Mostrando postagens com marcador Anthony Mackie. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anthony Mackie. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Capitão América - Admirável Mundo Novo


 Embora persiga o tempo todo a atmosfera conspiratória do excelente “Capitão América-O Soldado Invernal”, este “Brave New World” dá continuidade realmente aos eventos mostrados em “O Incrível Hulk” (de um já longínquo 2008) e “Eternos” (de 2021). Quando reencontramos o protagonista, Sam Wilson (Anthony Mackie), ele já veste o manto de Capitão América a pelo menos quatro anos –desde que assumiu esse legado na minissérie “Falcão e O Soldado Invernal”. Sua missão é deter a negociação envolvendo um item desconhecido entre a Sociedade da Serpente, chefiada pelo inescrupuloso Coral (Giancarlo Esposito), e um comprador misterioso. Já aí, a narrativa concebida pelo diretor Julius Onah (de “The Cloverfield Paradox”) orquestra vários pontos de partida (como é de praxe, muitos deles extraídos dos quadrinhos originais) para buscar um todo mais sólido e exuberante, ainda que, ao contrário do que fizeram (e muito bem) os Irmãos Russo nos filmes predecessores, essa solidez e essa exuberância nunca cheguem, de fato, a aparecer.

Se de um lado temos Sam Wilson e seus válidos esforços em corresponder às expectativas dele esperadas como Capitão América –não apenas ao substituir a grande e inspiradora presença de Steve Rogers, mas também ao representar um herói tão icônico sendo também um homem negro a trazer consigo à reboque toda uma questão de representatividade racial –do outro, temos o General Thadeus Ross (vivido por Harrison Ford, substituindo o falecido William Hurt, intérprete anterior do personagem) cuja fama de irascível ele procura avidamente deixar de lado por conta de A) reatar os laços com a filha, Betty (Liv Tyler), em frangalhos desde que ele caçou, por anos, o Hulk, assim como outros heróis, e B) honrar seu novo cargo de presidente eleito dos EUA perante o povo norte-americano.

Para tal intento, Ross quer se aproximar de Sam Wilson, sobretudo, após a bem-sucedida missão em recuperar o tal item desconhecido (que havia sido roubado de aliados japoneses), entretanto, novas complicações tornam a afastá-los: Acontece que o Celestial petrificado em pleno oceano em “Eternos”, vem a ser constituído de um novo minério que as potências mundiais identificaram como tão resistente (ou até mais!) que o cobiçado vibranium de Wakanda, o adamantium. De olho nessa nova riqueza, vários países forjam uma tênue aliança com os EUA, mas um atentado na Casa Branca –perpetrado por Isaiah Bradley (Carl Lumbly), um ex-supersoldado veterano, ao que tudo indica sob controle mental –pode colocar tudo a perder, e deixar os EUA à beira de uma guerra.

A tarefa deste novo Capitão América em seu primeiro filme solo é, portanto, complicada: Provar a inocência de Isaiah, descobrir quem é o misterioso vilão manipulador que aparentemente está por trás de tudo isso, e deter uma crise política de proporções globais. Tudo isso, contando com a ajuda do novo Falcão, Joaquim Torres (Danny Ramirez), uma vez que o próprio Presidente Ross, como sempre, mostra-se alguém de difícil relação –em especial, por conta do segredo que o liga ao tal vilão manipulador, e que pode levar Ross a uma metamorfose inesperada como a ameaça conhecida por Hulk Vermelho –e, embora desse detalhe seja resguardado para o trecho final do filme, ele não é nenhuma surpresa, uma vez que dominou por completo o material promocional do filme nos últimos meses antes de sua estréia. Grave problema de marketing: Certamente, se a questão envolvendo o Hulk Vermelho e sua aparição no clímax de “Brave New World” tivesse sido guardado exclusivamente para ser visto nos cinemas (como foi feito com as aparições dos Homens-Aranhas, Tobey Maguire e Andrew Garfield, em “Sem Volta Para Casa”) a empolgação provocada pelo filme seria exponencialmente maior.

Como está, “Brave New World” não é um filme ruim, longe da irrelevância maçante de “As Marvels” ou da afetação lastimável de “Thor-Amor & Trovão”, e Anthony Mackie se esforça genuinamente para ser um herói com dignidade e valor, no entanto, os predicados desta produção –leia-se, roteiro (fragmentado e mal-amarrado em muitos momentos) e direção (burocrática e incapaz de evidenciar sequências mais memoráveis) –ficam muito aquém das obras nas quais se inspira e às quais tenta a todo o custo igualar: Os excelentes filmes estrelados pelo Capitão América anterior, Steve Rogers (Chris Evans).

domingo, 30 de abril de 2023

Falcão e O Soldado Invernal


 Legado –esse parece ser o principal tópico em torno do qual giram os enredos da Fase 4 do Universo Marvel Cinematográfico, desde o final da “Saga do Infinito” cuja trama trouxe, à reboque, seus cerca de vinte primeiros filmes. Embora suas ambições narrativas tenham se estendido também para as séries do TV (das quais esta é um dos exemplares), a intenção de conectividade em suas histórias permanece mais forte do que nunca, bem como a intenção de manter uma similaridade na qualidade cinematográfica de seus produtos. Entretanto, com os heróis principais dizendo adeus (seja pela chegada no desfecho de suas trajetórias, seja pelo fim do contrato de seus intérpretes, seja, na maioria dos casos, por conta das duas razões), a Marvel em geral, e a Fase 4 em particular acabaram abordando justamente a questão do legado, a passagem de bastão de um personagem, já veterano, para outro, em início de jornada.

