento conturbado com o pai e o irmão; a festa na casa de Pedro Almodóvar e a paquera frustrada com Antonio Banderas (com quem trabalharia anos mais tarde no filme “Evita”); a insegurança durante a apresentação em Detroit, com os amigos de infância; a controvérsia gerada pela famosa cena em que simula um orgasmo na cama ao som de “Like A Virgin”, e várias outras revelações.

Com um custo de aproximadamente 4 milhões de dólares, “Na Cama Com Madonna” foi um notável sucesso de bilheteria, sintomático do fascínio que uma estrela como Madonna era capaz de suscitar graças às suas polêmicas e ousadias –ele permaneceu sendo o documentário de maior rentabilidade na história do cinema até 2002, quando foi tirado desse posto por “Tiros em Columbine”, de Michael Moore.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Também Conhecido Como Charlie Sheen

 


Parte 1

Tão cheio de histórias para contar (muitas inéditas até para fãs ferrenhos), este documentário da Netflix sobre a vida loca do astro Charlie Sheen resultou tão extenso que precisou ser dividido em duas partes. A verdade é que a trajetória de Charlie Sheen –nascido Carlos Irwin Estevez, filho do astro Martin Sheen –se confunde com parte da história do showbizz norte-americano, no cinema e na TV. Aqui, o próprio Charlie Sheen se expõe diante das câmeras e assume muitos de seus imensuráseis lapsos, não se furtando de comentar muitos momentos escabrosos que ele mesmo protagonizou ao longo de seus 60 anos.

O filme já começa surpreendente, revelando que Charlie Sheen (assim como seus irmãos, entre eles o também ator Emilio Estevez) foi amigo de infância de Sean Penn (que comparece prestando seu depoimento) de quem eram vizinhos! Desde muito jovem, o pequeno Charlie conviveu com os bastidores de Hollywood na companhia do pai –suas lembranças do caótico set de filmagens de “Apocalypse Now” são uma passagem marcante –assim, não chegou a ser surpresa quando, já a adentrar os anos 1980, ele e Emilio tiveram interesse em ingressar na carreira cinematográfica. Com o nome Charlie Sheen (em correspondência ao nome artístico do pai, algo que Emilio optou por não adotar), ele conseguiu seu primeiro papel num filme de terror B, “The Grizzly 2”, que foi também a estréia de George Clooney e Laura Dern (!), lamentando o fato de que, com isso, deixou escapar a chance de estrelar “Karatê Kid” (!!). No entanto, ele conseguiu se sobressair no papel seguinte, chamando a atenção numa ponta de apenas três minutos no filme “Curtindo A Vida Adoidado”.

O estrelato até que veio de forma rápida e inesperada: Ele aceitou o papel principal no drama da Guerra do Vietnam “Platoon” –até uma maneira de homenagear o próprio pai –e, no ano seguinte, enquanto filmava “Wall Street-Poder e Cobiça” com o mesmo diretor Oliver Stone viu a produção ganhar o Oscar de Melhor Filme. A badalação logo trouxe seu ônus, potencializado pela amizade dele com Nicolas Cage, outro notório bad boy do período: São inúmeras as histórias de farras, bebedeiras e excessos protagonizadas pelos dois.

Ao fim da década de 1980, começo da de 90, Charlie já demonstrava sinais preocupantes de descontrole, o que levou sua família a tentar uma intervenção e a colocá-lo, pela primeira vez, numa clínica de reabilitação. Ai sair de lá, ele logo engatou o sucesso “Top Gang-Ases Muito Loucos”, uma paródia de “Top Gun-Ases Indomáveis” –logo depois dele, Sheen estrelou a continuação (talvez, até mais famosa do que o primeiro filme!) “Top Gang 2-A Missão”, paródia, por sua vez, de “Rambo 2”. Duas coisas ficaram bem claras: A primeira, que o público conseguia perfeitamente vê-lo como um comediante; e a segunda, que mesmo visitando o fundo do poço, uma recuperação era possível.

