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sábado, 30 de maio de 2026

Avatar - Fogo e Cinzas


 Se há um filme atrelado à expectativas, esse filme é “Avatar”. Não há como se preparar para assisti-lo sem esperar por uma experiência visual sem precedentes. Esse é, pois, o fantasma que assombra as suas continuações. A primeira delas, “O Caminho da Água”, lançada catorze anos depois do filme original, revelou-se uma obra um pouco menos ambiciosa, no sentido de que se debruçava sobre uma trama mais voltada aos seus protagonistas, Jake Sully e Neittiry, e aos filhos de tiveram nesse interim, e menos ao mundo vasto, imaginativo e alienígena que os cercam. O senso de proporções épicas e míticas volta, porém, a dar o tom neste terceiro filme, “Fogo e Cinzas”, num esforço genuíno e nítido para ir além do segundo filme – e, se possível, do festejado primeiro filme também.

É curioso que James Cameron, o criador, parece consciente de que são justamente os personagens novos, criados a partir de “O Caminho da Água”, bem como as inusitadas dinâmicas entre eles, que trazem um sopro de ar fresco à trama, uma vez que ela se atreve a repetir alguns tópicos do filme original.

Após os acontecimentos do filme anterior (que, diferente do filme de 2009, se sucedem simultaneamente neste daqui, sem saltos temporais), Lo’ak, o filho de Jake e Neittiry, ainda se sente culpado pela morte do irmão, enquanto Jake e Neittiry vivenciam o luto, cada um ao seu jeito: Jake reúne armamento obcecadamente, preparando-se para as hostilidades por vir; Neittiry se refugia na oração e na fé.

O lugar onde estão instalados –lar do Clã Metkayina, os Na’Vi aquáticos –está por receber comerciantes vindos das grandes florestas –e para lá destinados a voltar. É quando Jake decide enviar com eles Spider (Jack Champion), o humano que ele e Neittiry criaram como filho. Spider é, na verdade, filho biológico de Miles Quaritch (Stephen Lang), grande vilão da história (ainda que os conceitos de vilão comecem, aqui, a serem pouco a pouco revistos), e como Spider depende de máscaras de oxigênio para não sufocar com o ar do planeta Pandora, a decisão visa deixa-lo em segurança.

A família (Jake, Neittiry, Lo’ak e as filhas Kiri –na verdade, nascida do corpo Na’Vi da Dra. Augustine, do primeiro filme –e Tuk) toda o acompanha nessa espécie de despedida. São atacados (pelo próprio pessoal de Quaritch), e muitos perdem-se nas florestas de Pandora. Descrevendo, parece uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, mas, a narrativa de “Fogo e Cinzas” evoca um tom de contemplação por meio do qual, por um tempo considerável de filme, não registramos necessariamente nenhum acontecimento –ainda que a habilidade de James Cameron na direção mantenha o andamento sempre impecável –não à toa “Fogo e Cinzas” é o mais longo dentre todos os três filmes produzidos até então.

À beira da morte quando seu oxigênio por fim se esvai, Spider é salvo quando Eywa, a divindade que habita Pandora, resolve salvá-lo modificando seu sistema nervoso, tornando-o o único humano capaz de respirar a atmosfera de lá.

Contudo, agora o Povo do Céu –como os nativos de Pandora apelidaram os insensíveis invasores humanos –quer encontrar Spider de qualquer forma: Eles compreendem que ele tem a chave para que a Humanidade possa, de uma vez por todas, se estabelecer em Pandora para extrair suas riquezas naturais. A missão de Quaritch, portanto, além da vingança contra Jake Sully esboçada no filme anterior, é também encontrar e capturar seu próprio filho.

No escopo épico (para além dos filmes anteriores) que almeja para sua obra, Cameron não se restringe somente à esse conflito: Ele também explora (tornando este o grande diferencial de “Fogo e Cinzas”) uma outra beligerante e agressiva tribo de Na’Vi em Pandora, o Povo das Cinzas, cuja cultura repele a predominante adoração à Eywa, para abraçar um culto ao fogo e à destruição que ele é capaz de promover. Sua líder é a psicótica Varang (Oona Chaplin) que, num acordo fechado com Quaritch, acaba munindo seus guerreiros com armas pesadas na intenção de sobrepujar todos os outros Na’Vi.

O outro conflito de “Fogo e Cinzas” que ganha força na metade final (e serve, de modo geral, para amarrar as pontas soltas do enredo) é a tentativa dos humanos em empreender um último ataque aos Tulkun (as gigantescas e inteligentes baleias alienígenas que sofrem dos humanos a mesma crueldade insana que as baleias reais aqui na Terra) o que pode levar à extinção da espécie –essa batalha grandiloquente ocupa todo o longo clímax final, justapondo os Na’Vi da floresta e dos mares num combate contra os exércitos dos humanos e do Povo das Cinzas (um confronto que espelha bastante a batalha final do primeiro “Avatar”), e num nível mais íntimo, temos também cada um dos personagens protagonistas, e suas peculiaridades, sendo trabalhadas ao longo do acontecimento: Lo’ak e sua complicada relação com o pai; Neittiry e sua tentativa de equilibrar a natureza de guerreira e de mãe; Spider dividido entre sua humanidade (que o relaciona aos próprios inimigos que enfrenta, incluindo o pai) e a lealdade ao povo Na’Vi; Kiri e a descoberta de suas origens e de uma conexão ainda mais profunda com Eywa.

Aliás, o aspecto espiritual é um fator da mitologia de “Avatar” que surge muito melhor explorado aqui (embora, de novo, muitas dessas ideias terminem levando à cenas de ação que correm o risco de soarem repetitivas em relação aos filmes anteriores) o que sinaliza caminhos um bocado interessantes a serem explorados nas continuações.

Desnecessário dizer que visualmente “Fogo e Cinzas” é um espetáculo atordoante (por mais incrível que possa parecer, James Cameron continua bem sucedido em superar a si mesmo, filme a filme, em termos visuais e técnicos), sobretudo, àqueles que forem conferir seu primoroso aparato em 3D, e só isso já vale, em si, toda a experiência de assistir ao filme nos cinemas, a sua trama, entretanto, carece de polimento e ostenta consideráveis lapsos de imperfeição apesar dos visíveis esforços. Mas, bem... essa já era uma característica presente desde o primeiro “Avatar” –e nunca resultou numa preocupação maior da parte de James Cameron.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Algumas Previsões Para O Oscar 2026

 


Die, My Love

O filme que reúne os astros Jennifer Lawrence e Robert Pattinson encontra-os num momento bastante aclamado de suas carreiras; diferente de quando foram lançados ao estrelato (ela, com “Jogos Vorazes”; ele, com “Crepúsculo”), e dirigidos pela sempre autoral Lynne Ramsay. “Die, My Love” chega com chances fortíssimas de emplacar mais uma indicação de Melhor Atriz para Jennifer Lawrence e possibilitar a melhor recepção da Academia de Artes Cinematográficas, até então, para um filme de Ramsay.