Esta minissérie, “Falcão e O Soldado Invernal”, vem a falar sobre os dilemas de Sam Wilson (Anthonie Mackie), mais conhecido como Falcão, depois que ele recebeu do agora aposentado Steve Rogers, o Capitão América em pessoa (que é bastante mencionado, mas, nunca aparece de fato), o seu poderoso e simbólico escudo, o que o torna, consequentemente, o novo Capitão América. No entanto, como a série tratará de mostrar ao longo de seus nove episódios, herdar tal legado não é uma tarefa simples, ainda mais para alguém como Sam que, diferente do quase ariano Steve Rogers, é um homem negro, ciente do descaso e das injustiças que seus pares sofreram (e, por vezes, continuam a sofrer) ao longo de toda a história dos EUA.

Ao abranger um tema de incontornável seriedade, a série sabiamente evoca ritmo, espírito e atmosfera de “Capitão América-OSoldado Invernal”, dirigido por Anthony e Joe Russo, um dos longa-metragens responsáveis por tornar o Capitão América um dos maiores heróis do estúdio. Como naquele estupendo trabalho, aqui, o roteiro lembra por vezes o de um thriller de espionagem, inclusive com o surgimento de um grupo dissidente de supostos terroristas, os Apátridas, lutando por uma ideologia que, na teoria, parece fazer um certo sentido: Unir todo o mundo num povo só, abolindo todas as fronteiras. Na prática, porém, os objetivos desse grupo armado esbarram nas complicações do mundo real, reagindo a elas com violência e terror. Sam Wilson e James ‘Bucky’ Buchanam Barnes (Sebastian Stan), outrora o Soldado Invernal, tentando se redimir de seu passado como assassino controlado pela Hidra, se unem para tentar deter os Apátridas quando descobrem que os membros do grupo têm, de alguma forma, o soro do Supersoldado, o que lhes possibilita força e velocidade assombrosas. Há, porém, um problema: Sentindo-se incapaz de corresponder à herança como Capitão América, Sam entrega o escudo ao governo dos EUA que nomeia um combatente condecorado, o soldado John Walker (Wyatt Russell, filho de Kurt Russell e Goldie Hawn), como novo Capitão, um homem que, à medida que as missões começam a cobrar-lhe sacrifícios maiores, se revela instável.

Dirigida (por Kari Skogland) e escrita (por vários, com predominância do criador, Malcolm Spellman) com insuspeita habilidade, a minissérie avança sabendo habilmente centralizar Sam e seu notável protagonismo, no objetivo de evidenciar ao público o quão certeira é sua escolha como novo Capitão América –algo, diga-se, seguido à risca do que se passou nos quadrinhos. Quando conhecessem a líder dos Apátridas, Karli Morgenthau (Erin Kellyman, de “Han Solo”), os heróis descobrem que ela não é a vilã translúcida e unilateral que outrora enfrentariam sem pestanejar –o mundo atual não tem mais conflitos ‘preto no branco’ como nos tempos da Segunda Guerra Mundial, e alguns inimigos da paz têm justificativas carregadas de significado e mérito em seus atos. Na busca por respostas, Sam e Bucky tiram de sua prisão o tentacular e manipulador Barão Zemo (Daniel Brühl, reaproveitando brilhantemente seu personagem de “Capitão América-Guerra Civil”) que os acaba levando até a ilha de Madripoor (um sensacional cenário vindo direto dos quadrinhos da Marvel e que já sugere, em algum momento, a proximidade dos “X-Men”) onde reencontram a renegada Sharon Carter (Emily Vancamp), personagem que traz algumas reviravoltas inesperadas. É Sam quem deve se provar o ponto de equilíbrio entre muitos desses personagens superpoderosos em rota de colisão, até porque sua própria escolha como Capitão América é, em si, uma mensagem de igualdade e justiça para todos –e para isso, ele deve encontrar a verdade sobre o próprio legado conhecendo Isayah Bradley (Carl Lumbly, da série “Alias-Codinome:Perigo”) e sua amarga história como primeiro supersoldado negro.