Ainda na década de 1990, Sheen participou do filme “Tudo Por Dinheiro” (que fez mais sucesso nos EUA do que aqui no Brasil) do qual a maior e melhor consequência foi a amizade com o co-star Chris Tucker, entretanto, naquela época, um dos escândalos de maior repercussão envolvendo o nome de Charlie Sheen foi mesmo o julgamento de Heidi Fleiss, conhecida como “A Cafetina de Hollywood” por agenciar garotas de programa para vários famosos de Los Angeles –levada à julgamento por sonegação de impostos, Heidi teve sua lista de clientes revelada ao público, e quem era o cliente número 1 da lista? O próprio Charlie Sheen, cujos cheques foram encontrados em propriedade de Heidi!

Após esses e outros tantos percalços inacreditáveis, os últimos anos da década de 1990 encontraram Charlie Sheen disposto  a reconquistar a sobriedade e abandonar seus vícios. A Parte 1 se encerra, nesse ponto, contudo, todos sabem que há muito mais história para ser contada na Parte 2 –e provavelmente, ficou reservado para lá os trechos mais hardcore da vida tumultuada desse inacreditável Charlie Sheen.

Parte 2

Na segunda parte de sua trajetória pra lá de problemática e tumultuada, Charlie Sheen revela que chegou em meados de 1998 disposto a sossegar –ele pensava que a pior fase de seu vício em drogas e de suas bebedeiras havia passado e, agora que estava limpo e fora da reabilitação, seu objetivo era obter alguma estabilidade profissional. O cinema era então um mercado extremamente disputado (e, devido à sua notoriedade, os papéis rentáveis de protagonista não chegavam mais, apenas propostas para papéis coadjuvantes) e ele achou que a TV oferecia oportunidades mais consistentes para ele ganhar a vida. Foi assim que, no ano 2000, ele foi contratado para uma sitcom chamada “Spin City”, estando ela em sua quarta temporada (!). Acontece que o astro original de “Spin City”, Michael J. Fox, havia sido diagnosticado com Mal de Parkinson e, diante de sua saída da série, os produtores pensaram na arriscada possibilidade de contratar outro ator para, com outro personagem, tentar substituir o protagonista anterior –contra muitos prognóstipos, Charlie Sheen conseguiu dar uma sobrevida à série, levando à ainda mais duas temporadas, o que resultou em sua vitória como Melhor Ator em Série de Comédia e Musical no Globo de Ouro 2002, o primeiro e único prêmio de atuação que, até hoje, Charlie Sheen afirma ter conquistado!

Contudo, não há como falar de Charlie Sheen e não falar da série “Two And A Half Men” –a Warner Bros. animada com o sucesso de “Spin City”, encomendou uma série ao produtor Chuck Lorre, onde um dos personagens principais, segundo ele, “tinha um Q de Charlie Sheen!”.

Os produtores conseguiram o próprio Charlie Sheen para dar vida ao personagem Charlie Harper, dando o estopim inicial a um dos maiores sucessos da TV norte-americana. Na época, Charlie estava casado com a atriz Denise Richards (de “Tropas Estelares” e “Garotas Selvagens”) que havia conhecido no set de “Spin City” e que esteve presente na primeira temporada de “Two And A Half Men”. Ao longo daqueles anos –como é relatado pelo próprio Charlie e também por seu colega de elenco, Jon Cryer –Charlie tentou compensar a falta que começava a sentir do êxtase provocado pelas drogas e pelo álcool tomando remédios; ele simulava sintomas de doenças específicas em consultas médicas para que lhe fossem receitados remédios específicos que ele começou a consumir. O resultado desse novo vício foram alterações súbitas de humor e surtos de agressividade que culminaram no fim de seu casamento.

Não tardou para que o inquieto Charlie arrumasse uma outra esposa, desta vez a socialite Brooke Mueller, instável e viciada, cujo comportamento logo leva Charlie à retornar para o consumo de drogas. Mais tumultos e escândalos se seguem, resultando em mais um divórcio. Curiosamente, a audiência de “Two And A Half Men” só faz crescer, e com ela o cacife de Charlie Sheen junto à Warner Bros. o que o leva, em sucessivas negociações para novas temporadas, a se tornar o ator mais bem pago da história da TV norte-americana!