O Agente Secreto

Desde antes de sua estréia, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, vinha sendo cotado para repetir com pompa e circunstância a mesma campanha belíssima feita pelo premiado “Ainda Estou Aqui” no ano passado, agora, com indições para Wagner Moura, de Melhor Ator, e novamente Melhor Filme Internacional, e até quem sabe algumas outras categorias: Muitos são os críticos apontando este como o melhor trabalho de Mendonça Filho, o quê, vindo do realizador de “Bacurau”, não é pouco!


Avatar-Fogo e Cinzas

O primeiro “Avatar”, lá de 2009, é visto hoje como um divisor de águas no cinema hollywoodiano; sua continuação, “O Caminho da Água”, pode até não ter repetido a mesma extensão de êxito, mas foi um fenômeno de bilheteria, concorreu ao Oscar de Melhor Filme e ainda saiu da cerimônia com o prêmio de Melhores Efeitos Visuais. O trailer (empolgante, diga-se) desta terceira parte promete, no mínimo, uma produção superior ao último filme.


Frankenstein

Contando pouco tempo de seu lançamento em cinema e streaming (o filme é da Netflix), a nova e suntuosa versão do diretor Guilhermo Del Toro para a obra imortal de Mary Shelley está perfeitamente posicionada para ser lembrada na cerimônia do Oscar no ano que vem. E muitos têm sido aqueles que enalteceram a realização de Del Toro como a melhor adaptação do clássico literário até hoje! –lembrando que, entre outras versões, houve até uma de Kenneth Branagh com Robert De Niro.


Pecadores

Talvez, a grande obra-prima entre os exemplares da nova vertente do terror norte-americano, “Pecadores”, de Ryan Coogler, surpreendeu o público e a crítica com uma trama que, enquanto capturava uma apaixonada referência à “Um Drink No Inferno”, de Robert Rodriguez, abordava a questão racial e a influência poderosa da música negra num espetáculo cinematográfico belo, impressionante e sangrento.


F1-O Filme

O excelente filme com Brad Pitt e dirigido por Joseph Kosinski chegou até mesmo a ser relançado nos cinemas no segundo semestre deste ano visando uma chance entre os indicados ao Oscar. As possibilidades entre as categorias principais estão diminuindo (à medida que concorrentes mais fortes e substanciais começam a ser lançados no circuito), mas a esperança ainda paira no ar –e a presença em muitas categorias técnicas é quase uma barbada visto sua incontestável competência.


Uma Batalha Após A Outra

Paul Thomas Anderson recrutou Leonardo Dicaprio para realizar um dos filmes mais ágeis e dinâmicos de sua consagrada carreira. Adaptado de um livro de Thomas Pinchon (assim como foi “Vício Inerente”), Anderson entrega uma produção sofisticada, carregada de reflexões pertinentes e atuais, concebida com apuro visual e narrativo à toda prova e adornada de brilhantes atuações. O olhar dos críticos, do público e da Academia repousa, atento, sobre ele.


Wicked-Parte 2

A “Parte 1” encantou público e crítica, chegando na última cerimônia do Oscar (de onde saiu com duas estatuetas) exigindo respeito. Esta segunda e última parte (sobretudo, depois do lançamento de seu trailer apoteótico) eleva ainda mais as apostas. Agora, retornamos ao mundo de “O Mágico de Oz” pouco antes dos eventos narrados no clássico; contudo, desta vez, a trajetória dúbia e intrigante de Elphaba e Glinda vai adentrar os acontecimentos do filme de 1939 e, por fim, se encerrar.


Bugonia

O diretor grego Yorgos Lanthimos, a despeito de seu estilo corrosivo, único e pouco usual, parece ter caído nas graças de Academia que terminou indicando (e, em alguns casos, até premiando!) a maioria de seus últimos trabalhos em categorias bastante expressivas. Sua nova audácia “Bugonia”, já desponta como um dos favoritos à estatueta dourada e à outros prêmios da temporada com a atenção voltada, especialmente, para as atuações de Emma Stone e Jesse Plemmons, intérpretes prediletos de Lanthimos.


Coração de Lutador

Dwayne ‘The Rock’ Johnson concorrendo ao Oscar de Melhor Ator? É o que muitos estão se perguntando e contemplando a possibilidade de se tornar verdade. Dirigido por Ben Safdie (diretor de “Jóias Brutas” e ator em “Oppenheimer”) e baseado na vida do lendário lutador Mark Kerr, o filme parece uma tentativa de The Rock em dar um novo rumo à sua carreira já pontuada por vários sucessos de bilheteria. Para alguns especialistas a bilheteria abaixo do esperado pode ter esfriado suas chances, mas, para outros, o filme ainda tem possibilidades reais de chegar aos indicados principais.

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Arnold


 Tornado uma minissérie pela Netflix, que o divide em exatos e bem delineados três episódios, este documentário faz a alegria dos fãs de Arnold Schwarzenegger ao dar-lhe voz e oportunidade para contar os inúmeros percalços de sua incomum trajetória de vida. Em ordem relativamente cronológica –e contando, claro, com os providenciais depoimentos de pessoas, algumas famosas, presentes em sua trajetória –o documentário começa na Áustria, onde Arnold relembra a infância na distante localidade de Thal, junto do irmão mais velho, do pai e da mãe, e da sensação incômoda de enxergar-se preso num vilarejo medíocre sem escapatórias. Da convivência com o irmão, Arnold conta que herdou a competitividade, sempre muito incentivada pelo pai, contudo, não tardou ao jovem Arnold vislumbrar uma vida fulgurante fora da Áustria e, para isso, ele dedicou-se, desde muito novo ao fisioculturismo, a despeito da ocasional desaprovação paterna. O primeiro episódio incumbe-se, basicamente, de relatar essa primeira parte da vida de Schwarzenegger; e a forma com que ele tornou-se mundialmente conhecido: Ele conta sobre a primeira vez em que assistiu “Hércules” no cinema, interpretado pelo fisioculturista Reg Park, seu ídolo. O mesmo Reg Park que, anos depois, ele mesmo encontra quando já vivenciava os primeiros passos de sua própria carreira no fisioculturismo; curiosamente, o próprio Arnold interpretaria, anos depois, o mesmo personagem em “Hercules In New York”, numa experiência que ele mesmo confessa ter sido lamentável. Migrando para a América –para onde ele sempre alimentou o sonhou de ir –Arnold passa a treinar com Joe Weider na Califórnia e, a medida que avança a década de 1960 e a de 70, seu status e sua fama como fisioculturista vão crescendo a ponto dele vencer treze competições seguidas!

No segundo episódio, talvez o mais significativo para muitos dos expectadores de Schwarzenegger, ele revela que, como fisioculturista, havia sentido que chegara no limite –não haviam mais metas a serem superadas e ele queria mais. Foi seu fascínio pelo cinema, e a vontade de lá sagrar-se um astro que o atraiu aos filmes. No entanto, como é comum acontecer, ele enfrentou oposições e dificuldades. Muitos foram os que implicaram com seu sotaque austríaco, de difícil entendimento (ele logo foi atrás de aulas de atuação e dicção), com seu físico avantajado, inapropriado para protagonistas identificáveis com o público de então, e com seu perfil, nada relacionado ao de John Wayne (ainda o astro de cinema por excelência daqueles tempos, fim dos anos 1970), além da sempre ranzinza reprovação da crítica.