Tensa, austera, magnificamente frenética e politicamente relevante, mesmo que para efeitos de mera analogia, “Falcão e Soldado Invernal” se aproveita maravilhosamente de seu formato minissérie, para além do tempo restrito de um longa-metragem, estabelecendo ao longo de seus episódios uma trama rica e detalhada sobre as consequências pessoais e plurais de uma passagem impactante de bastão, colocando em pauta questões atuais como o desamparo governamental de refugiados, as discriminações de cor e a integridade do cidadão.

sábado, 30 de julho de 2022

Os Agentes do Destino


 Há certa beleza nesta adaptação de Phillip K. Dick (autor de "Blade Runner" e "Minority Report"), aclamado escritor de ficção científica cuja obra sempre questionou a manipulação da vida. contudo, o trabalho do diretor George Nolfi, se prima por uma austeridade que lhe confere uma elegância incomum às obras corriqueiras do cinema norte-americano, ele também se mostra mais portentoso do que esclarecido: Se há uma mitologia mais detalhada por trás dos intrigantes ‘homens de chapéu’ que surgem no filme, ela fica completamente relegada nas entrelinhas –as explicações que são fornecidas ao protagonista (e, por conseguinte, ao público) são vagas e sem maiores aprofundamentos. Seriam eles alienígenas? Agentes multi-dimensionais? Titereiros do caos vindos do futuro?

Nada em relação a isso fica muito claro, passando a impressão, de um certo ponto em diante, que o suspense assim  esboçado em torno de tal mistério foi mais perfumaria do que narrativa, e na expectativa de respostas válidas às questões que ele mesmo plantou, o filme entrega, em seu clímax, um corre-corre aventuresco sem muita inovação, como se ao acelerar o ritmo, um lapso desses pudesse assim ser compensado.

Na trama acompanhamos um jovem congressista (vivido por Matt Damon), candidato ao senado de Nova York, conhecendo uma bailarina (Emily Blunt, hábil em encantar) no dia em que descobre ter perdido sua eleição. Por ela, o rapaz se encanta de imediato. Torna a revê-la por acaso algum tempo depois, mas, quando tenta manter com ela um relacionamento, é detido por estranhas figuras trajando terno e chapéu, donos, ao que parece, de um estranho poder controlador da realidade. Segundo estes, o amor por ela não faz parte do "plano" estabelecido para ele. O papel dela teria sido tão somente de ‘inspirá-lo’ num determinado ponto de sua vida, nada mais. Contudo, os dois compartilham, nesse breve encontro, de um amor avassalador que não estava nos planos dos ‘homens de chapéu’ que, munidos de seus curiosos poderes –capacidade de teleporte, uma espécie de telecinese e alarmante predisposição para se meter na vida alheia (!) –procuram tentar separá-los, numa forma de forçá-los a seguir um rumo predeterminado de vida. apesar disso, o casal enamorado conta com a simpatia de um desses homens (Anthony Mackie, de “Guerra Ao Terror”, antes de se tornar o Falcão em “Capitão América-O Soldado Invernal”) que tentará ajudá-los.

Em sua despretensão e simplicidade este filme, austero e discreto, acerta em quase tudo que se presta, sobretudo a escolha do par central, o sempre competente Matt Dammon e a inglesa Emily Blunt, belíssima. É, no entanto, profundamente frustrante, os rumos adotados por sua premissa, que sugere, durante sua primeira metade, um desafiador questionamento de realidade ao estilo “Matrix”, temperado com elementos mais mundanos e, por que não, introspectivos, para então, gradualmente, ir abandonando esse instigante aspecto –o de uma ficção científica com uma proposta bastante singular perante seus pares –para investir na preguiçosa proposta de um casal apaixonado lutando contra qualquer obstáculo por seu amor. Ainda que esse tal obstáculo apareça na história como um grande e aparentemente intrincado vácuo que nunca recebe a devida justificativa.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

8 Mile - Rua das Ilusões


 Como todo artista apaixonado pela arte que exerce, o rapper Eminem, em sua estréia cinematográfica, queria a energia das ruas a definir a vibração musical de seu filme.

Para a plena realização de seu intento, ele conseguiu para “8 Mile” o diretor Curtis Hanson, um habilidoso apreciador da natureza humana e profundo entendido dos códigos a determinar o gênero de um filme –vide seus formidáveis “Los Angeles-Cidade Proibida” e “Garotos Incríveis”.

Eminem vive (e muito bem!) o jovem Jimmy ‘Rabbit’ Smith, morador do subúrbio de Detroit, membro de um grupo de amigos que obedece todas as características dos jovens suburbanos norte-americanos: Falam em gírias, vestem-se de modo informal, extravasam constantemente sua agressividade latente e têm, na maioria das vezes, um pé já fincado na criminalidade.

Jimmy nutre certa consciência –em grande parte motivado pela condição alcoólatra da própria mãe (Kim Basinger) –mas convive com circunstâncias que insistem em marginalizá-lo.

As agruras de Jimmy se acumulam até culminarem na fabulosa cena do duelo de rappers ao final do filme, onde Eminem justifica toda a árdua provação que experimentou na arte da atuação ao longo do filme ao demonstrar, com seu talento musical irreprimível, porque este filme é todo dele –e porque sua presença, inteligência e perspicácia como músico, compartilhada certamente com o personagem que interpreta, é o que difere Jimmy da fauna medíocre e sem futuro que o rodeia.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Gigantes de Aço


 Houve um tempo em que os filmes produzidos por Steven Spielberg eram tão agraciados quanto os filmes dirigidos por ele; quando ele entregava obras de puro divertimento como “De Volta Para O Futuro”, “Gremlins” ou “Enigma da Pirâmide”. Entretanto, o público de cinema, com o passar dos anos, se tornou manhoso e meticuloso, a ponto de ignorar certos dados de produção, e focar em coisas mais aparentemente relevantes.