Tanto dinheiro leva à ainda mais excessos, e Charlie acaba contratando um traficante de drogas particular (!!), que depois tornar-se seu grande amigo, e comparece até mesmo neste documentário (!!!), prestando um descontraído depoimento (!!!!).

No auge do seu vício e acarretando muitos transtornos para a produção da série, Charlie é retirado pelos produtores de “Two And A Half Men”, nessa época ele também se casa com a atriz pornô Brett Rossi (!!!) e, após divorciar-se dela, é diagnosticado HIV positivo.

O documentário mostra suas sucessivas apresentações nos EUA –algo como apresentações de stand-up sem ser stand-up... –nas quais Charlie insistia numa richa descabida com a Warner e os produtores que o demitiram. De qualquer forma, essas apresentações serviram para consolidar Charlie Sheen como uma espécie de ícone da atualidade, arrebanhando milhões de seguidores em redes sociais, e transformando-o numa celebridade cult, com direito a memes e citações na internet; inclusive de algumas entrevistas prestadas na época, das quais hoje Charlie admite sentir tremenda vergonha.

Essa via-crusis auto-destrutiva só não o engoliu por completo porque seu traficante pessoal (lembram dele?!), por ter se tornado seu grande amigo, resolveu um dia reduzir gradativamente o conteúdo de cocaína nas drogas que Charlie consumia (isso porque o próprio Charlie afirmou que, no que dependesse dele, ele não iria parar!). Assim, em cerca de um ano, o consumo já não o estava afetando, e ele se encontrou em condições de parar definitivamente.

Desconcertante pela forma extraordinariamente despoja com que seu personagem principal se presta à expor, comentar, admitir e a fornecer seu ponto de vista da maior parte das passagens que compuseram sua atribulada trajetória (só é omitida sua tentativa, não muito eficaz, de emplacar com a série “Tratamento de Choque”), e em breves instantes, tocante na evidência de um certo arrependimento com que Charlie admite ter desperdiçado muitos momentos importantes em família por causa de seus vícios, este documentário salienta a persona singular de um ator carismático, talentoso e incorrigível que conseguiu se tornar um personagem muito mais antológico e peculiar do que qualquer outro que interpretou. A contar até a gravação deste documentário, Charlie Sheen está limpo há oito anos.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Toque de Recolher