Foi pouco a pouco, projeto a projeto, que Arnold foi vencendo essas barreiras: Primeiro com o filme “Stay Hungry”, dirigido por Bob Rafelson, com Jeff Bridges (hoje raríssimo), num protagonista escrito especialmente para um fisioculturista, depois com o documentário “O Homem dos Músculos de Aço” e então, já na década de 1980, com o protagonista do épico “Conan-O Bárbaro” no qual, embora tenha inicialmente desagradado o produtor Dino DeLaurentis, teve a sorte de contar com o apoio irrestrito do diretor John Milius.

Em 1984, ao ter, junto do diretor James Cameron, a inspiração iluminada para interpretar o andróide antagonista de “O Exterminador do Futuro” –a ideia inicial era Arnold interpretar o herói, Kyle Reese –Schwarzenegger ingressou definitivamente no cinema, no mesmo período em que desposou sua namorada, Maria Shriver, membro da Família Kennedy.

As produções seguintes refletiram, em grande medida, uma curiosa rivalidade com outro astro do período, Sylvester Stallone (cuja vida foi retratada, por sua vez, no documentário “Sly”). Foi graças à presença desse adversário, Arnold reconhece, que ele empenhou-se em filmes que, com o tempo, passaram a redefinir o cinema comercial norte-americano do período: “O Predador” –premissa nascida de um comentário em Hollywood segundo o qual “Rocky” haveria de lutar contra algum alienígena num projeto vindouro ; “Irmãos Gêmeos” –ideia surgida de um encontro com o diretor Ivan Reitman, onde Arnold almejou, por meio de uma comédia, atender novas demandas de seu público; e, já nos anos 1990, “Exterminador do Futuro 2”, quando testemunhamos um comentário profético de uma apresentadora de TV da época ao afirmar que, ao interpretar um andróide ‘do bem’ nessa continuação, Arnold parecia estar de olho numa provável carreira política (!).

A década de 1990, ainda trouxe o eventual fracasso de “O Último Grande Herói”, o que levou Arnold a correr atrás do prejuízo com as realizações de “True Lies” –refilmagem do filme francês “La Totale” que ele mesmo recomendou à James Cameron –e a comédia “Júnior”. Contudo, já ao fim da década de 1990 (e tendo passado por uma cirurgia cardíaca que o deixou um ano sem filmar), Arnold entregou uma série de produções genéricas, ainda que indicativas de seu status inconteste de astro cinematográfico –o terror “Fim dos Dias”, e as produções de ação “Efeito Colateral” e “O 4º Dia”.

Como no fisioculturismo duas décadas antes, Arnold sentia que havia chegado num auge profissional e que nada restava a ele, exceto se repetir. Era o momento de seguir em direção à outro desafio, outra jornada.

É assim que, no terceiro episódio, testemunhamos Arnold Schwarzenegger se lançar numa das mais arrojadas manobras de sua carreira e de sua vida: A candidatura para governador do estado da Califórnia. Ainda no turbilhão da divulgação de “Exterminador do Futuro 3-A Ascensão das Máquinas”, ele é assaltado por eventuais impressões acerca de sua capacidade para fazer a diferença no estado das coisas, sobretudo, na catastrófica administração do então governador Gray Davis, alvo de um descontentamento tal entre os eleitores que estava em votação a sua remoção do cargo. Diante de uma certa apreensão da parte de sua esposa –afetada, afinal, pela trágica trajetória política que perseguiu praticamente todos os membros de sua família –Arnold confirma sua candidatura em rede nacional, no programa do entrevistador Jay Leno, e dá início à um circo caótico e midiático que se estenderia pelo ano de 2003. Eleito governador (mesmo diante de uma súbita polêmica envolvendo denúncias de assédio sexual ocorrido décadas antes desenterradas pelo The Times), Arnold enfrenta altos e baixos na sua administração enquanto tenta (e muitas vezes consegue) implantar políticas de reformulação, leis tributárias empacadas no senado (impulsionadas por um esforço inédito de colher assinaturas dos contribuintes), conciliar equipes antagônicas de membros democratas e republicanos, e conter (entre outros contratempos) os terríveis incêndios de Los Angeles em outubro de 2007, quando foi decretado estado de emergência em sete municípios.

No decurso desse período como governador –durante o qual experimentou uma reeleição –ele também teve seu casamento com Maria Shriver desfeito pela descoberta de uma infidelidade com uma governanta, anos antes, da qual o fruto foi seu filho, Joseph Baena. Arnold não se furta de comentar, lamentar e pedir desculpas por essa passagem em sua vida, embora não deixe de reiterar o amor pelo filho e por toda sua família.

“Arnold” é um documentário bastante lúcido e explicativo acerca da espetacular jornada de vida desse astro formidável do entretenimento, e suas incisivas considerações do alto de seus 75 anos de vida. Até pela personalidade pouco afeita à dramatizações de seu biografado, é uma obra cheia de objetividade e clareza (o documentário sobre Stallone, por exemplo, reserva mais emoção e melancolia ao expectador), ainda que vez outra, se permita algumas pequenas omissões em aspectos mais espinhosos de sua história.

sábado, 17 de dezembro de 2022

Avatar - O Caminho da Água


 Vencedor de 3 Oscars, uma transformação na maneira de se ver (e fazer) cinema com seus revolucionários efeitos 3D, e como se não bastasse, a maior bilheteria da história da sétima arte. “Avatar”, lançado num já longínquo 2009 (lá se vão treze anos!) não é uma façanha das muito fáceis de ser equiparada. Entretanto, é algo assim que almeja o sempre ambicioso James Cameron com “Avatar-O Caminho da Água”, continuação de seu formidável épico de ficção científica na qual ele vem trabalhando desde o filme anterior.

Aqueles que forem conferir o filme podem até afirmar que o ineditismo de seus efeitos visuais, ainda que assombrosos, ainda que irretocáveis, não traz o mesmo espanto de antes; que as cenas em 3D, ainda que fenomenais, não acrescentam tanto assim ao filme anterior, mas, a verdade é que “O Caminho da Água” é uma sequência pensada com sensatez, talento e perícia incontestáveis –tal qual fez com “Exterminador do Futuro 2” e “Aliens-O Resgate” (as duas únicas continuações que foram capazes de adicionar elementos realmente novos e instigantes às suas franquias originais), Cameron deu uma continuidade válida, auspiciosa e empolgante para a brilhante aventura no planeta Pandora.

Quando “O Caminho da Água” começa, descobrimos que quase vinte anos se passaram desde os acontecimentos retumbantes do filme original. Agora convertido definitivamente em um guerreiro alienígena Na’Vi, o ex-soldado Jake Sully (Sam Worthington) e a nativa Neytiri (Zoe Saldana) se casaram e tiveram uma prole da filhos: O primogênito Neteyam (Jamie Flatters); o impetuoso e descuidado Lo’ak (Britain Dalton); a caçula Tuk (Trinity Jo-Li Bliss), além de uma filha adotiva, Kiri, nascida do corpo avatar da falecida Dra. Augustine, vivida por Sigourney Weaver (e também ela, interpretada pela mesma atriz), e da inesperada presença humana do jovem Spider (Jack Champion), encontrado ainda bebê na base abandonada pelos homens, cujo crescimento se deu entre os próprios Na’Vi.