No caso, “Gigantes de Aço”, lançado em 2011, era produzido por Steven Spielberg (ainda com o auxílio executivo de Robert Zemeckis), mas o detalhe que mais pareceu chamar a atenção do público –além dos ostensivos, mas pontuais e bem empregados efeitos visuais –era a presença do astro Hugh Jackman, numa das inúmeras tentativas (algumas bem-sucedidas, outras nem tanto) de sair do sombra do personagem que impulsionou sua carreira: O mutante Wolverine de “X-Men”.

Todavia, diante da informação de que “Gigantes de Aço” é, sim, produzido por Spielberg, uma série de escolhas criativas se tornam um bocado compreensíveis. Há, nele, uma visão empenhada, apaixonada e rica em textura de um futuro próximo –ou, ao menos, uma faceta bastante específica de um futuro próximo –além, de um essencial relacionamento pai e filho (uma obsessão na filmografia de Spielberg) que surge sublinhado em sua problemática para adquirir detentores elementos de afeto genuíno ao longo da trama. Até mesmo a relação entre o garotinho e o robô ganha, na medida do possível, ares semelhantes aos que o realizador deu ao seu “E.T. O Extraterrestre”.

Assim, Hugh Jackman é Charlie Kenton, um ex-pugilista cujo abandono da profissão o colocou numa rota em direção ao fracasso. No futuro do qual incumbe-se o filme, o boxe a tempos deixou de envolver humanos se digladiando para trazer robôs (!), os quais, segundo o próprio Charlie, podiam ser trucidados e lutar para além de seus limites, atendendo os anseios do público. De um promissor lutador, Charlie tornou-se um treinador de robôs, mas tudo o que fez, desde então, foi colecionar derrotas e acumular dívidas.

Durante uma audiência de custódia para decidir o destino de seu filho Max (Dakota Goyo), que mal conhece, Charlie só pensa em descolar uma grana com a ex-cunhada rica a fim de comprar um novo robô e continuar no jogo, mas, Charlie deve passar algum tempo com Max.

A partir daí, acompanhamos a relutante e implicante relação entre os dois, Charlie e Max, pai e filho, determinar a narrativa –e ela é, infelizmente, previsível até a medula, sorte que, pelo menos, a astúcia interpretativa de Hugh Jackman segura maravilhosamente bem a atenção.

Max –um moleque voluntarioso e opinativo que beira o irritante –revela-se interessado nas lutas que compõem o negócio do pai e acaba insistindo na carcaça de um robô que encontram num ferro-velho, ao qual dão o nome de ‘Atom’.

É necessário que o expectador aceite uma certa aura humanamente mágica conferida ao robô Atom a partir do momento em que ele entra em cena, caso contrário, é melhor abandonar o filme. Embora nunca fique explícito –mas, sempre fique subentendido –Atom parece ter sentimentos, uma certa característica que o faz mais que uma mera máquina autômata. Em suma, tem coração (!). Com isso, na qualidade de perdedor certo, ele surpreende seus adversários e a plateia ganhando luta após luta, caminhando a passos largos para enfrentar o grande e invicto campeão da modalidade, o monstruoso robô conhecido como Zeus.

Dirigido com eficiência, mas sem o menor traço de personalidade por Shaw Levy (diretor da Trilogia “Uma Noite No Museu”), “Gigantes de Aço” não esconde o fato de ser assumidamente uma obra de entretenimento moldada a partir de uma miríade de referências cinematográficas bastante nítidas, desde o campeão que se esconde dentro de um fracassado e que passa a surpreender a todos (como em “Seabiscuit-Alma de Herói”) até o mote manjado mas sempre envolvente do ‘Davi contra Golias’, do qual “Rocky-O Lutador” é o exemplo mais notório –e este filme remete, de cabo a rabo, ao máximo de elementos possíveis do sucesso de Sylvester Stallone.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Controle Absoluto