Hoje em dia seria inconcebível ver atores consagrados e reconhecidos como Tom Cruise e Sean Penn serem coadjuvantes do pouco lembrado Timothy Hutton (ganhador do Oscar por “Gente Como A Gente”), porém, em projetos de início de carreira, tais curiosidades se sucedem, e “Toque de Recolher”, a exemplo de diversos filmes daquele período com elencos numerosos de novos talentos emergentes reunia um time de jovens atores que incluía também Giancarlo Esposito (de “Maze Runner”) e Evan Handler (da série “Californication”).
Na Escola Militar Bunker Hill, onde são formados cadetes ingressos na carreira militar desde muito cedo –alguns com pouco mais de 12 anos de idade –o jovem Brian Moreland (Timothy Hutton) é nomeado com honras cadete major, faltando um ano para formar-se e prestar testes para a tão sonhada West Point. Motivo de orgulho para seu mentor, o General Harlan Bache (George C. Scott) e de admiração para seus colegas, entre eles seu melhor amigo, o cadete capitão Alex Dwyer (Sean Penn).
Contudo, rumos dramáticos e inesperados mudam as coisas.
A Academia é vendida pelo governo e seu iminente fechamento anunciado para dali um ano –quando seu terreno cercado de longa tradição servirá para as dependências de um condomínio –termina por deixar seus estudantes perplexos.
Cuidadosamente, o filme dirigido por Harold Becker (de “Vítimas de Uma Paixão”) manipula os elementos com calma acirrando lentamente suas circunstâncias: Além da situação a um só tempo injusta e improvável, os jovens (sobretudo, Moreland) têm de lidar com a perda abrupta de sua figura principal de autoridade; o General Bache acaba acusado de atirar num civil durante um incidente ocorrido entre os cadetes e um grupos de jovens provocadores. Ele é levado sob custódia e, pouco depois, internado com problemas cardíacos.
Sem adultos para lhes instruir com algum bom senso prático, os jovens precisam tomar suas próprias decisões e, diante da arrogância de burocratas dispostos a acelerar ainda mais o processo já acelerado de fechamento da escola, o cadete major Moreland toma uma decisão radical; ele confisca os armamentos e coloca os rapazes de prontidão.
A escola está, portanto, de portas fechadas para todo o mundo lá fora.
Suas exigências: Rever todo o procedimento legal que levará ao fechamento da escola.
Entretanto, esses apelos sequer são ouvidos pelas autoridades externas –tudo o que eles enxergam é um grupo de jovens rebelados usando de seu treinamento militar para viabilizar uma atitude que enxergam como terrorista.
Curiosamente, o próprio filme que protagonizam não se furta de enfatizar uma certa reprimenda: O perfil dos realizadores hollywoodianos de hoje e de sempre, como se sabe, é majoritariamente anti-militarista, e é assim que se posiciona o filme de Becker. Embora o diretor ostente aquela paciência para construir a premissa e as motivações de seus personagens que diretores atuais não têm, ele vai aos poucos revelando sua inclinação, na forma de personagens de discursos ora inquisitivos (o personagem de Sean Penn vai adquirindo uma conduta e uma verve cada vez mais democrata), ora paternalistas (o personagem de Ronny Cox, de “Amargo Pesadelo”, presunçosamente sereno), terminando por não esconder uma faceta bastante tendenciosa: A circunstância tão bem construída ao longo do filme –e que gera momentos de notável suspense –só se perde na conclusão quase redundante na qual aqueles que não cedem em suas convicções surgem como truculentos e obcecados; e nesse sentido, o personagem de Tom Cruise chama mais a atenção que os demais por um trabalho bastante competente do ator.
Adaptado do livro “Father Sky”, de Devery Freeman, o bom filme de Harold Becker se sobressai por um clima fascinante de tensão que consegue manter e aprimorar do início ao fim, mas se prejudica por uma postura de negligência aos próprios valores com uma conclusão que banaliza a iniciativa de seus protagonistas.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Querida América - Cartas do Vietnam

No objetivo que normalmente almeja um documentário, o filme realizado por Bill Couturie é certeiro: Não tarda a provocar no expectador sentimentos de indignação, de perplexidade conforme dele vai se inteirando seu assunto principal, a Guerra do Vietnam.
A fonte que Couturie utiliza é de um frescor e uma sinceridade inquestionáveis: São as cartas enviadas por soldados americanos que serviram no Vietnam endereçadas às suas famílias.
Um elenco numeroso e espetacular de astros de Hollywood (Tom Berenger, Wilen Dafoe, Martin Sheen, Robert De Niro, Robert Downey Jr., Kathleen Turner, Michael J. Fox, John Savage, Sean Penn, Robin Williams e outros) garante a devida emotividade aos relatos que determinam, sozinhos, a narrativa do filme.
A montagem intercala de maneira linear e responsável os noticiários da época (rádio e TV), com filmagens ocasionais dos próprios recrutas no front, fotos e, próximo do fim, até mesmo sequências de um filme vietnamita.
O que vemos indiretamente é a progressão da guerra através das impressões subjetivas das pessoas comuns que participaram dela. A euforia de alguns recrutas pelo oportunidade de representar sua nação e visitar, com tão pouca idade, um país exótico. O assombro e as tentativas de adequação com a chegada no campo de batalha. A rotina militar que, a medida que o conflito se intensifica, logo se torna massacrante. O miasma de emoções vividos pelos soldados que alternam responsabilidade, medo de morrer, compaixão para com os colegas e avassaladora saudade de casa. As notícias que dão conta da postura do governo americano, irredutível  na gestão de Lyndon Johnson, incerta no período de eleições (que incluiu o assassinato de Bobby Kennedy), e pessimista com a vitória de Richard Nixon; esse evidente despreparo com a guerra logo gera um sentimento crescente de indignação no povo americano –sentimento este que as cartas só veem a enfatizar dando conta, neste ponto do filme, do mais absoluto horror da guerra, e da certeza amarga de que aqueles jovens (os sobreviventes, ao menos) voltarão transfigurados e dilacerados física e espiritualmente pela experiência.
Ao expor os fatos sem nenhuma encenação ou maquiagem, Bill Couturie oferece ao público um retrato ainda mais brutal, devastador e, apesar de tudo, fascinante da guerra do que muitos de seus registros ficcionais.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A Vida Secreta de Walter Mitty