Esse núcleo de novos personagens haverá de predominar no filme, a despeito até mesmo do casal protagonista do original, então convém prestar atenção neles. Um esforço que, se em princípio parece difícil, logo, a habilidade notória de James Cameron como diretor transforma num deleite; pode ser difícil de acreditar, mas, ele consegue transformar os novatos em indivíduos carregados de carisma e empatia, pelos quais a plateia torce e vibra, ansiando para que fiquem em segurança e se exasperando quando ficam em perigo.

Tudo começa de fato –e isso, demora muito pouco –quando naves gigantescas despontam no espaço (na primeira de inúmeras cenas embasbacantes que virão): O chamado “povo do céu”, ninguém mais, ninguém menos, que os seres humanos, (os verdadeiros alienígenas invasores, numa das mais sensacionais inversões de valores promovida pela obra de Cameron) finalmente voltou para uma revanche. E voltaram armados! Não apenas com seu poderio bélico e tecnológico extremamente mortal para a fauna e flora de Pandora, como também com o surpreendente retorno do protagonista do filme anterior, Coronel Quaritch (Stephen Lang, uma vez mais brilhante) agora com todas as suas memórias salvas dentro da consciência de um corpo Na’Vi, um avatar tal e qual Jake Sully no primeiro filme.

Ciente de que seu corpo original foi morto por Jake e Neytiri, Quaritch busca por sua vingança, o que ele quase consegue quando captura os filhos de Jake e Neytiri, assim como Spider, ao lado de sua tropa –vários soldados, também eles tombados na batalha final de “Avatar” agora com novos corpos Na’Vi.

Jake e Neytiri conseguem resgatar as crianças –exceto por Spider, que é levado prisioneiro, só para descobrir que seu pai era o próprio Quaritch (!) –mas, não deixam de experimentar a possibilidade amarga de perdê-los. E, com isso, Jake decide então que, ao contrário de antes, esta é uma batalha que ele não deseja lutar. Porque antes, a luta envolvia os Na’Vi brigando pelo direito de viver em seu próprio mundo, e agora, tudo se resume ao desejo de vingança de Quaritch. E porque antes, ele não tinha toda uma família que poderia ser tirada dele.

Diante dessa decisão –um tanto difícil para a corajosa e orgulhosa guerreira Neytiri –ele deixa o comando da Tribo da Floresta, e juntos partem para brigar asilo nas longínquas tribos que vivem além. Na’Vis também, mas ligeiramente diferentes tendo seus corpos alterados pelo ecossistema para se adaptar ao ambiente aquático.

Para Jake Sully e seus filhos, crescidos e acostumados no ambientes florestal, a adaptação será um desafio, assim como o fato de serem aceitos pelos inicialmente arredios e agressivos integrantes dessa nova tribo, comportamento pouco hospitaleiro que reflete o da esposa do chefe, a linha-dura Ronal (vivida em captura de performance por Kate Winslet, mesma atriz com quem Cameron trabalhou em “Titanic”).

Se mesmo nas cenas corriqueiras e em baixa voltagem onde vemos o esforço da Família Sully em serem aceitos naquele novo lugar, tentando aprender novos costumes e novas condutas, as sequências que são elaboradas surgem espetaculares em seu acabamento visual, o que dizer, então, do assombro quando as inúmeras tensões e os notáveis conflitos plantados com relativa inteligência pelo roteiro culminam nas cenas climáticas de seu último terço?

Se haviam aqueles que acreditavam na possibilidade de Cameron manchar o belíssimo e bem lapidado filme anterior com uma continuação vazia e sem sentido, ele entrega aqui uma obra ainda mais poderosa em sua capacidade insuspeita de arrebatar e encantar em igual medida.

Os novos personagens são extraordinariamente cativantes –a ponto de eclipsarem facilmente as figuras conhecidas do filme original –e as dinâmicas novas que surgem entre eles não apenas adicionam emoções mais complexas à trama (caso da relação cheia de ambiguidade, desconfiança, antagonismo e um imprevisto laço de afeto entre Spider e o Coronel Quaritch) como também levantam questões que certamente culminaram nos próximos filmes ainda vindouros (como a capacidade metafísica de Kiri em acessar Eywa, a divindade ancestral de Pandora).

Como fizera em 2009, James Cameron entrega, em “O Caminho da Água”, um atestado técnico e artístico sobre como os limites assim presumidos do cinema podem (e devem) ser testados, forçados e superados por autores indomáveis, incapazes de aceitar o que é comum e possível, e com isso estabelece, para todos os desafortunados outros filmes, um nível estratosférico de qualidade que certamente levará alguns anos para ser igualado.

domingo, 20 de novembro de 2022

Algumas Previsões Para o Oscar 2023


 Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

Louvado por muitos como o melhor filme de 2022, o trabalho dos diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert é uma obra surpreendente que ousa, inclusive, ao tratar do tema de multiverso no mesmo ano em que a toda-poderosa Marvel Studios discorreu sobre o mesmo assunto no blockbuster “Doutor Estranho No Multiverso da Loucura”.

Todavia, o filme de Kwan e Scheinert vai além: Ele aborda reflexões existenciais numa roupagem que combina drama, humor e ação numa mesma proporção sem acomodar-se em genêro nenhum.

Um choque de ineditismo que lembra o feito das Irmãs Wachowsky em 2000 com o cult-movieMatrix”. Naquela época, entretanto, a Academia de Artes Cinematográficas não estava pronta para tamanha inovação (e ainda assim, “Matrix” saiu-se com quatro prêmios técnicos), e agora, estariam os votantes prontos para finalmente premiar a grande surpresa do ano?


Elvis

A música não deixa Baz Luhrman; Baz Luhrman não deixa a música. Após duas décadas de seu aclamado “Moulin Rouge”, o diretor australiano retorna –de certa maneira –ao gênero que lhe foi tão caro, desta vez, contando uma história que a tempos o cinema andava devendo: Uma biografia digna e emocionante de ninguém mais, ninguém menos, do que Elvis Presley, o Rei do Rock.

De quebra, “Elvis” ainda revela o talento hiperlativo do jovem Austin Butler que entrega um trabalho primoroso  ao cantar, dançar e atuar como Elvis, tirando de letra um desempenho que representaria um desafio para qualquer um.


The Fabelmans

Naquele que parece ser sua obra mais pessoal, o gigante Steven Spielberg volta suas lentes para uma trama auto-biográfica que gira em torno de sua própria família.

Realizado num esquema independente –tática que Spielberg, habituado à superproduções, não adotava havia décadas –“The Fabelmans” estreou no Festival de Toronto, berço de algumas das mais aclamadas obras independentes da temporada, e vem conquistando larga aprovação da crítica, além de uma quase garantida oportunidade no Oscar, caminho que, é bem verdade, quase todas as realizações de Spielberg acabam trilhando.