Rendendo uma bem azeitada parceria em “Paranoia”, o jovem astro Shia LaBeouf e o diretor D.J. Caruso tornaram a reunir-se sob a asa do produtor Steven Spielberg neste projeto consideravelmente mais ambicioso.
Houve quem dissesse, na época, que se “Paranoia” era uma versão modernizada de “Janela Indiscreta”, então, “Controle Absoluto” era uma versão modernizada de “Intriga Internacional”.
Não é bem assim.
Co-produzido por Alex Kurtzman e Robert Orcci e roteirizado por Dan McDermott (autor da ideia original), John Gleen, Hilary Seitz e Travis Adam Wright, “Controle Absoluto” era uma trama de espionagem e aventura das mais mirabolantes a tentar unir, num único pacote, elementos da então festejada “Trilogia Bourne”, o reverberante temor americano pós-11 de setembro, tecnologia de ponta (com o vasto aparato de câmeras de segurança, redes de network e aparelhos celulares surgindo como ferramentas fundamentais no roteiro), ação ininterrupta, uma discussão algo rasa sobre a vigilância governamental e referências pós-modernas ao Grande Irmão de “1984 de Orwell”.
Uma das pontas soltas do emaranhado de fios narrativos que vai se construindo ao longo do filme, o personagem de Shia LaBeouf, Jerry Shaw, recebe a devastadora notícia da morte de seu irmão gêmeo.
Paralelamente, outras coisas acontecem, como o fato de Rachel, a mãe solteira vivida por Michelle Monaghan, deixar seu filho pequeno ir, de trem, a uma apresentação musical de sua escola, na cidade de Washington.
No mesmo dia, Jerry recebe em seu apartamento, uma misteriosa remessa de armas e apetrechos que o tornam um suspeito de terrorismo aos olhos da lei –uma das muitas manobras sem muita lógica do roteiro que parece mais interessado em justificar o corre-corre do que em estruturar uma trama sem furos. Na delegacia, Jerry recebe o telefonema de uma mulher desconhecida (na voz da atriz Julianne Moore, à propósito) que lhe instrui, de forma quase premonitória, à perpetrar uma fuga inacreditável: Um guindaste arromba a parede da sala onde ele se encontra, e a tal voz parece ser capaz de controlar o fluxo dos trens do metrô para faze-lo seguir o rumo que ela deseja.
O mistério acerca de quem ou o quê é a voz no telefone não se sustenta do modo como poderia se imaginar –ou porque, em sua empolgação, o diretor Caruso não demanda maior atenção a isso, ou porque lhe falta perspicácia para realizá-lo: A voz é, pois, de uma inteligência artificial operando de dentro do próprio Pentágono e, no plano nebuloso que ela parece desenvolver, estão incluídos não só os perplexos Jerry e Rachel (que, coagidos cada qual à sua maneira, logo se veem lado a lado), como também o Agente do FBI Thomas Morgan (Billy Bob Thornton), a Investigadora da Força-Aérea Zoe Pérez (Rosario Dawson), o Major Bowman (Anthony Mackie, antes de virar o Falcão em “Capitão América-Soldado Invernal”) e o Secretário de Defesa Callister (Michael Chiklis, da série “The Shield” e do filme “Parker”).
Acelerado, dotado de uma produção ostensiva à cargo de Spielberg, e orgulhoso das reviravoltas que entrega minuto e minuto num ritmo perigosamente enervante e quase inverossímil, “Controle Absoluto” é um filme de ação high-tech a demonstrar, acima de tudo, um comando bastante seguro e convicto de D.J. Caruso, que não perde a mão, nem mesmo quando o filme ameaça ruir diante das próprias pretensões narrativas na sua parte final.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Detroit Em Rebelião

Na esteira das duas últimas grandes obras da diretora Kathryn Bigelow, “Guerra Ao Terror” e “A Hora Mais Escura” (todos eles realizados em colaboração com o roteirista Mark Boal), este “Detroit Em Rebelião” esteve por muito tempo cotado para integrar as lista dos filmes indicados ao Oscar 2018, o quê, sabe-se, não aconteceu, provavelmente em face da produção ser uma obra de extremo teor alarmante, algo que pode ter saturado público e crítica ao longo de um 2017 tão pontuado por discursos de denúncia e em prol da diversidade.
O filme vem envolto na habilidade insuspeita que sua diretora tem de deixar os nervos do expectador à flor da pele.
Não poderia ser diferente.
O ano é 1967, auge da luta pelos direitos civis. O lugar é a zona oeste de Detroit, local segregado de bairros predominantemente negros onde o policiamento encontra constante conflito com a população indignada.
A narrativa de Bigelow começa seu filme de forma abrangente, oferecendo ao expectador informações de sobra para que ele se contextualize, se ambiente e compreenda o barril de pólvora no qual os conflitos raciais transformaram a cidade.
A diretora recorre a quase uma hora de filme para passear em situações breves, porém, pertinentes, oscilando entre personagens, criando um panorama amplo.
Aos poucos, contudo, ela vai se concentrar em alguns personagens específicos: O policial racista Krauss (Will Pouter, de “O Regresso” e “Maze Runner-Correr Ou Morrer”) que freqüentemente perde o controle e a razão na execução de seu dever; o trabalhador negro Dismukes (John Boyega, de “Star Wars-O Despertar da Força”) que acumula dois empregos, um dos quais vigia noturno de uma loja; os dois amigos Fred (Jacob Latimore, também de “Maze Runner”) e Larry Cleveland (Algee Smith) que sonham com o sucesso de um grupo musical do qual fazem parte.
Estes personagens têm sua trajetória entremeada quando o filme já quase chega ao seu segundo terço, quando a diretora Bigelow enfim começa a elucidar o fato real que aqui se dispôs a reconstituir: Reunidos no motel Algiers, ao lado de outras pessoas (como o ex-combatente do Vietnam interpretado por Anthony Mackie, e duas jovens brancas de Ohio), Fred e Larry estão entre os presentes imediatamente abordados pela polícia –entre os quais o oficial Krauss, um grupo de soldados da Guarda Nacional e mais o próprio Dismukes.
Ouviram-se tiros lá fora –na realidade, uma brincadeira de um dos rapazes com uma arma de espoleta –e todos invadiram o motel dispostos a obter a confissão de um sniper a qualquer custo.
Liderados pelo inconstante Krauss, os policiais e os soldados exercem uma pressão psicológica insuportável entre os suspeitos e logo, diante da frustração de não haver provas concretas que viessem embasar seu ato violento, começam a oferecer perigo real à vida de todos eles.
Como fez especialmente em “A Hora Mais Escura”, o roteiro de Mark Boal pega um evento real nebuloso e preenche suas lacunas com a liberdade proporcionada pela ficção, mas impelida por uma sensibilidade emocional e uma austeridade factual que tornam quase inquestionável a precisão de seu relato.
Nada no filme esconde a analogia que a trama e suas circunstâncias estabelecem com outro lamentável evento da história americana (e intrinsecamente ligado à filmografia de Bigelow): A invasão militar promovida por George Bush ao Iraque sob alegações de que haveriam armas de destruição em massa.
O roteiro coeso e firme de Boal aliado à formidável direção de Bigelow rende um trabalho longo, aflitivo e poderoso que exige nervos de aço do expectador.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Menina de Ouro