Curioso notar que, como diretor, Ben Stiller soube enfatizar suas capacidades interpretativas muito melhor do que outros realizadores com os quais trabalhou. Claro que os Irmãos Farrelly, em filmes como “Quem Vai Ficar Com Mary?” souberam tirar imenso proveito de seu timing cômico, mas tanto em “Trovão Tropical” como neste “A Vida Secreta de Walter Mitty”, Stiller não somente faz ótimo uso de seus dotes de comédia como também de sua versatilidade como ator dramático –e nesse sentido, seu trabalho é muito mais eficiente do que Noah Baumbach, por exemplo, conseguiu obter dele em “Enquanto Somos Jovens”.
“Walter Mitty”, de fato, se equilibra numa linha tênue e agridoce entre comédia e drama. Seu personagem-título, vivido pelo próprio Stiller, é um sonhador compulsivo. Resignado a um escuro e pouco valorizado escritório de negativos da revista “Life”, Walter Mitty contorna a mediocridade de sua vida com lapsos ocasionais onde se imagina mudando sua realidade e fazendo coisas extraordinárias, o que inclui atrever-se a abordar a nova funcionária da empresa, a interessantíssima Cheryl (Kristen Wiig, mais contida que o normal e, talvez por isso, encantadora).
Na realidade, porém, Walter sequer reúne coragem para falar com ela, ou para confrontar o detestável diretor de transição (Adam Scott) que enviaram para realizar uma reestruturação interna na revista.
A “Life” terá, segundo ele, sua última edição impressa. E a foto escolhida para a capa é de um negativo específico, o nº 25, enviado ao escritório de Walter pelo prestigiado fotógrafo Sean O’ Connel (Sean Penn, escolhido por Stiller especialmente para o papel). Mas, o envelope recebido não possui exatamente o nº 25 (salta do 24 para o 26!), e Walter deve encontrá-lo se deseja manter seu emprego nesse período de transição.
Ele decide então deixar de lado os sonhos e imaginações e partir pelo mundo à procura de O’ Connel –um desses aventureiros à moda antiga cujo paradeiro é sempre um pouco difícil de definir –o quê o leva à Groenlândia, à Islândia e depois ao Himalaia; e, principalmente, o leva também a uma viagem interior de descoberta onde reencontra sua própria coragem, auto-estima e iniciativa.
Integrante daquele sempre apreciado sub-gênero dos filmes ‘feel good’, “Walter Mitty” é construído tanto para passar uma positiva e edificante mensagem ao expectador (que no caso seria a de parar de perder tempo com sonhos e planos e por em prática seus objetivos, correndo atrás deles) como também deixá-lo extasiado: E nesse sentido, Stiller caprichou na concepção visual de seu filme, seja nos exuberantes cenários naturais que registra, seja nas sequências inesperadas de ‘sonhos’ com uso inventivo de efeitos visuais: Elas vão desde o fantasiosamente escancarado (Walter e o diretor de transição saem no braço no melhor estilo ‘anime japonês’!) e o romanticamente implausível (Walter se imagina como um bizarro e sedutor alpinista latino!) até o assumidamente engraçado (a referência hilária à “O Curioso Caso de Benjamin Button”).
Como em “Trovão Tropical”, esse excesso de zelo estético pode até depor contra os argumentos acerca do real talento de Stiller como diretor, mas não há como negar que ele fez um filme encantador e fascinante.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Os Últimos Passos de Um Homem