Os mais entusiasmados dão como certa a indicação de Melhor Atriz para Michelle Williams.


Babylon

Todos os três trabalhos anteriores do diretor Damien Chazelle –“Whiplash-Em Busca da Perfeição”, “La La Land-CantandoEstações” e “O Primeiro Homem” –tiveram belas campanhas no Oscar. Sua quarta realização promete manter essa constante; também pudera: Com um elenco estelar –que inclui Margot Robbie, Brad Pitt e Tobey Maguire –“Babylon” aborda o deslumbramento e os escândalos que cercaram os astros da fase áurea do cinema na década de 1920.


The Whale

O diretor Daren Aronofsky adora pegar grandes intérpretes e arremessá-los para fora de suas zonas de conforto: Foi assim com Mickey Rourke em “O Lutador”, com Natalie Portman em “Cisne Negro” e com Jennifer Lawrence em “Mãe!”.

Não obstante a eventual incompreensão de parte da crítica, ele obtém certa aclamação com isso, e as coisas parecem seguir um rumo bastante parecido com o novo “The Whale”.

Trazendo de volta à ribalta o desaparecido Brendan Fraser –que, muitos garantem, estar entregando a atuação de sua vida! –Aronofsky criou um drama sobre o processo árduo de rejeição, recuperação e aceitação centrado num personagem obeso, homossexual e depressivo, tendo recebidos aplausos de pé em sua estréia no Festival de Veneza.


Top Gun-Maverick

Uma grata surpresa para muitos e uma produção saudada como a grande prova de que financeiramente o cinema havia enfim superado o hiato de público ocasionado pela pandemia, a continuação do cultuado clássico oitentista “Top Gun” ostentou tamanha qualidade técnica e artistica quando aportou nas salas de cinemas que logo foram cogitadas as possibilidades dele concorrer ao Oscar.

As chances maiores repousam nas categorias técnicas é claro –as sequências de combate aéreo são particularmente um show de fotografia, montagem e efeitos visuais –embora existam aqueles que apostem numa colher de chá nas categorias mais artísticas –o roteiro segue uma fórmula razoável para a continuação que se propõe, mas é assinado por Christopher McGuarie, que ganhou o Oscar de Roteiro Original por “Os Suspeitos” –além da forte possibilidade de repetir, tal e qual o anterior em 1987, a vitória na categoria de Melhor Canção Original –desta vez com “Hold My Hand”, composta e interpretada por Lady Gaga.


The Batman

Outro que certamente marcará presença nas categorias técnicas –minha aposta vai especialmente para Melhor Maquiagem e Cabelo graças à assombrosa transformação de Colin Farrell no mafioso Pinguim –o filme dirigido por Matt Reeves revelou-se de tal forma surpreendente (afinal, alguns ainda tinham lá suas ressalvas com o fato do ótimo Robert Pattinson interpretar Bruce Wayne/Batman) que não apenas foi recebido como o melhor filme do Batman realizado até hoje (superando até as aplaudidas produções de Christopher Nolan) e Pattinson agraciado como o melhor dentre todos os intérpretes do herói, como seus fãs praticamente exigem um mínino de reconhecimento no Oscar.


Até Os Ossos

A última vez em que o diretor Luca Guadagnino e o jovem astro Timothée Chalamet se juntaram foi no elogiadíssimo romance homossexual “Me Chame Pelo Seu Nome”.

Agora, eles adicionam à mistura novos nomes consagrados, como Mark Rylance e Chloe Sevigny, e uma inusitada pitada de canibalismo e o resultado é o desconcertante “Até Os Ossos” que promete seguir um caminho de aclamação muito parecido.


Glass Onion-Um Mistério de Entre Facas e Segredos

Quando foi anunciada a sequência da pérola de suspense “Entre Facas e Segredos”, a Netflix não perdeu tempo: Tratou de pagar um valor estratosférico para o astro Daniel Graig voltar ao personagem do detetive Benoit Blanc, negociou a exclusividade da produção com o diretor Rian Johnson (de “Star Wars-Os Últimos Jedi”) e certificou-se de trazer um elenco tão arrojado, numeroso e célebre quanto o notável filme anterior (entre outros estão Kate Hudson, Ethan Hawke, Edward Norton, Dave Bautista e Kathryn Hahn).

Assim que foi lançado na plataforma, “Glass Onion” arrebatou público e crítica revelando-se espantosamente superior ao filme original, qualidades que, garantem os apreciadores, não haverão de passar despercebidas aos membros da Academia.


Avatar-O Caminho da Água

Por fim, é impossível não mencionar um dos mais aguardados filmes do ano –senão O mais aguardado: Lá se vão treze anos desde que o diretor James Cameron tomou o mundo de assalto com a revolucionária tecnologia 3D e com a criação assombrosa do planeta Pandora em “Avatar”.

O tempo decorrido só fez aumentar a expectativa dos fãs em torno da continuação (que é prometida como a primeira de outras três!) e fomentou a promessa de que o efeito 3D, desta vez, seria ainda mais arrebatador aos sentidos do público.

“Avatar-O Caminho da Água” ainda não estreou (teve, quando muito, alguns trailers exibidos nos cinemas), mas os expectadores não têm dúvidas de que ocupará um lugar de destaque na próxima cerimônia do Oscar (e em outros prêmios também), até porque, entre outros talentos, Cameron é brilhante na construção de continuações: O seu “Exterminador do Futuro 2” é, e provavelmente sempre será, imbatível do quesito de continuação tão válida e pertinente quanto o original; e ele também assinou “Aliens-O Resgate”, a única sequência verdadeiramente dotada de tanto brilho e originalidade quanto o primeiro “Alien”.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Rambo II - A Missão


 A continuação do filme singelo, incisivo e eficiente de Sylvester Stallone de 1982 –e cujo argumento, em sua sólida unidade, deixava pouca margem para uma continuação de fato –lançada em 1985, encontrou seu astro, numa fase já diferente de sua carreira, encontrou também uma plateia (em especial, a norte-americana) com uma mentalidade distinta  e, por fim, encontrou, na década de 1980, uma percepção de se fazer e consumir cinema que se distinguia da adotada por Ted Kotcheff no primeiro filme. Todos esses fatores levaram “Rambo II-A Missão” a tornar-se uma obra completamente diferente do filme que a originou, estabelecendo, para o bem e para o mal, os conceitos que passaram a definir o personagem, e com os quais foi inserido na cultura pop –e não à toa, é o mais cultuado e influente de toda a série.

Roteirizado por um iniciante James Cameron (já dando vazão à veia megalomaníaca que o definiria em ambiciosos projetos vindouros como diretor) e dirigido por George P. Cosmatos, com uma compreensão intrínseca do cinema de ação pancadaria do período, e bem pouco interessado no entendimento mais íntimo do personagem exercido por Kotcheff no filme anterior, “Rambo II” se inicia com John Rambo na penitenciária, a pagar por seus atos deflagrados no primeiro filme. Nessa situação, ele torna a ser procurado pelo seu mentor, Coronel Trautman (Richard Crenna), para uma missão na qual somente sua habilidade será capaz de dar conta: Rambo deve regressar às selvas do Camboja e tirar fotos dos combatentes norte-americanos ainda mantidos como prisioneiros pelos vietcongues. Naquela época, o governo Ronald Regan ainda insistia nos assim chamados M.I.A., Missing In Action, soldados não declarados como mortos em combate que supostamente estariam  em cárcere no Vietnam pós-guerra. Ao longo da década de 1980, muitos foram os filmes de ação pauleira (como “Braddock”) que usaram desse plot, gerando praticamente um sub-gênero.