O filme de Clint Eastwood surgiu discretamente, aparentando de arrancada uma semelhança bastante grande com “Girlfight”, um trabalho independente da diretora Karyn Kusama, estrelado por Michelle Rodriguez (de “Velozes e Furiosos”) e lançado alguns anos antes.
Entretanto, “Menina de Ouro” foi pouco a pouco arregimentando admiradores que enfatizavam a guinada brusca, dramática e magnífica que a trama sofria em seu terceiro ato e que só aprofundava os relacionamentos e as questões íntimas já muito bem construídas pelo roteiro austero e objetivo de Paul Hagis e pela direção de Eastwood. E ainda lançava o filme numa outra reflexão completamente diferente e inesperada.
Quando o filme começa, Eastwood lança seu olhar –carregado de empatia e de parcimônia para com os pormenores mais simples –sobre a vida de Maggie (Hillary Swank, vencedora do Oscar de Melhor Atriz), uma garota pobre, porém determinada a freqüentar uma academia de boxe e, se possível, fazer sucesso como uma lutadora campeã.
Para tanto, ela insiste na tentativa de ser treinada pelo dono do lugar, Frankie Dunn (Clint Eastwood), uma espécie de descobridor de talentos do pugilismo. Mas, Frankie não vê futuro numa moça com talento para o boxe –um esporte predominantemente masculino –e o pouco de receptividade que Maggie consegue vem de Eddie ‘Scrap’ Dupris (Morgan Freeman, que ganhou aqui seu único Oscar até então, de Melhor Ator Coadjuvante), o zelador do ginásio que tem com Frankie uma relação de implicante convivência típica dos homens de idade avançada que nutrem profunda ligação afetiva.
O filme de Eastwood até aí se constrói com solidez como um drama bem conduzido, prazeroso e envolvente sobre personagens comuns unidos por compatibilidade e por um amor de natureza mundana, sem arroubos sentimentais, mas nem por isso menos belo.
Todavia, há um crescendo notável na narrativa quando, após muita perseverança, Frankie cede em treinar Maggie, e ela rapidamente se destaca nos ringues chegando a disputar o título de campeã de pesos-médios. Soa quase como uma sacada de gênio, quando uma fatalidade inesperada muda o rumo das coisas e dá um novo enfoque ao relacionamento dos dois e conduz a trama de Frankie e Maggie num gênero completamente diverso.
“Menina de Ouro” acaba sendo não apenas um tributo e um testemunho à maturidade de Clint Eastwood como cineasta, mas também uma obra singular que leva o espectador por meio da subversão de suas próprias expectativas, a uma profunda discussão sobre a eutanásia, num trabalho tão ou até mais contundente do que o ótimo filme espanhol “Mar Adentro”, lançado naquele mesmo ano.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Guerra Ao Terror