Assim como Mel Gibson –que em 1996, lançou seu bem-sucedido “Coração Valente”, atuando como diretor –naquele mesmo ano, o ator Tim Robbins (de “Um Sonho de Liberdade”) arriscou alguns passos atrás das câmeras.
Ao contrário de Gibson, que abraçou o cinemão comercial e suas personificações mais clássicas, Robbins deu vazão à uma conhecida faceta engajada que compartilhava com sua esposa na vida real, a atriz e protagonista deste filme Suzan Sarandon (premiada com o Oscar 1996 de Melhor Atriz) para contar a história real da Irmã Helen Prejean.
Famosa por dedicar seu caridoso ofício aos homens condenados ao corredor da morte, Helen (numa atuação brilhante de Suzan) é capturada pelas lentes de Robbins nos desdobramentos do primeiro caso de pena de morte que acompanhou, permitindo assim um comprometido estudo sobre crime, castigo e redenção –esforço que resultou numa indicação ao Oscar de Melhor Diretor para Robbins naquele ano.
Uma devotada freira de Nova Orleans, Helen atende ao pedido de Mathew Poncelet (Sean Penn, também ele indicado ao Oscar) um condenado à morte que aguarda, para os próximos dias, a sua execução por injeção letal, devido à sua participação no estupro e morte de uma jovem. No convívio com o condenado, Helen tentará reincidir sua condenação, esclarecendo melhor os fatos em torno do crime que ele cometeu e, se possível, compreender as ações praticadas em um crime atroz.
Longe de realizar um filme de simples apreciação ou mesmo de abordar uma situação de alguém injustamente condenado à pena de morte, o diretor Robbins vale-se de sua ampla experiência como ator para encenar um mergulho incisivo e implacável num lodo borbulhante de maldade –Poncelet é um registro corajoso e sem concessões de uma sombria propensão à psicose da parte de Sean Penn que, em sua contundência, nos convida a considerar o fato de que aquele personagem irascível, cruel e selvagem é, também, um ser humano.
É sugerida uma ligeira aversão à pena de morte contida na narrativa, embora Robbins sabiamente dê ênfase na relação menos política e mais humana que surge entre e o condenado à morte Poncelet e a freira Prejean (cujos sérios abalos sofridos por sua convicção durante esse caso representam o eixo de toda a trama).

O filme venceu também o Oscar de Melhor Canção para "Dead Man Walking" de Bruce Springsteen.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Os Vencedores do Oscar 2004

Para nós, brasileiros, o Oscar 2004 tem uma importância a mais: O cinema nacional estava representado numa ocasião sem precedentes com as quatro indicações (Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Montagem) de “Cidade de Deus”.
Entretanto, todos sabiam –este era o ano do Peter Jackson e seu “O Senhor dos Anéis” –e a Academia reconheceu isso premiando-o com a marca histórica de 11 Oscars, igualando o recorde de “Titanic” e “Ben-Hur”.
Mas, foi um grande ano que contou com belíssimos trabalhos que inclusive não ganharam premiação, como “21 Gramas”, “OÚltimo Samurai” e “Piratas do Caribe-A Maldição do Pérola Negra”.

MELHOR FILME

MELHOR DIREÇÃO
"O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei", Peter Jackson

MELHOR ATRIZ
Charlize Theron, "Monster-Desejo Assassino"

MELHOR ATOR
Sean Penn, "Sobre Meninos e Lobos"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Renée Zellwegger, "Cold Mountain"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Tim Robbins, "Sobre Meninos e Lobos"

MELHOR FOTOGRAFIA

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
"Sob A Névoa da Guerra"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"Chernobyl Heart"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

MELHOR SOM
"O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei"

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
"O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei"

MELHOR MAQUIAGEM
"O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei"

MELHOR FIGURINO
"O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"Mestre dos Mares-O Lado Distante do Mundo"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE & CENÁRIOS
"O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei"

MELHOR TRILHA SONORA
"O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Into The West", de "O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei"

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"Harvie Krumpet"

MELHOR MONTAGEM
"O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei"

MELHOR CURTA-METRAGEM

"Two Soldiers”