Nesse sentido, “Rambo II” é a pedra fundamental do conceito –se o primeiro filme escancarava demônios pessoais ligados ao Vietnam presentes no subconsciente da sociedade norte-americana (ainda que a sutileza passe longe de qualquer postura), este segundo, vai de encontro aos anseios, vamos dizer assim, dessa mesma sociedade. A Era Reagan foi caracterizada por um enfrentamento espartano das mazelas americanas por meio de um ufanismo populista que contaminou sua cultura pop em geral e transformou Rambo, em particular, numa espécie de garoto-propaganda dessa mentalidade –não à toa, surgiu até mesmo uma série de desenho animado envolvendo o personagem (que no cinema, é bom lembrar, tinha características fatalistas e ambíguas, nada apropriadas a um protagonista infantil!).

Pois então, eis que, no decurso de sua missão, Rambo não se contenta em tirar as ditas fotos dos prisioneiros que, de fato, ele encontra presos no Vietnam; Rambo, na verdade, resgata um deles. O problema: Não era, necessariamente de interesse dos homens no comando da missão –como Murdock, vivido por Charles Napier, de “O Silêncio dos Inocentes” –que Rambo voltasse com algo mais do que meras fotos, que podiam ser varridas para baixo do tapete, caso a ineficiência do governo ficasse evidente. Diante dessas circunstâncias, Rambo é abandonado e recapturado pelos mesmos vietcongues que um dia enfrentou. E acaba submetido a novas torturas –nas mãos, inclusive de um coronel soviético interpretado por Steven Berkoff –até conseguir escapar e, sozinho, exterminar todo o exército de vietcongues, libertar seus compatriotas e levá-los de volta para casa, em suma, Rambo ganha a guerra, aos olhos de um público entretido e satisfeito de pirotecnia, que os EUA, anos antes, não foram capazes de ganhar.

Essa última sentença, no entanto, não resume de maneira adequada a segunda metade do filme: No cinema de ação que consolida, na excelência técnica verdadeiramente impecável das cenas que entrega, e no entusiasmo eletrizante que suscitou em toda uma geração, “Rambo II” é o “exército-de-um-homem-só” materializado em filme, mais até do que “Comando Para Matar”, com Arnold Schwarzenegger (um rival, por muito tempo reconhecido, de Stallone) ou “Duro de Matar”, com Bruce Willis, ambos à sua maneira certeiros em sua execução, mas que não atingem esse caráter especialmente icônico de Rambo.

O discurso de Ronaldo Reagan jamais viu-se tão espetacularmente ilustrado, e o personagem (bem como o próprio Stallone) adquiriu uma aura e um aspecto que, para o bem e para o mal, seriam sua definição dali para frente.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Alita - Anjo de Combate

O diretor mexicano Robert Rodriguez sobe adaptar sua personalidade e seu ímpeto criativo às mais diversas parcerias ao longo de sua carreira: Ele realizou um belo exemplar de terror e ficção científica para adolescentes nos anos 1990 junto do roteirista Kevin Williamson (“Prova Final”); fez uma adaptação de histórias em quadrinhos revolucionária em termos visuais e narrativos ao lado de Frank Miller (“Sin City-A Cidade da Pecado”); ele moldou, com Quentin Tarantino, uma das mais desiguais tentativas em formato cinematográfico de peitar o mainstream hollywoodiano (“Projeto Grindhoude”).
Aqui, desta vez, Rodriguez trabalha sob a produção de James Cameron, e o resultado do encontro entre dois notáveis estilo de se fazer cinema é um filme arrojado, cheio de humanidade e uma certa acidez para com os rumos convencionais que assombram sua trama.
Desde os anos 1990, a adaptação dos quadrinhos japoneses, “Alita”, de autoria de Yukito Kishiro, vinha sendo o projeto acarinhado por James Cameron –ele chegou até mesmo a criar a série de TV “Dark Angel” (que revelou Jessica Alba) para testar vários conceitos que seriam manejados em “Alita”.
O tempo passou e o período cada vez maior de produção e pós-produção adotado por Cameron entre seus projetos inviabilizou a possibilidade dele dirigir “Alita” –no momento, Cameron trabalha a onze anos (!) nas continuações de seu sucesso “Avatar” –o que o levou a assumir a produção e deixar a direção do projeto a cargo de Robert Rodriguez.
Não obstante a experiência de Rodriguez com produções de baixo orçamento –em contraponto, à Cameron cujas produções sempre são hiperlativas –“Alita” exigia um certo desembaraço na lida com os efeitos digitais: Uma das razões pelo longo tempo de maturação do projeto foi a espera para que a tecnologia fosse capaz de materializar em cena a protagonista do modo com que ela é no mangá –Alita é uma síntese entre humano e máquina, e essa característica está em seu designer desafiador no qual ela é expressiva e vívida sugerindo ao mesmo tempo uma, digamos, artificialidade sintética em seu aspecto.
Estamos no futuro, mais necessariamente no ano de 2563. A gigantesca e futurista cidade de Zalem flutua muito acima da superfície. Nela há uma espécie de ralo por onde caem dejetos de tecnologia descartados. Todos vão parar no aterro da Cidade de Ferro, uma gigantesca favela high-tech surgida à sombra de Zalem povoada de pessoas que alimentam a vã esperança de um dia subir à cidade voadora.
Em meio a esses escombros, o cientista Dr. Dyson Ido (Christoph Waltz) encontra a carcaça de uma andróide de uma tecnologia avançada e perdida. Ele a repara, dando-lhe próteses cibernéticas e batizando-a de Alita (nome de sua filha que morreu).
Inteligência cibernética extremamente avançada dotada de um cérebro humano, Alita (vivida por meio de captura de performance pela jovem Rosa Salazar, de “Maze Runner”) não retém as lembranças de quem um dia foi; ela é, em vez disso, uma criança: Absorve e aprende com assombro e inocência tudo o que se passa a sua volta.
Contudo, ela aprende rápido: Logo descobre que seu pai, um benevolente e caridoso consertador de ciborgues defeituosos de dia, é um dos muitos caçadores de recompensas que patrulham as ruas à noite, a procura de perigosos bandidos com a cabeça à prêmio.
Ao descobrir isso –e no processo descobrir também a formidável aptidão que possui para lutar –Alita almeja ser uma caçadora de recompensas também, mas, isso não dura muito; convencido pelo namoradinho Hugo (Keean Johnson), ela resolve se tornar uma jogadora de Motorball, um esporte violento e brutal, no qual os campeões estão entre os raros indivíduos agraciados com a chance de ascender para Zalen.
No decurso de descoberta de suas origens e de se firmar nesse admirável novo mundo, Alita chama a atenção de alguns homens poderosos e influentes nesse mundo tecnológico a que ela pertence, como é o caso de Vector (o fantástico Mahershala Ali), financiador do Motorball, e o misterioso Nova, provavelmente grande vilão do filme e até mesmo das vindouras continuações, se elas chegarem a serem produzidas...
De fato, são muitos os elementos em comum entre “Alita” e as inúmeras obras marcantes de filmografia de James Cameron: Uma protagonista feminina extraordinariamente carismática, uma visão espetacular do futuro rica em textura e minimalismo; uma premissa que, a sua maneira, coloca a personagem central no cerne de um embate que pode mudar os rumos do mundo; um arranjo emocional e humano para dar algum tempero; e uma conjugação perfeita e impactante entre o espetáculo da ação e o arrojo dos efeitos visuais.
A esse sedutor cardápio de escapismo hollywoodiano, o diretor Robert Rodriguez acrescenta seu próprio e instigante estilo e reserva espaço para deixar o material bastante fiel à sua fonte, uma história tipicamente cyberpunk, como é habitual em realizações oriundas de mangás como “Akira” ou “Ghost In The Shell”.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