Para muitos, este foi o filme independente que tirou de “Avatar” a glória de conquistar o Oscar de Melhor Filme em 2009.
É curiosa a opção da Academia em premiar este pequeno e esmerado filme de guerra, de fato artisticamente superior à produção de James Cameron, mas que não representa, por assim dizer, o repertório técnico do futuro cinematográfico como aquele filme o fazia.
“Guerra Ao Terror” é um pequeno Davi que venceu um gigante Golias, todavia, esse fato, na maioria das vezes, tira-lhe a verdadeira razão para ser visto: O fato de que a diretora Kathryn Bigelow realizou com um misto envolvente de descontração e empolgação um dos melhores filmes de todos os tempos a retratar a tensão de um conflito.
Ao contrário do que muitos podem esperar, contudo, ela não realizou um filme de ação: E um olhar mais austero sobre a questão pode concluir que –diferente de guerras mais físicas como o do Vietnam ou da Segunda Guerra Mundial –a Guerra do Iraque não deixa margem para seqüências de batalha.
É assim que acompanhamos a rotina de três soldados norte-americanos cuja função é encontrar e desarmar bombas. Na brilhante e tensa cena inicial um deles (interpretado por Guy Pearce, uma das muitas pontas ilustres do filme) morre e é substituído por outro.
A questão é que, faltando trinta e oito dias para serem liberados para casa, os soldados Sanborn (Anthonie Mackie) e Eldridge (Brian Geraghty) recebem como substituto o beligerante e inconseqüente Sargento William James (Jeremy Renner, num papel divisor de águas em sua carreira).
Viciado na adrenalina do perigo, James não tem uma postura moderada e razoável como a de seu antecessor, o quê eleva a carga de tensão entre seus dois companheiros em níveis estratosféricos a medida que ocorrências perigosas de verdade vão se sucedendo. E a diretora Kathryn é particularmente eficiente ao conduzir uma narrativa onde todos os humores e sensações exasperantes convergem dos personagens para o expectador.
O título original de “Guerra Ao Terror” é “The Hurt Locker” cuja tradução mais aproximada seria algo como “o invólucro da dor”. Trata-se de um termo entre usado nas Forças Armadas que define o lugar metafórico em que se encontra o soldado cuja missão não foi capaz de cumprir: E tem-se, justamente aí, o grande segredo para melhor definir o filme; mais do que cenas de alta tensão, e momentos estarrecedores (e eles existem, brilhantemente costurados e detalhados pelo ótimo roteiro de Mark Boal), o trabalho de Bigelow sempre lembra de lançar seu olhar para os seres humanos no centro da questão.
A despeito de suas atitudes no início inexplicáveis, o sargento James, na atuação magnificamente controlada e ponderada de Renner, revela-se um personagem de insuspeita profundidade, por quem passamos a torcer e nos importar.

“Guerra Ao Terror” também possui o mérito de ir um passo além de “Soldado Anônimo” talvez, o único filme sobre a Guerra do Iraque tão bom quanto este daqui: Naquele filme, nos apegávamos aos personagens, mas o diretor Sam Mendes, ao fim do conflito, logo abandonava o público terminando o filme antes de sabermos como foi a volta dos soldados para casa. Já, aqui Kathryn Bigelow estende sua narrativa um pouco mais, dando o vislumbre necessário para descobrirmos como foi o regresso do sargento James ao lar. O suficiente para descobrirmos junto com ele que a guerra deixou-lhe uma série de impressões que passaram então a definir quem ele é, e à guiá-lo para a acachapante decisão que ele toma na cena final.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Sem Dor, Sem Ganho

Talvez, esta tenha sido a primeira vez em que vi a direção de Michael Bay trabalhar em função de um propósito narrativo, e não a favor de explosões e tiros no mais alto volume. Seus excessos ainda estão todos lá, é bem verdade, mas aqui parecem apoiar a própria proposta insana deste filme inspirado em fato verídico: A de que a realidade é ainda mais exacerbada e absurda do que a ficção!
Três ratos de academia (Mark Walhberg, Dwuaine ‘The Rock’ Johnson –engraçadíssimo –e Anthonie Mackie) decididos a pegar uma via mais simples para a realização de seu "sonho americano" resolvem sequestrar um dos mais endinheirados clientes da academia onde malham, para assim, através das mais gaiatas torturas, obrigá-lo a passar seus bens para o nome deles. O resulto conduzirá todos numa espiral de crimes que terminará de forma violenta, ainda que hilária!

Baseado no que é considerado o “julgamento mais bizarro da história da Califórnia”, este filme traz um argumento quase absurdo combinando a perfeição com o estilo espalhafatoso, exagerado e acelerado de Michael Bay, dando à trama o enfoque sensacionalista e morbidamente engraçado, sem o qual ela provavelmente não iria funcionar (em um determinado momento, a narrativa se interrompe para praticamente relembrar o expectador que esta ainda é um história real!), além de beneficiar-se de uma escolha muito feliz de elenco: Whalberg, Dwayne Johnson e Mackie estão perfeitos no equilíbrio de humor que seus personagens exigem. Junto deles, um elenco admirável comparece em diversas participações (vamos e venhamos, apesar de tudo, Bay quase sempre reúne atores interessantes em seus projetos...), como Ed Harris, Tony Shaloub e Rebel Wilson. O resultado é uma grata e inusitada surpresa.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Capitão América - O Soldado Invernal