A Musa


Embora situado na Costa Oeste americana –mais precisamente em L.A., Hollywood –e, por isso mesmo, uma oportunidade nem um pouco desperdiçada para uma sátira ao mundo do cinema, o humor realizado pelo ator e diretor Albert Brooks, em toda sua verve loquaz e sua observação auto-irônica, está fadado à injusta comparação com a obra de Woody Allen.
É bem verdade que ele não faz nada para ajudar: Numa série do que parecem ser reflexos condicionados, ele escala a si mesmo como protagonista; num personagem que ainda por cima, na reflexão sobre os dilemas da criação lhe é um perfeito alter-ego; cria diálogo intelectualizados em tom de galhofa; e discorre em seu roteiro um sem-fim de incertezas e neuroses acerca do processo criativo e, em última instância, da relação entre homens e mulheres.
Do jeito como está, Albert Brooks parece, portanto, clamar por ser visto como um herdeiro de Woody Allen.
Seu personagem é Steven Phillips, roteirista que acabou de receber um prêmio humanitário pela carreira em Hollywood –prêmio este apresentado por Cybill Sheperd.
Nem tudo, porém são flores: Já na manhã seguinte, Steven descobre o pouco interesse que seu nome desperta nos figurões de Hollywood. Seu último roteiro foi recusado por sua absoluta falta de graça e ele corre o risco de não conseguir mais emprego para sustentar sua mulher (Andie MacDowell) e seus filhos.
Ao procurar por um amigo (Jeff Bridges) para chorar suas pitangas, ele recebe uma sugestão improvável e estranha: Recorrer aos serviços de uma musa (!), uma mulher dotada de capacidades indescritíveis de inspirar outros indivíduos, descendente direta das nove musas da mitologia grega.
Interpretada por Sharon Stone com a exuberância de quem sabe ser a estrela do filme, a musa Sarah Little vai de encontro com o que se imagina dela: Já chega requisitando regalias como um luxuoso quarto de hotel, mordomias de superstar e extravagâncias culinárias dignas dos mais arrojados restaurantes.
Steven, que tem lá suas incredulidades em relação à musa sugerida pelo amigo, tem medo de que realmente sua inspiração não volte, e por isso submete sua predisposição a ser pão duro aos caprichos da musa –o que a leva, da suíte caríssima de hotel, a hospedar-se na casa dele próprio (!). Ironicamente, a presença da musa acaba inspirando a mulher de Steven que, incentivada pelos elogios aos seus biscoitos inicia uma bem-sucedida parceria com o chef de cozinha de um restaurante.
Acertando no gracioso quando mirava no ferino, o filme de Albert Brooks não destila a acidez contra o meio cinematográfico que ele gostaria (as pontas de Rob Reiner, James Cameron e Martin Scorsese são ilustrativas do deboche absolutamente inocente que ele faz), além de tratar a questão da “musa” de modo superficial, embora até guarde uma surpresa um pouco divertida em seu desfecho.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A Saga Exterminador do Futuro

O Exterminador do Futuro
Foi com este projeto que James Cameron saiu no início da década de 1980 do gueto precário e restritivo dos filmes de baixo orçamento –onde Roger Corman ainda reinava –e foi direto para as mega-produções que, nas décadas que se seguiram, ele próprio ajudou a definir.
Como trata-se da revelação do grande diretor James Cameron, ele consequentemente trabalha aqui com um orçamento muito mais barato do que aqueles com os quais ele se acostumaria. Vale lembrar que este filme também lançou o ator Arnold Schwarznegger, perfeito no papel de andróide do futuro.
Curioso notar que, mesmo em seus primórdios como realizador, Cameron manteve um estilo e uma estrutura artística que se revelam coesos em toda sua filmografia.
Em “Exterminador do Futuro”, ele vislumbra um mundo em larga escala, mais por meio da sugestão que do fato, suas inquietações, no entanto, estão todas lá: A via de mão dupla que representa a tecnologia; a mulher assumindo um papel proeminente no processo de sobrevivência; e um certo ciclo, tão lógico quanto inclemente, a impor um destino específico aos personagens.
Bem mais marcante que o herói perplexo e oscilante vivido por Michael Bein é, de fato, o andróide vindo do futuro, e com aparência humana, personificado de maneira memorável por Schwarzenegger –a sua compleição física truculenta, seu porte avantajado e sólido, sua fisionomia de traços fortes e quadrados, além da inflexão na voz (que ele sempre atribuiu ao sotaque austríaco) deram a ele uma forte e diferenciada presença de cena.
Denominado T-800, ele aparece em plena Los Angeles do ano de 1984 para dar cabo de uma jovem específica: Sarah Connor (Linda Hamilton, que depois casou-se com o diretor) futuramente será a mãe do homem predestinado a ser o líder dos humanos numa guerra apocalíptica contra as máquinas. No futuro de onde vem o T-800, tal guerra já se encontra praticamente ganha pela humanidade –daí o envio do T-800 ao passado representa assim o último recurso das máquinas para obter vitória. Para proteger Sarah, vem também do futuro, um jovem soldado humano, Kyle Reese (Michael Bein), oficial da mais extrema confiança de John Connor, o filho salvador que ela terá –e o nome desse personagem (que aqui nunca aparece) não só leva as sugestivas iniciais de Jesus Cristo, como também as do próprio James Cameron.
O embate entre o andróide assassino e o humano enviado para detê-lo é também a batalha que, por assim dizer, definirá o conflito.
Não é só em suas habilidosas cenas de ação que este cultuado filme dos anos 1980 se mostra um produto desigual: Ele o faz também com elementos de forte apelo mítico em sua premissa originalíssima para o então emergente cinema de ação; o lance mais notável talvez seja o enlace que confere simetria ao melindroso enredo de viagem no tempo –Kyle Reese, descobrimos, acaba sendo o próprio pai de John Connor, ao engravidar Sarah numa breve noite de amor antes do embate final com o andróide.
Esse peculiar detalhe acerca da inevitabilidade das trajetórias e tragédias humanas acrescenta um valor perene que eleva “Exterminador do Futuro” num outro patamar.

O Exterminador do Futuro 2-O Julgamento Final
Quando arregaçou as mangas para realizar uma continuação de seu sucesso de 1984, James Cameron já não era mais um jovem artesão tentando se provar aos olhos da indústria. Entre o primeiro e este segundo filme, ele provou que era capaz de dar continuidade em igual medida de qualidade à uma saga tida por genial, com “Aliens-O Resgate”, e ainda deu início a um hábito que se tornou freqüente, de embarcar em projetos que almejavam sucessivas inovações técnicas, com “O Segredo do Abismo”.
Em “Exterminador 2”, Cameron, portanto, tinha cacife, recursos e disposição para realizar o filme da maneira como sempre quis: Uma ficção científica de ação, onde os abalos sísmicos provocados pela alteração da viagem no tempo são tão demolidores quanto a destruição de fato que testemunhamos em cena.
A trama, passada agora no início dos anos 1990, finalmente coloca Jonh Connor em cena (bem interpretado pelo jovem Edward Furlong), e desta vez, os enviados do futuro são agora um robô avançadíssimo composto por metal líquido (da parte das máquinas), e um andróide tal e qual o do primeiro filme (desta vez, do lado dos humanos), para perseguir o agora adolescente John Connor, que no futuro –é sempre bom lembrar –será o líder dos humanos na guerra contra as máquinas.
Entretanto, o astro Schwarzenegger também já não era nenhum estreante quando deste segundo filme: Não havia muito sentido em colocar um dos mais populares astros do cinema atual como o vilão novamente, assim optou-se por uma inversão. Agora, um andróide T-800 (mesmo modelo do primeiro filme) foi programado para proteção e não para extermínio, restando ao excelente Robert Patrick, como T-1000 (notável em sua atuação gélida) a função de antagonista.
Todavia, Patrick tem um trunfo e tanto ao seu lado: Os 100 milhões de dólares em orçamento que James Cameron torrou (e que fizeram deste filme, à época, a mais cara produção da história) surgem em cenas de assombrosos efeitos especiais que reproduzem as mutações do T-1000 em um ser de metal líquido, um efeito fascinante.
James Cameron manipula com maestria os elementos que ele mesmo havia criado no primeiro filme para fazer desta seqüência um filme nunca menos que sensacional.

O Exterminador do Futuro 3-A Rebelião das Máquinas
A empresa que detinha os direitos da franquia do “Exterminador do Futuro”, a Carolco, veio à falência em algum momento dos anos 1990, levando à compra dos direitos de filmagens por outros produtores. O quê culminou, em 2003, com a realização de um terceiro filme da saga, desta vez, sem a intervenção de James Cameron, o quê deixo muitos fãs preocupados.
Contudo, a saída do diretor e criador da saga só não afetou a qualidade do filme por que ele foi substituído pelo competente Jonathan Mostow (dos ótimos “U-571-A Batalha do Atlântico” e “Break Down-Implacável Perseguição”). Hábil e visivelmente respeitoso com o material original, Mostow criou um desfecho brilhante que fechava as três produções em forma de trilogia, e apesar de contar com a ilustre (e necessária) presença de Arnold Schwarzenegger, foi sensato ao finalmente dar o protagonismo da história a John Connor (vivido com tamanho empenho por Nick Stahl que chega a deixar Edward Furlong no chinelo!): Quase dez anos depois dos eventos relatados no segundo filme, o jovem John Connor, já sem a companhia de sua mãe, Sarah, vive pelo mundo sem raízes e sem documentos que o tornem rastreável. Do futuro então, as máquinas enviam uma andróide avançadíssima –uma mescla dos inimigos dos dois filmes anteriores; um esqueleto robótico (como o T-800) revestido de metal líquido (como o T-1000) –interpretada pela bela e eficiente Kristanna Loken.
Sua missão: Exterminar jovens que serão oficiais de confiança do próprio John Connor, enquanto que a resistência envia um andróide modelo T-800 (Schwarzenegger novamente) para tentar protegê-lo.
Entretanto (e essa é, talvez, a grande sacada de gênio do roteiro deste terceiro filme), a batalha fatídica da humanidade contra as máquinas, na qual John Connor irá liderar os humanos, está próxima, muito próxima de se concretizar.

O Exterminador do Futuro-A Salvação
Ao mesmo tempo em que os direitos autorais da saga “Exterminador do Futuro” foram passando por diversos estúdios diferentes nas décadas de 1990 e 2000, a série também foi se tornando um ícone indissociável da cultura pop.
A quarta parte da série, agora sob o controle da Sony Pictures chegou aos cinemas polarizada entre esses dois extremos: De um lado, uma alteração radical das mentes e opiniões criativas no controle da produção, de outro, uma obra dona de uma legião de fãs cada vez maior e que gerava imensa expectativa em torno de sua realização –e pensar que o primeiro filme era uma obra de baixo orçamento...
Sem Schwarzenegger, que na época ainda era governador da Califórnia e não fazia mais cinema (embora tenha sido “homenageado” numa breve cena que o reproduz por computador), e sem qualquer contribuição de James Cameron (que só voltou a ter os direitos da saga em 2014 e produziu o péssimo “O Exterminador do Futuro-Gênesis”), a realização do filme foi confiada ao diretor McG (de “As Panteras”) que apressou-se em afirmar que o novo “Exterminador” não seria nada parecido com seu filme anterior.
De fato, este novo filme busca uma abordagem de ação sem firulas e sem humor, onde se nota um cuidado redobrado para preservar uma visão aproximada com a de James Cameron. O problema era que McG não via o terceiro filme com bons olhos, e deu à este quarto uma orientação que o levava a um outro rumo: A guerra contra as máquinas, incessantemente citada nos três filmes anteriores, torna-se aqui realidade. O ano é 2018 e os humanos sobrevivem como fugitivos nas cidades destruídas, perseguidos por uma infindável variedade de máquinas exterminadoras –e essa premissa da maneira como é trabalhada aproxima este quarto filme também de outro clássico dos anos 1980, o futurista e distópico “Mad Max”.
Nesse mundo desolado, alguns soldados ao redor do planeta compõem a "resistência", que visa derrotar as máquinas. Em meio a isso tudo, John Connor (Christian Bale, pouco a vontade no papel) desponta como um líder quase profético. Ele busca pelo jovem Kyle Reese (vivido pelo saudoso Anton Yelchin), consciente de que este será seu pai quando enviado para o passado.
Durante todos esses eventos, surge o misterioso Marcus Wright (Sam Worthinton, de “Avatar”, o verdadeiro herói deste filme), que guarda um desconcertante segredo e pode ser a resposta para algumas perguntas não respondidas desta saga.

Ainda que cheio de boas intenções, “A Salvação” é facilmente o filme mais problemático dentre os quatro primeiros –nem dá para comparar com a catástrofe que é “Gênesis”! –sendo que a direção de McG e sua incapacidade de dirigir atores a contento (algo que Cameron fazia muito bem) desequilibram por completo a dinâmica entre a condução da trama e as cenas de ação.