Vinda de uma sucessão bastante impressionante de sucessos de crítica e de bilheteria, a Marvel Studios, assim como o público, via uma incógnita em “Capitão América-O Soldado Invernal”.
A razão era de natureza humana: Como membro mais íntegro dos vingadores, o Capitão América corria o risco de ser visto como um personagem de valores antiquados pelos acelerados e desprendidos expectadores de blockbusters atuais, tão afeitos aos anti-heróis da moda. Afinal de contas, o primeiro filme do Capitão América, que funcionou às mil maravilhas, era, ele próprio, ambientado na Segunda Guerra Mundial, contextualizando assim todas as características “à moda antiga” do herói: Era um filme de época.
Na sequência, o Capitão funcionou também no filme dos Vingadores, já arremessado para os dias de hoje, mas ali, ele era um membro de toda uma equipe, numa trama que balanceava as diferenças e idiossincrasias uns dos outros (afinal, lá estavam também o Hulk e o Thor, só para citar alguns exemplos).
O segundo filme era, portanto, o primeiro no qual Steve Rogers seria o protagonista de um trama inteiramente passada nos tempos atuais.
Para a empreitada, a Marvel ainda fez uma escolha curiosa: os irmãos diretores Anthony e Joe Russo, cujo filme mais conhecido era a mediana comédia “Dois é Bom, Três É Demais”.
Era, de certa forma, um risco. Como eles fariam, afinal de contas, um personagem como o Capitão América soar relevante e interessante em uma época tão cínica como a nossa?
A genial resposta que eles deram em “Capitão América-O Soldado Invernal” era: Não mudando absolutamente nada!
Explica-se: Num longa-metragem realizado nos moldes dos bons filmes de espionagem, onde não se podia confiar em praticamente ninguém, a presença de um protagonista transparente e íntegro como o Capitão América acabava sendo a âncora perfeita na qual a platéia podia se segurar.
E que filmaço de espionagem eles fizeram!
Trabalhando como um agente de campo da S.H.I.E.L.D. em Washington depois dos acontecimentos ocorridos em “Os Vingadores”, Steve Rogers caminha a passos largos para elucidar uma conspiração após um atentado à vida do diretor Nick Fury. O quê ele descobrirá é inclusive de nível pessoal: A Hidra, organização criada pelo Caveira Vermelha, está inflitrada na S.H.I.E.L.D. e um de seus mais preciosos operativos vem a ser o Soldado Invernal, identidade secreta de seu grande amigo Bucky, que ele considerava morto.
Revelando uma solidez narrativa das mais surpreendentes, os Irmãos Russo enfatizaram todos os aspectos que já sabiam funcionar: A atuação certeira de Chris Evans como Capitão América, sua química com Scarlett  Johansson (que aliás é uma das melhores coisas do filme!), e a diversidade e sinergia do Universo Marvel Cinematográfico.
Eles também deram uma contribuição inestimável: Um tom sombrio acachapante, um enfoque mais realista, fazendo do Capitão América uma espécie de “Jason Bourne da Marvel”, e ainda trouxeram para o elenco a presença mais do que significativa de Robert Redford.
O resultado é o melhor filme da Marvel Studios até então, e um longa de super-heróis que rivaliza em pé de igualdade, com qualidade e mérito com aquele considerado a melhor adaptação de HQ do cinema, o também realista “Batman-O Cavaleiro das Trevas”. 

domingo, 26 de julho de 2015

Homem-Formiga

A Marvel se sai maravilhosamente bem naqueles filmes em que o público a subestima.
Explico: Em “Guardiões da Galáxia”, por exemplo, no qual muita gente torcia o nariz para um filme protagonizado por uma árvore que se mexia, ou por um guaximim falante, personagens nem um pouco conhecidos do grande público, eles foram lá e entregaram uma de suas melhores produções.Um sucesso esmagador de bilheteria, e de crítica, também.
Hoje, é até estranho lembrar que, antes de 2011, muita gente tinha o pé atrás em relação ao projeto de Os Vingadores.
"Tantos personagens?" "Como farão para que tudo funcione?" "Não vai ser confuso?"
O resultado, todo mundo sabe, foi um fenômeno de bilheteria, e também, um dos filmes de maior qualidade do estúdio.
Quando a Marvel lida dentro de sua zona de conforto, porém (leia-se, continuações de seus sucessos) a coisa normalmente soa um pouco preguiçosa (ainda que, até hoje, a Marvel jamais tenha entregue um filme realmente ruim): “Homem de Ferro 2” e 3, “Thor-O Mundo Sombrio”, e até mesmo o eficiente, ainda que não completamente satisfatório, “Vingadores-A Era de Ultron”.
Daí, temos este “Homem-Formiga”, que só vem reforçar essa teoria, uma vez que trata-se de um herói pouco conhecido fora do meio dos quadrinhos, mas que termina sendo um dos mais mais vibrantes e empolgantes trabalhos do estúdio.
Como em “Homem de Ferro”, a química do elenco funciona incrivelmente bem (escolhas como Paul Rudd, Evangeline Lilly e até Michael Douglas, revelam-se certeiras!), como em Vingadores, a dicotomia entre o ritmo da trama e das cenas de ação é prazeroso. E assim como em Guardiões da Galáxia, aqui, a Marvel encontra um equilíbrio entre o humor, a seriedade e a ação que torna a trama e os personagens, apaixonantes.
Seríssimo candidato a melhor do ano.